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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desobsessão sem Magnetismo, será possível?


Caros amigos, este é um “diálogo” de muitas perguntas e algumas sérias respostas, que necessitam profunda reflexão, pois falam diretamente à prática espírita e em uma área da qual somos, ou deveríamos ser, os melhores, senão os únicos habilitados a prestar auxílio.
Exagero? São palavras textuais de Kardec em seus estudos sobre magnetismo e obsessão publicados na Revista Espírita, em seis artigos, sob o título de Estudo sobre os Possessos de Morzine.
Neste estudo, Allan Kardec analisa o episódio de Morzine, um pequeno e distante povoado francês, onde ocorreu entre março de 1857 a 1861, o que ele denominou um caso de obsessão coletiva, epidêmica.
Os sintomas da epidemia eram que durante as crises os doentes, por exemplo, falavam a língua francesa e outros idiomas com correção, coisa que não faziam em estado “normal”; perdiam a vergonha e a afetividade pela família; davam respostas grosseiras, ímpias e insolentes; previam o futuro, revelavam o passado, manifestavam visão à distância; passadas as crises de nada se lembravam.
O médico responsável diagnosticou uma afecção nervosa causada pela fragilidade física dos pacientes desnutridos e que habitavam lugares insalubres, e mais, que a causa imediata devia-se ao estado histérico, pois a maioria dos pacientes pertencia ao sexo feminino e admitia, ainda, a existência de uma possessão demoníaca. Infrutíferos rituais de exorcismo foram realizados. A terapêutica, então, foi remeter os “enfermos” para diversos hospícios, evitando deixá-los juntos, sequer próximos, em um mesmo estabelecimento.
O diagnóstico, bem como as causas da estranha ocorrência é refutado por Kardec, pois nem os habitantes eram desnutridos, tampouco moravam em lugares insalubres, ao contrário, consta que tinham vida saudável; igualmente, não eram causas materiais a razão das estranhas ocorrências no povoado.
Opinando que o mal se devia a ação espiritual de cunho obsessivo afirmou que a cura deveria empregar meios muito diferentes.
“(...) um tempo virá, menos distante do que se pensa, em que a ação do mundo invisível sendo geralmente reconhecida, a influência dos maus Espíritos será alinhada entre as causas patológicas, será levado em conta o papel importante que o perispírito desempenha na fisiologia, e um novo caminho de cura será aberto para uma multidão de doenças reputadas incuráveis.” (RE mai/1863)
Do longo e completíssimo estudo apresentado acerca do perispírito nos textos que comentamos é de ressaltar-se o seguinte: ”Pela natureza fluídica e expansão do perispírito, o Espírito alcança o indivíduo sobre o qual quer agir, o cerca, o envolve, o penetra e o magnetiza”. (grifei) (RE jan/1863)
Bem, vejamos com atenção! Isto quer dizer que os Espíritos desencarnados empregam no processo obsessivo meios magnéticos através dos quais dominam o obsediado. Kardec revela a força por eles empregada, porém que é pouco comentada nos estudos sobre obsessão/desobsessão.
Linhas adiante em seus estudos, o Codificador nos explica didaticamente como se processa o fenômeno.
Merece ressalva que suas explicações não têm nenhum caráter de terrorismo mental, muito menos tratam do tema como uma luta entre as trevas e a luz, o bem e o mal. Longe desse pensamento maniqueísta, Kardec apresenta os fatos despidos de qualquer conotação de maravilhoso ou sobrenatural, ao contrário, são fenômenos típicos da natureza e da condição humana que ainda vivenciamos tão marcada por relações pessoais autoritárias, imperialistas para usar a sua terminologia. Diz ele, falando a pura razão, com a lógica e clareza de raciocínio que o caracteriza:
“Um espírito que quer agir sobre um indivíduo, aproxima-se dele e o envolve, por assim dizer, de seu perispírito, como de um casaco; os fluidos se penetrando, os dois pensamentos e as duas vontades se confundem, e o Espírito pode, então, se servir desse corpo como do seu próprio, fazê-lo agir segundo a sua vontade, falar, escrever, desenhar, etc; tais são os médiuns.” (RE dez/1862)
“Se o espírito é bom, sua ação é branda, benfazeja, não leva a fazer senão boas coisas; se ele é mau leva a fazer coisas más; se é perverso e mau, o aperta numa rede, paralisa até sua vontade, mesmo seu julgamento, que ele abafa sob seu fluido, como se abafa o fogo sob uma camada de ar; fá-lo pensar, falar, agir por si, leva-o, apesar dele, a atos extravagantes ou ridículos, em uma palavra, magnetiza-o, cataleptiza-o moralmente; e o indivíduo se torna um instrumento cego de suas vontades.” (RE dez/1862)
É cristalina a afirmação de que mentores espirituais e obsessores empregam os mesmos meios de ação nas suas interações com o mundo material, a diferença está na moral daquele que emprega a ferramenta ― o magnetismo ― e consequentemente os resultados produzidos.
