Seja Bem Vindo ao Estudo do Magnetismo

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Memória e o Tempo


DICA DE LEITURA

A Memória e o Tempo

Uma inquietante obra de Hermínio C. Miranda, na qual o autor viaja através da mente humana usando como pano de fundo o Espiritismo e como instrumento, a hipnose.
Passeia pelos conceitos de tempo e pela análise da memória. Em seguida, relembra Mesmer e o magnetismo, a hipnose, Albert de Rochas e suas experiências, indo até a psicanálise de Freud. Faz, ainda, um exame da teoria freudiana à luz da Doutrina Espírita.
Isto e muito mais encontramos neste livro brilhante que vale a pena ser lido e estudado.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

VALENTINE GREATRAKES


BIOGRAFIA VALENTINE GREATRAKES
Durante muitos séculos foi atribuído aos reis o chamado “toque real”. Acreditava-se que os reis tinham o poder de curar com um simples toque, principalmente a escrófula (ulcerações ou fístulas, com tumores ganglionares, tanto na manifestação da tuberculose ou da sífilis, como provocada por outros micróbios e fungos patogênicos).
Algumas outras pessoas, plebéias, arriscavam-se a realizar curas através das mãos. Dentre estas ficou famoso Valentin Greatrakes (1628-1693), da Irlanda, ex-juiz de paz de Cork, conhecido como Conde de Waterford.
Muitos o consideravam como um pretendente ao trono, pelo fato de exercer curas – inclusive as que se considerava incuráveis - utilizando o “toque real”, chegando mesmo a sofrer perseguições por traição, já que este poder pertencia apenas ao rei.
Ele descobriu este seu “dom” por volta de 1662 quando “sentiu” que poderia curar através das suas mãos. Acreditava que o seu poder provinha de Deus.
“Relutantemente, Greatrakes testou o seu dom num homem horrivelmente marcado pela escrófula.
Pousando as mãos sobre o doente, Valentine rezou, e, passado um mês, o homem estava totalmente curado.”1
Depois, seguiram-se várias outras doenças, inclusive casos complicados como câncer, muitas vezes exercendo um movimento suave (técnica magnética), sem tocar o corpo do doente.
Rapidamente espalhou-se a sua fama e, em 1665, recebeu ordem do tribunal episcopal para parar com as curas, o que Greatrakes ignorou. Tinha a seu favor a classe a que pertencia (era aristocrata), a sua modéstia e o fato de que não cobrava pelas curas que exercia.
Quando a peste devastou Londres, ele seguiu para a Inglaterra, ficando lá durante cinco meses e se destacando no combate à epidemia o que impressionou vários membros da Royal Society.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

REVISTA ESPÍRITA, PENSAMENTOS ESPÍRITAS QUE CORREM O MUNDO. Janeiro de 1867.


REVISTA ESPÍRITA, PENSAMENTOS ESPÍRITAS QUE CORREM O MUNDO.
Janeiro de 1867.

PALAVRAS DO CODIFICADOR
O perispírito, um dos elementos constitutivos do organismo humano, constatado pelo Espiritismo, havia sido suposto há muito tempo. É impossível ser mais explícito a este respeito do que o Sr. Charpignon em sua obra sobre o magnetismo, publicada em 1842 (1-(1) Physiologie, médecineetmetaphys/quedumagnétisme por Chanpignon, vol. in-8 Paris, Bailliere,17, rua da Escola de Medicina. Preço: 6 fr.).
Lê-se, com efeito, cap. II, página 355: "As considerações psicológicas às quais acabamos de nos entregar tiveram por resultado nos fixar sobre a necessidade de admitir, na composição da individualidade humana, uma verdadeira trindade, encontrar nessa composição trinária um elemento de natureza essencialmente das duas outras partes, apreensível, antes por suas faculdades fenomenais, do que por suas propriedades constitutivas; porque a natureza de um ser espiritual escapa aos nossos meios de investigações. O homem é, pois, um ser misto, organismo de composição dupla, a saber: combinação de átomos formando os órgãos, e um elemento de natureza material, mas indecomponível, dinâmico por essência, em uma palavra, um fluido imponderável. para a parte material.
Agora, como elemento característico da espécie hominal: esse ser simples, inteligente, livre e voluntário, que os psicólogos chamam alma..."
Estas citações e as reflexões que as acompanham têm por objetivo mostrar que a opinião está bem menos distante das idéias espíritas que não se poderia crê-lo, e que a força das coisas e a lógica dos fatos a conduzem por uma inclinação toda natural. Não é, pois, uma vã presunção dizer que o futuro está em nós.
REVISTA ESPÍRITA, PENSAMENTOS ESPÍRITAS QUE CORREM O MUNDO.
Janeiro de 1867.
JORNAL VÓRTICE  ANO II, n.º 06, novembro/2009

terça-feira, 25 de setembro de 2012

MAGNETISMO CLÁSSICO


MAGNETISMO CLÁSSICO
Extraído do Jornal do Magnetismo, 1860 BARÃO du POTET
Os alunos da Escola Politécnica, com frequência, tem assistido às minhas sessões de magnetismo; há dois anos, trinta e quatro deles vieram em um domingo me pedir para exercer minha ação sobre eles a fim de adquirirem uma convicção.
No último domingo, uma centena de alunos da mesma escola vieram juntos, à uma hora da tarde, me solicitar para que operasse os feitos deste magnetismo tão controverso no mundo. Esta iniciativa de um grupo tão numeroso e esclarecido me honrou e, a meu ver, honrou esta escola. Estes jovens me distinguiram na multidão e a necessidade de conhecer os conduziu a minha casa para aí buscar a verdade. Acredito que nenhum deles saiu sem estar convencido, sem levar consigo a evidência desta poderosa informação cuja realidade empolgante acabava de lhes ser demonstrada.
Eu magnetizei sete destes jovens; dois deles pouco ou nada sentiram, três experimentaram a sensação que produz leves correntes elétricas, porém, os outros dois se submeteram completamente à potência magnética.
Eles se convulsionaram, arrastaram-se, apesar da resistência desesperada de um deles que fechava seus punhos e teimava, encolerizado, para não obedecer. Esforços em vão! Ele foi como que suspenso no mar e lançado em minha direção, ainda que três metros de distância nos separassem. Localizado atrás de um deles, puxei sua cabeça para mostrar que não era nem minha vista nem meus movimentos que tinham determinado uma primeira ação. Várias outras experiências foram feitas; não as descrevo porque seria impotente para descrevê-las em seus mágicos efeitos. A sessão durou pouco mais de uma hora.
Vejo esta demonstração como um acontecimento favorável ao magnetismo. Eu estava só diante de um batalhão de jovens decididos, cheios de força e energia, tendo o saber que prepara as revoluções científicas. Para trás então os céticos de sua escola, todos os retardatários das academias, todos os laureados impotentes que tem olhos cujo cristalino é sem brilho e que acreditam que seus livros serão uma barreira que impedirá a verdade de se revelar! Que todos estes cegos venham encontrar estes jovens, procurem convencê-los de sua ilusão e lhes dizer que tudo é mentira no magnetismo.
Eles poderão então perceber o falso caminho que seguiram e o dano que fizeram à ciência.
Espero ter sido acreditado por numerosos defensores e ter dado um passo imenso para a descoberta que me causou tantos tormentos e absorveu minha vida.
Minha recompensa! Ela não virá neste tempo, este fruto tão doce de um labor sem exemplo, os magnetistas do futuro irão saboreá-lo quando eu já tiver cessado de ser.
JORNAL VÓRTICE  ANO II, n.º 06 , novembro/2009

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CRESCER Uma necessidade na prática do magnetismo


