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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

DA DURAÇÃO DO TRATAMENTO MAGNÉTICO CAPÍTULO X


DA DURAÇÃO DO TRATAMENTO MAGNÉTICO CAPÍTULO X
TRADUÇÃO DE LIZARBE GOMES
É necessário distinguir entre um tratamento magnético e uma magnetização acidental e passageira.
Para curar uma doença é preciso tempo; é neste caso que se torna necessário um tratamento regular e não interrompido.
A duração de um tratamento varia segundo o estado do doente e o gênero de sua afecção; como as doenças diferem em cada indivíduo, é quase impossível determinar um tempo.
A experiência demonstra que algumas doenças se curam em oito dias, em quinze dias, em um, dois e três meses e outras em seis meses ou mesmo além disso.
Ocorre ainda, quando se começa a não ter mais confiança, a ação tornar-se mais sensível, a doença se atenuar e a cura acontecer.
Não seria demais repetir: se o magnetismo nem sempre produzir efeitos sensíveis e aparentes, não é preciso se desencorajar tão rápido.
CAPÍTULO XI
DO PERIGO DE COMEÇAR UM TRATAMENTO SEM ESPERANÇA DE CONCLUÍ-LO
§ I: Perigos resultantes do deslocamento de humores
Jussieu, tendo reconhecido ao magnetismo o poder de operar desvios salutares diz, em seu relatório ao Rei: “Deslocar-se-ia assim um humor que não teria tido tempo de se fixar, restabelecerse-ia muitas vezes o calor, a vida e o movimento nos membros recentemente paralisados.”
(Relatório ao Rei, pág. 38)
O deslocamento dos humores é, com efeito, um dos resultados mais freqüentes da magnetização e eu vou, entre milhares de provas, citar uma:
“Todo  magnetizador que não tenha nem a possibilidade nem a vontade de ocupar-se bastante com o lazer para bem conduzir um tratamento magnético não deve empreendê-lo diz Puységur, pois após um doente experimentar os bons e salutares efeitos da ação magnética, a cessação muito súbita desta ação a torna prejudicial e os fatos seguintes provam isto.
Um jovem afetado pela surdez veio me procurar em Busancy e o cura de Joli que foi mais surdo que ele, o encorajou a vir tentar o mesmo remédio que ele; este jovem não era sonâmbulo. O efeito que ele sentia era uma dor na cabeça e um zumbido nos ouvidos. Pouco a pouco sua dor de cabeça aumentou e ele tinha por vezes o ar hebetado.
Eu tinha então doentes sonâmbulas e eu o apresentei a uma delas: - Faz-se um grande trabalho em sua cabeça – me disse a sonâmbula – ele terá um mal a suportar.
- O que lhe acontecerá então?
- Ele se tornará louco e se você não tomar cuidado, ele partirá num belo dia sem que você saiba e você não o verá mais.
- E o que lhe causará este cruel acidente?
- O humor que se desloca em sua cabeça e que desejaria sair. Se continuar o magnetismo, pouco a pouco ele sairá por seu nariz e suas orelhas, mas ele é bem grande!
- E ele se curará?
- Sim, mas precisará de tempo.
Uma vez bem advertido, eu tomei todos os tipos de precauções para que meu doente não pudesse se escapar, sobretudo à noite; eu o via às vezes com o ar perturbado. Ao fim de um mês ele teve um escorrimento nos ouvidos e começou a ouvir bem melhor.
Mas o que me haviam anunciado aconteceu. Um dia vieram me dizer que meu surdo havia destrancado sua janelas e com a ajuda de uma corda saiu de seu quarto sem que eu soubesse onde pudesse estar. Eu escrevi a Dormans, onde seu pai tinha um albergue e soube que no dia de sua partida de Busancy ele disse que estava curado, pois havia entendido bem a todos aqueles que vieram lhe procurar naquele dia. Soube que este bem estar não havia durado muito tempo e que no dia seguinte a surdez havia retornado, levemente de início, até que, por fim, ela havia -  no momento em que me escrevia - retornado tão forte quanto antes de ser magnetizado.
Oito dias depois, o pobre rapaz veio me ver; ele não se lembrava nem de sua partida de Busancy, nem de sua viagem para casa e de nada que lhe aconteceu. Eu tentei, porque ele me pediu, recolocar uma segunda vez os humores de sua cabeça em movimento, mas foi em vão; como o  trabalho da  natureza  foi interrompido , o malretomou a vantagem e nenhuma força magnética  pode de novo deslocá-los.
Estes dois exemplos, acrescenta Puységur, tão instrutivos tanto para os magnetizadores como para os doentes, devem ensinar aos primeiros a jamais empreender tratamentos magnéticos sem estar bem seguros de sua continuidade... se nada é mais soberanamente e vitoriosamente curativo que o agente da natureza posto em ação por uma boa e constante vontade, nada é mais perigoso que suspendê-la ou cessar seu movimento quando seus bons efeitos se manifestam.” (Puységur, Pesquisas Psicológicas, 388 a 390).
§II – Perigos resultantes da provocação de germes mórbidos não seguida de desenvolvimento Joli, um dos doentes de Puységur, escreveu um dia, em estado de sonambulismo a seu magnetizador: “O magnetismo animal acaba de provocar em mim uma doença a qual chamam de catalepsia, que viria em seis meses da qual eu seria morto, mas talvez não morrerei a tendo atualmente; então é uma grande vantagem para mim dizer que morrerei talvez  em lugar de morrerei  certamente; estou convencido de que não é o grande número de crises nas quais eu entrei que precipitaram esta doença  da qual, eu espero, contudo, ter um resultado favorável.
Eu acredito, diz a este respeito Puységur, que não há circunstância em que não se deva esperar bons efeitos do magnetismo; mas quando os doentes são suscetíveis de entrar no estado magnético, talvez seja perigoso cessá-lo tão cedo porque o magnetismo, tendendo a desenvolver o germe das próximas doenças, um efeito começado e não sustentado pode contrariar a natureza sem acrescentar a seus recursos.” (Puységur, Memórias)
Jornal Vórtice ANO III, n.º 04, setembro/2010   

