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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Médiuns Curadores.


Médiuns Curadores.

Entre o magnetizador e o médium curador há, pois, esta diferença capital: o primeiro magnetiza com o seu próprio fluido, e o segundo com o fluido depurado dos Espíritos; donde se segue que estes últimos dão o seu concurso a quem querem e quando querem; que podem recusá-lo e, por conseguinte, tirar a faculdade daquele que dela abusasse ou a desviasse de seu fim humanitário e caritativo, para dela fazer comércio. Quando Jesus disse aos apóstolos: “Ide! expulsai os demônios, curai os enfermos”, acrescentou: “Dai de graça o que de graça recebestes”.
Os médiuns curadores tendem a multiplicar-se, como anunciaram os Espíritos, e isto em vista de propagar o Espiritismo, pela impressão que esta nova ordem de fenômenos não deixará de produzir nas massas, porquanto não há quem não ligue para a sua saúde, mesmo os maiores incrédulos. Desse modo, quando virem obter com o concurso dos Espíritos o que a Ciência não pode dar, forçoso será convir que há uma força fora do nosso mundo. Assim a Ciência será levada a sair da via exclusivamente material em que ficou até hoje. Quando os magnetizadores antiespiritualistas ou antiespíritas virem que existe um magnetismo mais poderoso que o seu, serão forçados a remontar à verdadeira causa.
Importa, todavia, precaver-se contra o charlatanismo, que não deixará de tentar explorar em proveito próprio esta nova faculdade. Para isto, há um meio muito simples: lembrar-se de que não há charlatanismo desinteressado, e que o desinteresse absoluto, material e moral, é a melhor garantia de sinceridade. Se há uma faculdade dada por Deus com um objetivo santo, sem sombra de dúvida é esta, pois que exige imperiosamente o concurso dos Espíritos superiores, e este não pode ser adquirido pelo charlatanismo. É para que se fique bem edificado quanto à natureza toda especial desta faculdade que nós o descrevemos com alguns detalhes. Embora tenhamos podido constatar-lhe a existência por fatos autênticos, muitos dos quais passados sob os nossos olhos, pode dizer-se que ainda é rara, e só existe parcialmente nos médiuns que a possuem, seja por não terem todas as qualidades requeridas para possuí-la em sua plenitude, seja por estar ainda em começo. Eis por que, até hoje, os fatos não tiveram muita repercussão; mas não tardarão a tomar desenvolvimentos capazes de chamar a atenção geral. Dentro de poucos anos ela se revelará nalgumas pessoas predestinadas para isto, com uma força que triunfará de muitas obstinações. Mas não são os únicos fatos que o futuro nos reserva, e pelos quais Deus confundirá os orgulhosos e os convencerá de sua impotência. Os médiuns curadores são um dos mil meios providenciais para atingir este objetivo e acelerar o triunfo do Espiritismo. Compreende-se facilmente que esta qualificação não pode ser conferida aos médiuns escreventes, que obtêm receitas médicas de certos Espíritos.
Não encaramos a mediunidade curadora senão do ponto de vista fenomênico e como meio de propagação, e não como recurso habitual.
REVISTA ESPÍRITA Janeiro de 1864

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CAUSA E NATUREZA DA CLARIVIDÊNCIA SONAMBÚLICA (OBRAS PÓSTUMAS)


CAUSA E NATUREZA DA CLARIVIDÊNCIA SONAMBÚLICA (OBRAS PÓSTUMAS)
Se procedermos por analogia, diremos que o fluido magnético, disseminado por toda a Natureza e cujos focos principais parece que são os corpos animados, é o veículo da clarividência sonambúlica, como o fluido luminoso é o veículo das imagens que a nossa faculdade visual percebe. Ora, assim como o fluido luminoso torna transparentes corpos que ele atravessa livremente, o fluido magnético, penetrando todos os corpos sem exceção, torna inexistentes os corpos opacos para os sonâmbulos. Tal a explicação mais simples e mais material da lucidez, falando do nosso ponto de vista. Temo-la como certa, porquanto o fluido magnético incontestavelmente desempenha importante papel nesse fenômeno; ela, entretanto, não poderia elucidar todos os fatos.
