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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SONAMBULISMO NA PRÁTICA


SONAMBULISMO NA PRÁTICA
Adilson Mota
Na segunda edição do Jornal Vórtice, de julho de 2008, escrevemos artigo acerca do sonambulismo e suas características. Trataremos, hoje, dos aspectos práticos relativos ao fenômeno sonambúlico, ou seja, como reconhecer um sonâmbulo e como aproveitar as suas faculdades.
Há um ano e meio vimos trabalhando com o sonambulismo através de duas sonâmbulas, das quais a primeira foi descoberta ao ser tratada magneticamente. Ao receber passes, ela via-se fora do corpo, recebia instruções espirituais, orientava telepaticamente o magnetizador quanto às técnicas que deveriam ser utilizadas, via o ambiente material estando de olhos fechados, enxergava à distância, a maioria das informações podendo ser comprovadas após o término da aplicação.
A nossa ignorância no assunto dificultava o entendimento, deixando-nos indiferentes com relação ao que acontecia, até percebermos que aquele fenômeno se chamava sonambulismo.
O desconhecimento do assunto é a maior dificuldade que se apresenta. Os fenômenos que Kardec chamou de “fenômenos de emancipação da alma” são muitas vezes ignorados ou confundidos com mediunidade, fazendo se perca, às vezes, bons trabalhadores nesta área. Graças à análise apressada aliada à falta de conhecimento, muita gente tem, ainda, desenvolvido o medo das próprias faculdades, confundindo o sonambulismo com obsessão.
A melhor forma de saber se alguém é sonâmbulo é conversando com ele quando o transe chega. Através do diálogo, se poderá diferenciar um processo mediúnico ou obsessivo do sonambulismo. As respostas atestarão a presença de um terceiro ser (um Espírito desencarnado) ou a capacidade do próprio encarnado de se relacionar e conversar conosco, mesmo estando desprendido parcialmente do corpo físico. Se for um Espírito, ele poderá dizer que o é, se identificar, inclusive. Se tratando de um sonâmbulo, ele dirá que é ele mesmo que fala, podendo descrever as pessoas e coisas que percebe, seja do mundo físico ou espiritual, dentre outras capacidades, se ele já as tiver desenvolvido.
É importante saber que nenhum sonâmbulo é igual ao outro.
Apesar de haver características gerais, os graus de percepção, os níveis de transe, as potencialidades, enfim, de cada um, são muito particulares. Enquanto alguns veem os Espíritos, outros apenas os entreveem; alguns ouvem os Espíritos, outros captam seus pensamentos intuitivamente; há os que enxergam à distância ou através de obstáculos materiais, veem o interior do organismo físico, comunicamse telepaticamente, veem-se fora do corpo físico, enquanto outros o conseguem mais ou menos. É importante para quem vai lidar com o sonâmbulo saber destas diferenças a fim de não tentar lhe impor o desenvolvimento de um aspecto que ele não possui. O mais recomendável é que a faculdade desenvolva-se naturalmente, devendo, o magnetizador, apenas aproveitar da melhor forma os recursos disponíveis em cada sujet.
Apesar do caráter espontâneo que deve haver para o desenvolvimento das faculdades sonambúlicas, o magnetizador não será um sujeito passivo. Ele não é apenas o doador de fluidos para a magnetização que levará o  sujet ao transe e aos estágios sonambúlicos. O magnetizador é mais do que isso. Ele é o cuidador, controlador e direcionador do trabalho, a fim de que o mesmo alcance os resultados desejados.
Durante todo o transcorrer da sessão sonambúlica, deve o magnetizador zelar pela integridade física e psíquica do sonâmbulo, a começar pela acomodação do mesmo, pois este, em certo estágio do transe, perde o controle dos movimentos voluntários, com exceção dos que são necessários à fala. Deve, ainda, haver confiança recíproca, a fim de que o sonâmbulo mantenha a sua serenidade em qualquer percalço durante a tarefa, para que se entregue ao trabalho sabendo que alguém vela por ele. As nossas
sonâmbulas, às vezes, quando diante de uma situação espiritual muito negativa, relatam dificuldades de percepção.
É o momento em que fazemos uma prece, juntamente com elas, o que as deixa mais seguras e confiantes, além de que as dificuldades encontradas se desvanecem. O magnetizador pode, com a voz mesmo, infundir-lhe serenidade, segurança e confiança na Espiritualidade e em si mesmo. A cada sessão, vai-se criando uma interação magnética intensa entre magnetizador e sonâmbulo, ao ponto das disposições íntimas e dos pensamentos do magnetizador poderem interferir nos resultados alcançados pelo sonâmbulo.
Esta relação magnética, aumentando com o tempo, faz com que a necessidade de magnetização para provocar o transe seja reduzida bastando, às vezes, um comando de voz para o transe sonambúlico acontecer.
Não devem ser esperados, de início, grandes resultados. É um desenvolvimento que o exercício irá fazer através do tempo, com paciência e serenidade.
Os recursos oferecidos pelo  sujet devem ser deixados se manifestar espontaneamente, mas isto não deve ser tomado de forma absoluta, é preciso um direcionamento. E este é feito pelo magnetizador. No trabalho que realizamos, a cada sessão selecionamos um paciente a ser verificado. Mais abaixo, analisaremos a questão da quantidade de pacientes e da duração do trabalho. Pois bem, sem esta definição, o sonâmbulo poderia “ver” qualquer um que quisesse. Apesar disto ter um lado positivo, pois podemos colher informações sobre determinado paciente que, talvez, jamais averiguássemos, por outro lado, pode ser improdutivo.
