Seja Bem Vindo ao Estudo do Magnetismo

Você que acompanha nosso Blog e gosta das matérias aqui postadas, seja um seguidor cadastro esta ao lado da matéria, no ícone "Participar deste site". Grato! a todos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A saúde entre a fé e a ciência



Antropólogo de Botucatu revela o pouco conhecido mundo dos hospitais espíritas, nos quais a medicina convencional divide espaço com a doutrina de Allan Kardec, com práticas como passes e sessões mediúnicas.
Pablo Nogueira pablodiogo@reitoria.unesp.br

Durante três anos, o antropólogo Rodolfo Puttini, professor do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu, acompanhou o dia a dia de um hospital espírita no interior de São Paulo. Nesse lugar híbrido, a medicina convencional, com seus equipamentos, medicamentos e profissionais divide espaço com a doutrina espírita, com seus médiuns, passes, fluidos etc. Pelos serviços médicos convencionais que presta à população, recebe recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e não pode discriminar a religião de quem passa por sua porta. Mas é pelo tratamento espiritual que oferece, em caráter complementar e baseado na doutrina de Allan Kardec, que atrai tantas pessoas, muitas das quais vêm de longe, até de outros países da América do Sul.
Hospitais espíritas existem no Brasil desde 1950, mas cresceram muito em número nos últimos 30 anos, na esteira do movimento antimanicomial, que promoveu uma reorganização da assistência psiquiátrica, no sistema público de saúde, a partir da década de 1980. Puttini mergulhou nesse mundo em que a fé e a ciência convivem (não sem atritos) para fazer sua tese de doutorado, que deu origem ao livro Medicina e espiritualidade no campo da saúde, publicado pela Editora Annablume em maio.
Nesta entrevista, o antropólogo explica como funciona um hospital espírita e descreve os conflitos que observou entre os kardecistas e os profissionais de saúde adeptos de outras religiões, entre eles muitos evangélicos. Puttini analisa ainda o espaço cada vez maior que o SUS está destinando a linhas alternativas de tratamento, como homeopatia e acupuntura, e vê nisso um caminho que pode aproximar a prática clínica da dimensão espiritual, que é tão importante para os pacientes.
As imagens que ilustram estas páginas são do fotógrafo Hermínio Nunes, que depois de ser atendido em um hospital do gênero, fez um ensaio fotográfico sobre o tema, publicado em 2008 no Diário Catarinense.




