Seja Bem Vindo ao Estudo do Magnetismo

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Os Fluidos (A GÊNESE, capítulo XIV)


A GÊNESE, capítulo XIV Os Fluidos
31.  Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula  malsã  por uma molécula  sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.
32. São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade. Entre os dois pólos extremos dessa faculdade, há infinitos matizes. Todas as curas desse gênero são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez da ação. O princípio é sempre o mesmo: o fluido, a  desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se acha subordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais.
33. A ação magnética pode produzir-se de muitas maneiras: 1º pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja ação se acha adstrita à força e, sobretudo, à qualidade do fluido; 2º pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e  sem intermediário  sobre um encarnado, seja para o curar ou acalmar um sofrimento, seja para provocar o sono sonambúlico espontâneo, seja para exercer sobre o indivíduo uma influência física ou moral qualquer. É o  magnetismo espiritual, cuja qualidade está na razão direta das qualidades do Espírito; 3º pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento. É o  magnetismo misto,  semi-espiritual, ou, se o preferirem, humano-espiritual. Combinado com o fluido humano, o fluido espiritual lhe imprime qualidades de que ele carece. Em tais circunstâncias, o concurso dos Espíritos é amiúde espontâneo, porém, as mais das vezes, provocado por um apelo do magnetizador.
34. É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício; mas, a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos, essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerar excepcional. No entanto, em épocas diversas e no seio de quase todos os povos, surgiram indivíduos que a possuíam em grau eminente. Nestes últimos tempos, apareceram muitos exemplos notáveis, cuja autenticidade não sofre contestação. Uma vez que as curas desse gênero assentam num princípio natural e que o poder de operá-las não constitui privilégio, o que se segue é que elas não se operam fora da Natureza e que só são miraculosas na aparência.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 09, fevereiro/2010     

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SURGIMENTO DO PASSE


SURGIMENTO DO PASSE
WALDIR SILVA

“Muito antiga na humanidade, a observação de que havia corpos com a propriedade de atrair outros. Na velha Ásia, muito antes de Cristo, foi encontrado na região de Magnésia um minério que atraía o ferro. E por isso foi ele denominado “Magneto” donde deriva a palavra “Magnetismo” . Analisado recentemente foi classificado como “tetróxido de triferro (Fe304), ao qual hoje se denomina “Magnetita”, chamando-se ímãs ao magneto. Todos conhecemos essa capacidade do ímã de atrair limalha de ferro, e os ímãs são muito empregados em numerosos campos de atividade.”
Interessante recordar que essa capacidade de “atração” é também observada no corpo humano, e por associação, a ela se chamou “Magnetismo animal”. (Carlos Torres Pastorino - Técnica da Mediunidade).
Em 1870 FRANS ANTON MESMER, iniciou a ciência do magnetismo (influência exercida por um indivíduo na vontade outro). Mesmerismo é a Doutrina de Mesmer, afirma que: TODO SER VIVO É DOTADO DE UM FLUÍDO MAGNÉTICO, CAPAZ DE TRANSMITIR A OUTROS INDIVÍDUOS, ESTABELECENDO-SE ASSIM, INFLUÊNCIAS PSICOSSOMÁTICAS RECIPROCAS, INCLUSIVE DE EFEITO CURATIVO. TAMBÉM CHAMADO FLLUIDISMO. (Palestra de Divaldo P. Franco - A Serviço do Espiritismo).
“A magnetização remonta à mais remota antigüidade. A força magnética das pessoas é uma forma de mediunidade. Da mesma forma que os Espíritos se utilizam dos recursos do médium para a comunicação escrita ou falada, eles se utilizam das faculdades radiantes do médium para curar.”
“Existe em cada um de nós um foco invisível cujas radiações variam de intensidade e amplitude conforme nossas disposições. A vontade lhes pode comunicar propriedades especiais; nisso reside o segredo do poder curativo dos magnetizadores. A estes efetivamente, é que em primeiro lugar se revelou essa força em suas aplicações terapêuticas”. (Leon Denis).
Desde 1818, o Brasil principiara a ouvir falar da Homeopatia. O Patriarca da Independência correspondia-se com Hahnemann. A história não registra ainda o nome dos adeptos senão a partir de 1840, ano em que chegaram ao Brasil dois homens extraordinários, que não devem ser esquecidos pelos espíritas: BENTO MURE, Francês e JOÃO VICENTE MARTINS, Português, depois Brasileiro. A ação destes dois super-homens não pode ser contada aqui. Basta dizer: tudo quanto é raiz, tudo quanto é tronco, tudo quanto é galho na frondosa árvore homeopática brasileira, tudo se deve aos dois pioneiros. Outros gozaram as flores, os frutos, o perfume. Outros plantaram em campos novos as sementes colhidas.
Bento Mure e Martins, eram profundamente neo-espiritualistas. Ambos possuíam o dom de mediunidade, Mure clarividente; Martins, Psicógrafo. Não se conheciam então as leis metapsíquicas. Reinava o empirismo nos trabalhos de inspiração. Mas quem ler Mure verificará que, antes de chegar a nós a doutrina dos Espíritos, ele se dava a transes mediúnicos. Foi devido a uma assistência invisível constante que puderam os dois, numa terra estranha e ingrata, que tanto amaram, amargar um apostolado inesquecível, recebendo em paga do bem que faziam o prêmio reservado aos renovadores: a perseguição, os ataques traiçoeiros, as ofensas morais e o encurtamento da própria vida. Foram os maiores médicos dos pobres que o Brasil conheceu. E ainda a Martins que devemos a introdução em nosso país, das irmãs de caridade e dos princípios Vicentinos (1843). Ambos tinham como divisa DEUS, CRISTO E CARIDADE.
A cura homeopática envolvia, como envolve ainda hoje, certo mistério para o leigo... Bento Mure e Martins, falavam ainda em Deus, Cristo e Caridade quando curavam e quando propagavam. Aplicavam aos doente os passes como um ato religioso. Não o faziam por charlatanismo, Hannemann, (descobridor da Homeopatia), recomendava esse processo como auxiliar à homeopatia. Foram os homeopatas que lançaram os passes, não os espíritas. Estes continuaram a tradição” (Bezerra de Menezes - Canuto de Abreu).
Negado muito tempo pelas corporações doutas, como negados foram, por elas a circulação do sangue, a vacina, o método anti-séptico e tantas outras descobertas, o magnetismo tão antigo quanto o mundo, acabou por penetrar no domínio científico sob o nome de hipnotismo. É verdade que os processos diferem. No hipnotismo, é pela sugestão que se atua sobre o sensitivo, a princípio para o adormecer, e em seguida para provocar fenômenos. A sugestão é a subordinação de uma vontade à outra. Pode-se obter o mesmo resultado com as práticas magnéticas. A única diferença, consiste nos meios empregados. Os dos hipnotizadores são antes de tudo violentos. Se podem curar certas afeções, na maior parte das vezes ocasionam desordem no sistema nervoso e com a continuação desequilibram o sensitivo, ao passo que os eflúvios magnéticos, bem dirigidos quer em estado de vigília, quer no sono,restabelecem com freqüência a harmonia nos organismos perturbados. (Leon Deniz - No Invisível).
A ação do fluído magnético está demonstrada por exemplos tão numerosos e comprobatórios que só a ignorância ou a má fé poderiam negar-lhe a existência.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

MESMER Precursor do Espiritismo


MESMER
·         Publicado por Jefferson P. B. Tenorio em 24 outubro 2012 às 0:16 em Grandes Vultos do Espiritismo

     Mesmer foi o médico criador da teoria do magnetismo animal conhecido pelo nome de mesmerismo. Nasceu a 23 de maio de 1734 em Iznang, uma pequena vila perto do Lago Constance na Alemanha e desencarnou em 5 de março de 1815 em Meesburg, Suábia. Seus pais foram Franciscus Antonius Mesmer e Maria Ursula Michel, pertencente a uma importante família católica da região. 