Há outra que os abrange todos; mas, para expô-la, fazem-se indispensáveis algumas explicações preliminares.
Na visão a distância, o sonâmbulo não distingue um objeto ao longe, como o faríamos nós com o auxílio de uma luneta.  Não é que o objeto, por uma ilusão de ótica, se aproxime dele, ELE É QUE SE APROXIMA DO OBJETO. O sonâmbulo vê o objeto exatamente como se este se achasse a seu lado; vê-se a si mesmo no lugar que ele observa; numa palavra: transporta-se para esse lugar. Seu corpo, no momento, parece extinto, a palavra lhe sai mais surda, o som da sua voz apresenta qualquer coisa de singular; a vida animal também parece que se lhe extingue; a vida espiritual está toda no lugar aonde o transporta o seu próprio pensamento: somente a matéria permanece onde estava. Há pois uma certa porção do ser que se lhe separa do corpo e se transporta instantaneamente através do espaço, conduzida pelo pensamento e pela vontade. Evidentemente, é imaterial essa porção; a não ser assim, produziria alguns dos efeitos que a matéria produz. É a essa parcela de nós mesmos que chamamos: a alma.
É a alma que confere ao sonâmbulo as maravilhosas faculdades de que ele goza. A alma é quem, dadas certas circunstâncias, se manifesta, isolando-se em parte e temporariamente do seu invólucro corpóreo.
Para quem quer que haja observado com atenção os fenômenos do sonambulismo em toda a sua pureza, é patente a existência da alma, tornando-se-lhe uma insensatez demonstrada até à evidência a ideia de que tudo em nós acaba com a vida animal. Pode-se, pois, dizer com alguma razão que o magnetismo e o materialismo são incompatíveis.
Se alguns magnetizadores se afastam desta regra e professam as doutrinas materialistas, é sem dúvida que se hão cingido a um estudo muito superficial dos fenômenos físicos do Magnetismo e não procuram seriamente a solução do problema da visão a distância. Como quer que seja, nunca vimos um único  sonâmbulo  que não se mostrasse penetrado de profundo sentimento religioso,  fossem quais fossem suas opiniões no estado vígil.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 06, novembro/2010 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CURA DE UMA FRATURA PELA MAGNETIZAÇÃO ESPIRITUAL.


CURA DE UMA FRATURA PELA MAGNETIZAÇÃO ESPIRITUAL.
Nossos leitores se lembram, sem dúvida, do caso de cura quase instantânea de uma entorse, operada pelo Espírito do doutor Demeure, poucos dias depois de sua morte, e que relatamos na Revista do mês de março último, assim como o relato da cena tocante que teve lugar nessa ocasião. Esse excelente Espírito vem ainda assinalar sua boa vontade por uma cura mais maravilhosa ainda sobre a mesma pessoa. Eis o que se nos escreve de Montauban, em 14 de julho de 1865:
O Espírito do doutor Demeure vem de nos dar uma nova prova de sua solicitude e de seu profundo saber: eis em que ocasião.
Na manhã de 26 de maio último, a Senhora Maurel, nosso médium vidente e escrevente mecânico, teve uma queda infeliz e quebrando o antebraço, um pouco abaixo do cotovelo.
Essa fratura, complicada com distenções do punho e do cotovelo estava bem caracterizada pelo estalo dos ossos e o inchaço que lhe são os sinais mais certos.
