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terça-feira, 3 de julho de 2012

MAGNETISMO CLÁSSICO (Jornal do Magnetismo critica o Espiritismo)

Mais uma tradução da nossa irmã Lizarbe de texto extraído do Jornal do Magnetismo, págs 162 a 168 de 1858, dirigido pelo grande magnetizador e amigo de Kardec, Barão Du Potet. O artigo dá uma pequena mostra das muitas críticas que o codificador teve que suportar para que a Humanidade pudesse ter os conhecimentos espíritas à sua disposiçãoDe início incrédulo, mais tarde o Barão du Potet se torna espírita, diante dos inúmeros fatos da realidade espiritual constatados durante as sessões de sonambulismo que ele presenciou.
O espiritualismo faz grandes progressos já há alguns anos, sobretudo na América; os prodígios os quais se atribui tem excitado vivamente a curiosidade pública, os grandes feitos do famoso médium Home tem tido tanta repercussão que era de se esperar o surgimento de um órgão especialmente consagrado ao sobrenatural. O Sr. Allan Kardec, diretor da Revista Espírita, é autor de obra notável intitulada “Livro dos Espíritos”, tem a modéstia de tomar apenas o título de secretário dos Espíritos os quais ditaram aos médiuns; ele declara que teve somente a tarefa de colocar em ordem os materiais obtidos. Nós vemos com prazer esta nova tribuna aberta à discussão de questões tão controversas e cuja solução interessa grandemente à humanidade. O debate é bem animado, a luta, das mais ardentes. É bom que cada lado tenha seus campeões e faça valer todos os seus talentos. A ciência não pode ficar indiferente quanto a esses fatos bizarros, maravilhosos, cujas narrações nos chegam diariamente. É preciso um exame aprofundado para apreciá-los.
Os dois números publicados contêm dissertações interessantes, algumas narrações de fenômenos espiritualistas e trechos apresentados como obra de espíritos ditadas aos médiuns. Os autores parecem animados por uma convicção perfeita e por um zelo ardente de proselitismo; seria desejável que eles trouxessem uma crítica severa na admissão de fatos tão mais difíceis de fazer aceitar por se tratar de coisas maravilhosas.
A revista discute com certo azedume a história do famoso desafio cujo resultado causou algum enfado no campo espiritualista.
Uma oferta de 500 dólares (2500 francos) foi feita pelo intermediário do Correio de Boston a toda pessoa que, na presença de certo número de professores da Universidade de Cambridge, reproduzisse alguns desses fenômenos misteriosos que os espiritualistas dizem ter sido produzidos comumente pelos intermediários desses agentes, chamados médiuns.
O desafio foi aceito pelo doutor Gardner e por várias pessoas que se gabaram de estar em comunicação com os espíritos. Os concorrentes se reuniram nos edifícios de Albion, em Boston; entre eles destacamos as senhoritas Fox, que se tornaram tão célebres neste gênero. A comissão encarregada de examinar as pretensões dos aspirantes ao prêmio se compunha dos professores Pierce, Agassiz, Gonld e Horzford, todos os quatro sábios distintos. As tentativas espiritualistas duraram vários dias; eles foram infrutíferos, assim como constatou o seguinte trecho do relatório da comissão: “A comissão declara que o Sr. Gardner não conseguiu lhe apresentar um agente ou médium que revelasse a palavra confiada aos espíritos num quarto vizinho; que lesse a palavra inglesa escrita no interior de um livro sobre uma folha de papel dobrado, que respondesse a uma questão que só as inteligências superiores podem saber; que fizesse ressoar um piano sem tocá-lo ou avançar uma mesa de um pé sem impulsão das mãos; se mostrando incapaz de dar à comissão testemunho de um fenômeno que se pudesse, mesmo usando de uma interpretação larga e benevolente, ver como equivalente às provas propostas, de um fenômeno que exigisse para a sua produção a intervenção de um espírito, supondo ou implicando ao menos esta intervenção; de um fenômeno desconhecido até aqui pela ciência ou cuja causa não fosse imediatamente assinável pela comissão, palpável por ela, ninguém pode exigir do Correio de Boston a entrega da soma proposta de 500 dólares”.