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O QUE FAZ COM QUE UM TRATAMENTO MAGNÉTICO SEJA MAIS OU MENOS LONGO?


O QUE FAZ COM QUE UM TRATAMENTO MAGNÉTICO SEJA MAIS OU MENOS LONGO?
JACOB MELO
São vários os fatores que podem levar um tratamento magnético a ser longo, inclusive o fator parecer ser muito demorado.
No momento atual um dos mais relevantes fatores é o desconhecimento, por parte de uma enorme maioria de magnetizadores e passistas, da base científica que norteia essa prática. Junto com isso vem o quase ponto zero em que se encontram as pesquisas dessa ciência, apesar de ser muito bem percebida, na recente década, a retomada do interesse por esse estudo. Hoje, graças ao empenho de alguns em resgatar essa preciosa bênção que Deus entregou à Humanidade desde a sua criação, percebe-se que o Brasil ensaia passos firmes no sentido de se aproveitar não apenas o que existe de arquivos e pesquisas antigas, mas de também encetar novas investigações, inclusive abordando doenças e problemáticas complexas, como as doenças atribuídas ao sistema nervoso e outras tantas que vêm surgindo e poucas respostas têm obtido da chamada ciência oficial.
No contexto da base Espírita, Allan Kardec e os Espíritos já disseram que sendo os fluidos espirituais mais sutis que os humanos, aqueles costumam produzir reações mais imediatas do que as decorrentes do magnetismo humano.
Mas, falando diretamente do que se percebe na terapia em geral, há um certo excesso tanto na expectativa do surgimento de novas “fontes milagrosas”, como também no sentido de ser apresentado o Magnetismo como uma última oportunidade de vitórias e isso gera ânsias descabidas e comparações apressadas.
Vejamos o caso das depressões.
Costumeiramente, quando uma depressão severa consegue ser debelada pelos esforços da medicina psiquiátrica e psicológica, fazendo-se uso de medicamentos muitas vezes de forte poder químico, em um período de 3 a 5 anos, comemora-se a vitória com muito ênfase, já que essa doença, em tais casos, pode jamais ser vencida. Em situações semelhantes, a adição nesses tratamentos de uma terapia magnética apropriada, reduz em mais de 70% o tempo total de tratamento, com a verificação de um índice de vitória plena em mais de 80% dos casos. Sendo assim, de onde surge a sensação de que essa terapia seja mais demorada do que a convencional? Simplesmente porque é costume se querer a instantaneidade das curas quando se faz uso do magnetismo.
Com outras doenças, como tumores em geral, descompensações endócrinas e dores, é comum se perceber avanços muito significativos em tempos relativamente curtos.
O gargalo das observações que apontam para o prolongamento das terapias surge quando a referência se dirige a doenças que ainda estão sem pesquisas iniciadas ou concluídas, ou pelo uso indevido de técnicas impróprias para cada caso. Do fasto do Magnetismo ser uma realidade da própria Natureza, muita gente acha que basta passar ou impor as mãos e tudo será magicamente resolvido. Ou acordamos para entender que não é assim que funciona ou seguiremos sem obter os sucessos que todos sabemos que virão, mas que continuam pedindo avanços e consciência.
