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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Saúde Integral Os chacras e a bioenergia


Saúde Integral Os chacras e a bioenergia
Introdução

Existe uma força imensurável, que está além do inconsciente coletivo da humanidade, uma força universal, que coordena e impulsiona tudo o que é manifesto – espírito e energia, em seus diversos planos – para a harmonia.
É uma lei transcendental que existe e sempre existiu e todo aquele que “foge” do seu campo sofre o “choque” de forças contrárias, que têm como objetivo redirecioná-lo ao equilíbrio necessário para a manutenção da Harmonia doTodo. Na verdade, o caos é apenas aparente (maya=ilusão).
Tudo no universo é interdependente – novamente, espírito e energia, em seus diversos planos – nada está só.
Nesta interdependência, forças influenciam-se mutuamente, desde planetas e galáxias inteiras até as menores partículas subatômicas. Nesta constante transformação, o caos (trevas) é constantemente transformado pela ordem (luz).
Matéria é energia em estado condensado; energia é matéria em estado radiante. Percebemos, então, que tudo no universo tem a mesma origem, o mesmo princípio, chamado na Doutrina Espírita de Fluido Universal.
Os espíritos também. Todas as consciências, apesar de únicas, individualizadas, têm a mesma origem; apesar de vivenciarem aspectos diferentes da realidade, estão imersas numa única e absoluta Realidade.
A fonte destes dois princípios – o material e o espiritual – é chamada, nas diferentes religiões, por vários nomes. Chamemos, aqui, de Deus.
Desta forma, entendemos que a harmonia é nosso estado verdadeiro e quando nos distanciamos dele surgem os efeitos (doenças).
A busca pela saúde é uma manifestação do instinto de conservação. Até os animais o manifestam.
Este livro é uma pequena introdução ao conceito de chacras, bioenergia, fluido vital (prana), a lei do karma etc.
O assunto é muito vasto e deve ser aprofundado por todo aquele que busca ampliar seus conhecimentos sobre a vida.
As doutrinas espiritualistas orientais como o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o tantra, a yoga etc, são ricas em informação sobre estas questões. Quem desejar se aprofundar deve estudar também as medicinas tradicionais chinesa e indiana.
Neste livro, procuramos fazer uma abordagem do ponto de vista do espiritismo, a fim de manter a linha editorial da coleção.
A partir dele, o leitor estará apto a entender como as terapias alternativas, como a acupuntura, por exemplo, atuam.
Os métodos para alcançar a saúde integral (corpo e espírito) são vários, mas as causas e efeitos dela são o mesmo: Paz, Amor e Harmonia!
Victor Rebelo
Editor

Os corpos espirituais

Por Elzio Ferreira de Souza
Comecemos com uma análise sobre o pensamento de Allan Kardec. Ele estabeleceu uma concepção tríplice acerca do homem, que seria formado pelo espírito, pelo perispírito e pelo corpo físico. Erroneamente, muitos proclamaram esta concepção como genuinamente espírita, enquanto que o codificador, reconhecendo sua anterioridade, fazia questão de lembrar a existência de antecedentes históricos que a confirmavam como um elemento presente nas mais variadas culturas. Ao seu ver, este fato constituía uma prova da universalidade do espiritismo.
Kardec não se limitou aos antecedentes oriundos das culturas orientais, mas trouxe a doutrina de Paulo de Tarso, que registrava a concepção tríplice e foi explorada por Watchman Nee, pensador protestante.
Para Paulo, o conceito de alma não é de espírito encarnado, como consta em O Livro dos Espíritos, ou de princípio inteligente, como propôs Kardec, mas corresponde ao de perispírito, intermediário entre o espírito e o corpo físico. É interessante destacar que o codificador não reinvindicava prioridades para o Espiritismo. Ao estudar comparativamente as filosofias religiosas, procurava demonstrar que a verdade nele contida estava no fundo dos tempos.
Durante a revelação espírita, foram recebidas várias mensagens e realizados experimentos que indicavam uma pluralidade de corpos espirituais, correspondendo aos vários “sharitras” ou “koshas” (corpos) das doutrinas hinduístas. O dr. Antônio J. Freire registra uma comunicação mediúnica obtida pelo coronel Albert de Rochas e ditada pelo espírito Vincent. Apresentando-se como um espírito extraterrestre, dizia que “o perispírito é constituído por uma série de invólucros mais ou menos eterizados, dos quais os habitantes do mundo astral vão se desfazendo sucessivamente, à medida que se elevam na escala de evolução, não sendo embutidos uns sobre os outros, como os tubos de um telescópio, mas se interpenetrando em todas as suas partes”.
As investigações dos grandes magnetizadores levaram à admissão dessa pluralidade de corpos espirituais.

Ver a continuação dessa matéria aqui.: Os corpos sutis na obra de Kardec

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

DO PERIGO DE MAGNETIZAR, MESMO UMA ÚNICA VEZ, SEM INSTRUÇÃO PRELIMINAR (CAPÍTULO XIII)