Estudou teologia em Ingolstadt e formou-se em medicina na Universidade de Viena. Provido de recursos, dedicou-se a longos estudos científicos, chegando a dominar os conhecimentos de seu tempo, época de acentuado orgulho intelectual e ceticismo. Era um trabalhador incansável, calmo, paciente e ainda um exímio músico. 

Mesmer casou-se com Maria Anna von Bosch, numa concorrida cerimônia, em 10 de janeiro de 1768, celebrada na Catedral de Santo Estevão pelo arcebispo de Viena. 

Em 1775, após muitas experiências, Mesmer reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que dela desprende um fluido que alcança o doente; declara: "De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem". A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. 

Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, para estender o benefício a maior número de pessoas, magnetizava água, pratos, cama, etc., cujo contato submetia os enfermos. 

Mesmer praticou durante anos o seu método de tratamento em Viena e em Paris, com evidente êxito, mas acabou expulso de ambas as cidades pela inveja e incompreensão de muitos. 

Depois de cinco tentativas para conseguir exame judicioso do seu método de curar, pelas academias, é que publica, em 1779, a "Dissertação sobre a descoberta do magnetismo animal", na qual afirma que esta é uma ciência com princípios e regras, embora ainda pouco conhecida. 

A sua popularidade prosseguiu por muitos anos, mas outros médicos o taxavam de impostor e charlatão. 

Em 1784, o governo francês nomeou uma comissão de médicos e cientistas para investigar suas atividades. Benjamin Franklin foi um dos membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas, porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas desconhecidas. 

Concentrado no alívio à dor, Mesmer não chegou a perceber a existência do sonambulismo artificial, que seu ilustre e generoso discípulo, conde Maxime Puységur, descobre (inclusive a clarividência a ele associada), o qual se desenvolve durante o transe magnético em certas pessoas. 

Em 1792, Mesmer vê-se forçado a retirar-se de Paris, vilipendiado, e instala-se em pequena cidade suíça, onde viveu durante 20 anos sempre servindo aos necessitados e sem nunca desanimar nem se queixar. Em 1812, já aos 78 anos, a Academia de Ciências de Berlim convida-o para prestar esclarecimentos, pois pretendia investigar a fundo o magnetismo. Era tarde; ele recusa o convite. A Academia encarrega o Prof. Wolfart de entrevistá-lo. O depoimento desse professor é um dos mais belos a respeito do caridoso médico: 

"Encontrei-o dedicando-se ao hospital por ele mesmo escolhido. Acrescente-se a isso um tesouro de conhecimentos reais em todos os ramos da Ciência, tais como dificilmente acumula um sábio, uma bondade imensa de coração que se revela em todo o seu ser, em suas palavras e ações, e uma força maravilhosa de sugestão sobre os enfermos." 

No início de 1814, ele regressou para Iznang, sua terra natal, onde permaneceria os seus últimos dias até falecer em 05/03/1815. 

Assim foi Mesmer. Durante anos semeou a cura de enfermos doando de seu próprio fluido vital em atitude digna daqueles que sacrificam-se por amor ao seu trabalho e a seus irmãos. 

Suas teorias atravessaram décadas e seu exemplo figura luminoso entre os missionários que sob o açoite das críticas descabidas e as agressões da calúnia, passam incólume escudado pelo dever retamente desempenhado. 

Seu nome jamais se desligou do vocábulo "fluido" e sua vida valiosa pelos frutos que gerou, jamais foi esquecida por aqueles cuja honestidade de propósitos for o ornamento de seus espíritos. 

A sua obra foi decisiva para demonstrar a realidade da imposição das mãos como meio de alívio aos sofrimentos, tal como a utilizavam os primeiros cristãos antigamente e os espíritas atualmente. 

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Porta da Dor


A Porta da Dor

O velho jargão de que se busca um grupo espírita pelo amor ou pela dor, infelizmente ainda é real.
As portas do amor são buscadas por quem procura o conhecimento, por ele mesmo.
É aquela criatura que pensa e sente o mundo com uma espiritualidade natural, ou seja, é a pessoa que vislumbra que há mais nesse universo infinito do que pode conceber a nossa vã filosofia. Então, ela caminha, procura aqui e acolá explicações para a vida. O que essas pessoas possuem é uma saudável inquietação intelectual. Às vezes, estão confusas, mas são facilmente acalmadas em grupos de estudo com o conhecimento da filosofia espírita contida em O Livro dos Espíritos. E, em geral, ao se encontrarem com ela a abraçam felizes e harmonizados.
Outros, porém, sequer enxergam essas portas. Trilham os caminhos da dor, chegam como soldados retornando da guerra, feridos, maltratados, sofridos e, o pior de tudo, em desespero e ansiosos. O sofrimento é para eles como uma batata quente nas mãos, e não sabem o que fazer com ele. Correm de um lado a outro, fazem de tudo um pouco, acedem uma vela para Deus e outro para o diabo, lado a lado, e na mesma hora.
Trabalhar nas portas do amor é um bálsamo revigorante. Mas trabalhar nos portais da dor humana exige muito. Precisamos ter bom conhecimento do Espiritismo e da sua ferramenta de ação, que é o Magnetismo; precisamos nos apoiar em conhecimentos científicos especializados, para mais bem aplicá-los. E, acima, de tudo precisamos compreender a natureza humana e conhecer a nós mesmos.
Lidar com as feridas, os males e dores, até pode ser simples. Difícil mesmo é ver o desespero e socorrê-lo. Não aquele desespero que grita e chora a altos brados; mas, aquele silencioso que rói a alma e desfaz tudo que se pode conquistar de bom, em qualquer forma de tratamento e/ou atendimento.
Ele vem recheado com falta de aceitação, com falta de reflexão sobre a vida, com um acentuado materialismo e hedonismo (tão divulgados em nossa cultura atual), ele tem pressa. Meu Deus! Como tem pressa. É indisciplinado, credo e descrente ao mesmo tempo, pede orientação e faz o que bem entende, não escuta. Traz consigo a ansiedade e a depressão, que ganharão rapidamente grande espaço. É avesso ao conhecimento. Quer um guia, alguém que lhe diga o que fazer, exige atenção.
Amigos, esse é o acompanhante invisível de muitas pessoas que buscam as sociedades espíritas e, em especial, o atendimento magnético. Ele é mil vezes mais difícil de atender do que um obsessor desencarnado, não tem passe dispersivo que afaste e corte ligações mentais.
Exige dos magnetizadores muito diálogo, muita compreensão e paciência, tolerância, e o aprendizado de suportar a ingratidão (não estou falando do muito obrigado nem do reconhecimento público, falo da entrega e da confiança com que o atendido gratifica o magnetizador, tal como o bebê gratifica a mãe largando-se confiante e alegre em seus braços), e aprendermos que o outro tem direito de errar, que não existe aprendizado a força para questões da alma, portanto não podemos interferir que o sofrimento pode ser muito amenizado apenas pela forma equilibrada com que é visto e vivido, e, que, por fim, não nos cabe socorrer quem deseja sofrer e tão pouco podemos nos afligir com essa decisão.
O trabalho na porta da dor necessita grande preparo para lidar com nossas emoções que são desafiadas por esses comportamentos desesperados e diante dos quais precisamos manter o equilíbrio tanto emocional quanto mental, enxergando o que de fato faz a pessoa sofrer, além das suas queixas imediatas.
Se a compreensão que nos oferece a Doutrina Espírita sobre a condição humana não for muito firme, poderemos encontrar magnetizadores que não se julgarão jamais aptos ao trabalho. Faltará autoconhecimento, logo serão carentes de compreensão do outro e se perderão nos conflitos emocionais aos quais esse trabalho nos expõe.
As virtudes do amor ao conhecimento, da disciplina, da perseverança e da confiança, não necessitam ser aprendidos pelos magnetizadores espíritas apenas para o trabalho direto, mas para serem vividos e ensinados aos atendidos.
Nas portas da dor existe a invisível sinalização para a porta do amor, ajudá-los a enxergá-la e percorrê-la é também nossa tarefa.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 10, março/2010

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

EM QUE PRINCÍPIOS SE FUNDAMENTA O TATO MAGNÉTICO? COMO DESENVOLVÊ-LO?