O Sr. Kardec, longe de ser abalado por este revés, alega que os fenômenos do espiritualismo não são daqueles que se possa reproduzir à vontade, que os espíritos é que são seus autores agindo quando melhor lhes pareça e não às nossas ordens, que eles escolhem seus gêneros de manifestações, que as desconfianças lhes irritam, que eles têm antipatias por certas pessoas, sobretudo, pelos incrédulos e que o incentivo de um prêmio pecuniário, longe de facilitar as comunicações, devia, antes, prejudicá-las.
Todos estes argumentos têm um vício capital que é supor resolvido o que ainda está em questão, ou seja, a partir da realidade dos fatos é que se trataria de verificar, e em seguida, a produção destes fatos pelos espíritos. Enquanto estes dois pontos não forem provados será se perder no vazio, dissertar a perder de vista sobre o costume e o caráter de espíritos cuja própria existência é problemática. Vocês nos alegam fatos prodigiosos, vocês pretendem que nada seja mais comum, que eles se apresentem diariamente em suas reuniões e vocês admoestam rudemente a incredulidade daqueles que recusam admitir e, quando nós lhes pedimos para ver, tudo desaparece; resta apenas sua asserção, que não é suficiente para nós; é apenas nos mostrando testemunhos destes feitos que vocês poderão nos convencer.
Os espiritualistas se contradizem quando afirmam que seus fenômenos não são de natureza a se reproduzir sob seu comando, pois eles colocam na classe das manifestações espirituais os fenômenos dos médiuns escreventes; ora, é notório que cada um desses médiuns pode, a seu grado, pôr em ação a faculdade da qual é dotado e tem somente que pegar uma pena com a intenção de médium para que sua mão se ponha logo a escrever os ditados reputados espiritualistas. Se os espíritos que conduzem a mão dos médiuns estão assim, à disposição deles, por que não estariam os espíritos que movem as mesas, tocam acordeon, mostram as mãos, etc. ?
Que os espíritos escolham seus gêneros de comunicação, que seja; mas por pouco sensatos que sejam, eles devem escolher manifestações inequívocas, capazes de trazer a convicção a todos os expectadores. E quando se responde, em nome destes espíritos, que eles não querem se submeter às provas, é um reconhecimento de impotência ou o abandono da missão e eles atribuída, de esclarecer a humanidade.
Espíritos elevados, como se supõe, não podem se ofender com suspeitas perfeitamente legítimas da parte de pessoas que não tem motivo algum para crer em semelhantes intervenções e às quais a prudência cumpre o dever de estar em guarda contra as fraudes e ao arrastamento cego.
Quanto à pretendida antipatia dos espíritos contra os incrédulos, é impossível de ver, nesta alegação outra coisa que uma maneira cômoda de evitar o olhar vigilante de observadores atentos. Um espiritualista que mora no quarto andar me assegurou que bastava eu por os pés no primeiro degrau da escada para fazer cessar, na casa dele, todas as manifestações. Se for assim, eu sou o senhor dos espíritos, pois minha presença lhes tira subitamente da inércia e eu sou o maior dos exorcistas. É lamentável que não tenha sido encontrado um homem como eu para trazer à razão todos os diabos de Loudun; ter-se-ia evitado de recorrer aos pobres jesuítas que suaram sangue durante mais de dois anos e terminaram eles mesmos possuídos pelos diabos que queriam caçar.
Quanto à questão pecuniária, certamente o desapego é uma bela virtude e desejamos, como o Sr. Kardec, encontrá-la entre todos os médiuns. Mas aqueles, em se apresentando ao concurso, podiam ter em vista apenas o triunfo da verdade e nada os teria impedido, em caso de sucesso, de empregar nem os médiuns, nem os espíritos; uns e outros deviam, ao contrário, sair vitoriosos de uma prova que tinha como juízes excelentes observadores e que teria sido decisiva.
Além disso, uma multidão de médiuns, tanto na América como na França e, notadamente as senhoritas Fox, fazem pagar por suas sessões e não lhes reprovamos visto que o padre, ele mesmo, deve viver do altar. Bem, a remuneração que recebem estes médiuns não lhes retira suas faculdades as quais entram em ação a seu comando, cada vez que um cliente se apresenta.