DO PERIGO DE MAGNETIZAR, MESMO UMA ÚNICA VEZ, SEM INSTRUÇÃO PRELIMINAR (CAPÍTULO XIII)
TRADUÇÃO DE LIZARBE GOMES
Depois das explicações precedentes, torna-se mais fácil compreender que é perigoso magnetizar sem conhecer as consequências do ato que se vai fazer. A maior parte das pessoas que num excesso de bondade, de zelo ou de curiosidade tenta magnetizar, mesmo uma única vez, não tem nenhuma ideia do mal que possam fazer e dos arrependimentos que preparam para toda vida.
Elas evitariam fazer isso antes de ter um conhecimento exato dos efeitos magnéticos. Uma só sessão de magnetização pode, com efeito, comprometer a vida de um homem.
“Um perigo que é nulo nos incômodos leves e recentes, diz Deleuze, é maior nas doenças orgânicas e antigas. Pode-se fazer mal ao se magnetizar uma única vez com energia para dissipar uma dor interior produzida por um abscesso, por um humor que. há vários anos, se conduz, em certas épocas, sobre um órgão. Quando perturbamos um movimento que estava estabelecido ou que se excita um movimento contrário, é preciso regularizá-lo para que ele não traga nenhuma desordem.
Os acidentes que aconteceram porque se interrompeu bruscamente um tratamento começado não devem ser atribuídos ao magnetismo, mas à imprudência do magnetizador.” (Inst. Prat,. 283)
Quando há sonambulismo, os perigos são mais surpreendentes e também mais terríveis.
De início o contato ou toque de certos corpos leva às vezes a convulsões horríveis que colocam a vida do doente em perigo, eis um exemplo já antigo:
“Eu peguei um garrafa, disse Lehogais a Puységur, para dele me servir da maneira como Catarina (uma sonâmbula) me indicava. A Srta. Rousseau sofria ainda mais, mas não entrava em crise. Catarina se admirou: É singular – disse ela – quero tocar eu mesma esta garrafa”.
Eu a deixei fazer e examinava com atenção o efeito que isso produzia sobre a Srta. Rousseau; mas qual foi minha surpresa de ver, instantaneamente, Catarina cair em convulsões horríveis! Ajudado por minha esposa e por minha filha, eu não podia contê-la. Esta jovem, naturalmente de caráter dócil, cujas crises eram comumente tão calmas, se debatia com uma força surpreendente e entrava em crises assustadoras. Eu custei muito a acalmá-la e, bastante assustado pelo efeito que eu lhe havia causado, prometi a mim mesmo não mais tocá-la. À noite ela se foi mais tranquila, suportou tudo melhor do que de costume sem mesmo se ressentir de nenhuma fadiga do estado em que ficou.
Eu esperava que, não a tocando mais, ela não teria mais crise, mas no dia seguinte, na mesma hora, Catherine teve as mesmas convulsões da véspera! Mais uma vez foi difícil fazê-la retornar.
Enfim, durante quatro dias este estado se repetiu.
“O senhor avalia qual era o meu estado de inquietude e o quanto eu me reprovava por ter me servido de um meio o qual conhecia apenas imperfeitamente.”
Sim, sem dúvida, respondeu Puységur, o único perigo que há no uso do magnetismo é servir-se dele sem conhecer seus recursos; sua indiscrição pode ter desorganizado esta jovem pelo resto de seus dias.” (1)
Nas três obras que precedem esta, eu tive ocasião da falar da irreparável infelicidade que aconteceu a um jovem médico cheio de talento, de sinceridade e de boas intenções. Estando convencido da realidade do magnetismo, este jovem não quis se dar ao trabalho de abrir os livros que tratam da matéria. Que se pode aprender, dizia-se naquela época, nos escritos de homens que não são médicos?
Na primeira vez que ele magnetizou para provocar sonambulismo – pois ele nunca ouviu nada sobre medicina magnética – ele teve êxito; mas, apenas adormecida, sua doente lhe disse, vendo o estado em que se encontrava, que ela seria em tal época atacada por tal doença, que ela morreria tal dia e a tal hora! Espantado, sem ter nenhuma prática, apenas alguns conhecimentos de fatos semelhantes, o magnetizador improvisado se contentou em despertar sua sonâmbula, que morreu como ela havia anunciado.
Eis um outro fato que prova como é perigoso, com as melhores intenções, impor as mãos sobre um doente sem ter nenhuma idéia das consequências da magnetização.
Há um mês, um padre muito estimado e sábio físico me encaminhou uma senhora cuja filha de dezoito anos sofria da tísica; ele disse às duas que elas podiam confiar em mim.
A mãe, que conhecia o magnetismo apenas por ter visto fazer passes em sonâmbulas, anunciou sua determinação ao confessor: ela foi vê-lo com sua filha:
- Mas meu pai – lhe disse a senhora – eu vi magnetizar; em seguida a doente se torna sonâmbula; se o senhor quisesse magnetizar minha filha, nós saberíamos em que nos deter em sua doença.
O confessor se recusou, dizendo que, apesar de seu desejo de ser útil, ele nada entendia de magnetismo.
Mas a mãe, insistindo bastante e acreditando que só os homens podem magnetizar, mostrou-lhe a maneira de passar a mão diante do rosto. O padre pareceu surpreso que tal maravilha pudesse resultar de uma ação tão simples. A mãe da doente lhe suplicou ainda para tentar, afirmando que ela conhecia o Sr. Aubin Gauthier apenas de reputação ao passo que ela tinha nele, como homem e como confessor, uma ilimitada confiança.
Convencido, o padre elevou uma mão trêmula, desceu-a, depois recomeçou e continuou durante alguns minutos. Com efeito, a jovem adormeceu e o padre, depois de contemplar por um instante este espetáculo novo para ele, disse a doente:
- Você se tornou sonâmbula, minha filha?
- Sim, meu pai!
- Você poderá então nos dizer por si mesma o que pensa de sua doença?
- Meu estado é horrível!! É tarde demais, eu não escaparei!!
Com esta notícia arrasadora, a mãe entrou em desespero; o padre, desolado por ter servido de instrumento pelo qual se chegou a semelhante resultado, se apressou em destruir a ligação magnética e despertou a doente que não mais pode se tornar sonâmbula novamente.
Provocou-se assim, nesta jovem, uma crise útil para a qual a natureza estava preparada, e se a doente devia estar sonâmbula apenas por uma única vez, era preciso ao menos aproveitar para lhe dar o tempo de melhor ver o seu estado e indicar a si mesma os remédios convenientes.
Um homem que é verdadeiramente magnetizador se conduz de outra forma; ele sabe que um sonâmbulo, na primeira inspeção de seu interior, algumas vezes se assusta com o progresso de sua doença e com o estado em que ele se encontra. É por isso que ele lhe inspira a calma que o ajuda a apreciar sua posição e indicar os remédios que podem salvá-lo, testemunha Puységur.
(...)
Os fatos provam, evidentemente, ser necessário, em magnetismo, ter conhecimentos especiais e, acima de tudo, muita calma. Para prová-lo, citarei ainda Deleuze:
“Há sonâmbulos que experimentam repugnância em examinar seu mal; eles se assustam ao ver a desordem interior em seus órgãos. Neste caso, você não partilhará os temores de seu sonâmbulo; você empregará o poder de sua vontade para determiná-lo a trazer o mais escrupuloso exame de sua doença, a considerar sem medo o interior de seu corpo, como se este corpo lhe fosse estranho e a fazer esforços para descobrir os meios de cura. 
Se você tiver calma, se você sabe querer, seu sonâmbulo lhe obedecerá certamente; ele se tranquilizará e lhe explicará o perigo presente e os meios de remediá-lo. Talvez você não consiga curá-lo, mas você procurará todo o alívio possível e você saberá o que deve lhe esperar.
Não perca a esperança, mesmo quando lhe afirmarem que sua doença é incurável; seguidamente tenho visto sonâmbulos dizerem, nas primeiras sessões que seria impossível de arrancá-los da morte e, em seguida, encontrar-se a maneira de recuperá-los.” (Inst. Prát., 121 e 122)
(...)
AUBIN GAUTHIER
(1) Puységur, Memórias, 38 – Felizmente a natureza veio em socorro da doente; depois de fortes dores e de uma febre terçã que durou um mês, sua saúde retornou.
 Jornal Vórtice ANO III, n.º 06, novembro/2010   