EM QUE PRINCÍPIOS SE FUNDAMENTA O TATO MAGNÉTICO? COMO DESENVOLVÊ-LO?
Os leitores do Vórtice seguramente conhecem a estreita ligação do Espiritismo, desde seu surgimento, com o Magnetismo. Não terá sido apenas casualidade o fato de Allan Kardec ter-se especializado e praticado o magnetismo ao longo de 35 anos, assim como não pode ser visto como ocasional ou extemporâneo o fato dos Espíritos, na Codificação e em todas obras publicadas sob a responsabilidade do mesmo Kardec, falarem, comentarem, sugerirem o estudo e apresentarem o embasamento de muitos fatos tendo por base a ciência magnética.
Muito embora seja, em si mesma, uma ciência independente, o Magnetismo está interligado ao Espiritismo de uma forma tão indissociável que, usando as palavras de Kardec, uma estará incompleta sem a outra. A despeito disso, os espíritas, em sua maioria, parecem não se dar conta dessa verdade insofismável, o que é lamentável.
O tato magnético mais não é do que a capacidade (que alguns possuem e outros – uma grande maioria – podem desenvolver) de sentir, perceber, registrar e até diagnosticar o que um paciente está sentindo, onde ou do que está acometido. Mas, dizem alguns, que nos livros básicos do Espiritismo não se fala do tato magnético. É verdade, pelo menos nessa grafia, não fala mesmo. Mas... que tal relermos pelo menos isso que está registrado em O Livro dos Espíritos (“Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase e da dupla vista”, no item 455)?
“A emancipação da alma se verifica às vezes no estado de vigília e produz o fenômeno conhecido pelo nome de  segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos.
Percebe o que exista até onde estende a alma a sua ação. Vê, por assim dizer, através da vista ordinária, e como por uma espécie de miragem”... (grifos originais)... “O poder da vista dupla varia, indo desde a sensação confusa até a percepção clara  e nítida das coisas presentes ou ausentes. Quando rudimentar, confere a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma certa segurança nos atos, a que se pode dar o qualificativo de precisão de golpe de vista moral. Um pouco desenvolvida, desperta os pressentimentos. Mais desenvolvida mostra os acontecimentos que deram ou estão para dar-se”. (grifos originais)
Tranquilamente posso assegurar que o que chamamos e conhecemos como tato magnético nada mais é do que uma das variantes do fenômeno chamado dupla vista. Afinal, o tato magnético nos permite uma  percepção além dos limites dos sentidos humanos e, nalguns, confere o tato, a perspicácia, uma certa segurança.
Mas, como a justificar o fato de Kardec não ter sido muito explícito nesta, como em outras questões do Magnetismo, recordemos aqui o que ele anotou em um dos seus mais brilhantes artigos acerca do Magnetismo e o Espiritismo: “Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas há apenas um passo; sua conexão é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro. Se tivermos que ficar fora da ciência do Magnetismo, nosso quadro ficará incompleto poderemos ser comparados a um professor de  Física que se abstivesse de falar da luz. Contudo,  como o Magnetismo já possui entre nós órgãos  especiais justamente acreditados, seria supérfluo insistirmos sobre um assunto tratado com  superioridade de talento e de experiência. A ele (o Magnetismo) não nos referiremos, pois, senão  acessoriamente, mas de maneira suficiente para  mostrar as relações íntimas das duas Ciências que,  na verdade, não passam de uma”. (grifei) – (In:  Revista Espírita, edição março-1858, artigo  “Magnetismo e Espiritismo).
Além da ligação direta do Magnetismo com o Espiritismo, também dá base ao conhecimento do tato magnético, a sua existência inclusive, muitas vezes, à revelia de muitos possuidores dessa preciosa leitura fluídica ou energética.
E será viável se desenvolver o tato magnético? Voltemos a Allan Kardec, novamente em O Livro dos Espíritos, questão 450:
450. A dupla vista é suscetível de desenvolver-se pelo exercício?
“Sim, do trabalho sempre resulta o progresso e a dissipação do véu que encobre as coisas.”
a) - Esta faculdade tem qualquer ligação com a organização física?
“Incontestavelmente, o organismo influi para a sua existência. Há organismos que lhe são refratários.”
E completemos essas respostas com o que ele anotou em A Gênese, Cap. 14, item 22: “É nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se tem de procurar a causa da dupla vista, ou vista espiritual, a que também se pode chamar vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, frequentemente a seu mau grado, assim como da vista sonambúlica”.
Portanto, é perfeitamente possível o desenvolvimento dessa prática, e aqui trago o que há de mais simples nesse exercício.
Como nem todos magnetizadores trazem o tato magnético desenvolvido espontaneamente, muitas vezes é preciso treiná-lo, dar-lhe precisão. Os exercícios costumam se dar pela aproximação, lenta e gradual, da ou das mãos do magnetizador em direção ao magnetizado, oportunidade em que o magnetizador deve estar bastante atento para a infinidade de sensações que poderão ocorrer enquanto “tateia” – quase sempre sem toque físico – os campos magnéticos do magnetizado.
Obviamente que haverá necessidade de confrontação entre o que ele percebe e o que o paciente sente, pois dessa forma, ele vai se assenhoreando do que cada percepção psico-tátil vai lhe dizendo. Tomemos, por exemplo, um paciente com câncer numa mama. Independente do magnetizador saber disso ou não, ele sentirá, quando passar a ou as mãos por aquela região, algo gerando uma sensação, um tipo de registro não comum aos demais, em relação àquele paciente. Quando confrontar as informações ele saberá que aquele registro provavelmente estará referindo ao câncer. À medida que ele vai reproduzindo esse procedimento com outros pacientes e obtendo os resultados do que vem registrando, adquirirá uma segurança sempre crescente, de forma que, depois de uma boa prática, terá bastante segurança dos diagnósticos que virá a fazer.
Importa distinguir, entretanto, que alguns magnetizadores possuem o que se chama tato magnético natural, também conhecido como empatia fluídica ou apenas como dupla vista dirigida à saúde. Nesses casos, costumam os possuidores dessa variante do tato magnético sentirem em si mesmos, todos os sintomas que o paciente está sentindo ou portando no momento em que é estabelecida relação magnética entre ambos.
Num primeiro momento, os exercícios costumam ser menos precisos; percebem-se regiões grandes, pouco específicas e com diagnósticos um tanto quanto superficiais. No caminhar dos exercícios, essa percepção vai-se refinando, até chegar ao ponto de se ter perfeito registro tanto de campos densos como daqueles por demais sutis, tais quais nadis, pequenos concentrados fluídicos em determinadas regiões do perispírito, doenças ainda não detectadas por aparelhos clínicos ou, ainda, crisálidas de futuros focos, verdadeiros estados latentes de desarmonias em processo de somatização.
Por fim, estando a prática feliz do magnetismo totalmente consorciada à Vontade do  magnetizador, não se desenvolverá o tato  magnético se não houver um desejo forte, vigoroso e sincero de se chegar ao ponto que se busca,  empregando os meios ao alcance e entregando-se sem parcimônia aos exercícios que levarão ao ápice  do desenvolvimento.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 09, fevereiro/2010     

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GENTILEZA E TERAPIA MAGNÉTICA


