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domingo, 17 de junho de 2012

Analisando o Atual Momento Espirita - Parte 6


Uma panorâmica dolorosa sobre o que estão e estamos fazendo com a união entre o Espiritismo e o Magnetismo. Por Jacob Melo ( fevereiro 2012 )

Pergunta: Para respeitar a liberdade de consciência, dever-se-á deixar que se propaguem doutrinas perniciosas, ou poder-se-á, sem atentar contra aquela liberdade, procurar trazer ao caminho da verdade os que se transviaram obedecendo a falsos princípios?

Resposta: “Certamente que podeis e até deveis; mas, ensinai, a exemplo de Jesus, servindo-vos da brandura e da persuasão e não da força, o que seria pior do que a crença daquele a quem desejaríeis convencer. Se alguma coisa se pode impor é o bem e a fraternidade. Mas não cremos que o melhor meio de fazê-los admitidos seja obrar com violência. A convicção não se impõe.”

Na questão (841) acima, de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec expõe sua preocupação com a existência de doutrinas perniciosas bem como do comportamento que deveríamos ter em relação a elas. Na resposta foi dado o aval da lógica com amor; agir sim, mas sem violências.

No Novo Testamento, dentre outros momentos, temos Jesus também se referindo ao assunto. Destaco o que está em Mateus, 10-16 a 18: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Acautelai-vos dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas; e por minha causa sereis levados à presença dos governadores e dos reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios”.

A advertência de Jesus quanto ao que podem esperar aqueles que se propõem a ajustar os rumos pede prudência e simplicidade. Prudência e bom-senso andam de mãos dadas, como também estão simplicidade e base. Em termos de Espiritismo, focando o que venho tratando nesta série, o bom-senso kardequiano e a base kardequiana deveriam ser suficientes para as mudanças, os ajustes e as correções, todavia parece que a covardia tem ocupado a vaga do bom-senso e a conivência o assento da simplicidade.

Continuando com Mateus no mesmo capítulo, versículos 26 a 28, Jesus prossegue, como a complementar sua sábia advertência: “Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido. O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o que escutais ao ouvido, dos eirados pregai-o. E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma...”.

Depois de mais de dois meses sem postar outro artigo nesta página, ainda tratando do momento espírita em face do Magnetismo, percebo que há quem tenha refletido positivamente acerca de alguns dos desvios graves que vimos observando no âmago da vivência Espírita. O que é mais grave, entretanto, é que ainda não consigo ter em mim qualquer conclusão que justifique o procedimento da parte de uma maioria, inclusive dos que dizem conhecer a base kardequiana, aí incluindo-se dirigentes, palestrantes, orientadores, enfim, pessoas tidas como de alto nível de conhecimento espírita, e seguirem desenfreados, meio que desgovernados, sem destino e passando a ideia de que sabem exatamente para onde vão e o que esperam construir. Pior: levam no roldão uma quantidade enorme de pessoas muito crédulas e pouco atentas.

A mim me intriga sobremaneira que exista maior número de pessoas dispostas a se acomodarem e a quase nada fazerem para corrigir os rumos do que reconhecem estar desviados, do que empregarem a palavra, o empenho, o diálogo ou mesmo o exemplo para convencerem o que significa Doutrina Espírita.

Medo do sinédrio? Temor dos que imperam? Mas hoje já não contamos com esse tipo de tribunais, apesar de ser notório que existem divisões, não de forma explícita, mas com peso suficiente para afastar, denegrir, por sombras em quem não rezar pela cartilha de quem dirige. Entretanto, quem trabalha pelo e para o Bem, de quem e de onde espera alguma recompensa, algum troco?

São louvados os heróis do passado. Mesmer, hoje respeitadíssimo, foi vilipendiado, execrado, defenestrado de todo e qualquer meio político e acadêmico e se não foi morto ou condenado, deveu isso à sua coragem consistente, à sua determinação perseverante e ao fato de também ser uma “autoridade”, posto que portador dos títulos acadêmicos necessários.

Mas, quantos Mesmeres existem? Quantos falarão de dentro de nossas almas?

Alegar-se-á, certamente, que Mesmer não era espírita – em sua época o Espiritismo ainda não havia surgido. Com isso se pretenderá alijá-lo dessa Doutrina. Mas, conforme já tratei tantas vezes, foi Allan Kardec, e foram os Espíritos que nos trouxeram a Doutrina Espírita, quem apontaram-no como mestre da Ciência na qual devemos nos manter apoiados.

Entretanto, eu ficar repetindo isso parece não fazer qualquer eco onde deveria ressoar, Por isso quero novamente buscar a palavra dos Espíritos para não pensarem que penso sozinho.

Questão 627 de O Livro dos Espíritos: Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa?

E aqui está a resposta: “Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares. Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo. Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam. A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.” (grifos meus)

A hipocrisia; eis aí os Espíritos Superiores destacando-a. Semelhantemente a Jesus. E não pode ser de outra maneira; se não há fatos conhecidos que expliquem o porque dos desvios tão graves que veem sendo cometidos contra a base espírita -- e se há eles não são apresentados --, o manto que dá cobertura a tudo isso só pode ser essa figura mesmo: a hipocrisia. E os Espíritos não se fizeram de rogados não; basta vejamos outra questão do mesmo livro:

842. Por que indícios se poderá reconhecer, entre todas as doutrinas que alimentam a pretensão de ser a expressão única da verdade, a que tem o direito de se apresentar como tal?

