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terça-feira, 22 de maio de 2012

SOBRE AS IMPOSIÇÕES DE MÃOS Parte 1



Comentando sobre o artigo “Imposição de mãos”, de Ivan Arantes Levenhagen, contido nos endereços

Jacob Melo
Em meus livros sobre passes e magnetismo tenho escrito, repetidamente, acerca da questão das imposições de mãos como técnicas únicas de transmissão de fluidos. Este, como muitos outros sub-temas relacionados aos passes, tem gerado discussões, na maioria das vezes pouco produtivas, quando, a meu ver, o ideal seria que os opinadores se voltassem mais ao estudo objetivo, direto e profundo do tema, a fim de não ficarmos limitados às variantes de uma bibliografia restritiva, da opinião do “eu acho”, da insustentável afirmativa do “sempre foi assim” ou ainda da referência pessoal e desprovida de critérios de alguns “guias”.
Mesmo sendo partidário de que toda e qualquer opinião merece ser considerada, inclusive a dos guias a quem acabei de me referir, isso não significa dizer que não devamos ter idéias próprias, especialmente se baseadas em estudos apropriados, na experiência vivencial e em pesquisas dirigidas àquilo que buscamos. Por isso mesmo costumo dar atenção a todas as matérias que chegam ao meu conhecimento e que dizem respeito aos temas que me interessam conhecer, estudar e aprofundar. Todavia, um tipo de opinião me preocupa; não é a desarrazoada ou mesmo a que é solta ao vento por quem fala por falar, mas a que procede dos que, escrevendo ou falando muito bem, não revestem suas palavras de um conhecer mais apropriado, bem embasado e que deixe claro o sentido de tratar o assunto com isenção. Preocupo-me porque opiniões assim costumam servir de baliza para muitos leitores e ouvintes, os quais, sem melhores alicerces de conhecimento pessoais, absorvem-nas de forma pouco produtiva, quase sempre comprometendo o que se deseja ter como bom. Tem sido comum pessoas me telefonarem e escreverem pedindo minha opinião sobre algumas referências que costumam aparecer fortemente favoráveis a que só se aplique passes utilizando estritamente a imposição de mãos. Várias dessas pessoas costumam fazer alusão ao artigo referido acima. Sendo assim, vou tomá-lo como base para expor o que entendo acerca da questão, mesmo que para isso tenha que me estender mais do que o normal para um artigo como este. Antes de iniciar o comentário acerca. São de autoria de Jacob Melo os livros: O Passe, seu estudo, suas técnicas, sua prática; Manual do passista, Cure-se e cure pelos passes; e A cura da depressão pelo Magnetismo. daquele artigo devo dizer que, lamentavelmente, não tive ainda o prazer de conhecer o seu autor, o irmão Ivan Arantes Levenhagen, portanto, não sei o quanto ele está enfronhado nas pesquisas do passe e do magnetismo. Mas, como sua matéria é pública, me permitirei tratar do assunto baseado em seu escrito em vez de ficar limitado e repetir minha visão sobre o assunto todas as vezes que me questionam a respeito. Neste artigo, mesmo respeitando aqueles que não concordem com minha abordagem, colocarei como leio o trabalho apresentado por esse companheiro de ideal e certamente considerarei o que posso e devo acrescer para um melhor esclarecimento do assunto. No início de seu artigo ― Imposição de mãos ―, o senhor Levenhagen, espírita de Resende -RJ, informa que faz palestras e participa de encontros com dirigentes espíritas, com a finalidade de conhecer os trabalhos visitados e depois comparar o que eles realizam com o que Allan Kardec codificou. Portanto, ele deve ser, no mínimo, um profundo conhecedor da obra de Allan Kardec, já que se considera com condições de realizar tão difícil análise comparativa. Para apoiar o que irá dizer ao longo do artigo, ele buscou um trecho de Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, capítulo XIV, que trata sobre a mediunidade curadora. Eis a citação: “Se magnetizas com o propósito de curar, por exemplo, e invocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias." Antes de seguir com o artigo do senhor Levenhagen, vou buscar uma questão de O Livro dos Espíritos, a de número 555, para refletirmos sobre seu amplo contexto.
- Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro?
“Aqueles a quem chamais feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam a força magnética ou a dupla vista. Então, como fazem coisas geralmente incompreensíveis, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural. Os vossos sábios não têm passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?”
O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice. (grifei)