GENTILEZA E TERAPIA MAGNÉTICA
Adilson Mota
Josinete era uma mulher com algo em torno de 40 anos de idade que já há algum tempo vinha sendo acometida por uns sentimentos de tristeza, às vezes chorava sem motivos, sentia-se fragilizada e sem ânimo para muita coisa.
De outras vezes batia um cansaço de tudo, da vida, da família, de si mesma; uma vontade de sumir e se ver livre de todos os problemas.
Josinete estava quase “entregando os pontos”.
Orientada por uma amiga, a nossa personagem foi parar em um Centro Espírita. As primeiras pessoas que ela encontrou, lhe receberam com um sorriso amável, conduzindo-a a uma salinha onde foi atendida por uma senhora que a ouviu atentamente. Vez ou outra a atendente lhe dizia algo, conduzindo a conversa de maneira produtiva e esclarecedora. Ao final daquele diálogo, Josinete estava se sentindo mais reconfortada.
Tinha desabafado, chorado, falado sobre as suas dificuldades e, ao final, até recebeu um abraço daquela senhora, ficando um pouco constrangida, pois não estava acostumada a ser abraçada, muito menos por estranhos.
Iria começar um tratamento magnético, termo que ela nunca tinha ouvido mas, segundo lhe foi explicado, que funciona à base de fluidos, e que traria harmonia para o seu campo energético.
Precisaria ter disciplina para não faltar ao tratamento, esforçar-se por melhorar o padrão dos seus pensamentos, desenvolver mais resignação com relação às dificuldades. Os passes, com certeza a ajudariam no seu reequilíbrio.
Josinete estava mais calma e sentia-se esperançosa. Aquele lugar parecia ter uma atmosfera diferente. A simplicidade do ambiente, as palavras amenas que ouviu, o acolhimento através de sorrisos, o tratamento fraterno entre as pessoas, tudo isto lhe tocou e ela derramou algumas lágrimas. Só que estas lágrimas não eram amargas pois, refletindo sobre os seus problemas, começava a acreditar que sairia daquela situação.
Foi conduzida ao local onde receberia os passes. Mais sorrisos que a deixavam mais à vontade e confiante. O magnetizador designado para lhe aplicar o passe a conduziu gentilmente até a maca e pediu-lhe que relaxasse, tivesse confiança. Em rápidas palavras e numa voz suave, lhe colocou a par do que iria acontecer no processo daquela magnetização. Terminada a aplicação, tocou-lhe gentilmente no ombro, avisando-a de que o passe já havia terminado e ajudou-a a levantar-se da maca, certificando-se de que a paciente estava bem e sem nenhuma sensação desagradável.
Conduziu-a até a saída transmitindo-lhe, ainda, palavras de bom ânimo e confiança.
Não é difícil imaginar que Josinete se motivou a fazer o tratamento assiduamente e, fazendo o esforço necessário para seguir as recomendações, em pouco tempo já apresentava grandes sinais de melhoras.
Esta história é fictícia mas poderia ser verdadeira, pois em muitas Casas Espíritas encontraremos pessoas amáveis e fraternas, cujos sorrisos e abraços cativam a quem chega.
Estar em contato com o sofrimento humano faz parte da rotina de todo trabalhador espírita ligado às atividades de auxílio ao próximo, mormente o magnetizador. Portanto, dar boa noite, acolher com carinho aquele que se está à sua frente para receber um passe, acalmar o paciente para deixá-lo mais confiante e tranquilo, mais receptivo às energias magnéticas, são atitudes que têm tudo a ver com o bom magnetizador. Estes gestos facilitam o trabalho pois ajudam a gerar, desde o primeiro contato, uma relação fluídica entre ambos, ocasionando resultados mais positivos no tratamento.
O carinho demonstrado nas palavras, no olhar, no sorriso, são ações muito simples e que não custam nada mas que podem fazer uma enorme diferença.
A gentileza compreende um conjunto de atitudes que deve começar entre a própria equipe de trabalho, eliminando os melindres, as fofocas e as competições, num clima de cooperação, de fraternidade e de ajuda mútua.
Um bom termômetro para medir o grau de união do grupo é quando alguém da equipe falta ao trabalho sem avisar previamente. Os participantes perceberam a ausência do companheiro? Alguém procurou saber o motivo da falta, se está tudo bem, se ele está necessitando de alguma ajuda?
Alguém se dispôs a prestar-lhe ajuda, a aplicar um passe, caso necessário?
Se nos predispomos a tratar as outras pessoas, mais ainda devemos estar dispostos a estender a mão àqueles que são mais chegados.
E quando ouvimos, na instituição espírita, alguém dizer: “vocês tratam a gente tão bem!”, sentimos em nosso íntimo uma satisfação maravilhosa ao sabermos que estamos cumprindo bem com a nossa parte. Se ainda não sabemos ser caridosos na ampla acepção da palavra, vale a pena, pelo menos, aprender a exercer a gentileza para com todos os que nos cercam.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 09, fevereiro/2010     

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aos amigos do Magnetismo - Reforma, Progresso, Futuro!


MAGNETISMO CLÁSSICO
Aos amigos do Magnetismo - Reforma, Progresso, Futuro!
Felizes e cheios de esperança saudamos a nova era que começa, pois as mudanças políticas que se operam só podem ser favoráveis ao progresso dos princípios que nós defendemos¹.
Por tão longo tempo corporações de sábios, sustentados por um poder retrógrado, nos tem sido opressivas ou contrárias; ao longo de 70 anos uma verdade magnífica não pôde ocupar o lugar que lhe pertence nas ciências.
Os déspotas mais teimosos, mais perseguidores do que reis vetaram o magnetismo; e cheios de insolência e de orgulho eles gritam também:  nada, nada para vocês!
O tempo da justiça chegou para nós como chegou também para todas as outras coisas. A Academia de Medicina e a de Ciências vão prestar suas contas e estes sábios, em sua maior parte cúpidos ou corrompidos, vão atentar para a reação poderosa que se opera contra todos os que foram injustos.
Nós tínhamos necessidade desta liberdade para desenvolver e produzir grandes coisas; os fatos que destroem a hipocrisia porque desmascaram o poder mentiroso; os fatos que destroem as doutrinas apoiadas apenas em raciocínios vãos.
Cada passo que nós queríamos dar era impedido pelos interessados em sustentar a mentira, pelos homens sem entranhas, que preferiam ver seus irmãos em sofrimento em lugar de aceitar uma verdade fecunda, própria a lhes trazer o alívio.
Quantos esforços, quantas tentativas fizemos! E quantas vezes  a indignação fez saltar o coração em nosso peito pois recebíamos ultrajes lançados pelas bocas dos acadêmicos! Em nosso desespero nós apelamos ao tempo! E ele veio, o tempo no qual as associações poderosas vão se formar.
Regozijem-se, magnetizadores! Eis a aurora de um belo e grande dia! Vocês desfrutarão do triunfo reservado a tudo que é justo e legítimo;
a verdade desta vez vencerá,  pois ela terá como apoio um mundo novo.
Ó Mesmer! Tu que amavas a República, tu que traçaste com tuas mãos as primeiras bases! 
Em tua sabedoria já avaliavas o quanto as corporações seriam contrárias aos interesses do povo. Tu pressentias o tempo, mas como acontece aos homens avançados, não foste compreendido. Voltas para nos animar. Tua alma generosa vem para animar as nossas para sustentar dignamente não tua reputação, pois ela se estabelecerá por si mesma e crescerá em todas as raças, mas para desenvolver tuas idéias, para cultivar o que espalhaste nesta terra da França. Tu quiseste gerações sadias e robustas tanto quanto virtuosas e os homens te infamaram e diminuíram a cada dia, não sabendo ou não querendo seguir o que traçaste.
Agora estes homens não encontrarão mais apoio. É preciso que eles se ofereçam à discussão e que suportem o exame que se fará dos títulos que usurparam.
A verdade se colocará frente ao erro; cadeiras novas serão criadas; todas as leis que se prestavam para favorecer uma corporação não mais verão o dia. Os princípios fecundos não encontrarão mais entraves para serem ensinados.
A medicina magnética e sonambúlica não mais será impedida e não nos baterão mais com as armas feitas para combater criminosos. Tudo o que é bom e justo poderá se produzir sem medo e um dia nos lembraremos com horror das perseguições que experimentamos.
Nossos sábios não querem o magnetismo. Em breve, porém, ele estará em toda parte para cobri-los de vergonha. Para nós foi preciso mais de cem anos para obter este resultado.
Sejam abençoados vocês todos que morreram pela Pátria pois não somente asseguraram a liberdade mas sua morte terá preparado para as gerações o que a liberdade não pode dar sozinha, o que a falsa ciência lhe recusou: os princípios da conservação dos seres.
Abençoados sejam! Seu sangue, como o daqueles outros mártires, nos livrou de uma dupla servidão. As argolas da corrente despótica que a ciência não quis romper se quebraram e nós lhes devemos homenagens e um reconhecimento ilimitado, pois sem vocês, por tanto tempo isolados, nós teríamos curvado a cabeça a quem combatíamos para libertar os homens.
Que todos os magnetizadores se preparem! É necessário que uma resolução se efetive que uma demanda coletiva apele ao poder a fim de que um hospital seja fundado para justificar diante do mundo inteiro os resultados que cada um de nós obteve em silêncio. A divina filosofia que se revela ao coração de todos os magnetizadores se expandirá a partir de um lugar consagrado.
Não escutam partir do coração de todos aqueles a quem a sociedade tinha esquecido estas palavras: reforma, nova organização social. Inscrevam em seu pendão: justiça para a natureza ultrajada, criação de uma cadeira onde se ensinará suas verdades, leis e os deveres de todo o homem que quiser ser seu ministro.
Basta de sangue, basta de mortes. A medicina atual deve ser reformada. A humanidade assim como a verdade o exigem aos brados. Magnetizadores ajudemos no nosso empreendimento, batam neste corpo que dispõe da vida do homem; mas que seja para apelar à partilha de seus gozos. Vocês confraternizarão com ela quando, perpassada por seus sentimentos, ela terá reconhecido a justiça da causa que como eu, vocês defendem!
Barão du Potet
1 Ao longo do artigo, o Barão du Potet fará referência às modificações políticas e sociais ocorridas na França, em decorrência da Revolução de  1848, marcada por violentos  conflitos e muitas mortes, que pôs fim à monarquia e instaurou a República. Nesta  nova ordem, os  magnetizadores tinham  esperança de não sofrer as perseguições que sofreram durante a monarquia. (nota da tradutora)
Jornal Vórtice ANO II, n.º 09, fevereiro/2010     

