Seja Bem Vindo ao Estudo do Magnetismo

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

M A G N E T I S M O C L Á S S I C O





DO TEMPO NECESSÁRIO PARA JULGAR A AÇÃO REAL DO MAGNETISMO
O magnetismo, por não produzir sempre os efeitos sensíveis e aparentes, torna necessário ser prudente e não decidir tão rápido que ele é impotente sobre o doente que começou o tratamento. Nas moléstias agudas que surgem de repente, é raro que o magnetismo não aja de maneira a mostrar logo todo o bem que ele pode fazer ou sua impotência. Geralmente quinze dias são suficientes para determinar e trazer efeitos reais e evidentes; mas já se viu também a ação se fazer sentir apenas ao fim de alguns meses. “Eu tive ocasião de ver, entre as doenças orgânicas inveteradas, diz o doutor Koreff, que a ação só começou a se manifestar após dois meses ou mesmo mais tarde." Vi também que o sono magnético se mostrou somente no fim da cura e que os sintomas do sonambulismo só se manifestaram na convalescença. Parecia então que toda a força era absorvida na esfera do mal orgânico. Eu tratei em Viena uma doença que afetou a cunhada do representante da Rússia. A cura aconteceu em alguns meses sem que eu tenha percebido o menor fenômeno magnético; a doença pareceu ficar estacionária durante algum tempo. Na surdez causada unicamente por uma afecção dinâmica do nervo, obtive várias vezes, curas completas, sem o menos fenômeno sensível. Um soldado ferido na batalha de Waterloo, atingido pelo tifo, que tinha produzido um abscesso na chaga da panturrilha, já minado pela febre, a diarréia, recusando-se obstinadamente à amputação, foi curado em dois meses pelo magnetismo sem que nenhum sintoma marcante se manifestasse nele. O pequeno número de fatos que acabei de relatar, acrescenta o Sr. Koreff (Carta do Sr. Korekff a Deleuze, Instruções Práticas, 403 a 407) são suficientes para provar que as curas pelo magnetismo nem sempre são precedidas pelos efeitos que anunciam sua ação e que não é preciso se desencorajar tão rápido.

DO GRAU DE SENSIBILIDADE MAGNÉTICA SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO E O TEMPERAMENTO DOS DOENTES
Mesmer disse: “Há corpos mais ou menos suscetíveis de magnetismo”. E Puységur depois de numerosas observações, acrescentou já em 1784: existem doenças que, mesmo muito graves e perigosas, recusam a ação magnética por certo tempo o que desencoraja às vezes o magnetizador e o magnetizado. Eu acreditaria que tal doença que resiste à ação de um magnetizador, cederia, talvez mais rápido, ao domínio de outro homem. Eu tive doentes sobre os quais não pude jamais produzir o menor efeito, apesar do desejo extremo que eles tinham de senti-lo e eu atribuo a causa apenas a minha pouca analogia com eles.A experiência ensinará talvez que tal homem será mais próprio que outros a curar certas enfermidades; talvez também os temperamentos, os caracteres trarão considerações na escolha dos tratamentos, pela razão de que estas causas podem constituir analogias e relações mais diretas nos indivíduos. Eis, com efeito, o que demonstram sessenta anos de experiências: A generalidade dos doentes é sensível à ação magnética. Há, entretanto aqueles sobre os quais o magnetismo não age, seja por sua constituição, seu temperamento ou ao gênero da doença ou ainda ao defeito de analogia com o magnetizador. Há tal doença na qual a ação do magnetismo não se faz perceber, tal outra onde ela será evidente. O mesmo homem que era insensível em estado saudável provará os efeitos do magnetismo quando estiver doente. A sensibilidade se manifestará num incômodo leve e não terá dado nenhum sinal numa doença grave. Os mesmos homens são mais ou menos sensíveis à ação, segundo as disposições momentâneas nas quais eles se encontram. Enfim, várias pessoas se acreditam insensíveis à ação; mas é porque eles não encontraram ainda o magnetizador que lhes convém. Quanto mais a marcha da natureza for perturbada, mais é difícil restabelecê-la; o magnetismo tanto age de uma maneira mais simples e mais eficaz sobre as pessoas que levam um vida simples e frugal, que não tem sido agitadas pelas paixões como sobre aquelas que perturbam sua vida pelos abusos mundanos ou pelos abusos dos remédios. As pessoas nervosas, quando influenciadas pelo magnetismo, apresentam fenômenos singulares, mas elas oferecem menos exemplos de curas. Os habitantes do campo, que vivem simplesmente se curam bem mais facilmente e mais rápido que os outros. Enfim, nas doenças crônicas, os sinais são menos sensíveis e menos prontos que nas doenças agudas.
AUBIN GAUTHIER                                                                                Tradução de Lizarbe Gomes

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