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SONAMBULISMO NA PRÁTICA


SONAMBULISMO NA PRÁTICA
Adilson Mota
Na segunda edição do Jornal Vórtice, de julho de 2008, escrevemos artigo acerca do sonambulismo e suas características. Trataremos, hoje, dos aspectos práticos relativos ao fenômeno sonambúlico, ou seja, como reconhecer um sonâmbulo e como aproveitar as suas faculdades.
Há um ano e meio vimos trabalhando com o sonambulismo através de duas sonâmbulas, das quais a primeira foi descoberta ao ser tratada magneticamente. Ao receber passes, ela via-se fora do corpo, recebia instruções espirituais, orientava telepaticamente o magnetizador quanto às técnicas que deveriam ser utilizadas, via o ambiente material estando de olhos fechados, enxergava à distância, a maioria das informações podendo ser comprovadas após o término da aplicação.
A nossa ignorância no assunto dificultava o entendimento, deixando-nos indiferentes com relação ao que acontecia, até percebermos que aquele fenômeno se chamava sonambulismo.
O desconhecimento do assunto é a maior dificuldade que se apresenta. Os fenômenos que Kardec chamou de “fenômenos de emancipação da alma” são muitas vezes ignorados ou confundidos com mediunidade, fazendo se perca, às vezes, bons trabalhadores nesta área. Graças à análise apressada aliada à falta de conhecimento, muita gente tem, ainda, desenvolvido o medo das próprias faculdades, confundindo o sonambulismo com obsessão.
A melhor forma de saber se alguém é sonâmbulo é conversando com ele quando o transe chega. Através do diálogo, se poderá diferenciar um processo mediúnico ou obsessivo do sonambulismo. As respostas atestarão a presença de um terceiro ser (um Espírito desencarnado) ou a capacidade do próprio encarnado de se relacionar e conversar conosco, mesmo estando desprendido parcialmente do corpo físico. Se for um Espírito, ele poderá dizer que o é, se identificar, inclusive. Se tratando de um sonâmbulo, ele dirá que é ele mesmo que fala, podendo descrever as pessoas e coisas que percebe, seja do mundo físico ou espiritual, dentre outras capacidades, se ele já as tiver desenvolvido.
É importante saber que nenhum sonâmbulo é igual ao outro.
Apesar de haver características gerais, os graus de percepção, os níveis de transe, as potencialidades, enfim, de cada um, são muito particulares. Enquanto alguns veem os Espíritos, outros apenas os entreveem; alguns ouvem os Espíritos, outros captam seus pensamentos intuitivamente; há os que enxergam à distância ou através de obstáculos materiais, veem o interior do organismo físico, comunicamse telepaticamente, veem-se fora do corpo físico, enquanto outros o conseguem mais ou menos. É importante para quem vai lidar com o sonâmbulo saber destas diferenças a fim de não tentar lhe impor o desenvolvimento de um aspecto que ele não possui. O mais recomendável é que a faculdade desenvolva-se naturalmente, devendo, o magnetizador, apenas aproveitar da melhor forma os recursos disponíveis em cada sujet.
Apesar do caráter espontâneo que deve haver para o desenvolvimento das faculdades sonambúlicas, o magnetizador não será um sujeito passivo. Ele não é apenas o doador de fluidos para a magnetização que levará o  sujet ao transe e aos estágios sonambúlicos. O magnetizador é mais do que isso. Ele é o cuidador, controlador e direcionador do trabalho, a fim de que o mesmo alcance os resultados desejados.
Durante todo o transcorrer da sessão sonambúlica, deve o magnetizador zelar pela integridade física e psíquica do sonâmbulo, a começar pela acomodação do mesmo, pois este, em certo estágio do transe, perde o controle dos movimentos voluntários, com exceção dos que são necessários à fala. Deve, ainda, haver confiança recíproca, a fim de que o sonâmbulo mantenha a sua serenidade em qualquer percalço durante a tarefa, para que se entregue ao trabalho sabendo que alguém vela por ele. As nossas
sonâmbulas, às vezes, quando diante de uma situação espiritual muito negativa, relatam dificuldades de percepção.
É o momento em que fazemos uma prece, juntamente com elas, o que as deixa mais seguras e confiantes, além de que as dificuldades encontradas se desvanecem. O magnetizador pode, com a voz mesmo, infundir-lhe serenidade, segurança e confiança na Espiritualidade e em si mesmo. A cada sessão, vai-se criando uma interação magnética intensa entre magnetizador e sonâmbulo, ao ponto das disposições íntimas e dos pensamentos do magnetizador poderem interferir nos resultados alcançados pelo sonâmbulo.
Esta relação magnética, aumentando com o tempo, faz com que a necessidade de magnetização para provocar o transe seja reduzida bastando, às vezes, um comando de voz para o transe sonambúlico acontecer.
Não devem ser esperados, de início, grandes resultados. É um desenvolvimento que o exercício irá fazer através do tempo, com paciência e serenidade.
Os recursos oferecidos pelo  sujet devem ser deixados se manifestar espontaneamente, mas isto não deve ser tomado de forma absoluta, é preciso um direcionamento. E este é feito pelo magnetizador. No trabalho que realizamos, a cada sessão selecionamos um paciente a ser verificado. Mais abaixo, analisaremos a questão da quantidade de pacientes e da duração do trabalho. Pois bem, sem esta definição, o sonâmbulo poderia “ver” qualquer um que quisesse. Apesar disto ter um lado positivo, pois podemos colher informações sobre determinado paciente que, talvez, jamais averiguássemos, por outro lado, pode ser improdutivo.
O mesmo com relação aos detalhes referentes a cada paciente. O sonâmbulo deve ficar à vontade para relatar todas as desarmonias que percebe, o que não impede que, de vez em quando o magnetizador lhe peça para verificar este ou aquele órgão, este ou aquele centro de força, este ou aquele aspecto seja físico, energético, emocional ou espiritual. Dessa maneira, o rendimento se torna muito maior e mais rico.
Alguns dos leitores podem estar se questionando neste momento: e se isto o induzir a percepções ilusórias, ou seja, a perceber coisas criadas pela sua mente e não percepções reais a respeito do paciente? Não deveria, para evitar este percalço, deixar tudo acontecer espontaneamente? Primeiramente, compreenda-se que a espontaneidade não é garantia de autenticidade, pois a mente do sonâmbulo funciona sozinha e, a despeito do magnetizador, pode fantasiar. Em segundo lugar, há um meio que é o mais seguro para se saber da fidedignidade destas informações, que é a análise.
Todas as recomendações dadas por Allan Kardec relativas às comunicações mediúnicas devem ser seguidas com relação ao sonambulismo. Devem ser passadas pelo crivo da lógica e da razão, questionadas, comparadas. Só assim, chegaremos a discernir acerca do seu grau de confiabilidade.
Há mais um motivo para o magnetizador direcionar o trabalho quando necessário. Fora do corpo físico toma, o ser, uma maior independência e, sendo possuidor de vontade própria, pode, de início, por conta da inexperiência, tomar o rumo que quiser, ou quando há diferença entre os seus desejos enquanto no corpo físico e de quando liberto do mesmo. Neste caso, é necessário que o magnetizador chame o sonâmbulo ao trabalho a fim de que as suas finalidades sejam alcançadas.
A pergunta seguinte é: como estruturar um trabalho usando o sonambulismo?
O trabalho pode ser com um só sonâmbulo ou com vários, necessitando de um magnetizador para cada. É preciso, como já dito acima, que os sonâmbulos estejam bem acomodados, podendo ser em cadeiras ou em macas. Inicia-se com uma prece, após a qual se realiza a magnetização, certificandose de que o sonâmbulo esteja à vontade e relaxado.
O que fazer em seguida, somente a experiência poderá dizer, bem como os objetivos e propósitos de cada grupo e sessão. Pode-se verificar a situação de um ou de vários pacientes. Pode-se, inclusive, pedir a todos os sonâmbulos para diagnosticarem a situação do mesmo paciente para efeito de comparação dos resultados.
Terminados os relatos e não havendo mais nada que o sonâmbulo queira comunicar, inicia-se a desmagnetização, não sem antes deixá-lo amparado e tranquilo quanto ao retorno e ao bem-estar que deverá sentir depois que despertar. É comum, nas primeiras sessões, o sonâmbulo reclamar, ao retornar completamente ao corpo físico, de algumas dores e incômodos, muitas vezes originários das tensões e nervosismos do iniciante. Estas sensações podem ser atenuadas, caso o magnetizador tome as devidas precauções antes de fazê-lo retomar a sua consciência. Para isto, deve-se executar a desmagnetização sem pressa, longamente, podendo, ainda, sugerir verbalmente ao sonâmbulo ideias de bem estar, leveza e tranquilidade. Após a desmagnetização, faz-se uma prece de encerramento. No trabalho que realizamos, costumamos após todo o encerramento trocar impressões com as sonâmbulas, com vistas ao aprendizado geral.
Quanto à duração de cada sessão, não há regra, depende da disponibilidade dos participantes, devendo levar em conta o bom senso, pois há dispêndios de energia tanto por parte do sonâmbulo quanto do magnetizador.
Pode ainda ser aproveitado o sonambulismo de algum paciente, durante a aplicação de passes, quando o mesmo ocorre espontaneamente. Assim sendo, ele mesmo verificará a sua situação de doença, suas desarmonias e poderá dar indicações e recomendações de tratamento.
Uma última questão a analisar é com relação ao discernimento quanto àquilo que seja proveniente da faculdade sonambúlica ou da participação de Espíritos durante a sessão. O primeiro ponto é que devemos conquistar a confiança da Espiritualidade, atraindo os Bons Espíritos através dos propósitos elevados do trabalho, pautado no bem do próximo e da busca de aprendizado sincero, excluída toda curiosidade malsã. Assim sendo, eles auxiliarão muito mais do que se possa imaginar. Participarão de todo o processo, desde proteção até direcionamentos e informações. O segundo ponto é que às vezes é muito difícil ou até mesmo impossível delimitar onde termina a participação do sonâmbulo e começa a dos Espíritos. Na maioria das vezes, o sonâmbulo consegue fazer este discernimento. Uma das sonâmbulas com as quais trabalhamos faz todas as verificações sozinha a respeito do paciente. Quanto às técnicas magnéticas para o tratamento, ela transmite a orientação dada pelos Espíritos. Lembrando que esta não é uma regra para todos os sonâmbulos. O último ponto é que, quase sempre, fazer essa distinção não é o importante, mas sim o conteúdo informado, que deve sempre ser analisado.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 05, outubro/2010    

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Tato Magnético e a Ficha de Atendimento