Por fim, um outro fator que não pode ser desconsiderado nessa análise é a participação do paciente. Quando alguém precisa fazer uma preparação para uma cirurgia, se interna, passa pelos procedimentos pertinentes e depois guarda o repouso e as dietas recomendadas, ele se diz feliz quando, ao final de tudo, o resultado é positivo. Mas quando um tratamento semelhante é ensejado apenas com o uso do magnetismo, costumamos nos descuidar e até abusar do desrespeito às recomendações, comprometendo gravemente todos os esforços empregados. E com essas terapias interrompidas, desarticuladas, bloqueadas ou simplesmente descontinuadas, os pacientes, quando as concluem, se é que conseguem isso, contabilizam o tempo total, sem anotar os descasos pessoais que geraram todo retardo. Ao final de todo esse quadro, a contabilidade da terapia fica grandemente alterada, onde o magnetismo em si pouco tem de culpa.
  Jornal Vórtice ANO III, n.º 04, setembro/2010   

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


DO DESENVOLVIMENTO DAS CRISES CAPÍTULO IX
TRADUÇÃO DE LIZARBE GOMES
Enquanto dure a sessão, o magnetizador, sejam quais forem as crises que se apresentem, deve ter uma inteira confiança em si mesmo.
Ele deve estar seguro de não estar enganado se conservar seu sangue-frio e sua coragem. Ao contrário, se ele se assusta, se ele se perturba, os acidentes que surgirem são por sua própria falha e não do magnetismo.
Quando uma crise sobrevém, é preciso deixá-la se desenvolver sem interrompê-la; mas não é preciso contribuir para que ela se prolongue.
É preciso aproveitar as crises que acontecem naturalmente. Se há dores na parte doente, se surgem movimentos nervosos, espasmos, transpiração, entorpecimento, sono, deixa-se o tempo necessário para a crise se desenvolver, tomando-se as precauções convenientes para que a transpiração não pare ou para que o doente não sofra nenhum acidente; ele se acalma pouco a pouco pelos passes.
Se ele adormecer pelo sono ordinário ou pelo sonambulismo, não é preciso despertá-lo subitamente. No primeiro caso, o impediríamos de tornar-se sonâmbulo; no segundo caso, lhe causaríamos convulsões.
Para evitar, de todas as maneiras, estes inconvenientes, ninguém deve tocá-lo ou ao menos, aqueles que não estejam em contato com ele.
Há crises úteis, ainda que dolorosas e elas são indispensáveis; é uma prova de que o magnetismo age. Estas crises se assemelham àquelas causadas por um vomitório ou um purgante; elas cessam, depois recomeçam. O doente deve ter a força e a paciência de suportá-las.
Se as dores são locais, o magnetizador as acalma ali concentrando a ação; se elas são gerais, ele faz passes à distância, que são calmantes, refrescantes e dão novas forças.
Quando uma crise se manifesta, o magnetizador deve deixar tempo para que ela se desenvolva e contribuir para uma magnetização conforme o estado do doente e, sobretudo, deixá-lo apenas quando a crise tiver terminado.
Todo magnetizador deve se convencer, diz Puységur, do quanto é perigoso o estado de convulsão abandonado a si mesmo, a menos que se opere sobre os epilépticos, sobre os quais o magnetismo só age bem lentamente. Todas as vezes em que se encontre indivíduos nos quais o magnetismo produz convulsões, é preciso evitar abandoná-los a si mesmos e ainda mais procurar aumentar este estado violento; é preciso, ao contrário, fazer todos os esforços para acalmar e somente deixar o doente quando ele estiver em um estado de certa tranqüilidade.
Obs: a seguir vem citação de Deleuze, reforçando as palavras do autor. as quais optamos por não transcrever, pois já estão expressas no texto. (NT)
AUBIN GAUTHIER
Jornal Vórtice ANO III, n.º 03, agosto/2010