CRESCER Uma necessidade na prática do magnetismo
Os temas relacionados ao Magnetismo são fascinantes. É raro alguém ficar indiferente quando o assunto é abordado convenientemente. Ele fascina, e o motivo é bastante simples e óbvio: convida-nos a conhecer e estudar faculdades nossas e diz que podemos muito. Aliado a isto, o estudo e a prática do Magnetismo nos colocam no limiar entre a matéria e o espírito. Qualquer um, desde que conhecedor de seus princípios, pode tocar, sentir, experimentar um contato direto com o mundo imaterial que nos cerca e irá descobrir o que Jesus desejou que entendêssemos quando proclamou que o ser humano também é um deus e que pelos poderes da fé nada seria impossível.
O Barão du Potet, reproduzindo orientação de um de seus sonâmbulos, assim nos diz a cerca do assunto: “O homem, criatura celeste, não foi de tal sorte abandonado por seu criador, que não lhe tenha restado um reflexo de sua divindade. Este reflexo é o que chamamos de magnetismo. É esse ascendente que faz a vontade do homem agir sobre os sentidos, a matéria e a vontade de outro homem”.[1]
J.P.F. Deleuze enumera entre as noções gerais e princípios para magnetizar dizendo que “o homem tem a faculdade de exercer sobre seus semelhantes uma influência proveitosa, dirigindo sobre eles, por sua vontade, o princípio que nos anima e nos faz viver”, e vai além afirmando que a primeira condição para magnetizar é querer fazê-lo. Ensina ainda que “a faculdade de magnetizar existe em todos os homens; mas nem todos a possuem no mesmo grau. Esta diferença de poder magnético entre os diversos indivíduos se dá em razão de que uns são superiores aos outros por certas qualidades morais ou físicas. Na ordem moral estas qualidades são: a confiança em nossas próprias forças, a energia da vontade, a facilidade de concentrar e manter nossa atenção, o sentimento de benevolência que nos une ao ser que sofre, a força de ânimo que faz com que mantenhamos a tranquilidade e conservemos o sangue frio em meio as mais alarmantes crises, a paciência que impede que nos fatiguemos em uma luta longa e penosa, o desinteresse que nos faz esquecer de nós mesmos para ocupar-nos somente daquele a quem cuidamos e que alijemos de nós a futilidade e a curiosidade”.[2]
Estas duas citações são suficientes para que nos deparemos com um fato: qualquer um pode magnetizar, mas nem todos obterão os mesmos resultados. A diferença não é feita pelo conhecimento formal, teórico ou mesmo prático (com a perfeição dos movimentos das técnicas). O grande diferencial é dado pelo coeficiente de desenvolvimento humano de cada magnetizador, ou seja, pelo seu crescimento moral, e neste brilha cristalino a necessidade de confiar em si mesmo como filho de Deus e no poder extraordinário da vontade.
É nesta linha de ideias que Allan Kardec também conduz nosso pensamento: “O poder da fé recebe uma aplicação direta e especial na ação magnética; por ela o homem age sobre o fluido, agente universal, lhe modifica as qualidades e lhe dá uma impulsão, por assim dizer, irresistível. Por isso, aquele que, a um grande poder fluídico normal junta uma fé ardente, pode, apenas pela vontade dirigida para o bem, operar esses fenômenos estranhos de cura e outros que, outrora, passariam por prodígios e que não são senão as consequências de uma lei natural”.[3]
É sabido que o exercício da fé e da vontade que é ensinado por estes grandes pensadores não é um exercício cego, tampouco aquele tido por artigo religioso. E mesmo a espiritualidade, ampliando as noções dos magnetizadores e inserido uma visão nova sobre muitos fatos, veio nos dizer que não falava de fé sob o aspecto religioso e, sim, como a “vontade de querer, e a certeza de que essa vontade pode receber seu cumprimento.”[4]
É frequente as pessoas duvidarem de sua própria fé, exatamente por que não sabem definir este sentimento e os referenciais culturais que temos não nos servem de boa base. Em geral, são tidas como pessoas de fé aquelas que seguem seus preceitos religiosos à risca, que são capazes de fazer romarias de joelhos, que aguardam a realização de milagres. Nada disso é fé, ao menos não no sentido em que os magnetizadores, Kardec e a espiritualidade nos levam a refletir.
A melhor definição de fé que encontrei até o momento é a expressa em O Evangelho Segundo o Espiritismo, na mensagem intitulada “A fé divina e a fé humana”, assinada por um espírito que, simplesmente, se deu a conhecer como um espírito protetor. Diz-nos ele que “a fé é o sentimento inato, no homem, de sua destinação futura; é a consciência que tem das faculdades imensas cujo germe foi depositado nele, primeiro em estado latente, e que deve fazer eclodir e crescer por sua vontade ativa.”[5]
Poderíamos substituir o termo fé (tão desgastado pela incompreensão) por confiança e auto-confiança. Confiança em Deus, nas leis que regem a vida e na justiça de sua aplicação; o Espiritismo é um manancial para adquirirmos essa confiança; e, a autoconfiança, decorrente do fato de nos reconhecermos criaturas celestes com reflexos da divindade, e para tanto, o Magnetismo é um exercício vital.
É uma verdadeira academia para desenvolvimentos nos músculos da alma (risos) de fé/confiança e vontade.
Unem-se, Magnetismo e Espiritismo, em um mesmo convite aos seus trabalhadores: a autotransformação, o esforço constante em tornar-se um ser humano melhor, em empregar uma vontade ativa no próprio crescimento e daí resultam os chamados “prodígios”; eles são a mera consequência do desenvolvimento das faculdades humanas,e assim, crescer, evoluir como ser humano é uma necessidade do magnetizador.
[1] Manual do Estudante Magnetizador.
[2] Instrucción Práctica Sobre El Magnetismo, Editora Amélia Boudet, Barcelona, 1998. (tradução livre)
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 5, IDE, Araras/SP.
[4] Idem, item 12.
[5] Idem
 JORNAL VÓRTICE  ANO II, n.º 06, novembro/2009