Eis a resposta: “Será aquela que mais homens de bem e menos hipócritas fizer, isto é, pela prática da lei de amor na sua maior pureza e na sua mais ampla aplicação. Esse o sinal por que reconhecereis que uma doutrina é boa, visto que toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa.”

Menos hipócritas! Aqui surge uma inquietante pergunta: podem hipócritas gerar menos hpocrisia, menos hipócritas? Para um bom entendimento da pergunta destaco que a expressão aqui usada foi muito empregada por Jesus e pelos Espíritos Superiores, inclusive pelo próprio Allan Kadec. É uma palavra dura, cruel, mas não há sofismas que oculte seu efeito nocivo, seja em pessoas e em instituições, seja em quem for continuar vestindo faces de cordeiros e escondendo carrancas de lobos.

Fico imaginando que alguns pensarão: e onde está a mansuetude que Jacob referiu no início do artigo? E respondo: está na sinceridade desses argumentos. Argumentos duros, bem o sei, porem indispensáveis, notadamente quando quem está no barco sente que o comandante está deixando-o à deriva. Pois além de se estar perdendo o rumo, ainda se compromete desviando os rumos dos outros barcos. Daí ser conveniente ouvir os Espíritos novamente:

837. Que é o que resulta dos embaraços que se oponham à liberdade de consciência?

“Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar, fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.”

Nossa! Com isso fica até bastante pesado no tocante ao que podemos dizer ou pensar de quem age assim, não é mesmo? Ainda bem que foram os Espíritos quem disseram, senão... eu seria sacrificado!

Mas vamos concluir. Concluir de forma indagadora...

Será mesmo que quando se diz o que tem sido dito acerca de passes e ação dos Espíritos em cabines de passes, nesse universo de desisformação no qual nos encontramos, de desrespeito ao que Kardec e os Esíritos nos trouxeram, nesse imenso oceano de navegantes perdidos, estamos, de fato, contribuindo para que o Espiritismo seja a Doutrina que se propõe ser? Se assim for, para que estudar? Para que os Espíritos nos advertiram ser o progresso fruto do desenvolvimento intelectual e moral? Será que acreditar que apenas tal ou qual movimento ou não-movimento de mãos seja o suprassumo de uma ciência e, assim, com isso veremos transformados os aspectos científicos básicos do Espiritismo em tão singela atitude? Seria a Ciência Espirita e a ciência Magnetismo tão pobres? Será que difundir que “os Espíritos fazem tudo” é corresponder à verdade que o Espiritismo tão bem ensina em suas obras fundamentais? Será que os espíritas que difundem o “simplório da fé sem saber e sem fazer” sabem mesmo o que Allan Kardec e os Espíritos Superiores orientaram como base segura para avançarmos? Em meio a tantas dúvidas será que deveremos seguir na mesma atitude acomodada de “eles sabem o que fazem” e, com a maior tranquilidade, continuarmos “lavando as mãos”? Criticamos tanto a Pilatos, mas, é justo se questione, o que temos feito com os pedidos de respeito e socorro que a nossa vigorosa doutrina vem pedindo e os sofredores vem buscando? Estarão certos aqueles que desviam essa base apenas porque têm anos de atividades no currículo, contam com mediunidade explícita, são convidados especiais de grandes eventos, escrevem muitos livros ou simplesmente dirigem Casas ou setores mediunicos??? Nada pessoal e nem qualquer indireta a quem quer que seja, mas ou refletimos, corrijimos os rumos e somos o que devemos ser agora, ou depois não teremos o que reclamar ante o atraso de novos milênios que poderiam ser vencidos com decisões tomadas numa bem pensada encarnação.

Que qualquer pessoa emita sua opinião sobre o que quer que seja é um direito inalienável do ser humano; mas aqueles que tem responsabilidade de falar em nome do Maior, do Bem, do Senhor tirem ou deixem muito claro o que se trata de ponto de vista estritamente pessoal em certas recomendações, ou, como sabem, responderão tanto pelos equívocos em que se metem, como igualmente pela queda de muitos que lhes ouvem e crem em suas palavras.

Dizer que o passe espírita está dissociado do Magnetismo é NEGAR ALLAN KARDEC, não importa que quem o diga se afirme espírita legítimo; dizer que os Espíritos fazem tudo é desvirtuar completamente a grande verdade da Vida; seguir culpando ou apontando o não-merecimento pelas falhas e pelos erros que são cometidos nas cabines de passes não servirá de desculpas amanhã, pois a ninguém é dado o direito da alegação de não conhecer a lei – e, neste caso, a lei é o estudo verdadeiro de tudo o que aí está para quem quiser saber o quê, como, quando, onde e em quem fazer.

Ainda escreverei mais um artigo nesta série, mesmo lamentando que muitos que deveriam ler e refletir sobre tudo isso não lhe queira dar atenção.
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