Unesp Ciência O que é um hospital espírita?
Rodolfo Puttini Um hospital espírita é uma qualificação para identificar um espaço de saúde distinto, híbrido. No interior dessas instituições médicas, terapias espirituais são praticadas por médicos ou enfermeiros convertidos à visão espiritualista do homem, geralmente praticantes da doutrina de Allan Kardec, o fundador do Espiritismo.
UC Por que estudar os hospitais espíritas?
Puttini O principal objetivo foi desvendar as razões sócio-históricas e institucionais desses hospitais, organizados no Brasil desde a época em que a doutrina espírita foi acolhida por médicos como alternativa e também como forma de resistência à ciência. Durante muito tempo essas práticas terapêuticas foram perseguidas pela polícia. Mas conseguiram se preservar atuando de modo organizado, paralelamente às instituições criadas pela medicina. Formaram uma tradição médica espiritualista que se institucionalizou em nossa sociedade.
UC  No que eles se diferenciam dos hospitais laicos?
Puttini O hospital espírita que estudei possui os mesmos equipamentos médicos de um hospital geral pequeno, médio ou de grande porte: quartos, leitos, enfermarias, consultórios, em alguns casos até UTI, onde atuam profissionais de saúde. As terapias espirituais são oferecidas como recurso complementar às terapias médicas convencionais. Há também palestras, passes e água fluidificada, coisas que são tradicionais nos centros espíritas. E há reuniões mediúnicas que funcionam como um recurso diagnóstico e terapêutico para as doenças espirituais. O tratamento médico costuma estar vinculado do tratamento espírita, mas nem sempre.
UC A quem esses hospitais atendem? Somente a espíritas?
Puttini  Eles são reconhecidos pelo poder público como entidades filantrópicas e de benemerência social. Funcionam desde os anos 1950, mas sua atuação cresceu entre as décadas de 1970 e 1990, principalmente no Estado de São Paulo. Ganharam notoriedade com o movimento antimanicomial, que promoveu uma gradual reorganização das instituições psiquiátricas no país a partir dos anos 1980. Esse movimento levou à redistribuição de pacientes por uma rede de instituições de pequeno e médio porte no interior paulista, entre as quais os hospitais espíritas. Hoje, os leitos que eles têm destinados ao atendimento e serviços ambulatoriais são usados preferencialmente para os pacientes do SUS. No caso do atendimento aos adeptos da religião, esses devem ser vistos primeiramente como cidadãos brasileiros, cujos direitos estão assegurados por lei para usufruir os equipamentos de saúde daquele município. Atendem também a pacientes de outros países da América Latina, como constatei na pesquisa.
UC Na história do movimento espírita no Brasil existem alguns nomes famosos ligados a temas da área médica. Um deles é o médico Bezerra de Menezes, que foi uma liderança espírita do final do século 19. Outro é o médium Chico Xavier, que tem vários de seus livros atribuídos a um suposto médico, André Luiz. Que impacto essas personalidades tiveram nesta aproximação entre medicina e espiritismo que vemos no Brasil?
Puttini A literatura espírita influiu para a conformação da ideologia de uma “ciência espírita”. Mas foi com a proposta de uma medicina espiritualizada que os adeptos da religião mais se aproximaram de uma “medicina científica espírita”. Essa medicina surgiu com uma proposta de Bezerra de Menezes, que estruturou os ideais de uma psiquiatria espiritualizada, que levava em conta a doutrina dos espíritos. Eu descrevo no livro esse percurso da cosmovisão espírita, incluindo Chico Xavier, que se desdobra na cosmologia médico-espírita. Obteve-se dos escritos psicografados de André Luiz um norte para a cosmologia “científica” médico-espírita lançar-se institucionalmente, como organização corporativa médico-religiosa. Nessa nova fase brasileira do espiritismo, a revelação religiosa organizada por Allan Kardec ganhou aspectos mais apurados de cientificidade na ordem médica.
UC Parte de sua tese consistiu numa pesquisa etnográfica num hospital espírita no interior de São Paulo. Você viu algum caso de cura?
Puttini A fim de obter uma descrição etnográfica das terapias espirituais no hospital espírita, acompanhei o desenrolar de um caso de cura de um interno de nome Silva. Embora não tenha presenciado a cura desde a data de sua ocorrência, observei o desdobramento de uma indubitável atmosfera de conflito de valores, religiosos e científicos.
UC Como assim?
Puttini Os profissionais de saúde, em sua maioria, diziam que a cura de Silva foi resultado dos cuidados técnicos da enfermagem. Teria sido essa a causa de sua recuperação, após ele passar sete meses internado na UTI, com inanição. Os espíritas, entretanto, acreditavam que [o espírito de] Silva havia se manifestado numa reunião mediúnica e, depois de ter sido orientado a não praticar o suicídio, prometeu sair por si mesmo do estado de inanição, e deixou a UTI no dia seguinte. Estava instalado um conflito de valores camuflado durante anos, por meio de um caso de cura, ora descrita como religiosa, ora como biomédica. Nem todos os profissionais adeptos de outras crenças, como católicos e protestantes, acreditavam na cura espiritual de Silva, porque não partilhavam de dogmas como a reencarnação ou a manifestação dos espíritos. O caso transformou-se em um bem simbólico de negociação nos conflitos e consensos desenvolvidos durante a negociação de um espaço terapêutico espírita.
