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quarta-feira, 23 de maio de 2012

SOBRE AS IMPOSIÇÕES DE MÃOS Parte Final



4ª Agiria com maior eficácia aquele que, tendo a força magnética, acreditasse na intervenção dos Espíritos? "Faria coisas que consideraríeis milagre." Pela pergunta de Kardec fica novamente explícito quem é o detentor do poder magnético, assim como se sobressai a potenciação que surge com a interferência sabida e consentida dos Espíritos. A única coisa que não dá para ser inserida nesse contexto é a colocação do senhor Levenhagen, quando coloca: “Ora, se são os Espíritos desencarnados que dirigem os fluidos e dão aos mesmos as qualidades necessárias para aliviar, ou mesmo curar, determinada enfermidade, perguntamos: qual a necessidade da movimentação de mãos na aplicação do passe?” É de se questionar: senhor Levenhagen, será que o senhor acredita mesmo no que acaba de afirmar em sua pergunta? Será que o senhor receberia passe de uma pessoa qualquer, apenas por ela fazer imposição de mãos e não saber nada de magnetismo? Será que o senhor está mesmo em condições de comparar o que os seus colegas realizam com base na sua leitura da obra de Allan Kardec? O senhor sabia que, como magnetizador, o senhor Allan Kardec movimentava as mãos? Pois veja só: no mesmo capítulo de onde o senhor extraiu o trecho acima, no item 175 (O Livro dos Médiuns, item Médiuns curadores), Allan Kardec anotou o que se segue: “...Diremos apenas que este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel; porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico; no caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo...”. (grifei)
Como deve ser observado, mesmo em relação aos médiuns curadores ― que são diferentes dos passistas ― o senhor Allan Kardec aponta três opções de técnicas de cura: o toque ― este, inclusive, é, de maneira equivocada, totalmente descartado pela grande maioria dos espíritas ―, o olhar ou um gesto - isso mesmo, para desespero de quem quer apresentar o seu ponto de vista acima da base kardequiana, Kardec fala em gesto como técnica de cura.
Mais adiante, conforme grifei, Kardec define o processo magnético, como sendo um verdadeiro tratamento, seguido, regular e metódico, o que, por si só, confere a necessidade do magnetizador ter conhecimento de causa e não apenas se limitar a ser dirigido.
Ao final do trecho, ele propõe que a aptidão para curar mais efetivamente depende da “condução conveniente” do magnetizador. Pergunto: o que se entenderia por conduzir-se convenientemente, em se falando de magnetizador? Seria apenas e tão somente se ficar com as mãos estendidas, sem qualquer gesto? Creio que é algo muito mais rico e coerente com a postura de uma ciência, como sói acontecer com o Magnetismo.
Ao contrário dessas conclusões, eis o que o senhor Levenhagen preferiu sintetizar: “Nós, como encarnados, não temos a Ciência de manipulação dos fluidos, assim como muitos de nós não possuímos a competência necessária para trabalharmos com substâncias químicas com a devida cautela”. Não quero ser grosseiro, mas esta conclusão do senhor Levenhagen é absurda. Já pensou se tudo aquilo que o ser humano não dominasse ele simplesmente não buscasse realizar? Será que, como civilização, já teríamos saído da idade da pedra? Sinto muito dizer, mas a postura sugerida pelo nosso confrade é de improdutiva acomodação. Se alguém não tem conhecimento da manipulação dos fluidos e se esse alguém quer trabalhar com esse elemento, o que ele deve fazer é estudar o mundo dos fluidos, pesquisar o magnetismo, treinar a manipulação, experimentar enfim. Não acredito que os Espíritos nos queiram como marionetes; ao contrário, eles estão precisando de seres dispostos a servir, com competência, conhecimento, estudo, interesse e empenho. Precisamos, sim, acreditar nos Espíritos, mas eles também precisam acreditar em nós. E como eles acreditarão se nossa postura for a da acomodação pura e simples? Num ponto a seguir, o senhor Levenhagen escreve o seguinte: “Muitos podem replicar que são os “guias” que os intuem para direcionar as mãos para determinada parte do corpo daquele que está recebendo os passes. Mas esta afirmação não faz sentido, pois os Espíritos responsáveis pelos trabalhos de passes direcionam e manipulam livremente os fluidos, independente se as mãos do encarnado estão ou não direcionadas para este ou aquele órgão”. Na verdade, o posicionamento das mãos, bem como seus movimentos, não devem ser frutos de direcionamento dos Espíritos apenas, mas uma perfeita interação magnética do passista com a influência dos Espíritos que auxiliam na operação. Mas, ao contrário do que afirma o artigo do senhor Levenhagen, os Espíritos que operam nos passes não o fazem livremente e sim responsavelmente, com conhecimento de causa, e, mesmo que ele não goste disso, o posicionamento das mãos do passista interfere sim no processo.