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os Fluidos CATALEPSIA. RESSURREIÇÕES, A GÊNESE, CAPÍTULO XIV


Os Fluidos CATALEPSIA. RESSURREIÇÕES, A GÊNESE, CAPÍTULO XIV 
29. A matéria inerte é insensível; o fluido perispirítico igualmente o é, mas transmite a sensação ao centro sensitivo, que é o Espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no Espírito, qual choque elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, que parece ter nos nervos os seus fios condutores. É o influxo nervoso dos fisiologistas que, desconhecendo as relações desse fluido com o princípio espiritual, ainda não puderam achar explicação para todos os efeitos.
A interrupção pode dar-se pela separação de um membro, ou pela secção de um nervo, mas, também, parcialmente ou de maneira geral e sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação, de grande sobreexcitação ou preocupação do Espírito. Nesse estado, o Espírito não pensa no corpo e, em sua febril atividade, atrai a si, por assim dizer, o fluido perispiritual que, retirando-se da superfície, produz aí uma insensibilidade momentânea. Poder-se-ia também admitir que, em certas circunstâncias, no próprio fluido perispiritual uma modificação molecular se opera, que lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. É por isso que, muitas vezes, no ardor do combate, um militar não percebe que está ferido e que uma pessoa, cuja atenção se acha concentrada num trabalho, não ouve o ruído que se lhe faz em torno. Efeito análogo, porém mais pronunciado, se verifica nalguns sonâmbulos, na letargia e na catalepsia. Finalmente, do mesmo modo também se pode explicar a insensibilidade dos convulsionários e de muitos mártires. (Revue Spirite, janeiro, de 1868: “Estudo sobre os Aissaouas”.)
A paralisia já não tem absolutamente a mesma causa: aí o efeito é todo orgânico; são os próprios nervos, os fios condutores que se tornam inaptos à circulação fluídica; são as cordas do instrumento que se alteraram.
30. Em certos estados patológicos, quando o Espírito há deixado o corpo e o perispírito só por alguns pontos se lhe acha aderido, apresenta ele, o corpo, todas as aparências da morte e enuncia-se uma verdade absoluta, dizendo que a vida aí está por um fio.
Semelhante estado pode durar mais ou menos tempo; podem mesmo algumas partes do corpo entrar em decomposição, sem que, no entanto, a vida se ache definitivamente extinta. Enquanto não se haja rompido o último fio, pode o Espírito, quer por uma ação enérgica, da sua  própria  vontade, quer por  um influxo fluídico estranho, igualmente forte, ser chamado a volver ao corpo. É como se explicam certos fatos de prolongamento da vida contra todas as probabilidades e algumas supostas ressurreições. É a planta a renascer, como às vezes se dá, de uma só fibrila da raiz. Quando, porém, as últimas moléculas do corpo fluídico se têm destacado do corpo carnal, ou quando este último há chegado a um estado irreparável de degradação, impossível se torna todo regresso à vida.(1)
(1) Exemplos: Revue Spirite, “O doutor Cardon”, agosto de 1863, pág. 251; ― “A mulher corsa”, maio de 1866, pág. 134.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 03, agosto/2010