UC No livro, você ressalta o fato de que nem todos os trabalhadores e funcionários do hospital são adeptos da religião espírita. Você identificou conflitos devido a diferenças de crenças?
Puttini No hospital espírita, os dogmas do espiritismo influem sobre membros da comunidade hospitalar, como funcionários, dirigentes, profissionais de saúde, pacientes, familiares etc. Mas nem todos são espíritas. Aliás, constatei na pesquisa que a maioria dos funcionários era principalmente de evangélicos. Não sei dizer o porquê desse paradoxo. Realmente parecia estranha a existência de tantos funcionários com convicções religiosas diferentes do espiritismo, mas é o que ocorria. Essa configuração resultou em conflitos profissionais com a terapêutica espírita, quando aplicada fora dos espaços destinados às terapias espirituais. Em uma situação, algumas funcionárias, denominadas pajens, receberam a orientação de fornecer água fluidificada aos pacientes em seus leitos. Elas eram, em sua maioria, evangélicas. Não obedeceram, em função de suas crenças religiosas.
UC Certos conceitos que são importantes para os espíritas, como reencarnação, mediunidade, fluidos etc. são totalmente ignorados pela medicina de base científica, que adota uma abordagem “materialista” do ser humano. Como as duas cosmovisões se articulam no hospital espírita? Não há conflitos?
Puttini  Certamente, as cosmovisões materialista e espírita são conflitantes em qualquer espaço terapêutico da saúde, porque são conflitantes as visões de mundo que as pessoas carregam sobre a vida, a saúde, a doença e a morte. Usando ainda como exemplo o caso Silva, pode-se afirmar que aqueles com convicções médicas materialistas não aceitavam a cura espiritual, e não aceitariam em quaisquer outras circunstâncias.  Mas também tive a oportunidade de encontrar pontos de consenso nas visões de mundo dos vários profissionais de saúde, por exemplo, em relação ao conceito de vida. Na cosmovisão materialista, a vida segue o conceito científico, de vida biológica tão somente. Não tenhamos dúvidas que as normas biológicas podem controlar a normalidade e a patologia dos corpos humanos, cujos parâmetros determinam uma medicina científica. Não tenhamos dúvidas do progresso da biomedicina. Entretanto, não me parece que a clínica médica deva ser incentivada para a prática exclusivamente biomédica, em que todo o processo, do diagnóstico à terapêutica, é padronizado e normatizado pelas indústrias farmacêuticas, que são conglomerados interessados no conhecimento da saúde com base nas doenças. Na verdade, o que vemos na ideologia científica é a crença de que a ciência é a única forma de explicação para os fenômenos do mundo. A única cosmovisão que pode e deve dar conta da totalidade dos fenômenos da natureza. O dogma principal na cosmovisão materialista é que tudo se explicará um dia, dadas as circunstâncias e condições materiais da natureza dos corpos, tão somente. Essa postura se iguala, no meu entendimento, a um estado de espírito dogmático, como ocorre no estado de fé religiosa, onde a crença se materializa por certos preceitos rituais.
UC Como esses hospitais estão em atividade em nosso país há mais de cinco décadas, pode-se dizer então que o Brasil está na vanguarda em termos de aproximação entre a medicina e a espiritualidade?
Puttini Sim e não. Nos Estados Unidos existem instituições como o Center for Spirituality, Theology & Health, da Duke University, que dedicam recursos financeiros e intelectuais para pesquisa científica dos fenômenos relacionados ao tema  medicina e espiritualidade. Já nas escolas médicas brasileiras, os assuntos de religiosidade e espiritualidade são tópicos pouco valorizados no currículo médico ou na formação dos profissionais de saúde. Podemos afirmar que, sim, há uma vanguarda em termos da cosmovisão espírita. Entretanto, haverá grande resistência se a corporação médico-espírita exigir um espaço educacional nas escolas médicas brasileiras a fim de abordar uma educação médica diferenciada, que inclua as nosologias [parte da medicina associada à classificação das doenças] espiritualistas entre os conhecimentos da psicologia e da psiquiatria.
UC Você acredita que esta combinação de diferentes metodologias de atendimento que se vê nos hospitais espíritas poderia ser adotada em outras instituições públicas de saúde?
Puttini  Vejo uma tendência, no sistema de saúde brasileiro, de incorporação de diversas abordagens e racionalidades médicas nos espaços das unidades básicas de saúde. Isso inclui medicinas alternativas e integrativas, por exemplo, a homeopatia e a acupuntura. Mas deve-se atentar para o longo percurso que foi necessário para o reconhecimento social dessas práticas integrativas. Há também um interesse decisivo por parte da academia em estruturar a oferta desses serviços com base nos princípios do SUS, por meio das  escolas médicas e dos programas de saúde coletiva. Acredito que as possibilidades de implantação dos espaços terapêuticos híbridos são reais nessa nova configuração de atenção à saúde. Na conclusão do livro até sugiro uma forma de superação do complexo conflito socioinstitucional: distinguir o uso conceitual entre assistência espiritual, religiosidade e espiritualidade.
Revista Unesp Ciência
Julho/2012 - Ano 3 - nº32