terça-feira, 13 de novembro de 2012

PRELIMINAR DE TODO TRATAMENTO MAGNÉTICO


MAGNETISMO CLÁSSICO

Tradução de Lizarbe Gomes

LIVRO TERCEIRO DA DIREÇÃO DE UM TRATAMENTO MAGNÉTICO

CAPÍTULO I
PRELIMINAR DE TODO TRATAMENTO

É essencial, eu diria mesmo, indispensável fixar as horas das sessões e dizer ao doente que ela deve ser exata.
Assim também o magnetizador, pois em caso de sonambulismo a inexatidão traz graves inconvenientes.
Ele irá considerar os hábitos do doente e do regime que lhe é ordinário; ele fará as modificações convenientes e recomendará a observação; a cada sessão ou de tempos em tempos, ele se informará dos resultados.
Ele prevenirá o doente que ele deve, tanto quanto possível ser assistido pela mesma testemunha e, sobretudo evitar apresentar como um crente ou homem impassível, um incrédulo ou um antagonista do magnetismo, explicando-lhe que a presença deste último poderia anular a ação ou a atenuar. E para que o doente seja atento a esta recomendação, ele não hesitará em lhe dizer que, em caso de infração da parte dele, ele será forçado a abandoná-lo.
Tomadas estas precauções e depois de haver examinado a si mesmo como eu disse anteriormente, o magnetizador poderá passar ao tratamento.

CAPÍTUL0 II
DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREÇÃO

O fim invariável de um tratamento magnético é ajudar a natureza sem contrariá-la jamais. É preciso então apenas magnetizar nos casos úteis e necessários, ou seja, para aliviar ou curar.
Não se deve jamais procurar agir sobre a imaginação dos doentes e procurar produzir efeitos extraordinários; ao contrário, toda a atenção deve ser empregada em fiscalizar as crises que possa sobrevir e aproveitá-las.
É preciso ter e conservar uma grande calma e quando uma crise se manifesta, deixar o doente apenas quando ela tiver terminado e quando ele tiver voltado ao seu estado normal.

Quaisquer que sejam as opiniões concebidas sobre a maior ou menor utilidade dos procedimentos é indispensável fixar-se neles, após a experiência dos outros ou da sua mesmo, afim de não ter um só momento de medo ou de hesitação, para não embaraçar a si mesmo e para não perder um tempo precioso procurando quais são os procedimentos mais convenientes.
Deve-se empregar as forças gradualmente e não de imediato ao se começar.
É preciso evitar magnetizar ao sair da mesa e durante o trabalho de digestão; assim como é bom não estar de jejum, afim de não se cansar ou de esgotar tão rápido.
Nem durante a doença nem durante a convalescença é preciso magnetizar por tão longo tempo; as primeiras sessões devem ser de no máximo uma hora, as seguintes de três quartos de hora à meia hora.
Quase sempre é interessante tanto para o magnetizador como para o doente, não fazer mais de duas sessões por dia. De um lado, é preciso dar tempo ao magnetismo para produzir seus efeitos e, por outro lado, pela mesma razão, o operador se fatigaria inutilmente.
No entanto, se é necessário sustentar uma crise, um movimento imprimido, o que acontece às vezes, obedece-se às circunstâncias seguindo as necessidades do doente e até que a crise termine.
Tem-se visto magnetizadores obrigados a sustentar uma crise durante três, quatro, cinco horas, por vezes por todo o dia e toda uma noite.
Não se deve começar um tratamento senão se está seguro de poder continuá-lo.
É bastante perigoso interromper um tratamento iniciado ou de não sustentar uma crise que se tenha excitado e que a natureza não possa conduzir a seu fim sem ajuda do magnetismo. Eu falarei disso mais adiante.
CAPÍTULO III

DA APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS GERAIS AOS CASOS PARTICULARES

Quando se vê que o magnetismo age, é preciso redobrar a atenção sem perder a calma que se tenha conservado para esperar seus efeitos; deve-se, sobretudo, evitar fazer esforços para aumentar aqueles os quais se acabou de obter, se perturbaria assim a marcha da natureza.
Se a magnetização colocou o doente num estado que não lhe é o comum, assim como as dores, os movimentos nervosos, a transpiração, os espasmos ou fortes cólicas e estes diversos sintomas se renovando durante várias sessões, não é preciso se preocupar; estes sintomas desaparecerão por si mesmos e às vezes antes do fim da sessão.
Acontece por vezes – estes casos são muito raros, mas é bom estar prevenido – que a primeira impressão do magnetismo produz uma crise acompanhada de movimentos convulsivos, enrijecimento dos membros, acessos de choro ou de riso; o magnetizador não deve se assustar ou se inquietar, mas agir em consequência.
Assim ele se esforçará, através de palavras doces e benevolentes, mas também firmes e seguras, para inspirar a calma e a segurança ao doente; ele pegará os seus polegares por um momento e em seguida fará várias fricções longitudinais. Se as fricções excitam o doente em vez de acalmá-lo, se faz passes à distância; magnetiza-se em “grandes correntes” e a calma acaba por chegar.