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

QUAL A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA PARA OS TRATAMENTOS MAGNÉTICOS?


QUAL A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA PARA OS TRATAMENTOS MAGNÉTICOS?
JACOB MELO
Algumas coisas parecem, por vezes, de pouca significação... Um pedreiro experiente costuma se perguntar por que uma pessoa contrata um engenheiro para construir uma casa se ele, o pedreiro, pode fazer tudo sozinho, sem nunca ter estudado?
Pessoas que, em casa ou em ambientes amigos, são desinibidas e se sentem artistas natas, dificilmente se conformam em não serem “descobertas” por algum caçatalentos, pois que trazem dentro de si toda a arte que o mundo procura, sem, para isso, terem estudado artes cênicas...
E se prosseguirmos nesse raciocínio perceberemos que há um universo de pessoas que acreditam nunca precisarem de estudos para serem as melhores no que fazem.
No caso específico do Magnetismo, quando se fala na recomendação de Kardec (O Livro dos Médiuns, Cap. 17, item 211) acerca da necessidade do estudo prévio da teoria para que sejam evitados os percalços da prática é mais do que recorrente a frase: “Mas os rezadores e curandeiros nunca estudaram e operam verdadeiros milagres”.
Allan Kardec, na amplitude da sugestão acima, indica que o magnetismo prático pede estudo prévio sim e a teoria envolve pelo menos três abordagens bem distintas: o próprio Magnetismo, o Espiritismo e o Corpo Humano – aqui especificado nas áreas da anatomia (ramo da medicina que estuda a forma e a estrutura dos diferentes elementos constituintes do corpo humano), da fisiologia (estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios) e da patologia (qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença).
Pergunta-se: pode um magnetizador ou um curador curar sem jamais ter estudado nada disso? A resposta é obvia: ‘claro que sim!’.
Jamais poderemos duvidar das capacidades e habilidades naturais dos seres, tanto como nunca será prudente não se ver que as conquistas da Humanidade são devidas a estudos e pesquisas, experimentações e ensinamentos, que são passados de pessoas a pessoas, gerações a gerações. Do contrário seríamos apenas repetidores não criativos, tudo fazendo dentro dos limites de um mesmo padrão, como faz o pássaro João de barro, por exemplo...
Não conhecer pelo menos o básico da anatomia, da fisiologia e, até, da patologia é uma dificuldade a ser vencida, pois o avanço de técnicas e a transmissão de detalhes acerca do que é feito ou do que pode vir a sê-lo pede identificação de órgãos, sintomas e cuidados, para os quais o conjunto desses três ramos da Medicina é fundamental.
Se o Magnetismo não se desenvolve somente porque se aprendeu o relativo a esses ramos da Medicina, seu desconhecimento impede e até atrasa a marcha de progresso que todos buscamos.
Por fim, sendo o desenvolvimento da duplavista uma real necessidade do magnetizador responsável e o tato-magnético seu grande ramo na prática dessa ciência, será sempre embaraçoso não se saber que órgãos, sistemas ou partes do corpo estão sendo atendidos ou examinados, o que ocorre neles e que possíveis doenças ali estão ou estarão instaladas. Desenvolver o tato-magnético, segura e poderosa lupa psíquica em favor do sucesso das ações magnéticas, é de reconhecida necessidade; e, para isso, o estudo do corpo humano é fundamental.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 03, agosto/2010     

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

FALTA DE MERECIMENTO OU DE ESTUDO?