O Tato Magnético e a Ficha de Atendimento
Roberto Teixeira
Sabemos que a sensibilidade do passista em relação ao tato magnético e ao passe como um todo, está diretamente relacionada a fatores tais como: disposição orgânica, sintonia fluídica, equilíbrio emocional do passista, concentração, condições apropriadas do ambiente para aplicação do passe, etc.
Ouvimos frequentemente que vontade firme e confiança são determinantes para que o passista possa superar eventuais adversidades que ocorram durante a terapia.
Trabalhando com o passe magnético misto, na SEEVIDA (Sociedade de Estudos Espíritas Vida) em algumas situações de atendimento não identifiquei por intermédio do tato magnético, absolutamente nada no campo magnético de pacientes que atendi e, até em situações de desordem asseverada, algumas vezes nada constatei pela técnica. Hoje entendo perfeitamente que o exercício contínuo deste tipo de diagnóstico é necessário para aprimorá-lo cada vez mais. Sempre procuro levar em consideração o que aprendi e aprendo sobre o magnetismo, mas, sinceramente durante algum tempo - mais precisamente no início do meu trabalho prático - algumas dúvidas em relação ao tato magnético costumavam me ocorrer, tais como: se nada sentir por intermédio do tato magnético e nem um sinal em minha constituição orgânica ou em meus centros de força for percebido no momento de aplicar o passe, o que fazer?  Como saber qual o centro de força ou órgão precisa ser tratado?  Devo confiar apenas no relato do paciente?  É seguro e correto aplicar o passe baseado apenas na intuição? 
Insensibilidade no tato magnético ou pouca sensibilidade me descredencia a ser um passista ou um bom passista? Devo desistir do atendimento nessas circunstâncias?
Grandes nomes do magnetismo terapêutico, sabemos, possuíam aprofundados conhecimentos de medicina (alguns eram médicos). Portanto, a identificação dos males que acometiam seus pacientes, tratados com o passe, deduz-se, eram identificados também com o  aporte desses seus conhecimentos médicos.
O trabalho de passe, que é efetuado na Casa Espírita é voluntário e, apesar dos cursos preparatórios e esforço individual dos passistas no aprimoramento sobre o assunto, não há como fazer comparações entre estes e os primeiros.
Os questionamentos aqui colocados, talvez encontrem respostas num procedimento importante e bastante simples, procedimento este que tem sido observado na SEEVIDA desde sempre e com excelentes resultados: a FAP (Ficha de Atendimento do Passe).
Se pegarmos como exemplo um paciente que chega para o passe e que sofre de uma labirintopatia (labirintite), chegando ele à sala de atendimento, não entrando em maiores detalhes sobre o problema com o passista  – nas cabines de passe o silêncio deve imperar -, não havendo afinação com alguma daquelas pré-disposições necessárias para o passe, percebendo o passista pouco ou nada pelo tato magnético, tendo o paciente como causa primeira de sua labirintite uma disfunção da glândula tireoide e isso não sendo detectado no momento do passe, o passista sabendo da labirintite apenas por comentário feito pelo atendido antes de iniciar o passe, pela lógica tratará unicamente este problema (labirintite) que na realidade, no caso, seria apenas uma consequência da disfunção da tireoide, ou seja, combaterá o efeito e não a causa.
O uso de medicamentos, não é novidade, também pode causar sintomas que possivelmente venham a ser percebidos pelo passista no momento do passe e, mais uma vez não tendo informações mais precisas, possivelmente tratará o efeito, ignorando a causa.
A FAP (Ficha de Atendimento do Passe) é um fator considerado pela SEEVIDA como fundamental no tratamento pelo passe magnético. Ali são contidas informações absolutamente necessárias para todos os estágios do tratamento, além de ser fonte de pesquisa e estudo. Quando o candidato ao passe é entrevistado (ato inicial de preenchimento da FAP), responde a questões que ajudam e muito o passista que o atenderá: dados pessoais, informações sobre o uso de medicamentos, tratamentos médicos, apresentação de exames etc.Além dos propósitos já citados, a FAP também consegue detectar o que chamaremos autodiagnóstico, que é quando o paciente diz estar sofrendo de uma suposta enfermidade, não tendo nenhum embasamento médico, exame clinico ou outro qualquer que possa confirmar a situação. São pessoas que não tem ideia das implicações de um tratamento pelo passe magnético. Alegam muitas vezes serem acometidas por enfermidades extremamente graves como depressão, por exemplo.
Afirmações inverídicas e que precisam ser filtradas antes que se corra o risco de dar início a um atendimento que será equivocado e prejudicial em todos os sentidos.
Entendemos, que se alguém com problemas, ou não, procurar pelo passe sem ter antes ido ao médico, deverá logicamente receber o atendimento. Afinal quem nos garante que essa pessoa não foi encaminhada pela Espiritualidade ao passe, para que lá receba um alerta de que algo está errado com sua saúde, levando-se em conta o laudo do passista. E é lógico, que sendo a transfusão fluídica uma terapia ainda considerada complementar, e como tal, não tem por finalidade competitividade com outros tratamentos, detectando-se alguma alteração durante o passe, nossa obrigação é orientar os pacientes para que, paralelamente à fluidoterapia, procurem acompanhamento médico. Se por outro lado nada de “anormal” for notado pelo passista, o atendido deverá ser esclarecido da não necessidade de ir adiante com mais atendimentos.
Para que os passistas desenvolvam seu tato magnético e evitem ficar na dependência da consulta na ficha de atendimento, os coordenadores do trabalho de passe podem encaminhar os novos pacientes para que sejam examinados através do tato magnético, por vários passistas, individualmente, antes que tenham acesso à ficha destes pacientes. Os pareceres sendo registrados e posteriormente comparados uns com os outros, evidenciarão o nível de sensibilidade e precisão de cada passista.
A FAP é sinônimo de organização. É documento comprobatório dos resultados dos tratamentos. Serve ao intercambio de conhecimentos entre os grupos de trabalho de passe. Enfim, norteia a fluidoterapia na Casa Espírita em todos os sentidos. Por todos os motivos aqui citados, fica a sugestão para um olhar mais atento por parte dos grupos de Magnetismo sobre esta importante ferramenta de trabalho.
JORNAL VÓRTICE ANO V, n.º 07     - dezembro - 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

PRELIMINAR DE TODO TRATAMENTO MAGNÉTICO


MAGNETISMO CLÁSSICO

Tradução de Lizarbe Gomes

LIVRO TERCEIRO DA DIREÇÃO DE UM TRATAMENTO MAGNÉTICO

CAPÍTULO I
PRELIMINAR DE TODO TRATAMENTO

É essencial, eu diria mesmo, indispensável fixar as horas das sessões e dizer ao doente que ela deve ser exata.
Assim também o magnetizador, pois em caso de sonambulismo a inexatidão traz graves inconvenientes.
Ele irá considerar os hábitos do doente e do regime que lhe é ordinário; ele fará as modificações convenientes e recomendará a observação; a cada sessão ou de tempos em tempos, ele se informará dos resultados.
Ele prevenirá o doente que ele deve, tanto quanto possível ser assistido pela mesma testemunha e, sobretudo evitar apresentar como um crente ou homem impassível, um incrédulo ou um antagonista do magnetismo, explicando-lhe que a presença deste último poderia anular a ação ou a atenuar. E para que o doente seja atento a esta recomendação, ele não hesitará em lhe dizer que, em caso de infração da parte dele, ele será forçado a abandoná-lo.
Tomadas estas precauções e depois de haver examinado a si mesmo como eu disse anteriormente, o magnetizador poderá passar ao tratamento.

CAPÍTUL0 II
DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREÇÃO

O fim invariável de um tratamento magnético é ajudar a natureza sem contrariá-la jamais. É preciso então apenas magnetizar nos casos úteis e necessários, ou seja, para aliviar ou curar.
Não se deve jamais procurar agir sobre a imaginação dos doentes e procurar produzir efeitos extraordinários; ao contrário, toda a atenção deve ser empregada em fiscalizar as crises que possa sobrevir e aproveitá-las.
É preciso ter e conservar uma grande calma e quando uma crise se manifesta, deixar o doente apenas quando ela tiver terminado e quando ele tiver voltado ao seu estado normal.