Lembremos o seguinte: sendo os fluidos magnéticos positivamente humanos e as mãos os pólos emissores dos fluidos, a depender de como e onde estejam “estacionadas” poderão gerar campos magnéticos de diversos padrões, alguns dos quais de difícil manipulação por parte dos Espíritos.
Continuando com seu artigo, ele buscou a palavra do Espírito André Luiz para referendar o que estava expressando. No livro “Missionários da Luz”, capítulo19, está dito que não basta somente a boa-vontade para os técnicos responsáveis pela manipulação dos fluidos, mas que precisam deter “qualidades de ordem superior e conhecimentos especializados”. Isto é uma verdade verdadeira. Mas tanto é verdade para os Espíritos do além como para os encarnados. Só que fazendo a supressão dos movimentos que o autor do artigo sugere, se está condenando o passista a nunca adquirir os conhecimentos especializados que só a prática e o estudo conjuntos possibilitam. Ou será que só se ensina magnetismo no mundo espiritual? Ou será que os Espíritos do outro lado aprenderam isso de forma automática quando lá chegaram? Ou será que os espíritas são inaptos a assimilarem esses conhecimentos e aprimorarem, com segurança, suas práticas, enquanto encarnados? Interessante é que, em determinados momentos, parece que o senhor Levenhagen teve a mesma percepção que eu, mas, objetivando justificar seu ponto de vista, sempre terminou levando a análise para o ponto contrário. Senão, vejamos isso: “Acreditamos que uma das causas deste bailar de mãos dos médiuns passistas reside em uma leitura rápida e superficial das obras de André Luiz, trazendo para a prática cotidiana das casas espíritas técnicas com as quais não sabemos lidar, em vista de não possuirmos “conhecimentos especializados” para agirmos de forma direta”. Eu creio que muitos movimentos de passes são destituídos de estudos, tendo surgido de diversas fontes e formas, muitas delas sem qualquer explicação razoável. Mas não dá para o senhor Levenhagen deduzir que uma das causas da movimentação das mãos surgiu de leituras rápidas e superficiais da obra de André Luiz, até porque, seguramente, ele não ensina nada disso em suas obras, apesar de falar de muitas e variadas técnicas de passes magnéticos que são aplicados no mundo espiritual, à feição dos magnetizadores encarnados. Se o senhor Levenhagen não sabe lidar com técnicas que pedem conhecimentos especializados ou isto o inibe a estudá-las, conhecê-las e praticá-las, não lhe cabe o direito de ensinar que só se deve fazer imposição de mãos.
Oh! Como lamento que artigos como esse ganhem vulto junto àqueles que dizem defender o estudo espírita, pois nada mais fazem do que gerar acomodações improdutivas e crendice discordante do que ensina o senhor Allan Kardec e os Espíritos da Codificação.
No mesmo artigo, um pouco mais adiante, o senhor Levenhagen acrescenta: “Tendo em vista o que acabamos de desenvolver, faz-se imprescindível que os passes, como técnicas, sejam substituídos pela simples imposição de mãos, visto que os movimentos “coordenados” dos braços e mãos ferem o bom-senso e a lógica, fundamentais para que haja coerência doutrinária”. Isto é o que é mais lamentável. O senhor Levenhagen fere, distorce e acomoda improdutivamente o que ensina o Espiritismo e, cheio de si, diz todos esses disparates. Não, não quero dizer que o movimento de mãos e braços, por si sós, sejam a tradução da sabedoria nem que todos movimentos estejam corretos ou sejam necessários. Não e não. Os movimentos têm sua razão de ser, têm suas lógicas e seus motivos. Não são aleatórios nem robotizados por Espíritos. Para fazê-los com correição e competência é necessário estudo sério e aprofundado, experimentação segura e continuada, além de postura ética elevada e moral bem ajustada aos bons princípios morais. O que não se pode dizer, por outro lado, é que os movimentos sejam sem lógica e que ferem o bom-senso. Afinal, a que bom-senso se refere o autor? Ao dele ou ao de Allan Kardec? E qual é a incoerência doutrinária que existe que não seja a de desrespeitar o Magnetismo, o qual Kardec afirmou ser a mesma ciência espírita? Sugere o senhor Levenhagen que o passista, não sabendo como manipular os fluidos, deverá proporcionar o equilíbrio necessário para que a exteriorização dos seus próprios fluidos não prejudique o trabalho desenvolvido no plano espiritual pelas entidades responsáveis. Isso é engraçado, pois ele pede que o passista proporcione o equilíbrio necessário na exteriorização de seus fluidos sem explicar como. Pode até parecer algo fácil e simples, mas ele não comentou como fazer. Sendo assim, fico na dúvida: será que o senhor Levenhagen ainda desconhece que as imposições de mãos, quando feitas por magnetizadores, são “concentradoras de fluidos” e que estes, quando concentrados em determinadas partes do ser humano, geram desconfortos, incômodos, mal-estares e até mesmo crises graves de várias ordens e