FALTA DE MERECIMENTO OU DE ESTUDO?
Yonara Rocha / EUA
Muito se fala no movimento espírita sobre o merecimento do paciente ou atendido nas Casas Espíritas, e eu gostaria de fazer uma reflexão a respeito deste assunto.
Será que Deus realmente escolhe quem tem merecimento ou não? Até que ponto, fisiologicamente falando, isso é possível?
No passe estamos atuando tanto no campo do perispírito como no físico, portanto, fica a questão: o que predominaria numa pessoa para ela receber uma cura dentro do que seria o seu merecimento: a estrutura do perispírito? Se sim, de que maneira isso se verificaria? O perispírito teria um escudo contra o magnetismo? Do outro lado temos visto casos em que ainda não conseguimos resultados positivos, mas será mesmo por causa da tão falada falta de merecimento do paciente? Eu questiono isso, porque quando algo não dá certo temos a mania de culpar os outros – e isso ainda é muito forte dentro de todos nós. Um exemplo disso temos quando várias pessoas sofrem de depressão no mundo, mas aqueles que se submetem ao tratamento de depressão pela técnica de Jacob Melo ficam curados. Por quê? Esses – e só esses – merecem a cura?
Alguém se dedicou, estudou, pesquisou a depressão pelo Magnetismo e conseguiu descobrir uma maneira de curá-la por seus mecanismos, de tal maneira que se isso não tivesse acontecido vários casos de depressão não solucionados decerto seriam creditados ao não merecimento do paciente.
O que mais me preocupa nessa questão do merecimento – ou da falta dele – é o acomodamento dos passistas que podem perder seus potenciais magnéticos, os quais são movidos pela vontade; quando eles suspeitam que talvez o paciente não mereça a cura, simplesmente se satisfazem. Seria diferente, em termos de doação e qualidade de fluidos, se eles acreditassem que todos são merecedores da cura. A postura do EU POSSO é essencial para um bom magnetizador, ele tem que acreditar em si mesmo, em sua força para fazer um bom atendimento magnético, pois se achar que está apenas submetido ao merecimento do paciente, logo desanimarão, perdendo o entusiasmo, o desejo da pesquisa, a vontade de se desenvolver mais e melhor. A consequência dessa postura leva à perda da oportunidade de conseguir descobrir a cura ou os meios de obtê-la.
Esse conceito é antigo no Movimento Espírita e em minha opinião precisa ser reavaliado. Estamos ainda começando a trabalhar com a ciência do Magnetismo e toda ciência deve evoluir. Os magnetizadores do passado nos deixaram a base e cabe a nós, os magnetizadores de hoje, levar essa ciência adiante, fazendo novas descobertas e pesquisas, aprofundando estudos e colhendo melhores resultados. Mas para conseguir isso devemos nos colocar na posição de aprendizes interessados e pesquisadores perseverantes. Não sabemos de tudo, ainda não conhecemos 100% do que o Magnetismo nos oferece e nem mesmo o que os magnetizadores de épocas remotas sabiam. Por isso, ainda não conseguimos a cura em determinadas situações e sobre certas patologias, não porque o paciente não merece e sim porque NÓS, os magnetizadores do hoje, AINDA não sabemos nos conduzir, magneticamente falando, como já seria de se esperar. Falta-nos, em muitas situações, eficácia no tato magnético, concentração no momento do passe, conhecimento fisiológico e fluídico mais aprimorados, tempo para atender aos pacientes de forma mais adequada e eficiente, conhecimento da qualidade no fluido doado, perseverança em todas as fases do que essa busca nos pede, etc..