Cataleptizar moralmente, o que será? A catalepsia é um dos fenômenos de efeito físico produzido pelo magnetismo, no qual ocorre a paralisação geral ou parcial seguida de insensibilidade dos órgãos afetados.
Deduzo que catalepsia moral seja o mesmo efeito de paralisação e insensibilidade, porém produzido sobre a mente, a alma, a vontade, produzida pela ação magnética do obsessor sobre o obsediado.
Este processo originará os diversos graus de intensidade com que se manifesta o fenômeno obsessivo: simples, fascinação ou subjugação.
Descrevendo a ação terapêutica a ser empregada nestes casos, Allan Kardec nos faz compreender que alguém “penetrado pelo fluido perispiritual de um mau Espírito; para que o bom possa agir sobre o médium é preciso que penetre esse envoltório, e sabe-se que a luz penetra dificilmente um espesso nevoeiro.
Segundo o grau de obsessão, esse nevoeiro será permanente, tenaz ou intermitente e, consequentemente, mais ou menos fácil de dissipar.”
Por esta colocação, parece óbvio que um terceiro haverá de interferir e desvestir o “casaco” posto no obsediado. Será ele que terá por tarefa dissipar, dispersar o nevoeiro? Quem será essa criatura? Um médico, como foi o enviado a Morzine no século XIX? Um psicólogo? Um terapeuta reikiano? Um magnetizador qualquer? Um mentor espiritual? Quem sabe o anjo da guarda?
Não, respondeu o espírito Erasto em reunião mediúnica na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris a Allan Kardec e afirmou que “são os magnetizadores, espiritualistas ou espíritas que seria preciso enviar para dissipar a legião dos maus Espíritos, perdidos em vosso planeta”. (RE mai/1862, Epidemia demoníaca em Savoie)
Qual seria a ação do magnetizador espírita em tais processos?
“(...) o magnetizador deve ter o duplo objetivo de opor uma força moral a uma força moral, e de produzir sobre o sujeito uma espécie de reação química, para nos servir de uma comparação material, expulsando um fluido por um outro fluido. Daí, não só opera um desligamento salutar, mas dá força aos órgãos enfraquecidos por uma longa e, frequentemente, vigorosa opressão.” (RE dez/1862)
Em outro trecho Kardec é ainda mais incisivo que o Espírito Erasto, dizendo: “(...) é de toda necessidade um magnetizador espírita, agindo com conhecimento de causa, com a intenção de produzir não o sonambulismo ou uma cura orgânica, mas os efeitos que acabamos de descrever”.
É comum em palestras espíritas, inclusive as de grande público ― me refiro àquelas para mais de 1000 pessoas ― ouvirem oradores falarem de epidemias obsessivas nos dias atuais, considerando-se essa informação como verdadeira. É urgentíssimo que se fale também a respeito da extrema necessidade de restituir ao estudo do magnetismo seu lugar de direito junto aos espíritas, sob pena de não mais se produzir o elemento imprescindível à cura dessa epidemia ― o magnetizador espírita.
Sendo assim, não tenho outra forma de encerrar essa reflexão senão compartilhando questionamentos. É possível mensurar as consequências do alijamento do conhecimento da ciência do magnetismo no meio espírita? Será, supondo que exista, uma ação magnética consciente, nas reuniões de desobsessão, operar-se junto ao obsediado promovendo a transformação apontada por Kardec, apenas com o emprego de imposição de mão por miseráveis segundos? Isso não é crer no maravilhoso e no sobrenatural?
Realmente não há como encerrar, prossiga daqui amigo e considere este ponto, uma vírgula.
                                                                    Ana Vargas
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