sábado, 22 de setembro de 2012

O ESPIRITISMO E AS NOVAS DESCOBERTAS SOBRE O CÉREBRO


No livro  No mundo maior, Calderaro, o instrutor de André Luiz, diz o seguinte:  No sistema nervoso, temos o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes: guremo-lo como sendo o porão da individualidade, onde arquivamos todas as experiências e registramos os menores fatos da vida.
Assim, pode-se considerar que esta zona é a zona posterior do cérebro. Na região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos, temos o cérebro desenvolvido, consubstanciando as energias motoras de que se serve a nossa mente para as manifestações imprescindíveis no atual momento evolutivo do nosso modo de ser (1).
 O Dr. Jorge Moll Neto, no seu pós-doutorado no NIH (National Institute of Health, USA), realizou um experimento em que os sujeitos, dentro da máquina de ressonância magnética funcional, tinham que optar entre receber dinheiro ou doar dinheiro para organizações de caridade, em várias tentativas experimentais controladas estatisticamente e com controle das regiões cerebrais ativadas durante estas tarefas(2).
Na primeira condição do experimento, os participantes tinham que decidir entre receber dinheiro ou não, de forma a compreender qual era a ativação cerebral responsável pela recompensa monetária pessoal.
Na segunda condição, os participantes tiveram que decidir entre realizar uma doação não-custosa a uma organização de caridade (em que se pedia aos participantes que zessem uma doação não-real, ou seja, que não perdessem dinheiro verdadeiro) ou uma oposição não-custosa a uma organização dedicada ao aborto ou a uma associação de armas (essa doação não-custosa implicava em intenção de prejudicar uma organização dedicada ao aborto ou à produção de armas).
Finalmente, a terceira condição foi semelhante à segunda, mas pediu-se que os participantes realizassem uma doação custosa a uma organização de caridade (em que os participantes perderiam dinheiro, na realidade) ou para se oporem a uma organização de aborto ou de produção de armas.
Os resultados deste estudo foram os seguintes: na primeira condição, chamada condição de recompensa monetária pessoal, a maior parte dos participantes optou por receber dinheiro, e os correlatos neurais foram a área tegmental mesolímbica, o striato dorsal e o striato ventral(3).
 Estas regiões são conhecidas como o sistema de recompensa no cérebro, ou seja, são regiões também ativadas quando o ser humano come chocolate ou pratica sexo, popularmente conhecidas como zona cerebral do prazer(4),( 5).
 Isto signica dizer que os sujeitos sentiram prazer quando optaram por receber dinheiro.
Na segunda condição, os participantes que optaram por fazer uma doação não-custosa ativaram as mesmas regiões que a condição anterior, ou seja, a área tegmental mesolímbica, o striato dorsal e o striato ventral. Para além dessas regiões, e diferente da primeira condição e similar à terceira condição, vericou-se uma ativação do córtex subgenual [incluindo a área de Brodmann (BA) 25]. Outro resultado interessante foi o fato de que o striato ventral (em conjunto com a região septal) foi ativado com maior intensidade em comparação com a primeira condição, a da recompensa pessoal. Estas regiões são responsáveis pela aliação aos outros.
Isto signica dizer que as pessoas que realizaram doação não-custosa criaram uma ligação emocional com a causa da caridade e sentiram prazer com a doação não-custosa.
Na terceira condição, os correlatos neurais da doação custosa foram os mesmos da segunda condição, mais uma região chamada córtex orbitofrontal lateral (no caso da oposição custosa) e o córtex fronto-polar (no caso da doação custosa) / gyrus frontal medial. O que também se revelou interessante foi a alta correlação entre os participantes que ativaram esta última região (córtex fronto-polar e gyrus frontal medial) e o nível de engajamento e capacidade de sacrifício dos participantes para defender uma causa social. Isto sugere que o córtex pré-frontal anterior está relacionado com a capacidade de sacrifício real que estamos dispostos a fazer por uma causa moral. Em outro estudo, Jorge Moll e colegas demonstraram que o córtex fronto-polar é intensamente ativado quando os participantes realizaram julgamentos morais, diferente dos julgamentos não-morais, em que esta ativação neural não se verica(6).
 O que este experimento demonstra é que a mesma região que é ativada quando sentimos prazer sensorial é ativada quando praticamos o bem.
Este estudo prova cienticamente a assertiva de Francisco de Assis de que “é dando que se recebe”, e efetivamente o cérebro recebe uma recompensa mais intensa quando fazemos uma doação, que implica um sacrifício pessoal, em comparação com a condição em que recebemos dinheiro. E esta recompensa não advém de receber nada, mas sim de doar alguma coisa a alguém!
O que é mais intrigante é o fato de que, além do sistema mesolímbico (conhecido pela zona neural de prazer) ter sido ativado quando os participantes decidiram fazer a doação, outra região neural extremamente importante foi ativada: a do córtex pré-frontal anterior, particularmente o córtex fronto-polar e o gyrus frontal medial.
Esta região do córtex pré-frontal anterior é exatamente a região mencionada por Calderaro a André Luiz: Nos planos dos lobos frontais, silenciosos ainda para a investigação cientíca do mundo, jazem materiais de ordem sublime, que conquistaremos gradualmente, no esforço de ascensão, representando a parte mais nobre de nosso organismo divino em evolução(7).
 Note-se que o livro foi escrito em 1947! Isto signica dizer que o Dr. Jorge Moll Neto, além de ter provado cienticamente a tese de que “mais vale dar do que receber”, com base na neurociência cognitiva, demonstrou também que a região do córtex pré-frontal anterior é a responsável pelas ações (decisões concretas de doações morais) e sentimentos morais (sentimento moral de compaixão) mais custosas e elevadas(8).
Conforme asseverou Calderaro: Nos lobos frontais recebemos os «estímulos do futuro», no córtex abrigamos as «sugestões do presente», e no sistema nervoso, propriamente dito, arquivamos as «lembranças do passado»(9).
É fantástico constatar que os estímulos criados em laboratório pelo Dr. Jorge Moll Neto constituem “estímulos do futuro”, conforme a conceituação de Calderaro, e que a Ciência, através de experimentos conduzidos em 2001, 2002 e 2006, comprovam armações dos Espíritos escritas em 1947!
Esta é a prova de que a ciência, mesmo sem saber, com o tempo, comprova as teses espíritas, mesmo através de cientistas materialistas!
João Ascenso é psicólogo social, neurocientista e expositor espírita (RJ)
Referências
(1),(7),(9) XAVIER, Francisco Cândido.  No mundo maior.  Pelo Espírito de André Luiz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1947. Cap.3 e 7. P.46, 101.
(2) MOLL, J., OLIVEIRA-SOUZA, R., ESLINGER, P.J., BRAMATI, I.E., MOURÃO-MIRANDA, ANDREIOULO, P.A., & PESSOA, L. (2002). The neural correlates of moral sensitivity: a functional magnetic ressonance imaging investigation of basic and moral emotions. Journal of Neuroscience, 22(7): 2730-2736.
(3),(4) MOLL, J., KRUEGER, F., ZAHN, R., PARDINI, M., OLIVEIRA-SOUZA, R., & GRAFMAN, J. (2006). Human fronto-mesolimbic networks guide decisions about charitable donation. Proceedings of the National Academy of Science of the USA,  103(42), 15623–15628.
(5) SCHULTZ, W. (2006). Behavioral Theories and the Neurophysiology of Reward.  Annual Review of Psychology, Vol. 57: 87-115.
(6) MOLL, J., ESLINGER, P. J. & OLIVEIRASOUZA, R. (2001). Frontopolar and anterior temporal cortex activation in a moral judgment task: preliminary functional MRI results in normal subjects.  Arq. Neuropsiquiatr.  59, 657–664.
(8) MOLL, J., ZAHN, R., OLIVEIRA-SOUZA, R., KRUEGER, F., & GRAFMAN, J. (2005). Opinion: the neural basis of human moral cognition.  Nature Reviews Neuroscience,  6(10), 799–809.
Revista Cultura Espírita – nº 13 fevereiro 2012.