O mesmo com relação aos detalhes referentes a cada paciente. O sonâmbulo deve ficar à vontade para relatar todas as desarmonias que percebe, o que não impede que, de vez em quando o magnetizador lhe peça para verificar este ou aquele órgão, este ou aquele centro de força, este ou aquele aspecto seja físico, energético, emocional ou espiritual. Dessa maneira, o rendimento se torna muito maior e mais rico.
Alguns dos leitores podem estar se questionando neste momento: e se isto o induzir a percepções ilusórias, ou seja, a perceber coisas criadas pela sua mente e não percepções reais a respeito do paciente? Não deveria, para evitar este percalço, deixar tudo acontecer espontaneamente? Primeiramente, compreenda-se que a espontaneidade não é garantia de autenticidade, pois a mente do sonâmbulo funciona sozinha e, a despeito do magnetizador, pode fantasiar. Em segundo lugar, há um meio que é o mais seguro para se saber da fidedignidade destas informações, que é a análise.
Todas as recomendações dadas por Allan Kardec relativas às comunicações mediúnicas devem ser seguidas com relação ao sonambulismo. Devem ser passadas pelo crivo da lógica e da razão, questionadas, comparadas. Só assim, chegaremos a discernir acerca do seu grau de confiabilidade.
Há mais um motivo para o magnetizador direcionar o trabalho quando necessário. Fora do corpo físico toma, o ser, uma maior independência e, sendo possuidor de vontade própria, pode, de início, por conta da inexperiência, tomar o rumo que quiser, ou quando há diferença entre os seus desejos enquanto no corpo físico e de quando liberto do mesmo. Neste caso, é necessário que o magnetizador chame o sonâmbulo ao trabalho a fim de que as suas finalidades sejam alcançadas.
A pergunta seguinte é: como estruturar um trabalho usando o sonambulismo?
O trabalho pode ser com um só sonâmbulo ou com vários, necessitando de um magnetizador para cada. É preciso, como já dito acima, que os sonâmbulos estejam bem acomodados, podendo ser em cadeiras ou em macas. Inicia-se com uma prece, após a qual se realiza a magnetização, certificandose de que o sonâmbulo esteja à vontade e relaxado.
O que fazer em seguida, somente a experiência poderá dizer, bem como os objetivos e propósitos de cada grupo e sessão. Pode-se verificar a situação de um ou de vários pacientes. Pode-se, inclusive, pedir a todos os sonâmbulos para diagnosticarem a situação do mesmo paciente para efeito de comparação dos resultados.
Terminados os relatos e não havendo mais nada que o sonâmbulo queira comunicar, inicia-se a desmagnetização, não sem antes deixá-lo amparado e tranquilo quanto ao retorno e ao bem-estar que deverá sentir depois que despertar. É comum, nas primeiras sessões, o sonâmbulo reclamar, ao retornar completamente ao corpo físico, de algumas dores e incômodos, muitas vezes originários das tensões e nervosismos do iniciante. Estas sensações podem ser atenuadas, caso o magnetizador tome as devidas precauções antes de fazê-lo retomar a sua consciência. Para isto, deve-se executar a desmagnetização sem pressa, longamente, podendo, ainda, sugerir verbalmente ao sonâmbulo ideias de bem estar, leveza e tranquilidade. Após a desmagnetização, faz-se uma prece de encerramento. No trabalho que realizamos, costumamos após todo o encerramento trocar impressões com as sonâmbulas, com vistas ao aprendizado geral.
Quanto à duração de cada sessão, não há regra, depende da disponibilidade dos participantes, devendo levar em conta o bom senso, pois há dispêndios de energia tanto por parte do sonâmbulo quanto do magnetizador.
Pode ainda ser aproveitado o sonambulismo de algum paciente, durante a aplicação de passes, quando o mesmo ocorre espontaneamente. Assim sendo, ele mesmo verificará a sua situação de doença, suas desarmonias e poderá dar indicações e recomendações de tratamento.
Uma última questão a analisar é com relação ao discernimento quanto àquilo que seja proveniente da faculdade sonambúlica ou da participação de Espíritos durante a sessão. O primeiro ponto é que devemos conquistar a confiança da Espiritualidade, atraindo os Bons Espíritos através dos propósitos elevados do trabalho, pautado no bem do próximo e da busca de aprendizado sincero, excluída toda curiosidade malsã. Assim sendo, eles auxiliarão muito mais do que se possa imaginar. Participarão de todo o processo, desde proteção até direcionamentos e informações. O segundo ponto é que às vezes é muito difícil ou até mesmo impossível delimitar onde termina a participação do sonâmbulo e começa a dos Espíritos. Na maioria das vezes, o sonâmbulo consegue fazer este discernimento. Uma das sonâmbulas com as quais trabalhamos faz todas as verificações sozinha a respeito do paciente. Quanto às técnicas magnéticas para o tratamento, ela transmite a orientação dada pelos Espíritos. Lembrando que esta não é uma regra para todos os sonâmbulos. O último ponto é que, quase sempre, fazer essa distinção não é o importante, mas sim o conteúdo informado, que deve sempre ser analisado.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 05, outubro/2010    
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