O melhor que podemos fazer hoje não é O MELHOR QUE EXISTE PARA O PACIENTE, simplesmente é a nossa limitação; o paciente é merecedor de tudo de bom, inclusive da cura, e cabe a nós nos esforçarmos, através da prática e do estudo do Magnetismo, dar ao paciente o que ele realmente MERECE: a cura.
A Organização Mundial de Saúde diz que existem doentes e não doenças, e não poderia ser diferente no Magnetismo. Cada paciente é um universo fluídico a ser desvendado pelo passista. Existem regras básicas, mas também existem diferenciais que precisam ser analisados e descobertos. A Ciência médica até hoje busca compreender melhor essa máquina que é o corpo humano; quantas doenças a ciência não consegue curar!
Seria apenas por falta de merecimento do paciente ou ignorância da própria Medicina?  Quantos morreram no passado de doenças que são hoje completamente curáveis? No Magnetismo, o passista, além de conhecedor das funções do corpo humano precisa também conhecer o fator energético e descobrir onde está a falha energética no campo fluídico que gerou a doença no corpo físico; isso requer pesquisas, estudos, buscas incessantes. O Magnetismo já descobriu a cura de várias doenças, mas, assim como a ciência, ainda não descobriu a cura de tudo e isso não quer dizer que a cura seja impossível.
Ninguém evolui pela dor, ainda quando esta seja vista ou percebida como um chamado ao caminho do amor. Se a dor, por si só, gerasse evolução nos seres, não se apontariam tantos doentes revoltados exatamente por conta dela. Por conta da dor blasfemam contra Deus, mas Ele não castiga ninguém. Na realidade, a doença é uma consequência dos nossos atos e não um castigo; não sendo castigo ela pode ser curada sim. Por outro lado, a cura pode trazer ao paciente a oportunidade de renovação interior, pelo sentimento da gratidão – por sinal, o que importa na lei do progresso é a reforma íntima, pois o ser só progride de fato pela mudança positiva de comportamento.
Kardec (A Gênese, cap. 14, item 31) anotou:
"A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo está, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada, mas depende também da energia da vontade, que, quanto maior for, mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou espírito".
O que se depreende dessa afirmação é que existem vários fatores a determinar uma cura e não dá para se entender que o “merecimento” seja dos mais poderosos.
Temos visto muitos casos onde um passista não consegue resultados positivos e outro sim. O fluido de determinado magnetizador tem mais poder de ação em certas doenças do que outros e isso também é um fator importante no processo da cura. Devemos também levar em consideração essas e outras muitas variáveis antes de assumir que o Magnetismo não cura ou o paciente não tem merecimento.
Um bom magnetizador deve ter sempre em mente a máxima do Evangelho “o amor cobre uma imensidão de pecados”, portanto o amor pode ser considerado como o maior destruidor de não merecimentos.
Jornal Vortice ANO III, n.º 02, julho/2010    