SPIRITISMO


SPIRITISMO KAJ NOVAJ ELTROVA¬OJ PRI LA CERBO
En la libro En la Plej Granda Mondo, la spirito Calderaro, instruante la spiriton André Luiz, asertas:  en la nerva sistemo estas la komenca cerbo, kiu rilatas al la instinktaj movoj, kaj ankaý al la subkonsciaj aktivecoj: ni øin reprezentu kiel estante la kelo de la individueco, kie ni arkivigas æiujn spertojn sed ankaý registras la plej malgravajn faktojn de la vivo.  Tiamaniere, oni povas konsideri tiun cerbo-regionon kiel posta regiono.  En la regiono de la motora kortekso, meza regiono inter la fruntaj loboj kaj la nervoj, estas la disvolvigita cerbo, organizante la motorajn energiojn uzataj de La menso por krei la manifestaciojn neprajn de la homa disvolviøa momento (1).
Doktoro Jorge Moll, dum lia postdoktoriøo, en la NIH (National institute of Health, USA – Nacia Instituto pri Sano, Usono), realigis eksperimenton en kiu la homaj kobajoj, estantaj en maþino de magneta funkcia resonanco, devis ricevi aý donaci monon al karitataj organizoj, en diversaj eksperimentaj provoj, statistike kontrolataj; ankaý estis observataj la cerboregionojn aktivigatajn dum æiuj provoj (2).
En la unua kondiæo de tia ekspe rimento, la kobajoj devis elekti inter ricevi monon aý ne, celante kompreni kiun cerban aktivigon rilatas al la mona persona rekompenco. En la dua kondiæo, la kobajoj devis decidi inter fari donacon senkostan al karitata organizo (nevera donaco, tiel estas, sen mono-elspezo) kaj oponi, ankaý senkoste, al organizo dediæigata al abortoj aý organizo dediæigata al armiloj (senkosta donaco, celante noci abortfavoran aý armilproduktantan organizon). Fine, en la tria kondiæo, simile al la dua, la kobajoj devis fari monelspezan donacon al karitata organizo (donaco kosta) aý oponi, ankaý monperde, al abortfavora aý armilproduktanta organizo.
La rezultoj de tia studo estis: en la unua kondiæo, nomata kondiæo de mona persona rekompenco, la plejmulto de la kobajoj preferis ricevi monon, kaj la neýraj korelaciaj regionoj estis La medial limbic tegmental area, la ventral striatum  kaj posterior striatum (3).
Tiuj regionoj estas konataj kiel sistemo de rekompenco en la cerbo; ili estas ankaý aktivigataj dum homo manøas æokoladon aý seksumas; estas ankaý popole konataj kiel cerba regiono de la plezuro (4,5). Tio signifas ke la kobajoj spertis plezuron kiam elektis ricevi monon.
En la dua kondiæo, la kobajoj kiuj elektis fari donacon senkostan aktivigis la samajn regionojn de la antaýa kondiæo(unua), tiel estas, medial limbic tegmental area,  ventral striatum  kaj posterior striatum. Trans tiuj regionoj, kaj malegale al la antaýa(unua) kondiæo, sed simile al la tria kondiæo, oni konstatis aktivigon de la cortex subgenual [inkluzivante Broadman area 25 (BA25)]. Alia interesa rezulto estis la fakto ke la ventral striatum (together with the septal zone) estis aktivigita pli intense ol tiu aktivigo de la unua kondiæo, persona rekompenco. Tiuj regionoj rilatas al la homo-ligado al aliaj homuloj. Tio signifas ke la personoj farintaj donacojn senkostajn ligiøis emocie al La karitata kaýzo kaj spertis plezuron pro la senkosta donaco.
En la tria kondiæo, la neýraj elementoj ligataj al la donaco kosta estis la samaj de la dua kondiæo, krom regiono nomata lateral orbitofrontal cortex (situacio de la kosta kontraýstaro, kostaopono) kaj la  frontopolar cortex (situacio de la donaco kosta) / medial frontal gyrus. Ankaý interesa estis la forta korelacio inter la kobajoj kiuj aktivigis tiun lastan regionon (frontopolar cortex and medial frontal gyrus) kaj la nivelo de ligiøo plus sinofero de tiuj kobajoj kiam defendantaj socian kaýzon. Tio sugestas ke la prefrontal anterior cortex estas ligata al la sinofera reala kapablo antaý morala kaýzo.
El alia studo, Jorge Moll kaj kolegoj elmontris ke la frontopolar córtex  estas intense aktivigata kiam la kobajoj faras moralajn juøojn, malegale al la nemoralaj juøoj, dum kiuj tia neýra aktivigo ne okazas (6).
Elmontras tiu eksperimento ke la sama regiono aktivigata dum niaj plezuroj de la fizikaj sentoj estas aktivigata kiam ni praktikas la bonon.
Tiu studo science elmontras la aserton de Francisco de Assis, laý kiu “estas donacante ke ni ricevas”; ankaý efektive elmontras ke la cerbo indikas  la ricevon de rekompenco pli granda kiam ni faras donacon kiu inkluzivas sinoferon personan, se ni tion komparas al La kondiæo de monricevo. Tiu rekompenco ne devenas el ricevi, sed el donaci ion al iu! Incitante la kuriozecon estas la fakto ke, krom aktivigi la medial limbic system (konata kiel la neýra regiono de la plezuro) kiam la kobajoj decidis fari donacon, alia ekstreme grava neýra regiono estis ankaý aktivigata: la prefrontal anterior cortex, specife la frontopolar córtex kaj la medial frontal gyrus.
La regiono prefrontal anterior córtex estas øuste tiu menciata de la spirito Calderaro al la spirito André Luiz: en la planoj de La fruntaj loboj, ankoraý silentaj antaý la scienca esplorado en la mondo, kuþas materialoj gravegaj, kiujn ni grade konkeros, dum nia kreskada klopodo; tia regiono reprezentas la plej noblan parton de nia supreniranta, dia organismo (7).
Tiaj faktoj signifas ke Doktoro Jorge Moll, krom elmontri la valoron de la tezo “pli valoras donaci ol ricevi”, surbaze de la neýroscienco de la kono-konkero, ankaý elmontris ke La regiono  prefrontal anterior córtex funkcias dum  la agoj (realaj decidoj pri moralaj donacoj) kaj moralaj sentoj (moralaj sentoj de kompato) pli kostaj kaj pli morale altaj (8).
Kiel asertis la spirito Calderaro: en la fruntaj loboj ni ricevas la “stimulojn estontecajn”, en la kortekso ni ricevas la “sugestojn estantecajn“ kaj en la nerva sistemo, øustadire, ni arkivigas la “pasintecajn memorojn“ (9).
Estas mirinde konstati ke la stimuloj kreataj de Moll, laboratorie, konstituas “estontecajn stimulojn“,  aý la konceptoj de laspirito Calderaro, kaj ankaý konstati ke la scienco, surbaze de eksperimentoj realigataj en la jaroj 2001, 2002 kaj 2006, konfirmas asertojn skribatajn de spirito en 1947! Tio pruvas ke la scienco,  eæ sen scii, tra la tempoj, konfirmas la spiritajn tezojn, eæ per materiismaj sciencistoj!
Referencoj
(1),(7),(9) XAVIER, Francisco Cândido. En la plej granda mondo. El la spirito André Luiz. Rio de Janeiro: Brazila Spiritisma Federacio, 1947. Æap. 3 kaj 7. Paø. 46, 101.
(2) MOLL, J., OLIVEIRA-SOUZA, R., ESLINGER, P.J., BRAMATI, I.E., MOURÃO-MIRANDA, ANDREIOULO, P.A., & PESSOA, L. (2002).  La neýraj korelacioj de la morala sentemeco: funkcia magneta resonanco kreanta imagojn de esploro sur moralaj kaj bazaj emocioj. ¬urnalo de Neýroscienco, 22(7): 2730-2736.
(3),(4) MOLL, J., KRUEGER, F., ZAHN, R., PARDINI, M., OLIVEIRA-SOUZA, R., & GRAFMAN, J. (2006). Homa frontal medial limbic retoj gvidas decidojn pri karitataj donacoj. Registroj de la Nacia Scienca Akademio de Usono,  103(42), 15623–15628.
(5) SCHULTZ, W. (2006).  Sintenaj Teorioj kaj Neýrofiziologio de Rekompenco. Revuo Jara de Psikologio, Vol. 57: 87-115.
(6) MOLL, J., ESLINGER, P. J. & OLIVEIRA-SOUZA, R. (2001).  Frontopolar and anterior temporal cortex – aktivigo dum morala juøa tasko: antaýfaraj funkciaj rezultoj el normalaj homaj kobajoj. Arkivo Neýropsikiatria59, 657–664.
(8) MOLL, J., ZAHN, R., OLIVEIRA-SOUZA, R., KRUEGER, F., & GRAFMAN, J. (2005). Opinio: la neýra bazo de la homa morala kono-konkero. Nature Reviews - Neuroscience, 6(10), 799-809

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MAGNETISMO no Novo Testamento