Quaisquer que sejam as opiniões concebidas sobre a maior ou menor utilidade dos procedimentos é indispensável fixar-se neles, após a experiência dos outros ou da sua mesmo, afim de não ter um só momento de medo ou de hesitação, para não embaraçar a si mesmo e para não perder um tempo precioso procurando quais são os procedimentos mais convenientes.
Deve-se empregar as forças gradualmente e não de imediato ao se começar.
É preciso evitar magnetizar ao sair da mesa e durante o trabalho de digestão; assim como é bom não estar de jejum, afim de não se cansar ou de esgotar tão rápido.
Nem durante a doença nem durante a convalescença é preciso magnetizar por tão longo tempo; as primeiras sessões devem ser de no máximo uma hora, as seguintes de três quartos de hora à meia hora.
Quase sempre é interessante tanto para o magnetizador como para o doente, não fazer mais de duas sessões por dia. De um lado, é preciso dar tempo ao magnetismo para produzir seus efeitos e, por outro lado, pela mesma razão, o operador se fatigaria inutilmente.
No entanto, se é necessário sustentar uma crise, um movimento imprimido, o que acontece às vezes, obedece-se às circunstâncias seguindo as necessidades do doente e até que a crise termine.
Tem-se visto magnetizadores obrigados a sustentar uma crise durante três, quatro, cinco horas, por vezes por todo o dia e toda uma noite.
Não se deve começar um tratamento senão se está seguro de poder continuá-lo.
É bastante perigoso interromper um tratamento iniciado ou de não sustentar uma crise que se tenha excitado e que a natureza não possa conduzir a seu fim sem ajuda do magnetismo. Eu falarei disso mais adiante.
CAPÍTULO III

DA APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS GERAIS AOS CASOS PARTICULARES

Quando se vê que o magnetismo age, é preciso redobrar a atenção sem perder a calma que se tenha conservado para esperar seus efeitos; deve-se, sobretudo, evitar fazer esforços para aumentar aqueles os quais se acabou de obter, se perturbaria assim a marcha da natureza.
Se a magnetização colocou o doente num estado que não lhe é o comum, assim como as dores, os movimentos nervosos, a transpiração, os espasmos ou fortes cólicas e estes diversos sintomas se renovando durante várias sessões, não é preciso se preocupar; estes sintomas desaparecerão por si mesmos e às vezes antes do fim da sessão.
Acontece por vezes – estes casos são muito raros, mas é bom estar prevenido – que a primeira impressão do magnetismo produz uma crise acompanhada de movimentos convulsivos, enrijecimento dos membros, acessos de choro ou de riso; o magnetizador não deve se assustar ou se inquietar, mas agir em consequência.
Assim ele se esforçará, através de palavras doces e benevolentes, mas também firmes e seguras, para inspirar a calma e a segurança ao doente; ele pegará os seus polegares por um momento e em seguida fará várias fricções longitudinais. Se as fricções excitam o doente em vez de acalmá-lo, se faz passes à distância; magnetiza-se em “grandes correntes” e a calma acaba por chegar.

Quando o caso se apresente por duas vezes seguidas, tomam-se as precauções para a terceira sessão; contenta-se apenas em pegar os polegares e, relação estabelecida, se magnetiza por passes longitudinais à distância. O doente permanecendo calmo, retorna-se pouco a pouco ao lugar que se ocupava e se tenta de novo os procedimentos necessários até que o doente termine por suportar a ação. (1)
É necessário não confundir os movimentos convulsivos que duram apenas por um momento com uma irritação nervosa que continua após a sessão e se prolonga de uma a outra deixando o magnetizado num estado de contínuo mal-estar.
Quando se encontra estas pessoas que tem este gênero de suscetibilidade, é preciso usar com eles os procedimentos mais calmantes e agir de longe.
Se, depois de três ou quatro sessões, o mesmo efeito acontecer, deve-se colocar um dia de intervalo nas sessões seguintes; e se, ao fim de oito a dez dias, os mesmos sintomas se apresentem é preciso cessar, tirando do fato as consequências seguintes: o magnetizador ou o magnetismo não convém ao doente.
Para se assegurar, confia-se o doente a um outro magnetizador; se o mesmo fenômeno ocorre, substitui-se este magnetizador por um outro; pode-se mesmo tentar um terceiro, após o qual, não havendo mudança, se concluirá que o magnetismo não convém ao doente.
Finalmente, quaisquer que sejam as crises que sobrevenham no curso de um tratamento, não se assuste; se você não se perturbar, se permanecer calmo, nada pode acontecer e nada de desagradável acontecerá ao doente.
AUBIN GAUTHIER

(1) O Sr. Deleuze diz sobre o mesmo assunto: “o efeito sobre o qual acabei de falar (uma crise nervos no início de uma magnetização) é tão raro que o produzi por mim mesmo somente três ou quatro vezes em uma prática de trinta e cinco anos. Sei bem que aconteceu várias vezes e que teve consequências desagradáveis. Mas foi entre pessoas que magnetizavam para fazer experiências, para mostrar os fenômenos e não com a calma e a única intenção de fazer o bem. Eu teria apenas cuidado de anotar este efeito se eu já não tivesse visto recentemente um exemplo do qual vou dar conta para me fazer melhor entender, se bem que esta obra não seja destinada a relacionar estes fatos. Fui solicitado há alguns dias a dar uma lição a uma senhora que queria magnetizar sua filha, atingida por uma doença leve, mas forte e antiga e cuja causa se ignorava. Eu coloquei a mãe ao meu lado e, para lhe mostrar os procedimentos, magnetizava sua filha que não experimentou absolutamente nada.

A mãe disse-me que ela havia sido magnetizada uma vez e que sentiu a necessidade de fechar os olhos. Eu quis ver se eu agiria sobre ela. Depois de quatro ou cinco minutos de passes em “grandes correntes” e de aplicação da mão sobre o estômago, ela exclamou: “Ah! Que sensação agradável!” Um minuto depois ela teve um movimento convulsivo; os membros se enrijeceram; o pescoço inchou e ela levantou a cabeça para trás e deu um grito. Eu peguei os polegares; eu lhe repeti várias vezes com um tom imperativo; “Acalme-se”! Eu me afastei em seguida para magnetizar em “grandes correntes”; enfim, tentei fazer, sempre à distância, passes transversais para dispersar o fluido. Então sua expressão mudou, mas sobreveio um acesso de riso que durou alguns minutos. Tudo se acalmou pouco a pouco; ela me disse que se achava muito bem. Se eu tivesse chamado alguém para detê-la, se eu tivesse ficado assustado, se não tivesse acalmado a crise, é provável que a dama assim magnetizada teria ficado perturbada durante vários dias.”
(Instruções Práticas, 60 a 62)
Jornal Vórtice ANO II, n.º 10, março/2010

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aplicações do Magnetismo e temas para pesquisa


Aplicações do Magnetismo e temas para pesquisa

Adilson Mota
O Magnetismo, dentro dos parâmetros descobertos e estudados por Mesmer, é uma vasta ciência surgida no último quartel do século XVIII e cujos preceitos foram confirmados e ampliados por Allan Kardec na codificação da Doutrina Espírita.
Tida como ciência irmã do Espiritismo, conforme diversas referências feitas nas obras kardequianas, o Magnetismo, além das suas possibilidades de uso para estudos psíquicos, apresenta amplas aplicações terapêuticas, das quais a maioria hoje é desconhecida ou não utilizada. Neste artigo, vamos citar algumas formas de aplicação magnética utilizadas pelos magnetizadores clássicos e que servem muito para uso na atualidade, seja em instituições espíritas ou não.
O estudo em análise foi baseado na pesquisa de Michaellus constante da sua obra Magnetismo Espiritual, onde o trabalho de vários magnetizadores e as suas formas de utilizar o magnetismo são citados pelo autor.
O livro Magnetismo Espiritual foi editado em 1959 pela Federação Espírita Brasileira e escrito por Miguel Timponi, que usou o pseudônimo de Michaellus. Traz noções resumidas a respeito do Magnetismo e suas técnicas através do pensamento de diversos magnetizadores clássicos como Puységur, Deleuze, La Fontaine, Aubin Gauthier, dentre outros.

ÁGUA MAGNETIZADA

O uso da água fluidificada ou magnetizada nos centros espíritas tem sido feito em profusão, por ser a água uma substância barata, fácil de encontrar e de grande potencial de assimilação e conservação da energia magnética. Esta, por sua vez, preenche todos os espaços vazios (interstícios) existentes entre as partículas que formam as moléculas da água. Seu uso interno é bem conhecido e utilizado como complemento curativo para os mais diversos tipos de doenças físicas, psíquicas ou espirituais, seja como tonificador, repositor de energias vitais, laxante, harmonizador das energias dentre muitos outros aspectos das suas funções que são assumidas de acordo com a necessidade de cada organismo.
Já o seu uso externo tem sido exíguo.
Da mesma forma que pela ingestão, a aplicação sobre a pele traz muitos benefícios como diz Michaellus: “Se o uso interno da água magnetizada produz tão extraordinários efeitos, o seu uso externo não é menos eficiente. Assim, pode ela ser aplicada com os melhores resultados nas doenças da pele, como feridas, erisipelas, dartros, queimaduras, etc., como também nas moléstias dos olhos.”