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PASSE, trabalho de equipe


PASSE, trabalho de equipe
Roberto Teixeira / RS
Falar sobre o passe magnético e sua trajetória desde a antiguidade até os dias atuais, por mais que seja enriquecedor não é o objetivo deste artigo e a isso não nos ateremos, senão superficialmente.
As doenças, segundo os historiadores, existem desde a pré-história, assim como a busca para controlá-las.
De Franz Anton Mesmer, do Barão du Potet, ao nosso Jacob Melo, reconhecidamente obteve-se muito progresso no tratamento de enfermidades pelo passe. Estes consagrados nomes do Magnetismo Terapêutico, assim como seus seguidores, demonstram consenso em afirmar a necessidade absoluta do estudo e da pesquisa permanentes sobre o assunto aqui tratado.
Considerado o maior magnetizador de todos os tempos, Du Potet afirmava que além do progresso alcançado por um século de estudos e pesquisas, seria ainda o Magnetismo chamado a se desenvolver e adquirir novos conhecimentos.
Engajando-se ao grupo de estudos do Barão du Potet, Hipolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), ez referência à preparação do Espiritismo pelo Magnetismo. Obras como:  A Revista Espírita e  A Gênese (Curas através da ação fluídica) fazem alusão à prática do Magnetismo no combate às enfermidades do corpo e do EspíritoAtualmente, grande número de Casas Espíritas presta "atendimentos" de passes. Câncer, hepatite C, psoríase, autismo, depressão, síndrome do pânico, obsessão, são alguns dos problemas que nos chegam todas as semanas. A responsabilidade que assumimos é indiscutivelmente grande, maior ainda deverão ser nossos esforços em estarmos preparados para tratá-los adequadamente.
É evidente que o passe magnético, assim como o próprio Espiritismo, são sinônimos de estudo.
Aqueles que acreditam que todo trabalho deve ficar por conta dos bons Espíritos, perdem tempo precioso, e mesmo que inconscientemente, se eximem de parte fundamental no compromisso assumido.
As fontes estão à disposição de todos. Conservadorismo inoportuno e inconsequente só traz prejuízo e a prova disso são as migrações de pacientes que nos chegam de alguns lugares, com os centros de força congestionados pelas imposições de mãos constantes e indiscriminadas a que são submetidos. Assim como toda a Criação Divina, o passe magnético também está sujeito, como não poderia deixar de ser, à lei do progresso, e as questões que para alguns ainda estão obscuras, serão entendidas definitivamente, quando com imparcialidade analisarem os fatos, pois como ensina a Espiritualidade: aquilo que é fato, não deixa margem para dúvidas.
O passe na Casa Espírita, inquestionavelmente deve ser um trabalho de equipe.
A entrevista a que é submetido o paciente é primordial e necessita ser bem feita; um entrevistador experiente e bem treinado deixa o entrevistado seguro e a vontade o suficiente para que nãoomita fatos que possam ser essenciais ao tratamento.
Os pacientes precisam estar convictos do que realmente querem, e serem devidamente esclarecidos sobre os efeitos e etapas do tratamento que devem ser cumpridas, para não se perder tempo precioso, e principalmente, para que se obtenham resultados mais satisfatórios.
O expositor (encarregado da leitura e comentário de um texto nos instantes que precedem o passe), consciente da importância daqueles minutos de reflexão para a harmonização de todos, procura sempre leituras convenientes para o momento, que prendam a atenção dos presentes e que facilitem o estabelecimento da relação magnética.
Os passistas, não se acomodando, achando que somente o amor, a confiança e a vontade de ajudar serão suficientes, não transferirão aquilo que é de sua responsabilidade, para os Espíritos magnetizadores, que já fazem a sua parte, que é nos amparar, assistir, intuir e potencializar as energias magnéticas na hora do passe.
Muitos são os motivos que levam as pessoas às Casas Espíritas, e aqueles que estudam e praticam o Espiritismo sabem que a sede das doenças se encontra no Espírito; aquele que não conhece a imortalidade da alma e as leis que regem a vida espiritual, não conhece a si mesmo, nem a magnitude da criação de Deus. Os espíritas, que reconhecem verdadeiramente os benefícios que o conhecimento e a prática da Doutrina proporcionam, mais do que um dever, devem ter como ato de caridade, o despertar do interesse desses nossos irmãos para o Espiritismo.
Laboratórios de estudo e pesquisa, onde abordagens sobre doenças, estabelecimentos de método e técnicas magnéticas para tratá-las, anatomia, perispírito, centros de força, plexos, acompanhamento dos atendimentos dos pacientes através da análise das fichas e tudo mais que se entender necessário e oportuno poderá ser criado pelos grupos interessados.
Desafios é o que não falta, mas com grupos coesos, conscientes, determinados e trabalhando em equipe, os resultados positivos aparecerão.
Mesmer, Du Potet, Kardec e tantos outros, deram tudo de si, por algo em que realmente acreditavam, suportaram descasos e até mesmo a exposição ao ridículo, sem esmorecer. Deixaram como legado a possibilidade de seguirmos adiante nesse trabalho maravilhoso de levar alívio às dores da humanidade, agora só depende de nós. Não esperemos, assim como eles, encontrar facilidades, mas, sim, muito trabalho.
Jornal Vortice ANO III, n.º 02, julho/2010