MAGNETISMO no Novo Testamento
Lizarbe Gomes/RS
Ao longo da leitura da parte primeira, livro terceiro, a “Fisiologia do Magnetizador”, do “Tratado Prático do Magnetismo e do Sonambulismo” (1845) encontramos a seguinte dissertação do autor, Aubin Gauthier: “O Magnetismo é um agente disseminado na natureza e dele todos os corpos são impregnados.
Ele escapa aos nossos sentidos, não o vimos.
Se não o vimos, podemos observar seus efeitos, o que já seria suficiente para estabelecer sua existência. Porém, o homem, em estado de sonambulismo vê o fluido magnético sob a forma de um fogo brilhante que sai particularmente das mãos do magnetizador, o que explica porque a Antiguidade representava os deuses com flamas nas pontas dos dedos e como Mesmer afirmou: “O magnetismo animal, considerado como agente, é um fogo invisível”.
Quando um magnetizador impõe a mão sobre um doente, de seu corpo saem imediatamente correntes de matéria fluídica que se dirigem sobre o magnetizado. Diz Mesmer “observa-se o escoamento de uma matéria cuja sutileza penetra todos os corpos.”
Concebe-se então que o magnetizador não doa apenas seus esforços e fruto de seus estudos, mas doa ainda uma parte de sua própria existência.
Sem entender de outra maneira os atos magnéticos relacionados às incomparáveis curas operadas por Jesus Cristo, eu lembrarei que tendo ele sido tocado, na ponta de seu manto por uma mulher enferma, a qual foi curada. Jesus logo disse: ‘Quem me tocou? “. Como todos se defendessem, Pedro e aqueles que estavam com Ele lhe disseram: “Mestre, a multidão vos pressiona e vos oprime e vós quereis saber quem vos tocou!”.
Jesus respondeu: “Alguém me tocou, pois senti uma virtude que saiu de mim!”.
Essas palavras de Jesus Cristo tem, na boca de São Lucas, um caráter particular que hoje interessa bastante ao magnetismo, pois São Mateus, que era um coletor de impostos não fala da “virtude saída” do corpo de Jesus Cristo, cita apenas a cura; São Marcos, discípulo de São Pedro, que era um pescador, diz simplesmente que Jesus conhecendo em si mesmo a virtude que saía dele, se voltou para a multidão e disse “Quem tocou minhas vestes?”
São João nada diz sobre este assunto.
São Lucas relata com palavras completamente racionais: “Alguém me tocou, pois senti uma virtude que saiu de mim!”.
Por que esta superioridade de São Lucas sobre os outros evangelistas? É que São Lucas era médico.
Seu Evangelho oferece mesmo esta particularidade médica e magnética. Ele é também o único dos evangelistas que diz a respeito da mulher doente:
“Que ela havia dispensado todos seus bens com os médicos e que nenhum pode curá-la.” Para São Lucas, a cura se deveu a virtude saída do corpo de seu Divino Mestre.
Ora, a virtude magnética que residia em um grau incomparável em Jesus Cristo existe em um grau inferior entre todos os homens e cada vez que um magnetizador impõe suas mãos, dele sai uma virtude”.
Posteriormente, ou seja, mais de vinte anos depois, o mesmo tema voltaria a ser estudado com cuidado por Allan Kardec, no capítulo XV de “A Gênese – os Milagres e as predições segundo o Espiritismo”, no qual encontramos o seguinte comentário do Codificador: “É notável que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; ele não fez nem magnetização e nem imposição das mãos. A irradiação fluídica normal bastou para operar a cura.
Mas por que essa irradiação se dirigiu para essa mulher, antes que para os outros, uma vez que Jesus não pensava nela e que estava cercado pela multidão?
A razão disso é bem simples. “O fluido, sendo dado como matéria terapêutica, deve atingir a desordem orgânica para repará-la; pode ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído, pelo desejo ardente, a confiança, em uma palavra, a fé do enfermo.” Diz ainda Allan Kardec: “Jesus, pois tinha razão em dizer: a vossa fé vos salvou. Compreende-se aqui que a fé não é virtude mística, tal como certas pessoas a entendem, mas uma verdadeira força atrativa, ao passo que aquele que não a tem opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia que paralisa a ação. Segundo isto, compreende-se que dois enfermos atingidos pelo mesmo mal, estando em presença de um curador, um pode ser curado e o outro não.”
Constatamos assim o quanto a preocupação dos estudiosos do Magnetismo em compreender de maneira racional a ação do fluido magnético nas curas operadas por Jesus até então consideradas “miraculosas”. Tal assunto também mereceu a atenção de Kardec que destacou ainda a atitude de quem recebe: se souber exercer a fé como força atrativa poderá, sem dúvida, obter resultados positivos. Aliás, no diversos aplicação épocas Jornal do Magnetismo há artigos que abordam a do Magnetismo desde as mais remotas e por diferentes povos. O Barão Du Potet inúmeras vezes referia-se a ele, denominando-o “Ciência dos Templos”, já que inicialmente sua prática se dava no recesso dos templos da Antiguidade, seja na Mesopotâmia, na Pérsia, no Egito, Grécia ou em Roma.
Finalizando, recordemos ainda as palavras de Léon Denis, em sua obra “No Invisível”: “Desembaraçado de qualquer móvel interesseiro, praticado com um objetivo de caridade, o magnetismo se torna a medicina dos humildes e dos crentes, do pai de família, da mãe para seus filhos, de todos aqueles que sabem amar. Sua aplicação está ao alcance dos mais simples. Ela exige apenas a confiança em si, a fé no infinito poder que faz irradiar por toda a parte a força e a vida. Como o Cristo e os apóstolos, como os santos, os profetas e os magos, cada um de nós pode impor as mãos e curar se tivermos amor aos semelhantes e a ardente vontade de aliviar”.
JORNAL VÓRTICE -ANO II, n.º 05 , outubro/2009

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Comentando a questão 424 de O Livro dos Espíritos


Comentando a questão 424 de O Livro dos Espíritos
JACOB MELO
Os amigos que lêem o muito criterioso Jornal Vórtice me pediram para tecer alguns comentários acerca da seguinte questão de O Livro dos Espíritos: 424. Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?
Antes de relembrarmos a resposta dada pelos Espíritos ao senhor Allan Kardec, acredito seja bom frisar que esta questão foi proposta na segunda parte do livro, em seu capítulo 8, abordando acerca da emancipação da alma. Julgo importante esta nota porque nem sempre é muito criterioso analisar itens sem que tenhamos a noção do contexto em que ele esteja inserido.
Isto posto, vejamos o que responderam os Espíritos: “Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos.”
Chama a atenção a forma categórica e quase inclemente com que o codificador “cercou” os Espíritos com esta indagação. A mim me parece que ele não queria obter uma resposta genérica, pois sabemos que desde muito se repete algo do tipo: “chegada a hora, o corpo morre” (ver questões 708, 738, 853-a, 854 e 857 de O Livro dos Espíritos). Ele pedia uma resposta bem medida e clara, como a que obteve.
Analisando a resposta dada, sinto destacado que os Espíritos não entenderam a pergunta tomando como referência uma assistência médica convencional e sim algo mais pertinente ao vínculo com o sutil, fluídico mesmo, pois, do contrário, eles teriam iniciado a resposta dizendo que a Medicina propicia infindáveis exemplos de casos tais. Por outro lado, o codificador também pretendia uma resposta mais específica, como a que obteve, do contrário ele aditaria observações acerca da ação clínica ou medicamentosa. De passagem, já dá para ratificar o quanto eram afinados o entrevistador e os entrevistados.
Todavia, o que se apresenta em primeiro plano é o fato dos Espíritos ressaltarem o Magnetismo, e não a Medicina, como base da resposta.
Mais valioso ainda é a expressão, que pode ser entendida como uma Lei Natural, na qual fica engrandecido que a vida orgânica depende, diretamente, do fluido vital e que este pode ser transferido via magnetismo.
Esta resposta, dada com tanta lucidez e precisão, esclarece um fato quase sempre apresentado de forma um tanto quanto tendenciosa: o de que a chamada “moratória” é dada apenas pelo Mundo Espiritual. Lembrando que por moratória se entende o prolongamento de uma encarnação que se previa prestes a findar, com a colocação dos Espíritos fica muito claro que alguém precisa fornecer a energética magnética, o fluido vital, para que a vida orgânica se prolongue, através do funcionamento dos órgãos. Esta energia, este fluido, é dado por indivíduos aptos a doarem-no e estes se chamam magnetizadores.
Isto nos leva a refletir sobre as possibilidades infinitas que temos para, ajudando ao Mundo Espiritual, doarmos energias a fim de que a vida se prolongue um pouco mais bem como possibilitar melhor qualidade de vida a moribundos.
Outra observação ainda deve ser destacada: os Espíritos deixaram claro que isso não pode se dar de forma absoluta, daí terem grafado que o Magnetismo “muitas vezes” e não “todas as vezes” se constitui em poderoso meio de ação, já que tem casos irreversíveis ou órgãos já sem as condições mínimas para absorverem e distribuírem o fluido vital.
Após a resposta dos Espíritos, Allan Kardec aditou o seguinte comentário: “A letargia e a catalepsia derivam do mesmo princípio, que é a perda temporária da sensibilidade do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. Diferem uma da outra em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral e dá ao corpo todas as aparências da morte; na catalepsia, fica localizada, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, de sorte a permitir que a inteligência se manifeste livremente, o que a torna inconfundível com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é por vezes magnética”.
Com esta observação provavelmente ele quis destacar que há casos em que a morte pode não passar de um fenômeno aparente, quando o paciente simplesmente passa por um estado de letargia ou catalepsia, pelo que a observação cuidadosa deve ser sempre matéria de primeira linha. Mas, ao final de sua colocação, ele chama a atenção de que a catalepsia por vezes é magnética, ou seja, são ações fluídicas que estão interferindo no processo orgânico e, como tal, podem igualmente ser mobilizadas por quem tenha conhecimento ou prática dessa ciência abençoada.
Creio ser desnecessário dizer que nós, os espíritas, temos muito ainda a pesquisar e afinar nossas ferramentas com as propostas na Codificação e no Magnetismo. E lembro que, segundo Kardec, em Obras Póstumas, item 61: “É sempre um erro cair nos extremos, e há tanto exagero em tudo reportar ao sonambulismo, como haveria, da parte dos espíritas, em negar as leis do magnetismo. Não se poderia roubar à matéria as leis magnéticas, do mesmo modo que, ao Espírito, as leis puramente espirituais”.
JORNAL VÓRTICE - ANO II, n.º 05, outubro/2009