Sob a impressão da primeira emoção produzida por esse acontecimento, os pais da Senhora Maurel foram procurar o primeiro médico encontrado, quando esta, retendo-os, tomou um lápis e escreveu medianimicamente com a mão esquerda: "Não vades procurar um médico; eu me encarrego disso. Demeure." Esperou-se, pois, com confiança. Segundo as indicações do Espírito, faixinhas e um aparelho foram imediatamente confeccionados e colocados. Uma magnetização espiritual foi em seguida praticada pelos bons Espíritos que ordenaram, provisoriamente, o repouso. Na noite do mesmo dia, alguns adeptos convocados pelos Espíritos se reuniram na casa da Senhora Maurel, que, adormecida por um médium magnetizador, não tardou em entrar em sonambulismo. O doutor Demeure continuou então o tratamento que não tinha senão esboçado de manhã, agindo mecanicamente sobre o braço fraturado. Já, sem outro recurso aparente que sua mão esquerda, nossa doente tinha tirado prontamente o primeiro aparelho, sendo mantidas somente as tirinhas, quando se viu esse membro tomar insensivelmente, sob a influência da atração magnética espiritual, diversas posições próprias para facilitar a redução da fratura. Parecia ser, então, o objeto de toques inteligentes, sobretudo no ponto onde deveria se efetuar a soldadura dos ossos; alongando-se em seguida sob a ação de trações longitudinais.
Depois de alguns instantes dessa magnetizações espiritual, a senhora Maurel só procedeu à consolidação das tirinhas e a uma nova aplicação do aparelho, consistente em duas tabuinhas se ligando entre si e ao braço por meio de uma correia. Tudo, pois, tinha se passado como se um cirurgião hábil tivesse operado ele mesmo visivelmente; e, coisa curiosa, ouvia-se durante o trabalho estas palavras que o aperto da dor, escapava da boca da paciente: "Não aperteis tão forte!... Vós me fazeis mal!..." Ela via o Espírito do doutor, e era a ele que se dirigia, suplicando para poupar sua sensibilidade. Era, pois, realmente um ser invisível para todos exceto para ela, e que lhe apertava o braço, servindo-se inconscientemente de sua própria mão esquerda.
Qual era o papel do médium magnetizador durante esse trabalho? Parecia inativo aos nossos olhos; sua mão direita, apoiada sobre a espádua da sonâmbula, contribuía com sua parte no fenômeno, pela emissão dos fluidos necessários à sua realização.
Na noite de 27 para 28, a Senhora Maurel, tendo desarranjado seu braço em conseqüência de uma falsa posição tomada durante seu sono, uma forte febre tinha se declarado, pela primeira vez; era urgente remediar esse estado de coisas. Reuniram-se, pois, de novo, em 28, e uma vez o sonambulismo declarado, a cadeia magnética foi formada, a convite dos bons Espíritos. Depois de vários passes e diversas manifestações, em tudo semelhantes às descritas mais acima, o braço foi recolocado em bom estado, não sem ter feito sentir a essa pobre senhora muitos sofrimentos cruéis. Apesar desse novo acidente, o membro já sentia o efeito salutar produzido pelas magnetizações anteriores; é o que prova o que segue, de resto. Desembaraçada momentaneamente de suas tirinhas, ela repousava sobre os cotovelos, quando, de repente, foi levantada alguns centímetros numa posição horizontal e dirigida docemente da esquerda para direita e reciprocamente; abaixou-se em seguida obliquamente e foi submetida a uma nova tração.
Depois os Espíritos se puseram a torcê-lo, a retorcê-lo em todos os sentidos e de tempo em tempo, fazendo movimentar jeitosamente as articulações do cotovelo e do punho. De tais movimentos automáticos impressos a um braço fraturado, inerte, sendo contrários a todas as leis conhecidas da gravidade e da mecânica, só à ação fluídica que se pode atribuir-lhe a causa. Se não fosse a certeza da existência dessa fratura, assim como os gritos dilacerantes dessa infeliz senhora, eu teria tido muita dificuldade, confesso-o, para admitir esse fato, um dos mais curiosos que a ciência possa registrar.
 Posso, pois, dizer, com toda a sinceridade, que me sinto muito feliz por ter podido ser testemunha de um semelhante fenômeno.