Os banhos magnéticos são outra forma de aproveitar os benefícios do magnetismo para “manter as forças do doente”, auxiliando no restabelecimento da sua saúde.

AUTOMAGNETIZAÇÃO

No meio espírita, todos já devem ter ouvido falar no autopasse como forma de preservar a própria saúde. Desde que o indivíduo se encontre em condições harmônicas, terá condições de tratar em si mesmo problemas localizados e simples. Problemas mais complexos de saúde ou que envolvam desarmonias emocionais, psíquicas ou espirituais, merecem ser tratados por um outro magnetizador.
Mesmo tendo uma atuação limitada, é da opinião dos magnetizadores a sua eficácia e possibilidades de ajuda própria. Diz Michaellus, citando Aubin Gauthier:
“Devo à ação magnética, exercida sobre mim mesmo, a conservação de minha saúde muitas vezes comprometida por longos e penosos trabalhos.”
O mesmo foi referido por Alphonse Bué:
“Tem ocorrido comigo mais de cem vezes, e diariamente ainda me acontece, restabelecer assim, em poucos instantes, as minhas funções perturbadas por qualquer circunstância fortuita, e é graças à automagnetização, não tenho dúvida, que me tem sido possível prosseguir, sem um só momento de parada, durante mais de cinco lustros, em trabalhos bastante penosos e difíceis.”

EFEITO DAS SUBSTÂNCIAS

Este é um grande tema para pesquisa por parte dos magnetizadores modernos. Descobrir as substâncias que, quando utilizadas, podem auxiliar a ação do magnetismo e aquelas que bloqueiam ou retardam a sua ação. Os magnetizadores clássicos costumavam orientar os seus pacientes a não fazerem uso de certas substâncias, medicamentos ou não, que poderiam embotar a sua sensibilidade ou ainda inibir ou lentificar os efeitos do magnetismo. Michaellus, na obra acima citada, relaciona diversas químicas que, tendo sido usadas pelo paciente, podem atrapalhar ou mesmo tornar impossível qualquer cura pelo magnetismo. Relata o autor as palavras do Barão du Potet:
“Antes de pretender aliviar os doentes, o magnetismo tem necessidade de eliminar, de expulsar da circulação esses estranhos produtos de infelicíssima invenção, que tantos males têm causado à Humanidade”.
Além de certos produtos que servem de base para medicamentos diversos, temos a bebida alcoólica, o cigarro e toda espécie de drogas que, tanto atrapalham a receptividade magnética no paciente quanto desqualificam enormemente as energias magnéticas do passista, caso faça uso dos mesmos.
Dia chegará, quem sabe, em que este assunto tendo sido alvo do interesse da Medicina, e esta sabendo dos efeitos negativos de certas químicas nas energias vitais dos pacientes, as suprimirá do seu “cardápio” medicamentoso facilitando ainda ao Magnetismo agir em direção da cura.

EFEITO NAS SUBSTÂNCIAS

Uma outra aplicação do Magnetismo que quase não é utilizada e que pode ser valiosa em determinados casos, é a magnetização dos alimentos e dos medicamentos como um reforço energético para os enfermos.
“Aconselhável é, por todos os motivos, a magnetização dos alimentos, quando os doentes, o que sói acontecer frequentemente, tem por eles repugnância ou intolerância.
O fluido magnético comunica muitas vezes às substâncias alimentícias e aos remédios uma qualidade que eles absolutamente não possuíam. Há vários exemplos de pessoas que não podem tolerar o leite, mas que o bebem impunemente quando magnetizado.” - Michaelus.
Vale ressaltar aqui o quanto o Magnetismo pode ser útil no caso das aplicações em medicamentos a fim de aumentar o seu potencial curativo e reduzir os seus efeitos colaterais.
SONAMBULISMO

Faculdade imensamente útil e muito utilizada pelos magnetizadores. A este respeito diz Michaellus:
“Ele [o sonâmbulo] vê o seu próprio mal, prevê as suas crises e as dos outros, e anuncia a maneira e a época do termo final.
“Vê a origem das moléstias e pode indicar os meios mais acertados para curá-las.
“Experimenta momentaneamente a moléstia das pessoas com as quais foi posta em relação.
“Vê as radiações magnéticas, vê o fluido escapar-se das extremidades dos dedos do magnetizador e aponta a este a sua qualidade e força.”
A Doutrina Espírita nos fornece a teoria do fenômeno do sonambulismo ao explicar que o sonâmbulo, ao entrar em transe, desprende-se do corpo físico e, fazendo uso mais livremente das suas capacidades de Espírito, não encontra obstáculos na matéria. Nem tudo, porém, que o sonâmbulo diz em estado de transe se pode ter à conta de coisa certa, pois depende do seu desenvolvimento intelectual e moral, desta e de outras vidas.
Mesmo assim, pode ser um instrumento terapêutico valioso nas mãos do magnetizador seja para elaborar diagnósticos, seja para indicar a melhor forma de se tratar o doente, seja prevendo as fases e o tempo para a sua recuperação.
O sonambulismo tem ainda outra utilidade, quando o paciente é o sonâmbulo, o qual se torna mais “...suscetível de receber impressões morais e receber sugestões para depois do despertar, quando perde a memória dos seus atos e até do recebimento da própria sugestão, que persiste todavia”, afirma Michaellus, pois “…as sugestões constituem um eficiente processo na terapêutica magnética para a cura das moléstias nervosas e psíquicas, sendo empregado com grande êxito para a reeducação dos indivíduos desviados pelos vícios e pelas más tendências.”
“...o sonâmbulo, ao entrar em transe, desprende-se do corpo físico e, fazendo uso mais livremente das suas capacidades de Espírito, não encontra obstáculos na matéria.”

O Magnetismo possui estas e outras formas de ser aproveitado para o benefício dos que sofrem.
Tanto na obra em questão quanto em outras obras de autoria dos magnetizadores mais antigos ou mais recentes, encontramos referências a respeito das maneiras como os magnetizadores utilizavam o Magnetismo a fim de melhor atender às necessidades dos seus pacientes e de todos aqueles que precisavam readquirir a sua saúde.
Temos, novos magnetizadores e estudiosos do Magnetismo, uma longa caminhada pela frente, em que precisamos apresentar o Magnetismo tal qual ele é, com todas as suas possibilidades e de forma comprovada, a fim de cumprirmos a nossa responsabilidade de espíritas, através dos resultados, que existe um fluido curativo em cada pessoa e que pode servir para aliviar e curar as doenças dos nossos irmãos em humanidade.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 08, janeiro/2010