PERÍODO MAGNÉTICO


PERÍODO MAGNÉTICO (1)
Com Mesmer, tudo muda: Mesmer foi o iniciador do magnetismo animal, que, sem poder ser confundido com o metapsiquismo, está com ele estreitamente unido.
(1) - Acerca da obra de Mesmer e as origens do magnetismo, deve-se consultar  sobretudo o notável artigo de J. Ochorowicz, Hypnotisme, no Dict. De Physiologie de Ch. Richet, Paris, 1909, VIII, 709, 777  - K. Kiesewetter, Geschichte des neueren Occultismus; geheimwissenschftfiche Systeme von Agrippa, por Karl du Prel, 2º edição, Leipzig, 1907. Quanto à bibliografia do magnetismo animal e do hipnotismo, consulte-se o livro do Senhor Dessoir.
Em 1776, Antoine Frédéric Mesmer (1733-1815) apresentou em Viena, como tese inaugural de doutoramento em medicina, um estudo sobre a influência fisiológica dos planetas.(2)
(2)  - Diss. physico-medica de planeatrum influxu, 48 págs., 16º, Vindobonae, Ghelen, 1766.
Durante dez anos, de 1766 a 1776, estudou, refletiu, analisou, tentando combinar a astronomia com a medicina e procurando sem rodeios o espalhafato da publicidade. Em 1778, chega a Paris e no ano seguinte publica a sua primeira obra dogmática.(1)
(1) - Mémoire sur la découverte du magnétisme animal, 85, 12°, Genève et Paris, P.F. Didot, 1779 - Ochorowicz prestou inteira justiça a Mesmer, que indiscutivelmente foi um precursor.
Compreendeu-se desde logo que se tratava de fatos novos e extraordinários. Acendeu-se a discussão. A Sociedade Real de Medicina, a Academia das Ciências e a Faculdade - intervieram. Ficou provado que pelos métodos de Mesmer um certo estado psicofisiológico era provocado e algumas vezes podia ser eficaz nas curas das doenças.
A nova doutrina conquistou imediatamente numerosos adeptos, tais como médicos, magistrados, gentis-homens, sábios. Em breve o magnetismo foi abertamente praticado. E isto graças sobretudo a Puységur, que, modificando os métodos de Mesmer, criou na verdade, em companhia de D'Elon e o naturalista Deleuze, bibliotecário da Biblioteca do Jardim das Plantas, o magnetismo animal (sonambulismo provocado) tal qual o conhecemos nos dias de hoje. (2)
(2)  - Máxime de Puységur, Rapport des cures opérées à Bayonne par lê magnétisme animal, adresse à M. I'abbé de Poutouzat, conseiller clerc au Parlamente de Bordeaux, Bayonne, 1784. Mémoires pour servir à I'établissement du magnétisme animal, Paris, 8°-, 1820 - Deleuze, Histoire critique du magnétisme animal, 1º edition, 1813 - Pététin, Electricité animale, mémoires sur la catalepsie - Foissac. Rapport et discussions sur le magnétisme animal, Paris, 1825 - Deleuze, Instruction pratique sur le magnétisme animal, dern. éd., Paris, 1853.
Mesmer, adotando a palavra magnetismo, queria somente significar ação a distância, como outrora Paracelso ou Goclênio, quando falavam da ação magnética dos astros ou das substâncias. É nesse sentido que Mesmer é mais metapsíquico do que o foram os seus sucessores imediatos.
Com Puységur, D'Elon, Deleuze, a magnetização veio a ser sobretudo um processo terapêutico. Seja lá como for, já naqueles tempos, como nos de hoje, os fatos metapsíquicos, a ação  à distância, a visão através dos corpos opacos, a clarividência (ou lucidez) foram observados. Mas - e isto é digno de nota - quase todo o esforço dos magnetizadores se limitou à diagnose e à terapêutica das doenças.(1)
(1)  - Há uma obra póstuma de Deleuze, Mémoire sur la faculté de prévision, anotada por M. Mielle, Paris, 1834. Pététin, médico em Lyon, citou diversos fatos de criptestesia, que ele explica ingenuamente por uma sensibilidade especial do epigastro. Um dos seus doentes, cataléptico, quando lhe metiam uma carta no estômago, a reconhecia. Pététin foi um dos magnetizadores de antanho que, com maior cuidado estudou os fenômenos psicológicos, ou por melhor dizer, metapsíquicos, os quais geralmente acompanham o estado de hipnose.
O barão de Du Potet e Husson, médico no Hospital Geral e membro da Academia de Medicina, fizeram, em 1825, famosas experiências acerca do sonambulismo provocado a distância.(2)  Um relatório memorável, apresentado na Academia de Medicina de Paris, apareceu em 1833 (Husson, relator).
(2) - Die Sehrin von Prevorst, Eroffnungen uber das innere teben d. Menschen und uber das Hereinragen einer Geisterwelt in die unsere, Stuttgart, 1829, 5á edit., Stuttgart, 1877. Die Seherin von Prevors tund ihre Geschichte in der Geisterwelt, nach Just. Kerner, von Binem ihrer Zeitgenossen, Stuttgart, 1869  - A. Reinhard, Justinus Kerner un das werner haus, zu Weinberg, Tubingen, 1866  - J. Kerner, Blatter aus Prevorst Originalien und Lesefruchte fur Freunde des innern Lebens, Stuttgart, 1831-1839.
Entre as conclusões a que chegaram, assinalarei as seguintes, que poderão parecer temerárias até nos dias de hoje:
"A vontade, a fixidez do olhar, são o suficiente para produzir os fenômenos magnéticos mesmo à revelia dos magnetizados."
"O estado  de sonambulismo pode dar azo ao desenvolvimento de faculdades novas designadas com o nome de clarividência, intuição, previsão interior."