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Explicação do Fenômeno da Lucidez

Allan Kardec
Explicação do Fenômeno da Lucidez

É a alma que confere ao sonâmbulo as maravilhosas faculdades de que ele goza. A alma é quem, dadas certas circunstâncias, se manifesta, isolando-se em parte e temporariamente do seu invólucro corpóreo. Para quem quer que haja observado com atenção os fenômenos do sonambulismo em toda a sua pureza, é patente a existência da alma, tornando-se-lhe uma insensatez demonstrada até à evidência a idéia de que tudo em nós acaba com a vida animal. Pode-se, pois, dizer com alguma razão que o magnetismo e o materialismo são incompatíveis. Se alguns magnetizadores se afastam desta regra e professam as doutrinas materialistas, é sem dúvida que se hão cingido a um estudo muito superficial dos fenômenos físicos do Magnetismo e não procuram seriamente a solução do problema da visão a distância.
Como quer que seja, nunca vimos um único sonâmbulo que não se mostrasse penetrado de profundo sentimento religioso, fossem quais fossem suas opiniões no estado vígil.
Voltemos à teoria da lucidez. Sendo a alma o princípio básico das faculdades do sonâmbulo, necessariamente nela é que reside a clarividência e não nesta ou naquela parte circunscrita do corpo material. Essa a razão por que o sonâmbulo não pode indicar o órgão dessa faculdade, como designaria os olhos, se se tratasse da visão exterior. Ele vê por todo o seu ser moral, isto é, por toda a sua alma, visto que a clarividência é um dos atributos de todas as partes da alma, como a luz é um dos atributos de todas as partes do fósforo.
Onde quer, pois, que a alma possa penetrar, há clarividência; essa a causa da lucidez dos sonâmbulos através de todos os corpos, sob os mais espessos envoltórios e a todas as distâncias.

EXTRAÍDO DEOBRAS PÓSTUMAS, Explicação do Fenômeno da Lucidez

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Chacras a importância do estudo



Pergunta :- Considerais ser de utilidade retornarmos mais uma vez ao estudo dos chacras, quando já o tendes enunciado em obras anteriores?

Ramatís:- A matéria enquadra perfeitamente no atual estudo destas mensagens, pois em obras anteriores citamo-la de modo sucinto e superficial, apenas a título de elucidação, no entanto, já é tempo de o espírita conhecer o mecanismo e a contextura dos centros de forças do duplo-etérico, pois de outro modo ficará estacionado no limiar da porta do Templo e incapacitado para servir ao próximo, elucidando os sedentos da Verdade. É um estudo útil para os médiuns passistas, terapêutas e de efeitos físicos, assim como aos magnetizadores e adeptos de todas as instituições espiritualistas.
Enquanto certos jornais e revistas espíritas clamam em defesa de opiniões sectaristas, num excesso de verborragia para defenderem postulados já consagrados pelo tempo, outras instituições como a Rosa Cruz, a Teosofia, a Yoga, o Krisnamurtiano e o Esoterismo, inclusive a própria Umbanda, avançam corajosamente no seio do mundo oculto e investigam todas as origens das forças criadoras da Vida.
O espírito peculiar de negativa “a priori”, muito próprio de espíritos “ex-católicos” e “ex-materialistas” recém-ingressos na seara Kardecista, retarda a posse do conhecimento da vida oculta, quando é necessário penetrar na fonte iniciática do Espírito e entender a fundo o seu mecanismo de entidade imortal.

(Os grifos são nossos - Livro Elucidações do Além, Ramatís, Psicografia de Hercílio Maes)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

JOHN ELLIOTSON (1791 - 1868)


JOHN ELLIOTSON (1791 - 1868)
Brilhante médico inglês nascido em Southwark, Londres, palestrante e professor de Medicina, um dos pioneiros na argumentação de leituras relativas à clínica como método de ensinar medicina e a defender a hipnose como terapia, em uma época em que não existiam o éter nem o clorofórmio. Depois de graduar-se em medicina na Universidade de Edinburgh, continuou seus estudos no continente e em Cambridge e no Sir Guy's Hospital. Na vida acadêmica foi Professor de Medicina na Universidade de Londres e também foi nomeado Presidente da Royal Medical and Surgical Society e foi um dos primeiros professores em Londres a enfatizar aulas práticas de clínica e um dos primeiros médicos britânicos a fazer uso do estetoscópio, introduzindo-o na Inglaterra, juntamente com os métodos de se examinar o coração e os pulmões da forma que são utilizados até hoje. Fundou (1849) o University College Hospital, em Londres, onde se empregavam as práticas mesméricas, derivado do nome do médico austríaco Franz Anton Mesmer, considerado o precursor do hipnotismo e o fundador do Mesmerismo. Na segunda metade do século XIX houve uma grande difusão do hipnotismo mesmérico. Em seguida surgiram outras instituições semelhantes, em Edimburgo, Dublin e Exeter. Mais conhecido pelo fato de ter lançado o primeiro periódico a tratar do hipnotismo, a revista The Zoist, publicação trimestral durante treze anos (1843-1855), com artigos criados por ele, James Esdalie e muitos outros médicos brilhantes da época, especialmente centenas de relatos dos excelentes resultados dos tratamentos com hipnose. Sua especialidade era no campo da hipnose infantil, e trabalhou com muitas crianças e com muitas doenças infantis, tais como insanidades, tiques e outras enfermidades. Morreu em Londres após uma longa doença, na casa de seu amigo, o Dr. Symes. Foi médico de Dickens e Thackeray e escreveu Pendennis, dedicado a ambos. Particularmente nunca deixou de acreditar na clarividência e outros fenômenos místicos.
(grifos originais)
JORNAL VORTICE ANO II, n.º 04, setembro/2009

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Fenômenos que se dão com os indivíduos chamados convulsionários