Quando o caso se apresente por duas vezes seguidas, tomam-se as precauções para a terceira sessão; contenta-se apenas em pegar os polegares e, relação estabelecida, se magnetiza por passes longitudinais à distância. O doente permanecendo calmo, retorna-se pouco a pouco ao lugar que se ocupava e se tenta de novo os procedimentos necessários até que o doente termine por suportar a ação. (1)
É necessário não confundir os movimentos convulsivos que duram apenas por um momento com uma irritação nervosa que continua após a sessão e se prolonga de uma a outra deixando o magnetizado num estado de contínuo mal-estar.
Quando se encontra estas pessoas que tem este gênero de suscetibilidade, é preciso usar com eles os procedimentos mais calmantes e agir de longe.
Se, depois de três ou quatro sessões, o mesmo efeito acontecer, deve-se colocar um dia de intervalo nas sessões seguintes; e se, ao fim de oito a dez dias, os mesmos sintomas se apresentem é preciso cessar, tirando do fato as consequências seguintes: o magnetizador ou o magnetismo não convém ao doente.
Para se assegurar, confia-se o doente a um outro magnetizador; se o mesmo fenômeno ocorre, substitui-se este magnetizador por um outro; pode-se mesmo tentar um terceiro, após o qual, não havendo mudança, se concluirá que o magnetismo não convém ao doente.
Finalmente, quaisquer que sejam as crises que sobrevenham no curso de um tratamento, não se assuste; se você não se perturbar, se permanecer calmo, nada pode acontecer e nada de desagradável acontecerá ao doente.
AUBIN GAUTHIER

(1) O Sr. Deleuze diz sobre o mesmo assunto: “o efeito sobre o qual acabei de falar (uma crise nervos no início de uma magnetização) é tão raro que o produzi por mim mesmo somente três ou quatro vezes em uma prática de trinta e cinco anos. Sei bem que aconteceu várias vezes e que teve consequências desagradáveis. Mas foi entre pessoas que magnetizavam para fazer experiências, para mostrar os fenômenos e não com a calma e a única intenção de fazer o bem. Eu teria apenas cuidado de anotar este efeito se eu já não tivesse visto recentemente um exemplo do qual vou dar conta para me fazer melhor entender, se bem que esta obra não seja destinada a relacionar estes fatos. Fui solicitado há alguns dias a dar uma lição a uma senhora que queria magnetizar sua filha, atingida por uma doença leve, mas forte e antiga e cuja causa se ignorava. Eu coloquei a mãe ao meu lado e, para lhe mostrar os procedimentos, magnetizava sua filha que não experimentou absolutamente nada.

A mãe disse-me que ela havia sido magnetizada uma vez e que sentiu a necessidade de fechar os olhos. Eu quis ver se eu agiria sobre ela. Depois de quatro ou cinco minutos de passes em “grandes correntes” e de aplicação da mão sobre o estômago, ela exclamou: “Ah! Que sensação agradável!” Um minuto depois ela teve um movimento convulsivo; os membros se enrijeceram; o pescoço inchou e ela levantou a cabeça para trás e deu um grito. Eu peguei os polegares; eu lhe repeti várias vezes com um tom imperativo; “Acalme-se”! Eu me afastei em seguida para magnetizar em “grandes correntes”; enfim, tentei fazer, sempre à distância, passes transversais para dispersar o fluido. Então sua expressão mudou, mas sobreveio um acesso de riso que durou alguns minutos. Tudo se acalmou pouco a pouco; ela me disse que se achava muito bem. Se eu tivesse chamado alguém para detê-la, se eu tivesse ficado assustado, se não tivesse acalmado a crise, é provável que a dama assim magnetizada teria ficado perturbada durante vários dias.”
(Instruções Práticas, 60 a 62)
Jornal Vórtice ANO II, n.º 10, março/2010

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Estudo da mente: não há futuro sem o estudo do espírito