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Águas que curam

Com relação à fluidificação da água, em O Livro dos Médiuns, capítulo VIII, encontramos o seguinte: "Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito.
Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal.
Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.
Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? A vontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedade da matéria mais etérea que exista.
A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas."
Durante oito anos, o pesquisador japonês Masaru Emoto (veja matéria nesse blog) e sua equipe cristalizaram e fotografaram moléculas de água das mais variadas partes do mundo.
As amostras foram retiradas de rios, lagos, chuva, neve e submetidas às vibrações de pensamentos, sentimentos, palavras, idéias e músicas. Foi possível registrar em imagens a reação das moléculas de água a esses estímulos – tanto os positivos quanto os negativos.
Pôde-se observar desde desenhos maravilhosos, esculpidos como se fossem jóias na estrutura molecular da água, até a não formação dos desenhos geométricos quando os estímulos eram negativos. A imagem revelou-se disforme.
A cura por meio da escolha dos pensamentos e da forma como colocamos esses pensamentos em ação está agora bem mais próxima.
A possibilidade de alterar o arranjo molecular da água através da vontade, idéia que Kardec não conseguiu explicar porque a Ciência não estava avançada o suficiente, hoje já está provada.
Por meio do pensamento, da vontade e da intervenção dos espíritos é possível alterar o comportamento da água, bem como o comportamento das células do corpo. A água é uma molécula polar composta e é absorvida no nosso organismo pelo intestino. Por isso, e aproveitando-se de algumas de suas propriedades (tensão superficial, condutividade elétrica e susceptibilidade magnética), é usada como agente do tratamento de fluidoterapia.
No momento da oração feita para magnetizar a água, sabemos que há a união do magnetismo "animalizado" do encarnado mais o magnetismo espiritual produzido e aplicado pelos bons espíritos para que o resultado seja obtido. Uma vez magnetizada e ingerida, a água pode provocar os seguintes efeitos:
1 - Inibição da formação de radicais livres, ou seja, diminuição dos processos oxidativos celulares, diminuição da taxa de produção de gás carbônico, aceleração dos processos de fagocitose, incremento na produção de linfócitos (células de defesa).
2 - Observa-se, na membrana celular, uma maior mobilidade de íons de Sódio e Potássio, melhorando o processo de osmose celular, tendo um efeito rejuvenescedor no organismo. Há uma distribuição no mecanismo de transporte de vários tipos de cátions, como é o caso do cálcio.
3 - Efeitos sobre os hormônios receptores, ativação dos linfócitos por antígenos e várias lecitinas. O processo de polarização magnética induzida (imantação) da água no organismo produz a captura e precipitação do cálcio em excesso no meio celular.
4 - Reposição da energia espiritual, renovando a estrutura perispiritual.
Como vimos, a terapêutica com o passe e a água magnetizada traz muitos benefícios ao organismo, apesar de não poder parar ou regredir as doenças geradas por resgates, doenças crônicas e degenerativas, porém, tem se mostrado eficiente para doenças psicossomáticas.
A Ciência vem contribuindo cada vez mais para que entendamos o porquê da funcionalidade da água magnetizada em nosso organismo, como vimos acima, o estudo do pesquisador japonês sobre a influência de nossos pensamentos na água e os estudos bioquímicos da água magnetizada para diversos fins.
É preciso ter lido o evangelho antes de beber a água para que ela tenha efeito?
Fernanda Lima – Se a água tiver sido magnetizada no centro espírita, a oração e a leitura do evangelho contribuirão com o resultado final; potencializarão o efeito da água magnetizada (ou fluidificada,tanto faz). Agora, se a água ainda estiver por magnetizar, será necessário, sim, a leitura do evangelho, e na oração, deve-se pedir para que os bons espíritos possam intervir nessa água, fluificando-a, para que aí sim, ela possa ser ingerida
A água magnetizada, indistintamente, atenderá a necessidades diferentes, já que variadas serão as energias a serem repostas?
Sim, a água magnetizada é um recurso de que dispomos e que nos serve para diversos fins. Afinal, quando o nosso corpo não está bem ou nós não estamos bem, são vários os sintomas e tormentos, mas o estado espiritual e psicológico é semelhante.
Tanto o passe, quanto a água magnetizada atuam em nosso organismo e também no nosso perispírito, e automaticamente as energias são repostas. Mobilizando nossa vontade, podemos, também, canalizar essas energias que estão chegando, ajudando no processo de cura. A oração potencializa os efeitos da água magnetizada.
Mas, os amigos espirituais não podem magnetizar a água independente da leitura do evangelho (ou de outro livro espiritualista elevado)?
Quando bons espíritos estão conosco, eles sabem das nossas necessidades e no intuito de ajudar, podem sim. Mas como saber que bons espíritos estão conosco?
Então, a leitura do evangelho prepara o ambiente para que esses irmãos possam estar mais perto de nós. Mas pode ser qualquer leitura edificante que eleve as vibrações humanas, ou pode ser uma música, também. Em geral, qualquer elemento que possibilite a harmonização, concentração e canalização do nosso magnetismo, que se unirá ao magnetismo espiritual trazido pelos bons espíritos para que a água seja magnetizada.
Assim como o passe pode influenciar na água, estímulos sonoros também influenciam?
A experiência do pesquisador japonês dr. Emoto mostra que a música também modifica a forma com que as moléculas de água se arranjam. Isto por causa da vibração (física) que a música provoca mais o valor moral agregado a essa música causam esse efeito.
Por que alguns centros espíritas usam somente garrafas de vidro, outros utilizam de plástico... existe algum propósito nisso? É preciso tirar a tampa da garrafa para que ela seja magnetizada?
Na verdade quem escolhe o material da garrafa é a pessoa que leva a garrafa. Pelo menos assim eu vejo.
Não e interessante o dirigente da casa espírita estipular somente um tipo de material de garrafa. Isso não está escrito em nenhum lugar da codificação. O participante deve levar a garrafa que ele ache mais adequado para guardar a água que será magnetizada.
Quanto a tirar a tampa ou não, vemos que é indiferente. Ora, se nosso pensamento se propaga ao infinito e os bloqueios materiais não são entraves aos espíritos, pode-se magnetizar a água com ou sem tampa, sem nenhum constrangimento.
Há pessoas botam um copo de água na casa para captar todas as energias negativas. Esse método também funciona?
A água que está no copo terá seu arranjo molecular modificado pelas vibrações do ambiente, sem que isso signifique que a água irá absorver ou filtrar as vibrações. Elas permanecerão lá, somente impressionarão a água. Para se mudar a vibração de um ambiente, precisamos mudar o nosso hálito mental, o que nos exige bastante esforço, devido nossa indisciplina mental.
Para encerrar, deixe-nos uma mensagem.
Gostaria de deixar essa mensagem: nossos pensamentos influenciam na psicosfera regional, e por isso, nossa evolução moral refletirá na evolução de toda a sociedade.
Precisamos cuidar melhor de nossos mananciais de água, pela necessidade de seu uso, como também, por essas propriedades maravilhosas que estamos pouco a pouco descobrindo. Que possamos sempre usar a água magnetizada em nossos tratamentos espirituais, psicoterapêuticos e físicos, entendendo que nem sempre teremos o resultado esperado, devido ao nosso merecimento, mas é claro que a melhora sempre vem, aliviando nossas dores.
E que possamos passar esse conhecimento adiante para que mais pessoas sejam beneficiadas.

Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 37

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os fenômenos anímicos e o Espiritismo