que, a despeito da proteção espiritual, muitos desses casos só são bem resolvidos se um magnetizador atuar dispersivamente sobre esses mesmos fluidos? E saberia ele que a quase totalidade das atitudes de dispersão fluídica só se realizam com movimentação rápida das mãos?Para corroborar com a idéia de que a simples imposição de mãos é suficiente para tratar de casos graves, o senhor Levenhagen transcreveu o início de um caso narrado na Revista Espírita, de Allan Kardec, de setembro de 1865, intitulado de “Cura pela Magnetização Espiritual”. Não vou comentar o artigo de Kardec, pois o próprio nome já diz do que se trata: da ação fluídica numa operação espiritual, e não essencialmente magnética, na cura de uma fratura. Bem se vê que se trata de exemplo rico, porém pouco comum, tanto que não se tem outros registros de curas semelhantes na própria revista de Kardec. Mas o senhor Levenhagen preferiu esse caso para generalizar uma situação que o próprio codificador deixou como não muito comum. Senão, vejamos o que está anotado em A Gênese, capítulo 14, item 34: “É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício; mas, a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos, essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerar excepcional”. (grifei)

Primeiro, no trecho acima destaquei que a faculdade pode desenvolver-se pelo exercício ― o que não seria possível de haver se se tomar a sugestão do senhor Levenhagen de só se fazer imposição de mãos. Depois vem o caráter de excepcionalidade das curas imediatas através das imposições de mãos, sinteticamente afirmado por Allan Kardec. Creio, portanto, ser desnecessário prolongar-me nessa análise, já que ela trata de um caso à parte e não dos casos gerais. Concluindo o seu artigo, o senhor Levenhagen recomenda ao interessado em estudar o tema o capítulo 14 de A Gênese, de Allan Kardec, e o capítulo O Passe, do livro A Obsessão, o Passe, a Doutrinação, de J. Herculano Pires. Convenhamos, é muito restrita a sugestão de leitura indicada por ele. Primeiro porque há material farto a ser estudado; desde O Livro dos Espíritos, passando pelo Livro dos Médiuns, A Gênese (não apenas no capítulo 14) e o próprio Evangelho Segundo o Espiritismo, sem falar nos doze volumes da Revista Espírita. Depois, a obra quase toda de André Luiz trata do assunto, além de outras obras valiosas como Magnetismo Espiritual, de Michaelus, vários livros de Gabriel Delanne e Leon Denis, e assim por diante. Consideremos, ainda, que recentemente, no ano passado (2006), foi lançado uma rica obra pela Lachatre, intitulada Mesmer, de Paulo de Figueiredo. Desprezar tudo isso para privilegiar esse opúsculo do senhor Herculano Pires, com todo respeito, é menoscabar a capacidade de estudo e raciocínio dos leitores. Nessa obra, o senhor Herculano Pires diz que nada é tão simples como se aplicar um passe; basta dá-lo. E eu me pergunto: será? Se for verdade, por que será que existem cursos de passistas? Por que será que quando se precisa de um passe não se busca alguém que simplesmente o dá? Ademais, conforme registrou o próprio senhor Levenhagen, nessa mesma obra o senhor Herculano Pires afirma: “O passe espírita é simplesmente a imposição das mãos, usada e ensinada por Jesus como se vê nos Evangelhos”. Ora, será que no Evangelho só se vê mesmo imposição das mãos? E a cura da hemorroíssa, que foi curada ao tocar nas vestes de Jesus? E do cego no qual Jesus usou saliva e barro para restituir-lhe a visão? E os que ele curou à distância? E os que ele tocou, em vez de impor as mãos? Convenhamos, Jesus não apenas fez imposição de mãos nem cabe qualquer autoridade para alguém escrever que a imposição de mãos é a síntese do passe espírita, pois tal assertiva não se encontra lavrada em nenhuma das obras da Codificação, nem na Revista Espírita nem em qualquer anotação de Kardec. Ao contrário disso, ele sempre afirmou que o Espiritismo e o Magnetismo estão de mãos dadas, de forma inseparável, a não ser que se busque prejuízos para essas ciências. Como disse no início, este artigo corria o risco de ficar muito extenso. E ficou. Mas ainda teria muitas citações, da Codificação e de outras obras, referendando que a visão da imposição das mãos como técnica única é um equívoco que precisa ser repensado. Não por meu querer ou minha maneira de ver e perceber o tema, mas pelas evidências, pelas pesquisas sérias, pelas experimentações, por tudo o que, ao longo dos milênios, vem sendo cabalmente demonstrado. Sendo as imposições concentradores fluídicos, muitas complicações surgem dessa prática indiscriminada. O Mundo Espiritual pede ao mundo físico que estudemos mais aplicadamente, sem medos de não acertar algumas vezes, desde que prossigamos, resolutos, na busca do grande ideal do bem. O Espiritismo é ciência e, por isso mesmo, deve merecer de seus adeptos um comportamento científico, também.
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