Estudo da mente: não há futuro sem o estudo do espírito
Dr. Nubor Facure
O que há de mais significativo na atualidade é que o avanço tecnológico que nos permitiu conhecer mais intimamente a fisiologia cerebral permitiu trazer o estudo da mente para o campo da ciência depois de séculos de especulações filosóficas.(1) Nunca se ignorou que processamos fenômenos mentais como o pensamento, a imaginação, a noção de tempo, o calculo mental e as nossas memórias, especialmente aquelas que nos aborrecem e não desgrudam de nós.(2)
Curiosamente, a pergunta para a qual mais respostas temos é, exatamente, como funciona a mente — várias escolas do pensamento filosófico e científico se propuseram a respondê-la. Podemos questionar, em primeiro lugar, se existe realmente um mentalismo, uma atividade mental que seria ligada a, ou independente de, outras atividades fisiológicas, especialmente cerebrais como são a visão, o movimento, a dor ou o simples palpitar do coração após um susto que nos emociona. Ainda hoje não existe uma unanimidade sobre a existência ou não da mente, o que torna o tema sempre muito instigante.
Filósofos clássicos e médicos-filósofos coma Hipocrates e Galeno demonstraram uma convicção na existência imaterial da Alma e na sua competência em pôr em funcionamento nosso organismo. A Alma ou Psique seria, necessariamente, responsável per nossas percepções e sensações. Havia, na discussão filosófica clássica uma série de preocupações, em particular, com a localização da Alma, sua permanência após a morte do corpo físico e, até mesmo, sua existência previa, antes do nascimento(3).
Mesmo sem negar a existência da Alma, Alcameon de Crotona e Hipócrates atribuíam ao Cérebro a causa de todas as nossas sensações e percepções. No período romano ninguém supera as lições de Galeno, que introduziu a noção de uma substância imaterial que daria a todo o nosso corpo sua dinâmica de funcionamento. No cérebro, ocorreriam nossas atividades motoras, sensitivas e racionais.
Na visão eclesiástica da mente, esse conjunto clássico de proposições "médicofilosóficas" foi de extrema conveniência para a Igreja da Idade Média, que o apoiou sem contestação, fazendo apenas ajustes para adequá-los ao pensamento teológico vigente.(4) Mas, rompendo com o passado. René Descartes sabiamente criou uma dualidade conveniente, separando a Alma (e suas paixões) do Corpo. Em 1804, Franz Gall relacionou as funções mentais com saliências do crânio, dando início a interpretação localizacionista das funções cerebrais, fato que veio a se sedimentar em 1867 com a apresentação pública de Paul Brocá da descoberta da localização cerebral da palavra falada, no pé da circunvolução frontal esquerda. (5)
No entanto, permaneceu o dilema dualista. Qual a competência e a extensão de cada componente, o corpo ou a Alma? Qual a maior ou a menor influência, a do ambiente ou a da hereditariedade? O quanto são ideias inatas e o quanta é fruto do aprendizado? Provém do Espírito o nosso livre-arbítrio ou somas compelidos a reagir a condicionamentos? Para Baruch Spinosa o cérebro está comprometido em nossas decisões e nosso aprendizado deixa marcas permanentes no cérebro. Não se estranha, portanto, que Antônio Damásio afirme que o cérebro constrói o homem.(6)
No final do século XIX, surge a psicologia como ciência, com duas correntes principais: o estruturalismo, que estuda os elementos constitutivos da mente, e o funcionalismo, que estuda as múltiplas funções da mente: como percebemos o mundo, ou tomamos decisões, ou registramos o que ouvimos e vemos, ou separamos sensações agradáveis de outras incômodas e nocivas. Freud inaugurou o estudo moderno sobre o funcionamento da mente a partir da atuação de uma força inconsciente que dirige nossas ações. Somos impulsionados por essa força inconsciente e inteiramente controlados por ela. Freud enxergou na mente um aparelho psíquico com três componentes: O Id, o Ego e o Superego. Com esses fundamentos Freud construiu a Psicanálise, revolucionando a abordagem e o tratamento das neuroses. (7)
Segundo o movimento da Gestalt, a mente não é formada pela soma de seus componentes e de suas funções. Pela sua complexidade ela é, no seu todo, sempre maior que a soma dos seus elementos. Em suas propriedades a mente inclui o contexto onde os fenômenos ocorrem - imagine um banco de jardim, ali ele tem uma função, se colocado no banheiro da casa ele fará um papel totalmente diferente. Na Gestalt considera-se que sempre realizamos um trabalho mental interno para solucionar um problema. Enquanto o behaviorismo considera que simplesmente reagimos a estímulos para agir, na Gestalt o “insight” é fundamental na construção dos nossos comportamentos. Devo pensar e fazer minhas escolhas antes de decidir.
O fisiologista russo Ivan Pavlov demonstrou que podemos produzir comportamentos novos em um animal, associando um estimulo natural como a presença de um pedaço de carne, a um sinal neutro do tipo do ruído de uma sineta, condicionando uma resposta especifica que seria a salivação. Já o psicólogo norte-americano John Watson condicionou comportamentos humanos desenvolvendo a teoria do Behaviorismo, aperfeiçoada por Skinner, que sugere um ser humano moldado por estímulos, dispensando a existência das funções cognitivas como pensamento, percepção, memórias e principalmente postula que não existe uma mente em nós. Assim: o que interessa são as circunstancias e as consequências das ações que nos motivam; o Self é apenas um repertório de comportamentos adequados para determinada serie de contingências; não existe urna atividade mental entre o estímulo e a resposta; para entendermos o comportamento, os processos mentais são irrelevantes e ao mesmo tempo inacessíveis; basta-nos considerar: o ambiente em que a resposta ocorre, a resposta em si (tipo), as consequências das respostas.
O recente campo das Neurociências apresenta-se com acertos e também com sua falácia. Estudos clínicos em pacientes vitimas de ferimentos cranianos, de lesões, tumores ou doença vascular cerebral permitiram acumular um precioso conhecimento sobre as funções das diversas áreas cerebrais. Desenvolveram-se duas grandes vertentes desse conhecimento, uma baseada no localizacionismo, na qual cada área cerebral revelou que função se relaciona, e outra construiu sistemas de funcionamento, como, per exemplo, para a linguagem e para as atividades motoras. A mente passou a ser reconhecida como um epifenômeno da complexa atividade cerebral.(8)
No campo da fisiologia, Erick Kandel realizou estudos com neurônios isolados da Aplisia, uma lesma do mar, demonstrando dois fenômenos da fisiologia dos neurônios: a sensibilização e a habituação. Essa atividade neurofisiológica, de aparência simples, conseguiu esclarecer nossos mecanismos de aprendizagem e de memória em toda a sua complexidade.(9)
No estudo dos neurotransmissores, a química cerebral, a partir da descoberta da acetilcolina, já inclui cerca de 30 neurotransmissores que estão nitidamente ligados aos fenômenos mentais, sejam os nossos desejos, como os nossos comportamentos, tanto agressivos quanto românticos, e assumem um papel de extrema importância no manejo das doenças mentais.
No campo da neuroimagem, com a introdução da Ressonância cerebral e seus aperfeiçoamentos, explodiu uma revolução nos labirintos do cérebro. Área por área, função por função estão sendo escaneadas para criar uma nova ciência da mente. O detalhamento é tão grande e a meu ver exagerado, que se propõe a identificar áreas ligadas a nossa preferência, até por um determinado sabor de sorvete. E é essa extravagância que gerou uma falácia na neurociência.(10) No máximo, essas imagens podem nos dizer que determinada atividade como, por exemplo, pensar na solução de um lance num jogo de xadrez ou fazer uma identificação de um rosto bonito, pode estar ocorrendo em determinada área do cérebro, mas isso não nos permite dizer que é aquela área que faz o lance no xadrez ou determina a escolha do rosto. A neuroimagem não consegue incluir a pessoa humana no comando da atividade cerebral. As mãos de Eurídice em súplica, a mãos que apedreja, os lábios que beijei. O olhar de espanto quando me viu, ou o gesto de adeus, são figuras possíveis na poesia, mas, nada acontece sem que a Alma se manifeste. Seria muito cômodo eu dizer ao meu gerente no banco que mais tarde meus neurônios passam para lhe pagar meu debito em conta.(11)
Sendo o Espiritismo uma Ciência do Espírito e do Mundo Espiritual, não seria de estranhar que ele esclarecesse algo mais sobre a mente e, principalmente, onde e como ela atua. Nesse sentido, os seus fundamentos acrescentam um volume de informações inesgotável e bem superior a tudo que se soube até hoje. Para simplificação, optamos por apresentar alguns de seus princípios, enriquecendo este nosso estudo sobre a mente:
Ø  Existe uma Alma que é agente de todos as nossos comportamentos e faz as opções do nosso livre-arbítrio:
Ø  A mente pode ser tomada como sinônimo de Alma, portanto, não é de se estranhar que possa ser dito que a mente não é uma simples propriedade do cérebro mas é uma entidade corpórea;
Ø  Essa alma/mente não nasce criada em um paraíso bíblico, ela percorre a mesma jornada evolutiva na mesma escala de desenvolvimento da vida na Terra. Em suas memórias estão registradas todas as experiências de reencarnações sucessivas que percorreu, o que, possivelmente, tem a ver com os arquétipos junguianos;
Ø  A cada vida que recomeça, a Alma traz suas tendências e seus compromissos cármicos que lhe permitem o resgate de suas faltas e o recomeço de sua trajetória evolutiva — daí o significado da dor e do sofrimento na história de vida de cada um de nós;
Ø  A Alma não e prisioneira do corpo físico, podendo frequentemente dele se desdobrar e entrar em sintonia com o mundo espiritual. Isso explica as descrições das EQM- experiências de quase morte, das experiências fora do corpo, dos sonhos lúcidos, das alucinações hipnagógicas e da comunicação espírita:
Ø  O pensamento não e um fenômeno etéreo, ele é energia procedente da Alma, que cria uma psicosfera em torno de cada um que o emite, estabelecendo sintonia com todas as Almas que afinam opiniões semelhantes. Isso explica a atração de simpatia e antipatia entre as pessoas;
Ø  Nossos sentidos físicos trafegam informações pelo cérebro onde elas são processadas pela Alma. conforme suas experiências previas — as alterações químicas do cérebro têm repercussões graves nas percepções que realiza a Alma, assim como temos perturbações da própria Alma que desequilibram a fisiologia do cérebro.
Nossa contribuição pessoal e a de uma metaneurologia e o Corpo mental.(12) Existem situações neurológicas diversas que nos permitem constatar a existência de uma estrutura corporificada representando nossa mente — o corpo mental tem uma anatomia e uma fisiologia compatíveis com situações clínicas conhecidas dos neurologistas. Pacientes com síndromes histéricas(13) constroem mentalmente seus sintomas paralíticos ou suas insensibilidades obedecendo a um padrão uniforme compatível com o corpo mental. A narcolepsia, o membro fantasma (14), as memórias e paralisias geradas pela hipnose(15) encaixam-se corretamente no corpo mental. Dai a minha sugestão de construirmos uma metaneurologia baseada no corpo mental — que nos abre a possibilidade de avaliação experimental da mente. Nosso futuro tecnológico trará situações extraordinárias e surpreendentes. Vamos lidar cada vez mais com máquinas que obedecerão ao pensamento, mas, cedo ou tarde, o Espírito terá de ser admitido no estudo da mente. 
Nubor Facure é médico neurocirurgião, especialista em neurologia, fundador e Diretor do Instituto do Cérebro (Campinas, SP).
Referências:
(1)THOMPSON, R.F. O Cérebro: uma introdução à neurociência. 3.ed. São Paulo:Livraria Santos Editora, 2005.
(2)LENT, R. Cem bilhões de neurônios, conceitos fundamentais de neurociência. 2ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2010.
(3)Para Sócrates, está na Psyqué a sede da inteligência e do caráter. Platão ensinava que todo conhecimento é trazido pela Alma do "mundo das ideias", que é preexistente ao nascimento. Ele descreve a existência de 3 Almas: Vegetativa, situada no fígado e responsável pela nutrição, o crescimento e as paixões inferiores como a luxuria e a ganância; Vital, situada no coração, relacionada com a coragem, as paixões e as disputas: e Imortal, que ele localizava no cérebro. Aristóteles considerava que todo conhecimento provém dos sentidos, nada é sabido antes do nascimento, é o pensamento precursor da "tabula rasa" que se encontra em Locke e Pinker.
(4)Podemos resumir os tópicos principais admitidos pela Igreja da época: existe a Alma criada ao nascermos. Responsável pelos nossos sentimentos, memórias e pensamentos; ela nasce ignorante e inocente, tudo aprendendo de acordo com os estímulos que atingem os sentidos. Nossas emoções estão ligadas aos humores que circulam em nosso sangue. A Alma sobrevive à morte do corpo físico com o qual está fortemente ligada.
(5)RATEY, J.J. O cérebro: um guia para o usuário. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
(6)DAMASIO. A.R. E o cérebro criou o homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
(7)GAZZANIGA, M.S.: HEATHERTON, T.F. Ciência psicológica, mente, cérebro e comportamento. 2ªimp.rev.reimp. Porto Alegre: Artmed, 2007.
(8)Rose, S. O cérebro do século XXI: como entender, manipular e desenvolver a mente. São Paulo:Globo.2006.
(9)DALGALARRONDO, P. Evolução do cérebro, sistema nervoso, psicologia e psicopatologia sob a perspectiva evolucionista. Porto Alegre: Artmed. 2011.
(10)BENNET, M.R.; HACKER, M.S. Fundamentos filosóficos da neurociência. Lisboa: Instituto Piaget - Stória Editores LDA., 2005.
(11)BASTOS, L. B. Cientistas e feiticeiros: uma abordagem critica da psiquiatria atual. Rio de Janeiro; Revinter, 2012.
(12) FACURE, Nubor. O "corpo mental" como expressão clínica da mente: Uma hipótese alternativa para o estudo da mente. Revista de Ciências Medicas de Campinas.14(1):97-101,jan/fev.,2005.
(13)HALLIGAN, P. W. New approaches to conversion hysteria. BMJ 2000; 320: 1488-1489 (3june).
(14)MELZACK. R.; ISRAEL, R.; LACROIX, R.; SCHULTZ G. Phantom limbs in people with congenital limb deficiency or amputation in early childhood. Brain 1997; 120 (9) 1603-1620
(15)HALLIGAN. P.W.; ATHVVAL, B.S.; OAKLEY, D.A.; FRANCKOWIAK, R.S.J. Imaging hipnotic paralysis: Implications for conversion hysteria. The Lancet, 2000; 355:986-987.
Revista Cultura Espírita Nº 42 Set/2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