"Pela vontade, pode-se não somente agir sobre o magnetizado, mas também pô-lo completamente em estado sonambúlico, obrigar o seu espírito, mesmo contra a própria vontade, a deixar o recinto, indo para lugares de certa distância e através de portas fechadas."
"Vimos dois sonâmbulos distinguir, com os olhos fechados, objetos colocados diante deles, e, sem lhes tocar, nomear a cor e o valor das cartas, ler palavras escritas à mão ou algumas linhas de livros que se abriram ao acaso. Processou-se esse fenômeno justamente no instante em que se colocavam os dedos em suas pálpebras, impedindo-lhes a visão."
Não obstante essas afirmações, o ceticismo dos sábios oficiais triunfou. O relatório de Husson foi combatido, depois esquecido, e os fenômenos metapsíquicos, dos quais se aproveitaram os romancistas, foram negados ou antes menosprezados pelos homens de ciência.
Na Alemanha, houve uma observação notável, como aquela de Frederica Hauff, que Justinus Kerner, médico e poeta, estudou por muito tempo.
Ninguém duvida que Frederica Hauff não tenha sido poderosa médium. Ela via espíritos e era também médium de materialização. "Um dia, diz Kerner, enquanto eu conversava com o seu irmão, disse-me: Silêncio! Eis aí um espírito que atravessa o quarto e vai de encontro à minha mãe. Vi então perto do leito de Frederica Hauff uma forma indecisa, uma como que coluna luminosa, tendo o talho de um ser humano, o qual estava ao pé do leito da vidente e lhe falava em voz baixa."
Ouviam-se ao derredor dela pancadas que se produziam espontaneamente: ouviam-se elas até nos objetos vizinhos, nas mesas, na madeira do leito. Os objetos podiam mover-se sem contato e é provável que ela falasse línguas estranhas.
Produziu fenômenos de levitação. Foi somente por três anos, de 1826 a 1829, que produziu esses notáveis fenômenos, durante os quais se achava doente e não podia quase levantar-se da cama. Todos aqueles que, em vez de chasquear, estudaram Frederica Hauff, ficaram convencidos não somente de sua boa-fé, mas também dos fenômenos metapsíquicos, ou sobrenaturais, como se dizia então: por exemplo, o magistrado Pfaffer e Strauss, o célebre autor da Vida de Jesus.
Nessa época também, na Alemanha, apareceram os trabalhos de Reichembach. A sua obra demais a mais antes é um capítulo (aliás bem obscuro) de fisiologia do que de metapsíquica, porque a ação do ímã nos organismos não pode confundir-se com a criptestesia ou a telecinesia. Os trabalhos de Reichembach foram infelizmente muitos menos estudados do que contestados (1)
(1)  - A. de Rochas publicou-os parcialmente em francês, com interessantes adições. O que se relaciona inteiramente com a metapsíquica são os fenômenos de lucidez que, sobretudo na França, provocaram os sonâmbulos como a  Senhora Pigeaire e Aléxis Didier. Entretanto, salvo honrosas exceções, os sábios e os médicos, de 1830 a 1870, não se ocuparam do sonambulismo senão para combatê-lo. Compreende-se muito bem o seu estado de alma. Fazendo comércio da chamada virtude terapêutica do magnetismo, numerosos sonâmbulos, lúcidos ou extralúcidos, estabeleceram-se com gabinetes de consulta em toda a parte, não só em França mas também no estrangeiro, tanto nas pequenas como nas grandes cidades.
Houve sonâmbulos em todas as feiras. O sonambulismo tornou-se até uma profissão, cuja moralidade era problemática. Os sonâmbulos tiravam a sorte pelas cartas, adivinhavam o futuro pela borra de café ou entregavam-se à quiromancia. A gente crédula os procurava e os sábios erguiam os ombros. De embrulho com essa moxinifada, a clarividência de certos sonâmbulos, como a da  Senhora Lenormand, Senhora Pigeaire e Alexis, diminuía de valor e desaparecia. Sem embargo, houve algumas obras sérias.(2)
(2)  - Du Potet, Essai sur I'enseignement philosophique du magnétisme, Paris,
1845 - La Fontaine, L'art de magnétiser ou le magnétisme vital considéré sous le point de vue théorique, pratique et thérapeutique, Paris, 1847, 5º édit., 1887 - Bertrand A., Du magnétisme animal em France, suivi de considérations sur I'apparition de I'extase dans les traitements magnétiques, Paris, 1826 -Teste, Manuel pratique du magnétisme animal, 12º, Paris, 1840, Elliotson, Animal magnétisme, Lancet, 1837, p.1338, p. 122, 282, 377, 400, 441, 516, 546, 585, 615, 634 - Esdaille, Reports of the magnetic Hospital, Calcutta, 1848, 761  - Passavant, Untersuchungen uber den Lebenmagnetismus und das Hellsehen, 2º édit., Franckfurt-A.-M. 1837.
Apareceram numerosos jornais, que, em geral, tiveram vida efêmera. Outros, ao contrário, viveram ainda por muito tempo. O Journal du Magnétisme, publicado por Du Potet, 1845-1885 - The Zoist, Journal of cerebral physiology and mesmerism and their applícation to human we fare (Londres, H. Baillière, 1843-1853) - Archiv fur den thierischen Magnetismus, Altenburg e Leipzig, 1817-1822. Poder-se-iam citar outros mais.
Tratado de Metapsíquica - Charles Richet
Traduzido do Francês: Traité de metapsychique 1922

