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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tratar ou não tratar: eis a questão


Tratar ou não tratar: eis a questão
Adilson Mota
Mais uma vez a necessidade nos chama a abordar um tema com vistas à análise das palavras de Kardec e de Jesus com relação a tópicos que, ao longo do tempo, geraram uma interpretação equivocada nascida muito mais do  ouvir dizer  do que propriamente do estudo das obras espíritas.
Afinal, um centro espírita pode se dedicar ao tratamento de doenças físicas? As opiniões são opostas e esquecemos de perguntar o que fala a Doutrina Espírita sobre isso, a despeito do que pensamos.
Analisemos primeiramente os argumentos daqueles que defendem que centro espírita só deve tratar as doenças morais.
Observam, estes argumentadores, que as nossas doenças são causadas pelo desequilíbrio do Espírito, ou seja, uma consequência dos nossos sentimentos e pensamentos dessintonizados com o bem. Desta forma, segundo eles, devemos realizar a nossa reforma íntima, pois esta, sendo alcançada, reabilitará a nossa saúde física.
Sendo assim, o centro espírita não deve realizar tratamentos de enfermidades orgânicas, devendo se preocupar apenas em dar orientação moral e espiritual às pessoas.
Pois bem! Sabemos que o encarnado é composto de três partes, espírito, perispírito e corpo físico, e que os três agem e reagem continuamente um sobre os outros causando bem estar ou desarmonia. Apesar da assertiva acima ser verdadeira, sabemos também que existem doenças que têm a sua origem no organismo físico. Tais são as doenças causadas pela fome, pela falta de higiene, pelos efeitos colaterais de determinados medicamentos ou pelo seu uso indiscriminado, por acidentes, por maus tratos corporais, por condições insalubres de vida e de trabalho, por drogas lícitas ou ilícitas, etc.
Existem também aquelas que surgem devido ao acúmulo de fluidos deletérios provenientes de Espíritos obsessores e que, em se demorando a causa, acaba se revertendo em doença nos órgãos físicos.
Todas estas doenças acontecem, é claro, seguindo leis universais criadas pela Divindade e que alcançam o indivíduo atendendo a certos padrões de necessidade evolutiva, cármica ou provacional.
No livro  Paulo e Estevão,  o Espírito Emmanuel diz, reproduzindo a fala do apóstolo Paulo a Lucas que era médico: “Sempre acreditei que a medicina do corpo é um conjunto de experiências sagradas, de que o homem não poderá prescindir, até que se resolva a fazer a experiência divina e imutável, da cura espiritual.”
Isto é correto e corrobora com as lições kardequianas, ou seja, a cura definitiva da alma trará como consequência a cura do corpo físico. Além disto, as pesquisas de vanguarda têm mostrado o quanto os sentimentos de egoísmo, orgulho, prepotência, além do descontrole emocional, deprimem o nosso sistema imunológico deixando o nosso organismo propenso ao ataque de microorganismos causadores das mais diversas doenças, como também, tais desequilíbrios da alma acarretam problemas nos centros vitais os quais passarão a carrear fluidos em padrões desarmônicos para o corpo físico, gerando as disfunções.
Contudo, não significa que devemos cruzar os braços diante da doença sem buscarmos os recursos necessários para a sua solução, pois Paulo também afirma que, por enquanto, necessitamos do auxílio da medicina do corpo e entendo esta como sendo todas as terapias que objetivam a cura de moléstias orgânicas, incluindo o Magnetismo. Há aqueles que afirmam não receber passes pois que devese, em primeiro lugar, buscar a reforma íntima, ao mesmo tempo em que não se furtam ao uso das substâncias químicas recomendadas pela prática médica, a fim de reabilitar as suas funções orgânicas.
Na verdade, todas as nossas dificuldades (fome, desgostos, desemprego, etc.), não apenas as enfermidades, têm como causa primária a imperfeição da nossa alma, o que a reforma moral viria solucionar.
Devemos permanecer impassíveis diante destas necessidades também? Os Espíritos nos orientam à resignação, mas não à estagnação. Até por que, muitas vezes, as dificuldades têm também o propósito de exercitar as nossas faculdades espirituais e intelectuais, proporcionando o seu desenvolvimento através da busca e da aplicação de soluções.
Voltemos à proposta inicial. Como ficam então os nossos irmãos que chegam à casa espírita solicitando ajuda para curar-se das suas enfermidades orgânicas? Devemos dizer-lhes que não podemos ajudá-los pois ali só se fornece a orientação moral para a transformação da sua alma?