Vê-se que as razões dadas pelo Sr. Kardec não valem grande coisa. Ele teria sido mais sábio se dissesse que um fato negativo nada prova, que ele é isolado, que a questão permanece e que aqueles que buscam sinceramente a verdade devem estudar com perseverança e multiplicar as tentativas para conseguir arrancar da natureza seus segredos.
O Sr. Kardec expõe a hierarquia dos espíritos, suas funções, seu caráter, etc. e procede à maneira dos reveladores, sem discutir, como se estivesse persuadido de que todos devem se inclinar com respeito diante de sua palavra. Temos o direito de lhe perguntar de onde ele tirou essas afirmações. Só pode ser das “jóias” que são seus oráculos. Sem examinar qual é o valor destas comunicações, nos contentaremos em lhes objetar a enorme divergência que se encontra nos resultados assim obtidos. Os médiuns nos dão sistemas contraditórios que não podem ser todos verdadeiros. Para discernir a verdade, nos dizem eles, é preciso escutar somente os bons espíritos; mas por qual sinal podemos reconhecê-los? Eles nos respondem que é pela natureza de seus ditados. Este procedimento serve apenas para eliminar os ditados evidentemente grosseiros, imorais, ineptos. Porém, entre os outros, nos quais se encontra uma moral pura, uma linguagem nobre, nobres sentimentos, há desacordo sobre a doutrina. Escolher caprichosamente o sistema que mais nos apraz não é agir filosoficamente, visto que este sistema não desfruta de nenhum caráter de superioridade que estabeleça entre ele e os outros, uma diferença nítida. Então se está reduzido a adotar somente o que confirma a razão e a relegar todo o resto para o domínio das hipóteses. Lamentamos que o Sr. Kardec não tenha procedido com esta sábia reserva, que tenha acolhido precipitadamente sistemas sem justificada exatidão e que, em lugar de trabalhar, como ele poderia, pelo progresso da ciência, ele tende (talvez sem saber) a fundar uma seita de iluminados, uma pequena igreja, na qual as “jóias” substituiriam a sagrada trindade.
Eles nos dão ditados de São Luís*. Nós já tivemos ocasião de assinalar a quais riscos de erros se expõe quem aceita assim as declarações dos médiuns sobre a origem de suas comunicações. Mesmo se admitindo a intervenção dos espíritos, a identidade deles não pode ser constatada e os mais eminentes espiritualistas confessaram ter sido enganados por espíritos que se atribuíam, falsamente, o nome de grandes personagens. Nenhum critério conhecido pode servir para controlar estas declarações. Neste caso particular, o ditado consiste em banalidades sobre a avareza; certamente não há nada, nem no fundo e nem na forma, que denote a personalidade do bom rei, nada que ultrapasse o portal intelectual do médium; o Sr. Kardec não se culpa por rejeitar arbitrariamente nos ditados espiritualistas, tudo o que não concordar com as idéias dele. Assim, o espírito de São Luís, tendo ensinado a eternidade das penas do inferno, o Sr. Kardec, que não admite este dogma, isentou-se de nos dizer que este espírito tem cientemente afirmado uma falsidade, mas que seus ditados são destinados aos espíritos de terceira classe (precisamente terceira, nem mais nem menos) a fim de aumentar seus sofrimentos fazendo-os acreditar que não terão fim. Esta explicação está longe de ser satisfatória, pois este ditado é feito não pelos espíritos incorpóreos de uma ordem qualquer, mas pelos homens terrestres e tem o grave inconveniente de lhes inculcar o que se reconhece como um erro. Este fato vem apoiar nossas observações sobre a impossibilidade de reconhecer alguma autoridade a semelhantes produções que se contradizem e sobre a necessidade de tudo submeter ao julgamento da razão. Além disso, se um espírito, por um motivo qualquer, se permite alterar a verdade, ele perde toda a confiança e não pode ser acreditado mesmo na qualidade a qual se atribui. Como então admitir a identidade do pretenso São Luís?
Nós não prolongaremos mais estas observações críticas. Saudamos a aparição de uma coletânea consagrada ao espiritualismo; ela tem um campo imenso a explorar e pode prestar importantes serviços. Mas nós lhes aconselhamos a tomar sempre a razão como guia, a não descartar a via experimental e a resistir ao impulso que leva os adeptos para um iluminismo perigoso e a não prestar seu concurso para restabelecer a semente do fanatismo e das velhas superstições.
A. S. MORIN
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