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Bibliografia de Magnetismo recomendada por Allan Kardec


A bibliografia abaixo foi extraída do livro O Espiritismo na sua Expressão mais Simples, de Allan Kardec. Foi recomendada pelo Codificador para aqueles que querem se aprofundar nas questões relativas ao Magnetismo.
Podemos deduzir disto a forte ligação existente entre o Espiritismo e o Magnetismo e o quanto o codificador valorizava o conhecimento da ciência magnética para os partidários da Doutrina Espírita.



ANAIS DO MAGNETISMO ANIMAL, de 1814 a 1816.
REVISTA MAGNÉTICA. AUBIN GAUTHIER, jornal de curas e fatos magnéticos e sonambúlicos.
TRATADO DE SONAMBULISMO. BERTRAND (Doutor), 1823.
CORRESPONDÊNCIA COM O SR. DELEUZE. BILLOT (Doutor).
Essa obra é deveras notável, pois, desde 1820, o doutor Billot deduziu dos fenômenos magnéticos e sobretudo dos sonambúlicos, a prova da existência e da independência da alma, de sua ação isolada da matéria, da natureza e da intervenção dos Espíritos.
ESBOÇO DA NATUREZA HUMANA. CHARDEL, explicado pelo magnetismo animal. - 1826. 
FISIOLOGIA, MEDICINA E METAPSÍQUICA DO MAGNETISMO ANIMAL. CHARPIGNON (Doutor). 
Deduções de notável conformidade com os princípios da Doutrina Espírita.
INSTRUÇÃO PRÁTICA SOBRE O MAGNETISMO DELEUZE.
 Um dos melhores guias sobre a matéria. 
TRATADO DE MAGNETISMO EM DOZE LIÇÕES. DU POTET (Barão). 
ARTE DE MAGNETIZAR (A). LAFONTAINE. 
MEMÓRIAS E AFORISMOS, MESMER, seguidos dos procedimentos de Eslon. 
CURSO DE MAGNETISMO EM DOZE LIÇÕES. MILLET.
MEMÓRIAS para servir à história e ao estabelecimento do magnetismo. PUYSEGUR (Marquês de). Link http://www.ipeak.com.br/site/upload/midia/pdf/memoires_pour_servir_a_lhistoire_et_a_lestablissement_du_magnetisme_.pdf
CARTAS ÓDICO-MAGNÉTICAS,REICHENBACH (Cavaleiro de), traduzidas do alemão. Curiosas experiências sobre o fluido ódico, descoberto pelo autor e que, parece, deve lançar nova luz sobre a questão dos fluidos, se forem confirmadas. Pelos conhecimentos que possuem, os espíritas estão particularmente em posição de controlar essa teoria.
 Link http://www.ipeak.com.br/site/upload/midia/pdf/lettres_odiques-magnetiques_.pdf
 Manual Prático de Magnetismo  Animal.TESTE, exposição metódica dos processos empregados para produzir os fenômenos magnéticos e sua aplicação ao estudo e ao tratamento das doenças.
Link http://www.ipeak.com.br/site/upload/midia/pdf/manuel_pratique_du_magnetisme_animal-teste.pdf

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A cura da depressão pelo magnetismo


A cura da depressão pelo magnetismo
Por Jacob Melo
Nome exótico este aí! O que será que você imagina quem tenha tão estranho nome? Para mim, tudo começou quando, anos atrás, sofri uma violenta crise de depressão.
Se para mim foi uma experiência extremamente dolorosa e marcante, para muitas pessoas que comigo convivem foi por demais estranho, pois era difícil acreditar que um espírita de berço, magnetizador desde as primeiras horas e um trabalhador sempre em atividade pudesse ser atingido por uma doença como essa.
O mais grave, entretanto, foi quando percebi, no auge da crise, que os passes que recebia, à ocasião diariamente, não só não resolviam o problema como ainda geravam terríveis mal-estares.
Depois de passada a doença, parti para descobrir o que não havia funcionado, já que os passes, em tese, deveriam ter produzido muito efeito, sobretudo positivo.
Só depois de várias experiências, estudos e sérias pesquisas foi que cheguei à conclusão de que, via de regra, um paciente em depressão não tem como absorver magnetismo - fluidos, energias, bio-energia, shi, prana, como queiram chamar -, diretamente, através dos seus centros vitais ou chacras. Normalmente, o depressivo tem graves bloqueios em seus centros energéticos, daí a doação de fluidos por intermédio deles geralmente causarem desconfortos, sensações indesejáveis e visíveis reações de piora no estado geral. Todavia, paradoxalmente, esse paciente precisa muito de reposição energética. O mecanismo magnético que melhor se aplica pelo Magnetismo a esse caso é a absorção dos fluidos através da água fluidificada ou magnetizada. Os fluidos depositados na água, quando ingeridos, são assimilados diretamente pelas moléculas e pelas psi-moléculas que estão em desarmonia sem que isto represente agravamento nos centros vitais em descompensação.
A OUTRA VERIFICAÇÃO importantíssima foi que não são necessariamente os centros responsáveis pelas funções do cérebro (centro frontal) nem da parte mais sutil da mente (o coronário) os que estão como ponto mais evidente de descompensação energética. O centro esplênico, dirigindo, repercutindo e absorvendo as energéticas associadas ao baço, ao fígado e ao pâncreas - além de seus vínculos, que vão até os rins -, é o centro vital que padece todo o "peso" das desarmonias existentes no clima da depressão, por isso mesmo descarregando suas anomalias, em primeira instância, sobre os centros gástrico e genésico, daí surgindo o fato super comum dos depressivos sofrerem profundas alterações nos seus sentidos digestivo (perda ou exacerbação do apetite) e libidinoso (apatia sexual).
No agravamento do processo depressivo, o centro esplênico pede socorro ao centro cardíaco; como este é de freqüência mediana - enquanto o esplênico é de baixa freqüência -, ele logo se ressente dessa solicitação e, como não consegue atender às necessidades plenas daquele, se descompensa rapidamente. A partir desse ponto, toda a estrutura vital do paciente em depressão só se agrava.
Depois dessas evidências e dos muitos casos analisados, comparados e, sobretudo, tratados, posso
hoje garantir que não basta boa vontade para se resolver tão grave questão. Como nos ensinou o mestre lionês Allan Kardec, é imperioso o estudo, o aprofundamento e a aplicação disso tudo com o magnetismo sendo bem executado.
Obviamente, um artigo como este não me permite explorar ou expor um tema tão rico e complexo em sua extensão e profundidade. Daí, escrevi um livro, recentemente lançado, que não só esclarece tudo isso como ainda detalha todos os passos das técnicas como vêm sendo usadas em várias casas e sempre apresentando resultados exuberantes.
Por fim, quero esclarecer que há ainda um tema que pede melhor abordagem e explicação, a fim de se fortalecer os que caíram nas garras dessa "dama do inexistir" bem como prevenir para que não cedamos aos deprimentes atrativos que ela expõe: é a esperança. A esperança que não se limita a esperar, mas a produzir e contribuir para que as coisas aconteçam. A esperança, um dos três mais importantes sentimentos destacados por Paulo aos Coríntios, pede uma melhor e mais ampla abordagem, a fim de que ela não esteja limitada a um "queira Deus", e sim que tenha a força de um "o que Deus quer que eu faça, o que será que Ele está esperando de mim, o que estará me dizendo com isso?" O livro que falo é A Cura da Depressão Pelo Magnetismo.
Espiritismo - Portal Panorama Espírita - A sua enciclopédia espírita digital
A cura da depressão pelo magnetismo
Categoria : Magnetismo
Publicado por Dora em 06/8/2007
Por Jacob Melo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O magnetismo fator de desenvolvimento pessoal