Fenômenos que se dão com os indivíduos chamados convulsionários
Palavras do Codificador
481. Desempenham os Espíritos algum papel nos fenômenos que se dão com os indivíduos chamados convulsionários? "Sim e muito importante, bem como o magnetismo, que é a causa originaria de tais fenômenos. O charlatanismo, porém, os tem amiúde explorado e exagerado, de sorte a lança-los ao ridículo."
a) De que natureza são, em geral, os Espíritos que concorrem para a produção desta espécie de fenômenos? - "Pouco elevada. Supondes que Espíritos superior se deleitem com tais coisas?"
482. Como é que sucede estender-se subitamente a toda uma população o estado anormal dos convulsionários e dos que sofrem de crises nervosas? "Efeito de simpatia. As disposições morais se comunicam mui facilmente, em certos casos. Não és tão alheio aos efeitos magnéticos que não compreendas isto e a parte que alguns Espíritos naturalmente tomam no fato, por simpatia com as que os provocam." Entre as singulares faculdades que se notam nos convulsionários, algumas facilmente se reconhecem, de que numerosos exemplos oferecem o sonambulismo e o magnetismo, tais como, além de outras, a insensibilidade física, a leitura do pensamento, a transmissão das dores, por simpatia, etc. Não há, pois, duvidar de que aqueles em quem tais crises se manifestam estejam numa espécie de sonambulismo desperto, provocado pela influência que exercem uns sobre as outros. Eles são ao mesmo tempo magnetizadores e magnetizados, inconscientemente.
483. Qual a causa do insensibilidade física que se observe em alguns convulsionários, assim como em outros indivíduos submetidos ás mais atrozes torturas? "Em alguns é, exclusivamente, efeito do magnetismo que atua sobre o sistema nervoso, do mesmo modo que certas substancias. Em outros, a exaltação do pensamento embota a sensibilidade. Dir-se-ia que nestes a vida se retirou do corpo, para se concentrar toda no Espírito. Não sabeis que, quando o Espírito esta vivamente preocupado com uma coisa, o corpo nada sente, nada vê e nada ouve?"
A exaltação fanática e o entusiasmo hão proporcionado, em casos de suplícios, múltiplos exemplos de uma calma e de um sangue frio que não seriam capazes de triunfar de uma dor aguda, senão admitindo-se que a sensibilidade se acha neutralizada, como por efeito de um anestésico. Sabe-se que, no ardor da batalha, combatentes que não se apercebem de que estão gravemente feridos, ao passo que, em circunstancias ordinárias, uma simples arranhadura os poria trêmulos. Vista que esses fenômenos dependem de uma causa física e da ação de certos Espíritos, lícito se torna perguntar coma há podido uma autoridade publica fazê-los cessar em alguns casos. Simples a razão. Meramente secundaria é aqui a ação dos Espíritos, que nada mais fazem do que aproveitar-se de uma disposição natural. A autoridade não suprimiu essa disposição, mas a causa que a entretinha e exaltava. De ativa que era, passou esta a ser latente. E a autoridade teve razão para assim proceder, porque do fato resultava abuso e escândalo. Sabe-se, demais, que semelhante intervenção nenhum poder absolutamente tem, quando a ação dos Espíritos é direta e espontânea.
FONTE: O LIVRO DOS ESPIRITOS
JORNAL VORTICE  ANO II, n.º 03 - agosto/2009

terça-feira, 11 de setembro de 2012

QUAL A RELAÇÃO ENTRE MAGNETISMO, SONAMBULISMO E ESPIRITISMO?


 QUAL A RELAÇÃO ENTRE MAGNETISMO, SONAMBULISMO E ESPIRITISMO?
 JACOB MELO responde
Esse relacionamento é muito mais que isso; na verdade é muito mais um entrelaçamento do que qualquer outra coisa.
O sonambulismo tanto deu ensejo ao aprofundamento do magnetismo como ainda podemos depreender, da leitura de O Livro dos Médiuns de Allan Kardec, que a mediunidade se fundamentou e ainda se fundamenta nessa base.
A mim me causa profunda estranheza e até indignação a constatação do desprezo com que o Movimento Espírita, desde os primórdios desta Doutrina abençoada, vem tratando do sonambulismo. Acredito que Allan Kardec, no Mundo Espiritual, deve sofrer uma certa dose de desengano e tristeza quando percebe que seus ditos seguidores não o seguem de verdade.
O sonambulismo espontâneo ensejou não apenas a possibilidade do mesmo fenômeno vir a ser provocado, demonstrando a força do magnetismo e, mais do que isso, por seus sonâmbulos, incrementou informações, detalhes, técnicas e um sem-número de riquezas àquela ciência, sendo tudo reafirmado, posteriormente, pelas comprovações dos magnetizadores clássicos, pelo próprio Allan Kardec -- que foi magnetizador e sonambulizador por mais de 35 anos -- e ratificado pelos Espíritos da Codificação.
Devemos muito ao sonambulismo, muito mesmo. E o mínimo que podemos fazer agora é voltar a visão ao seu estudo e aprofundamento, buscando dali extrair tantos "segredos e mistérios" que definitivamente ajudarão não apenas aos espíritas, mas a toda humanidade, a descobrir enigmas da ciência, da mente e da vida mais profunda em favor da própria vida, do próprio ser humano.
Espero que os artigos que veem sendo publicados pelo Jornal Vórtice sejam bem aproveitados por seus leitores e que todos, unidos, retomemos esses estudos, ampliemos o resgate do magnetismo e do Espiritismo e demos pelo isso como forma de gratidão a quem tantas e tão boas coisas nos deixou para nosso progresso.
JORNAL VORTICE ANO II, n.º 04, setembro/2009

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Conhecer e Estudar o Magnetismo


Conhecer e Estudar o Magnetismo
 
Por Jacob Melo
O comentário que faz Allan Kardec à questão 555 de O Livro dos Espíritos é norte inflexível de uma verdade tão grave como séria, tão relevante como indubitável; e ele não poderia ter sido mais enfático e firme do que deixou registrado nessa obra ímpar:
“O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais  a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que  os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice”. (grifei). 
Como nos propomos ser espíritas, será que cabe deixar o Magnetismo à reboque, como algo dispensável e menor? Estaria Allan Kardec equivocado nesse item? Por toda experiência que tenho – mais de 45 anos estudando o assunto – não consigo descobrir qualquer equívoco dele nem como largar o Magnetismo ao ostracismo, ao esquecimento, ao descaso. Percebo sim que temos perdido um tempo enorme, uma potência espetacular, por deixar tão magno assunto de lado. Tudo isso nos tem levado à ingênua e vã tentativa de transformar fábulas em ciências exatas; o exagêro da imaginação evidentemente nos arremete ao não estudo e ao desconhecimento da realidade; superstições brotando vigorosas em nosso meio, sem que quase nada seja feito para iluminar mentes e corações ávidos por ajudas, bênçãos e luzes, reforçam o alto preço que estamos pagando; e isso culmina por nos apresentar como criaturas ridículas já que nos dizemos filósofos, cientistas e religiosos, porém cheios de crendices insustentáveis. 
Será que escrevi de forma dura? Basta reler o texto acima e facilmente se perceberá que a dureza reside em nossa acomodação, na maneira pouco elogiosa com que temos nos comportado ante a base espírita.
Ou será que essas duas ciências, Espiritismo e Magnetismo, não formam, de fato, uma base homogênea, um chassis que une todos os componentes do veículo de nossos saberes por se desvendarem e se firmarem?
Se Allan Karde estava – e está – correto, então é mais do que urgente que voltemos a estudar o Magnetismo.
Na introdução do mesmo livro básico mencionado acima, em seu item 8, ele pedagogicamente nos orienta:
“O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Será de admirar que muitas vezes não se obtenha nenhuma resposta sensata a questões de si mesmas graves, quando propostas ao acaso e à queima-roupa, em meio de um aluvião de outras extravagantes?
Demais, sucede freqüentemente que, por complexa, uma questão, para ser elucidada, exige a solução de outras preliminares ou complementares.
Quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das idéias”.
Interessante é que a primeira frase desse trecho costuma ser muito repetida entre nós, os espíritas, mas raramente se vai até o ponto acima anotado. Por que será? Teremos receio de alguém nos perguntar sobre o que seria preliminar e complementar ao estudo básico do Espiritismo? Por outro lado, se queremos mesmo manter, preservar e até ampliar a feição de ciência do Espiritismo, por qual princípio iniciaremos nossos estudos e como encadearemos nossas pesquisas, os avanços necessários, o desenvolvimento desse manancial de instruções? 
Não, não preciso escrever muito para dizer que estamos devendo a Kardec e aos Espiritos Superiores melhor empenho e mais observação aos fenômenos que nos circundam e instigam.
Por isso mesmo quero concluir com mais uma rápida referência dele, no mesmo LE, na questão 455: 
“Para o Espiritismo, o sonambulismo é mais do que um fenômeno psicológico, é uma luz projetada sobre a psicologia. É aí que se pode estudar a alma, porque é onde esta se mostra a descoberto”.
E então, o que será, de verdade e verdadeiro, que ele quis dizer com isso? Estaremos mesmo buscando estudar a alma? E como fazê-lo sem o Magnetismo, sem o sonambulismo, sem o Espiritismo?
Amigos e irmãos: reflitamos sobre tudo isso com isenção.
Postado no Seak