Se assim fosse, deveríamos fechar os olhos também para a necessidade daqueles que tremem de frio pedindo um cobertor, dos que sentem fome e pedem um pedaço de pão e de todos os demais que solicitam ajuda material no centro espírita. Deveríamos acabar com as campanhas do agasalho, campanhas de arrecadação de alimentos e todos os movimentos filantrópicos que visem a arrecadação de ajuda material aos necessitados. Das preces realizadas na instituição espírita, devemos excluí-los, pedindo apenas pela sua reforma moral.
Seria absurdo se fizéssemos isto, muitos dirão. Concordo com estes, seria absurdo. Porém, há tanta diferença assim entre matar a fome de alguém e curar a sua doença?
Jesus disse: Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; – porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; – estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver. Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? – Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? – E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? – O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes. (S. MATEUS, 25:34-40)
Jesus, no trecho acima, se refere à caridade material como um dos meios de se alcançar o Reino dos Céus, ou seja, a salvação. Ao longo do Evangelho há diversas narrativas de curas realizadas por Jesus em cegos, mudos, paralíticos, surdos. Não deixou Ele de exemplificar às multidões como deveria ser a sua conduta, passaporte para este Reino de paz e felicidade, entretanto, nunca deixou escapar uma oportunidade de auxiliar a quem quer que fosse, seja ouvindo, esclarecendo ou curando as suas limitações físicas. Ao final complementava com o “vais e não peques mais”, somando a caridade material com a caridade da orientação moral necessária à evolução do Ser.
O fato de que o Espírito é o responsável maior pelo que ocorre no nosso organismo físico não pode servir de justificativa para a acomodação e a falta de caridade, achando-se alguém dispensado de auxiliar o próximo nas suas necessidades imediatas por pensar que se deve apenas orientá-lo.
Alguns argumentam que não se deve tratar doenças físicas pois se a causa vem do Espírito imperfeito, qualquer cura será temporária, pois a doença reincidirá, já que só foi tratada a consequência, ou seja, a expressão física da verdadeira doença. É preciso esclarecer, primeiramente, que o tratamento magnético não dispensa o tratamento moral através do estudo da Doutrina Espírita. Em segundo lugar, não se pode afirmar que a doença física retornará até por que não sabemos o grau de implicação cármica da mesma, nem até quando deve o doente carregar aquela enfermidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito Bernardino respondeu da seguinte maneira à questão formulada por Kardec: Dever-se-á por termo às provas do próximo? “(…) Pensam alguns que, estando-se na Terra para expiar, cumpre que as provas sigam seu curso. Outros há, mesmo, que vão até ao ponto de julgar que, não só nada devem fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, devem contribuir para que elas sejam mais proveitosas, tornando-as mais vivas.
Grande erro. É certo que as vossas provas têm de seguir o curso que lhes traçou Deus; dar-se-á, porém, conheçais esse curso? Sabeis até onde têm elas de ir e se o vosso Pai misericordioso não terá dito ao sofrimento de tal dos vossos irmãos: “Não irás mais longe?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo da consolação para fazer cicatrizar as chagas que a sua justiça abrira? Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso.” Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz.”  (Capítulo V, item 27)
Grifei o trecho acima para ressaltar que Deus age no homem através do próprio homem. Um paciente curado pelo Magnetismo ou pela química médica não significa que irá adoecer no futuro, visto que o médico ou o magnetizador podem ser os instrumentos de que Deus está se servindo para dizer a esta doença: daqui não passarás. E resume o Espírito, dizendo: “todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade”.
Este último trecho diz tudo. Ao procurar alguém a casa espírita não podemos ficar a questionar se ele vai ou não se reformar moralmente, se a doença vai ou não se instalar outra vez. Apenas devemos, por obrigação caritativa, acolhê-lo, orientá-lo, consolá-lo e envidar todos os esforços a fim de que ele possa se curar, seja qual for a sua dificuldade: orgânica, emocional, mental, espiritual ou moral. Cabe a nós plantar a semente e esta também está simbolizada na cura pelos passes, além da orientação.
Quanto à colheita e ao aproveitamento do que foi plantado, só cabe a Deus fazê-lo e ao livre-arbítrio de cada um.
Jornal Vortice ANO III, n.º 01, junho/2010    
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