A prática regular do magnetismo desenvolve consideravelmente o domínio de si, a vontade, a calma interior e exterior, a segurança natural, etc... Antes de vos indicar alguns exercícios que vos permitirão aumentar essas qualidades, em capacidade e em sutilezas, comeceis por aprender a recuperar a energia vital. Seguramente, nada substitui, do ponto de vista da potência magnética, a recarga dos plexos, tal como foi descrito no começo desta obra.
Entretanto, se tendes a impossibilidade de efetuar esses exercícios de recarga, ao menos uma vez por ano, o controle do vosso ritmo respiratório, vos permitirá "apanhar" novas energias. Para fazer os exercícios que segue, selecionai um lugar com plantações de árvores (pomar, ou mesmo jardim público). As árvores não são somente "máquinas de fabricação de oxigênio; elemento tão essencial à vida; mas também intermediárias precisamente do oxigênio de grandes catalisadores de energia cósmica, e, portanto do fluido magnético universal. Daí, o interesse primordial de um bom ritmo respiratório para o praticante...
O ritmo respiratório completo compreende quatro fases:
1) A inspiração
2) A retenção do ar, pulmões cheios
3) A expiração e
4) A retenção de pulmões vazios.
Segundo a duração de cada uma dessas fases, o fluxo de fluido magnético (e do oxigênio) que penetra no organismo será equilibrado ou recarregado. Ele é equilibrado quando a conservação dos pulmões cheios e a conservação dos pulmões vazios são de igual duração; ele é recarregado quando o tempo de retenção dos pulmões cheios é superior ao tempo de retenção dos pulmões vazios.
Na prática, e para iniciar, adotar o compasso
seguinte:
inspiração (exclusivamente pelo nariz, como em todas outras fases): cerca de 3a 4 segundos; - retenção dos pulmões cheios: 3 a 4 segundos, para obter uma inspiração equilibrada; 6 a 7 segundos, para uma respiração recarregadora; expiração: 6 segundos para reequilíbrio, 3 segundos para a recarga magnética; - retenção dos pulmões vazios: 3 segundos. Esses períodos não vos são dados senão a título de identificação. É preciso os adaptar à vossa própria capacidade (os aumentar ou os diminuir), vigiando essencialmente para não forçar. Na medida em que aumenta o treinamento, é aconselhável aumentar muito progressivamente (por saltos de 1 a 2 segundos ao máximo) os períodos de retenção dos pulmões cheios e de expiração (as duas outras fases ficam quase constantes).
Pode-se ainda aumentar consideravelmente a eficácia deste método respiratório, da seguinte maneira: trata-se de visualizar mentalmente o caminho do ar carregado de oxigênio e de fluido magnético.
Ficando sentado com as pernas dobradas e os joelhos separados, deixar os braços tombar “molemente” ao longo do corpo, mãos abertas e palmas dirigidas para o alto.
Eviteis qualquer tensão muscular.
Quando vós inspireis, os olhos semicerrados, imagineis o ar que está em vias de encher os pulmões.
Quando eles estão cheios visualizai mentalmente o fluido magnético que se distribui a partir dos pulmões, por todo o corpo, dirigindo-se de preferência em direção aos plexos. No momento que começa a expiração, concentrai vossa visão interior sobre um ponto situado de baixo ao esterno, como se tivesse uma bomba recalcando o ar do qual tendes retido os elementos revigorantes (oxigênio e fluido) e que carregastes de elementos viciados. No momento de retenção dos pulmões vazios, pensai fortemente que tendes expulsado todos os dejetos orgânicos, depois através de outro esforço do pensamento, imaginai que o oxigênio e o fluido magnético universal está em vias de se concentrar a vossa volta... A nova inspiração que segue responderá então a um verdadeiro "apetite de ar e de fluidos". Para obter resultados satisfatórios, é necessário consagrar todos os dias uma sessão de dez minutos, se possível ao acordar e em jejum.
Este exercício, aparentemente inofensivo, é um dos melhores que conhecemos para guardar um bom equilíbrio físico, psíquico e magnético. Se os apliqueis assíduamente, podereis desenvolver numerosas faculdades intelectuais e morais que contribuem ao desenvolvimento pessoal e ao bom êxito.
                                                        Barão du Potet