Nessa questão fica ressaltado, com bastante ênfase, o zelo do senhor Allan Kardec em destacar a imperiosidade do consórcio entre o Magnetismo e o Espiritismo, a tal ponto que, em seu dizer, essas duas ciências formam uma só. E ainda acrescenta que de posse do conhecimento lúcido dessas duas ciências saberemos distinguir o que é natural do que não passa de crendice. Tomando esse ponto como basilar, posso dizer que as “coisas” do Magnetismo não poderão nem deverão ser consideradas como crendices, muito menos ridículas, do contrário o senhor Allan Kardec estaria em falha grave na sua proposição. Voltemos agora ao texto seccionado pelo autor do artigo que estou analisando. A primeira coisa que me causa profunda estranheza é que ele tenha suprimido, em sua transcrição, a colocação que deu origem àquela resposta. E se isso não bastasse, ele ainda suprimiu a primeira frase da resposta, daí eu dizer que sua citação foi seccionada e não selecionada. Mesmo correndo o risco de me estender demais, vou transcrever o trecho integral para que comecemos a ver que nem sempre aquilo que está destacado traduz integral e verdadeiramente o que se advoga. Vou preferir pecar pelo excesso de transcrição a falhar por omissão.
2ª Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha. "É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxilio. Se magnetizas com o propósito de curar, por exemplo, e invocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias." (grifei)
Como se observa, Allan Kardec faz uma afirmativa, na qual expressa sua convicção de magnetizador e sua dúvida quanto à influência espiritual no ato magnético. Quanto à parte que se refere a quem “pertence” a força magnética, não só ele a afirma como é confirmada pelos Espíritos: “... a força reside, sem dúvida, no homem...”. Isto estabelecido fica claro que a ação magnética não é alheia ao passista, ao magnetizador. Isto difere da ilação de que se os Espíritos ampliam a força e a vontade ficam os passistas dispensados de suas posturas como magnetizadores, aí incluindo o movimentar as mãos. Creio deva ser relembrado, para não parecer que estou apenas me prendendo a palavras, que o Magnetismo é uma ciência que deve ser conhecida lucidamente e, em assim sendo, merece ser respeitada. Como ciência, o Magnetismo ensina, há milênios, que a movimentação das mãos não é obra aleatória, alegoria ou simples gesto destituído de lógica.
Querer desnaturar isso logo no início do artigo e, ainda mais, tomando por base uma citação truncada de Allan Kardec, a mim me parece uma argumentação falseada na base e contraditória ante o que propôs o livro básico do Espiritismo. Comentando o verbo invocar colocado na resposta dos Espíritos a Kardec, o senhor Levenhagen deu uma explicação que, mais uma vez, parece contradizer a proposta de Allan Kardec. Afirma ele que “a invocação de que falam os espíritos acontece mediante uma simples oração, uma prece, uma transmissão do pensamento do encarnado em direção ao desencarnado”. Estranho, muito estranho. Mesmo sabendo que, genericamente, um pensamento num determinado Espírito ou uma oração sejam consideradas como uma invocação ― ou evocação ―, um chamamento específico como o que está tão bem registrado por Kardec na questão, não seria algo tão superficial. Afinal, se assim fosse, literalmente, qualquer pensamento teria o poder fenomenal de atrair falanges de Espíritos e, por isso mesmo, a qualquer tempo e lugar poderíamos aplicar passes sem maiores cuidados. Por outro lado, se um singelo pensamento tivesse o dom de exercer atração tão poderosa seguramente jamais estaríamos à mercê de obsessores, pois que bastaria um lampejo de memória espiritual ou uma prece qualquer, chamando por Espíritos superiores, e tudo estaria resolvido, como num toque de mágica. Mas, bem o sabemos, não é assim que ocorre. A evocação a que os Espíritos aduziram a Kardec é algo mais profundo, mais rico em postura de recolhimento e concentração. Ademais, o exemplo dado na resposta é que se busque por um bom Espírito, “que se interesse por ti e pelo teu doente”. Como se percebe, não se trata de uma evocação qualquer ou, menos ainda, que qualquer Espírito seria capaz de exercer todo aquele poder ali citado. É necessário um direcionamento, um querer, uma vontade determinante. Se tomarmos o prosseguimento da transcrição apresentada, perceberemos uma forma natural de evocação, a qual não foi consignada no comentário do senhor Levenhagen:
3ª Há, entretanto, bons magnetizadores que não crêem nos Espíritos?
"Pensas então que os Espíritos só atuam nos que creem neles? Os que magnetizam para o bem são auxiliados por bons Espíritos. Todo homem que nutre o desejo do bem os chama, sem dar por isso, do mesmo modo que, pelo desejo do mal e pelas más intenções, chama os maus." (grifei)
Interessante notar esse destaque. Se, nalguns casos, a evocação é necessária, a postura de um “bom magnetizador” é sempre atrativa de bons Espíritos. Isto assim é porque o conceito de bom magnetizador não se prende ao potencial magnético apenas, mas ao caráter moral, ético e de equilíbrio do profissional do magnetizador (ao tempo de Allan Kardec, recordemos, os magnetizadores eram profissionais, credenciados, e em seus consultórios recebiam pacientes; por sinal, o senhor Kardec foi um desses bons magnetizadores de sua época). Dessa forma, mais uma vez se percebe, com nitidez, a presença e a ação dos Espíritos nas atividades magnéticas, todavia, em nenhuma dessas referências sobra espaço para se inferir que o magnetizador tenha ou exerça um papel menor, sem ação, sem movimentos. Isto, inclusive, pode ser reforçado pela questão seguinte, no prosseguimento do mesmo diálogo de Kardec com os Espíritos:
Continua
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