Há mais de 10 anos conheço uma jovem que, vez ou outra, passa por certas dificuldades, as quais acontecem com ela desde criança. São crises de ausência, transe prolongado, força física exacerbada, saídas conscientes do corpo, percepções extrasensoriais, etc., sendo tudo isto reputado a um prolongado e difícil problema obsessivo. Tratamentos desobsessivos foram tentados ao longo do tempo com poucos resultados positivos.
Não faz muito tempo, ao ler Magnetismo Espiritual de Michaellus, a “ficha foi caindo” a cada capítulo. Descobri que esta irmã é sonâmbula.
Ficou claro para mim, naquele momento, o porquê do desdobramento consciente, da insensibilidade física, da dupla vista. Aquilo que sempre foi tido à conta de obsessão, nada mais é do que sonambulismo natural que, mal orientado, tem provocado distúrbios diversos na vida dela e dos que lhe rodeiam. Como foi possível ninguém ter percebido esta ligação?
Inclusive eu, nunca tinha pensado nesta possibilidade até a leitura do livro, o que me causa uma certa vergonha.
Afinal de contas, Kardec deixou um capítulo inteiro (e extenso) escrito em O Livro dos Espíritos sobre os fenômenos anímicos intitulado “Emancipação da Alma”.
Nas demais obras da Codificação existem muitas referências ao assunto, tanto quanto na Revista Espírita nos seus diversos volumes.
E eu que já li e reli O Livro dos Espíritos inúmeras vezes!
Será que estamos sabendo estudar Kardec? De outra forma: será que estamos dando o devido valor às obras do codificador? Quantos espíritas será que existem que fazem confusão entre os fenômenos anímicos e os fenômenos mediúnicos e que todo tipo de dificuldade enfrentada, remete à influência dos Espíritos? Conhecer então a importância do sonambulismo para o Espiritismo... nem pensar. Para ilustrar, transcrevo abaixo o e-mail que uma amiga espírita me enviou.
Trabalho em um Centro Espírita onde estudamos a polaridade como uma técnica de passe (se é que assim posso dizer). Estudamos um livro de Richard Gordon "A cura pelas mãos". Daí comecei a sentir dores pelo corpo no momento de aplicação.
Curiosamente eu senti uma dor na perna esquerda em um paciente e, quando ele voltou, oito dias depois, mancava e sentia dor na mesma perna (lá nós não comentamos nada com os pacientes, às vezes sutilmente percebemos ou o mesmo fala); depois comecei a ver manchas escuras que passeiam pelo corpo; certa feita vi minha mão entrar no corpo e voltar com algo redondo e escuro e tinha a sensação que segurava algo. Quando toco nos pacientes, às vezes é como se suas células conversassem comigo e me dissessem de “algo” fisico ou psíquico. Recentemente, vejo por dentro do corpo humano como um ultrassom de última geração em 3D e colorido. Não são em todos os pacientes, varia muito. Vejo médicos, cirurgias e, por vezes, com auxílio de irmãos espirituais alivio dores. Em outros momentos aumento estas dores. Até agora fiquei quieta, achei que o telefone só toca de lá prá cá. Mas, como vem aumentando os detalhes, acho que devo aprender e auxiliar os “amigos”. Só não sei como, às vezes fico na dúvida do que sinto e vejo e nada falo aos amigos médiuns que me cercam. Antes que você pense, não tenho formação na área de saúde. Depois disso tudo, leio e, quando vejo os orgãos, recorro aos mapas de anatomia e fico pasma, são iguais. O que devo fazer? Você pode me ajudar? As pessoas que converso aqui me dizem que estou em desenvolvimento mediúnico, faz oito anos, que tudo isso acontece. Já esperei demais sem me aprofundar, sei que os amigos espirituais precisam de instrumentos afinados. Agradeço mais uma vez.
Muita paz.
Dá para imaginar o drama desta irmã, possuindo inúmeras faculdades valiosas que podem e devem ser utilizadas para beneficiar o próximo, porém, sem conhecimentos adequados por parte dela e das pessoas com as quais convive nas atividades do Centro Espírita.
Aquilo que se tem entendido como mediunidade, pode-se ver que é fenômeno anímico, ou seja, faculdades da própria alma encarnada, como por exemplo, percepções e sensações com relação às desarmonias do paciente, visão interna dos órgãos físicos, dupla vista. Ao que parece, existe uma capacidade mediúnica, porém complementada por uma bela faculdade anímica. São, portanto, recursos medianímicos que necessitam de estudo por parte da sua portadora e de todos os envolvidos, a fim de se encontrar formas adequadas de aproveitá-los para o benefício do próximo.
Muitas Casas Espíritas não contemplam estes assuntos em seus estudos doutrinários. Além do mais, as pessoas não podem comentar o que sentem e, quando comentam, recebem respostas ou explicações evasivas e superficiais. Os pacientes também não podem relatar o que sentem a fim de se fazer um acompanhamento eficiente das suas problemáticas. E quanto se aprenderia com estes relatos! Sendo assim, é preciso adequar as estruturas de trabalho pois, do contrário, pode-se simplesmente desperdiçar estas oportunidades por não se saber lidar com elas ou por força de uma estrutura que não condiz com os instrumentos humanos e psíquicos disponíveis.
Inúmeras “Casas” não oferecem condições nos seus trabalhos de cura para que se possa acompanhar a situação do paciente ao longo do tratamento, nem estabelecem trocas de experiência entre os trabalhadores, onde facilmente se detectaria as ansiedades e angústias de pessoas como a autora do e-mail acima.
Não é à toa que o magnetismo e o sonambulismo são tão desconhecidos por nós espíritas, o que realça a nossa ignorância. Logicamente, não estou generalizando pois há inúmeros companheiros que se dedicam ao aprendizado teórico e prático destes fenômenos que formam a base do Espiritismo. É do conhecimento de todos, acredito, que toda mediunidade tem seu pilar de sustentação nos fenômenos de emancipação da alma.
Evolutivamente, a faculdade mediúnica surgiu a partir do momento em que o espírito encarnado desenvolveu a capacidade de dissociar-se do corpo físico iniciando, cada vez de forma mais direta, os contatos com os seres de outras dimensões que, aos poucos, procederam ao processo de transmissão mental através do indivíduo em transe, vindo, com o tempo, a surgirem as mais variadas nuances mediúnicas tão bem estudadas por Allan Kardec e que compõem as suas obras.
Os fenômenos anímicos se revestem da maior importância para a ciência magnética no ponto em que esta engloba desde a telepatia e a visão à distância, passando pela dupla vista, catalepsia e letargia até chegar ao êxtase, dentre outros. Todas estas variações da emancipação da alma já eram conhecidas dos magnetizadores antigos, inclusive de Kardec, mesmo antes do surgimento da Doutrina Espírita.
Através do sonambulismo, por exemplo, os magnetizadores detectaram a existência do Espírito como princípio imortal no ser humano.
O sonâmbulo, que a maioria das pessoas só conhece como sendo alguém que acorda no meio da noite e caminha pela casa (sonambulismo natural), era utilizado largamente pelos magnetizadores durante os tratamentos, quando a faculdade se manifestava espontaneamente no paciente, como meio de diagnóstico e orientação quanto ao método de cura. Estes indivíduos que conseguiam realizar as maiores proezas psíquicas como enxergar o interior do seu corpo físico e detectar as doenças, ver através das paredes ou de qualquer corpo opaco, ler com os olhos vendados, captar pensamentos, ver à distância, tornar-se insensíveis à dor, etc., provavam, através destas faculdades, que existe algo no ser humano que não pode ser físico pois que transcende a todas as possibilidades de realização dos sentidos físicos.
E saber que Kardec estudou tudo isto e colocou na Codificação Espírita. Pena que nos grupos de estudo, nas palestras, seminários, congressos, etc. este tema é tão pouco abordado. Não é que dou menor valor à mediunidade, em hipótese alguma, mas é que nós encarnados somos também Espíritos. E todas as faculdades que aqui relatamos, e ainda outras, fazem parte da herança espiritual que carregamos. Somos dotados destas capacidades em menor ou maior grau por que somos Espíritos. E muita gente as possui sem se dar conta, muitas vezes confundindo com mediunidade ou mesmo com obsessão.
A única saída é repensarmos a nossa maneira de estudar e aprender Kardec. Deixar de lado o “fulano disse que é assim” ou “o Espírito tal disse que é assim” e voltarmos a usar a lógica que Kardec sempre utilizou. E em matéria de lógica Kardec é exemplar.
Alguns fenômenos anímicos definidos por Kardec:
SONO: momento de repouso do corpo quando o Espírito, aproveitando que os laços que o ligam ao corpo afrouxam-se e não precisando este último da sua presença, se lança no espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
SONHO: é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Nem sempre sonhamos por que nem sempre nos lembramos do que vimos ou de tudo que vimos. Devido a não termos a alma em pleno desenvolvimento das faculdades, não nos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a partida ou o regresso ao corpo, à qual se junta a lembrança do que fizemos ou do que nos preocupa no estado de vigília.
TELEPATIA: comunicação de pensamento com outros Espíritos, encarnados ou desencarnados, mesmo em vigília, embora o faça mais dificilmente.
LETARGIA: perda momentânea da sensibilidade e do movimento. A suspensão das forças vitais se dá de forma geral dando ao corpo todas as aparências da morte.
CATALEPSIA: semelhante à letargia, só que de forma localizada, podendo afetar uma parte mais ou menos extensa do corpo e deixando a inteligência livre para se manifestar.
SONAMBULISMO: estado de independência da alma em que esta se encontra na posse plena de si mesma. Pode ser natural ou magnético (provocado) e ocorre principalmente durante o sono. O sonâmbulo pode adquirir a clarividência com a qual pode ver à distância, através de corpos opacos, ou ainda demonstrar conhecimentos que não expressa no estado de vigília. Pode também conversar com Espíritos e deles receber orientações.
ÊXTASE: estado em que a alma se encontra mais independente ainda do que no sonambulismo. A alma do extático penetra nos Mundos Superiores, vê os Espíritos que lá habitam e compreende a sua felicidade.
DUPLA VISTA: é a vista da alma, embora o corpo não esteja adormecido. Dá a quem a possui a faculdade de ver, ouvir e sentir além dos limites do nossos sentidos. Percebem as coisas ausentes por toda parte onde a alma possa estender a sua ação; veem, por assim dizer, através da vista ordinária e como por uma espécie de miragem.

Extraído de O Livro dos Espíritos, cap. Emancipação da Alma.