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

NOVAS PROPOSTAS E REFLEXÕES



NOVAS PROPOSTAS E REFLEXÕES

Jacob Melo jacobmelo@gmail.com
O encerramento do 5.º Encontro Mundial de Magnetizadores Espíritas ficou também por conta de Jacob Melo.
Jacob iniciou a palestra chamando a atenção para casos menos comuns nas terapias magnéticas.
Falou que tratar de certas doenças de forma pontual e/ou localizada pode gerar implicações de poucos resultados positivos quando os casos são, de fato, sistêmicos (envolvem um sistema e não apenas uma parte). Nessas situações caberá ao magnetizador tentar descobrir qual o sistema em falência para poder resolver a problemática. Citou o caso de uma paciente que possuía um furúnculo na região da virilha e que, sendo este tratado de forma direta, pontual, desaparecia enquanto outros se desenvolviam no local. Só desapareceram definitivamente os furúnculos quando tratados na raiz do problema, no centro de força laríngeo.
Outro ponto ressaltado foi o que diz respeito a certos problemas e/ou bloqueios no refluxo fluídico e não no fluxo. Isso se dá porque culturalmente aprendemos a tudo querermos tratar, magneticamente falando, pela frente (fluxo), esquecendo ou minimizando em demasia as costas (refluxo).
Trouxe textos de Kardec para novas reflexões  e destacou que relevante frase, conclusiva do item 328 de O Livro dos Médiuns, foi estranhamente omitida na versão inglesa.
O Céu e o Inferno, 2ª parte, Capítulo 4:-Qual a causa de a educação moral dos desencarnados ser mais fácil que a dos encarnados?
(...) Toda ação material pode sustar momentaneamente os sofrimentos do homem vicioso, mas o que ela não pode é destruir o princípio mórbido residente na alma. Todo e qualquer ato que não vise aperfeiçoar a alma, não poderá desviá-la do mal. (S. Luiz)
A Gênese: Caráter da revelação espírita 37-O Espiritismo, ainda que só fizesse forrar o homem à dúvida relativamente à vida futura, teria feito mais pelo seu aperfeiçoamento moral do que todas as leis disciplinares, que o detêm algumas vezes, mas que o não transformam.
A Gênese, cap. 14 item 20: Quando se diz que um médico opera a cura de um doente, por meio de boas palavras, enuncia-se uma verdade absoluta, pois que um pensamento bondoso traz consigo fluidos reparadores que atuam sobre o físico, tanto quanto sobre o moral.
“A instrução espírita não abrange apenas o ensinamento moral que os Espíritos dão, mas também o estudo dos fatos. Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos, a pesquisa das causas, a comprovação do que é possível e do que não o é; em suma, a observação de tudo o que possa contribuir para o avanço da ciência. Ora, fora erro acreditar-se que os fatos se limitam aos fenômenos extraordinários; que só são dignos de atenção os que mais fortemente impressionam os sentidos. A cada passo, eles ressaltam das comunicações inteligentes e de forma a não merecerem desprezados por homens que se reúnem para estudar. Esses fatos, que seria impossível enumerar, surgem de um sem-número de circunstâncias fortuitas. Embora de menor relevo, nem por isso menos dignos são do mais alto interesse para o observador, que neles vai encontrar ou a confirmação de um princípio conhecido, ou a revelação de um princípio novo, que o faz penetrar um pouco mais nos mistérios do mundo invisível. Isso -também é filosofia” (grifo do palestrante)
Por oportuno, também ratificou que a versão inglesa de O Livro dos Espíritos, anteriormente divulgada pela FEB e de tradução por Anna Blackwell, omitiu todo o comentário que Allan Kardec fez acerca da questão 555, no qual ele confirma ser o Espiritismo e o Magnetismo uma só ciência.
“O Espiritismo e o Magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da natureza e que não passa de ridícula crendice.”
Finalizou Jacob parabenizando os responsáveis pelo evento e convidando todos a irem a Arraial d’Ajuda - BA, em 2013 para o 6º EMME.