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MAGNETISMO e ESPIRITISMO


MAGNETISMO e ESPIRITISMO
YONARA ROCHA / EUA
Durante uma pesquisa que realizei nos Estados Unidos sobre o Magnetismo, encontrei vários livros traduzidos do francês para o inglês acerca do assunto. Comecei aí, então, minha “expedição” no Mundo do Magnetismo: li livros do Barão du Potet, Deleuze e Puységur, e fiquei surpresa, maravilhada com a quantidade de conhecimento espírita existente nessas obras.
Tudo começou com o despertar da minha curiosidade em relação à palavra passe. Estava eu preparando o material para um curso de passistas em nossa Casa Espírita, e mais uma vez me surpreendi com o que encontrei: constatei que a palavra foi criada por Mesmer (o “pai” do Magnetismo).
Ora, usamos essa palavra constantemente nos Centros Espíritas e a grande maioria de nós sem saber sua origem e significado. Usamos porque Kardec era um magnetizador e o passe é uma técnica da Ciência do Magnetismo.
Depois do contato com essas obras, resolvi reler as Obras Básicas do Espiritismo e também a Revista Espírita. Só aí pude compreender realmente ao que os Espíritos se referiam quando falavam do magnetismo e do sonambulismo.
Fiquei encantada! (Fica aqui o convite para que façam o mesmo).
Não sei bem o porquê das informações sobre Magnetismo não terem chegado ao Brasil, mas posso dizer que podemos resgatar essa informação e ampliar o nosso conhecimento e prática espíritas.
Os magnetizadores usavam a clarividência como método de diagnóstico, muito embora não tivessem uma explicação racional do fenômeno. E da forma como eles se utilizavam dessa técnica, além de muito eficiente, não deixava nenhuma sombra de dúvida sobre a veracidade desse fenômeno, já que tapavam os olhos do chamado sonâmbulo e mesmo assim este era capaz de ver as pessoas, ler textos, etc..
Os sonâmbulos tinham a capacidade de ver o problema do doente e até marcavam a data em que a cura se efetuaria, e de fato a cura acontecia no tempo previsto.
Eles também previam, se esse fosse o caso, a morte daquele paciente.
A preocupação dos magnetizadores em relação à curiosidade e ao mau uso do Magnetismo sempre esteve presente, e é facilmente encontrada nesses livros, já que havia aqueles que queriam se utilizar dessas técnicas criando o fenômeno e formando verdadeiros espetáculos dignos de um circo.
Talvez isso tenha atrapalhado a expansão e impedido o desenvolvimento do Magnetismo.
“Somente magnetize com a intenção de curar e jamais para fazer apenas demonstrações.” – advertiam os grandes magnetizadores.
Em um dos últimos livros do Barão de Du Potet intitulado Magnetismo e Mágica, os resultados obtidos por ele eram tão surpreendentes e novos, que o Barão du Potet não soube como explicar de uma outra maneira que não fosse mágica!
Faltaram-lhe palavras para descrever os fenômenos por ele constatados. E o interessante é que esses fenômenos, com grande potencial e de grandes resultados, eram provocados, e não se davam de maneira natural como são esperados na Casa Espírita.
Aí nos questionamos: será que se estudássemos, buscássemos conhecer e utilizássemos essas técnicas que os magnetizadores usavam para exercer a mediunidade, seríamos médiuns mais eficientes? Será que se aplicássemos passes como os magnetizadores aplicavam obteríamos mais curas? Acredito que sim, porque eles conseguiam curas admiráveis. Curavam paralíticos, surdos, epilépticos e muitos outros, com confirmação científica. Kardec com certeza as utilizou; ele chamava de médiuns sonâmbulos.
As casas espíritas que já estudam e aplicam o magnetismo estão tendo resultados formidáveis, comprovando a sua eficácia.
Vejamos o que nos diz Allan Kardec a esse respeito:
“Quando apareceram os primeiros fenômenos espíritas, algumas pessoas pensaram que essa descoberta (se se pode aplicar-lhe esse nome) iria dar um golpe fatal no Magnetismo, e que ocorreria com ele como com as invenções, das quais as mais aperfeiçoadas fazem esquecer a precedente. Esse erro não tardou em se dissipar, e, prontamente, se reconheceu o parentesco próximo dessas duas ciências. Todas as duas, com efeito, baseadas sobre a existência e a manifestação da alma, longe de se combaterem, podem e devem se prestar um mútuo apoio: elas se completam e se explicam uma pela outra.”
Mais adiante Kardec faz o seguinte esclarecimento:
“Os adeptos do Espiritismo, ao contrário, são todos partidários do magnetismo; todos admitem a sua ação e reconhecem nos fenômenos sonambúlicos uma manifestação da alma.” (Revista Espírita - 1ª edição - mês de março).
Infelizmente, na vinda do Espiritismo ao Brasil, o Magnetismo se perdeu, essa ciência tão conhecida, estudada e desenvolvida na França, foi esquecida ou ignorada em território brasileiro.
Já com esse conhecimento, deveríamos seguir nosso Codificador, pois foi ele mesmo quem afirmou que a base do Espiritismo é o Magnetismo.
Assim sendo, mãos à obra!
Vamos estudar, pesquisar, questionar e finalmente ampliar o nosso conhecimento, o nosso potencial como trabalhadores espíritas.
Terminamos com mais um trecho desse artigo e uma alertiva colocação de Allan Kardec:
“Se devêssemos ficar fora da ciência magnética, nosso quadro estaria incompleto, e se poderia nos comparar a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.”
JORNAL VORTICE  ANO II, n.º 03 - agosto/2009

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JURAMENTO DO MAGNETIZADOR


JURAMENTO DO MAGNETIZADOR
JURAMENTO DE HIPÓCRATES
Fonte: Wikipédia

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.
JURAMENTO DO MAGNETIZADOR
Depois de ter lido e meditado longamente sobre o sermão de Hipócrates, escrevi aquele que é para os magnetizadores:
“Sobre minha honra e minha consciência, diante de Deus e diante dos homens, Prometo ensinar a todos indistintamente os princípios da arte de curar os doentes pelo magnetismo e os instruirei em sua prática depois que eles tiverem prestado o mesmo juramento que eu.
Eu juro me ocupar exclusivamente da saúde dos doentes que se confiarem a minhas mãos, de secundar entre eles a natureza sem a contrariar jamais e de defendê-los contra todas as ações imprudentes ou nocivas.
Não farei do sonambulismo um espetáculo; não farei com os sonâmbulos nenhuma experiência contrária a sua cura.
Tudo o que me for dito, em sonambulismo e que não precisar ser repetido permanecerá em segredo para todos e para mim.
Em todos os lugares onde for chamado, respeitarei as mulheres e as jovens, não as seduzirei nem tentarei seduzi-las; eu sairei puro de toda ação desonesta.
Se, em minha prática, eu descobrir alguma maneira de fazer o mal, não a divulgarei; recusarei a ensiná-la a quem me pedir o contrário.
Seguirei o juramento com fidelidade, sem violá-lo em um só artigo, se eu fizer o contrário, que eu seja punido pela perda de minha reputação e pelo desprezo público.”
(Aubin Gauthier, Tratado Prático do Sonambulismo e do Magnetismo, 59)
JORNAL VORTICE  ANO II, n.º 03 - agosto/2009