COMO PODEMOS INTERPRETAR A FRASE DE JESUS: "A tua fé te curou"?


JACOB MELO responde

COMO PODEMOS INTERPRETAR A FRASE DE JESUS: "A tua fé te curou"?

Coisa desagradável é tirar pirulito da boca de criança. Mas nem sempre só isso o é. Entretanto, quantas vezes passamos anos e anos na vida com verdadeiros bombons deliciando nosso paladar e, um dia, descobrimos um diabetes ou alguma gordurinha localizada a nos pedir reflexão acerca daquilo que é tão doce, tão delicioso! Não é que o docinho mude de sabor, mas a forma como nos relacionaremos com ele precisa mudar.
Muitas vezes, verdades evangélicas e morais são assimiladas de forma tão singela que chegam a não pedir maiores reflexões, principalmente quando favorecem às acomodações. Todavia, quando precisamos de verdades mais eloquentes em nosso íntimo percebemos ser necessário repensar, revalorizar o que temos acrisolado.
Sempre ouvimos que “a tua fé te curou” e, pensando bem, quase nunca nos damos conta de que esta frase não tem aí seu ponto final. Costuma ser acrescida de “e não tornes a pecar, para que não te suceda algo pior”.
É meio parecido com bula de remédios que diz como e para que serve aquilo, ao tempo em que previne das reações adversas e contra-indicações.
E a maior semelhança está exatamente no fato de buscarmos saber para que serve e costumarmos dar pouca atenção aos riscos envolvidos. Mas, por que será que Jesus usou tanto essa exclamação?
Seguramente, ele estava dizendo que a cura é um processo que tem seu disparo inicial dentro de quem quer ser ou precisa ser curado. E ele disse isso de outra forma também: “conhecerás a verdade e esta te libertará”. Libertará do quê? Será que eu sabendo de uma coisa estarei livre dela? Se alguém fuma e sabe dos perigos daí advindos, simplesmente estará livre do fumo ou de seus efeitos só por conhecer os malefícios associados? Dá para se perceber que o entendimento disso tudo não é apenas um chupar de balinhas, mas de processar tudo o que lhe é decorrente e consequente.
Lógico que alguém já pode disparar: e quem está em coma? E quem não acredita? E quem não quer?
Não tem vezes que a cura os atinge igualmente enquanto que outros que querem e fazem por onde atingir a cura, não parece que ela deles foge desbragadamente?
A fé é sentimento íntimo, inato e que se desenvolve com o avanço intelecto-moral do ser humano.
Intelecto-moral porque se fundamenta nos sentimentos mais íntimos e profundos do ser e vai se robustecendo à medida em que a confrontação com a razão amplia-lhe a base. Significa dizer que essa fé não se liga necessariamente a uma crença ou doutrina em particular e sim à maneira com que se lida com o plausível e o impalpável, o real e o imaginável, o denso e o sutil. Assim há quem verbalize não ter fé, porem, no modo de vida, expresse exatamente o oposto; de igual forma ocorre o reverso.

É de se destacar o caso da mulher hemorroíssa (Matheus, 9, 20-22) que apenas tocou a veste de Jesus e se curou. Ele disse a ela que foi a fé que agiu, mas fica a questão: por que será que a fé não atuou desde o momento em que se instalou em seu coração, mas apenas quando ela Lhe tocou as vestes? Este é um caso por demais significativo. A fé funcionou ou fez funcionar uma atração fluídica surpreendentemente eficaz, mas, ainda aí, foi necessário um toque, um quê de detalhe adicional para que a manifestação material se desse. Ou seja: a fé a curou sim, mas não a fé da crença ou de uma espera inativa e sim a fé que levou-a a mover-se até a fonte, até o “campo energético” por excelência que a curaria.
Por fim, quando Jesus assevera que se tivermos uma fé do tamanho de um grão de mostarda, ao tempo em que sinaliza que ainda estamos com uma fé absurdamente pequena em nossas almas, Ele nos conclama a uma percepção mais rica e profunda desse sentimento. A fé verdadeira pede movimento, ação, retirada de obstáculos, empenho, esforços constantes e vitórias. É assim que a doce fé do simples crer que é e será deverá ser substituída pela fé da ação, da perseverança, da busca, da luta, do mergulho interior levando-nos grandiosos para o exterior.
A nossa fé nos curará sim. Mas precisaremos ir além de comer docinhos. Precisamos nos alimentar de vida para a Vida nos presentear com as curas reais.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 10, março/2010

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

OS MILAGRES DO EVANGELHO CURAS


PALAVRAS do Codificador
A GÊNESE, CAP. XV, OS MILAGRES DO EVANGELHO CURAS
Perda de sangue
10.  Então, uma mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia; ― que sofrera muito nas mãos dos médicos e que, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira ― como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto, dizia: Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada. ― No mesmo instante o fluxo sangüíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.
Logo, Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão e disse: Quem me tocou as vestes? ― Seus discípulos lhe disseram: Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou? ― Ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara.
A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio lançar-se lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. ― Disse-lhe Jesus: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade. (S. Marcos, 5:25 a 34.)
11.  Estas palavras:  conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas. Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de produzir-se. É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos.
Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.
Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão?
É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.
Razão, pois, tinha Jesus para dizer: Tua fé te salvou. Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural. (Cap. XIV, nos 31, 32 e 33.)
Jornal Vórtice ANO II, n.º 11, abril/2010