Em 29,30,31 e dias seguintes, magnetizações espirituais sucessivas, acompanhadas de manipulações variadas de mil maneiras, levaram a uma melhora sensível ao estado geral de nossa doente; o braço tomava todos os dias novas forças. O dia 31, sobretudo, é de se assinalar, como marcando o primeiro passo feito para a convalescença. Nessa noite, dois Espíritos que se faziam notar pelo brilho de sua irradiação, assistiam nosso amigo Demeure; pareciam lhe dar conselhos, e este se apressava em pô-los em prática. Um deles mesmo se punha, de tempos em tempos, à obra, e, por sua doce influência, produzia sempre um alívio instantâneo. Pelo fim da noite, as tabuinhas foram, enfim, definitivamente abandonadas e as faixinhas ficaram sozinhas para sustentar o braço e mantê-lo numa posição determinada. Devo acrescentar que, além disso, o aparelho de suspensão vinha se juntar à solidez suficiente da bandagem. Assim, no sexto dia após o acidente, e apesar da deplorável recaída sobrevinda em 27, a fratura estava em um tal caminho de cura, que o emprego dos meios postos em uso pelos médicos durante trinta ou quarenta dias teria se tornado inútil. No dia 4 de junho, dia fixado pelos bons Espíritos para a redução definitiva dessa fratura complicada com distensões, se reuniram à noite. A senhora Maurel, apenas em sonambulismo, se pôs a desenrolar as faixinhas que envolviam ainda seu braço, imprimindo-lhe um movimento de rotação tão rápido que o olho tinha dificuldade em seguir os contornos da curva que descrevia. A partir desse momento, ela se servia de seu braço como de hábito; ela estava curada.
No fim da sessão, ocorreu uma cena tocante, que merece ser narrada aqui. Os bons Espíritos, em número de trinta, formavam no começo uma cadeia magnética paralelaàquela que nós mesmos formávamos. A senhora Maurel, estando colocada, pela mão direita, em comunicação direta sucessivamente com cada par de Espíritos, recebia, colocada como estava no interior das duas cadeias, a ação benfazeja de uma dupla corrente fluídica enérgica. Radiante de alegria, esperava com solicitude a ocasião para agradecer-lhes efusivamente pelo concurso poderoso que tinham prestado à sua cura. A seu turno, recebia deles encorajamentos para perseverar no bem.
 Isto terminado, ela tentou suas forças de mil modos; apresentando seu braço aos assistentes, fazendo-os tocar as cicatrizes da soldadura dos ossos; ela lhes apertava a mão com força, anunciando-lhes com alegria a sua cura operada pelos bons Espíritos. Em seu despertar, vendo-se livre em todos seus movimentos, ela desmaiou, dominada por sua profunda emoção!.... Quando se é testemunha de tais fatos, não se pode senão proclamá-los bem alto, porque merecem atrair a atenção das pessoas sérias.
Por que, pois, encontra-se, no mundo inteligente, tanta resistência para admitir a intervenção dos Espíritos sobre a matéria?
Porque se encontram pessoas que crêem na existência e na individualidade do Espírito, e que lhes recusam a possibilidade de se manifestarem, é porque não se dão conta das faculdades físicas do Espírito que se afigura imaterial de maneira absoluta. A experiência demonstra, ao contrário, que, por sua natureza própria, ele age diretamente sobre os fluidos imponderáveis, e, conseqüentemente, sobre os fluidos ponderáveis, e mesmo sobre os corpos tangíveis.
Como procede um magnetizador comum?
Suponhamos que queira agir sobre um braço, por exemplo: concentra sua ação sobre esse membro, e por um simples movimento de seus dedos, executado à distância e em todos os sentidos, agindo absolutamente como se o contato da mão fosse real, ele dirige uma corrente fluídica sobre o ponto desejado. O Espírito não age de outro modo; sua ação fluídica se transmite de perispírito a perispírito, e deste para o corpo material. O estado de sonambulismo facilita consideravelmente essa ação, em conseqüência do desligamento do perispírito, que se identifica melhor com a natureza fluídica do Espírito, e sofre então a influênciaespiritual elevada à sua maior força.
Toda a cidade está ocupada com essa cura obtida sem o concurso da ciência oficial e cada um disse a sua palavra. Uns pretenderam que o braço não tinha sido quebrado; mas a fratura tinha sido muito e devidamente constatada por numerosas testemunhas oculares, entre outras pelo doutor D... que visitou a doente durante o tratamento; outros disseram: "É muito surpreendente" e ficaram nisso; é inútil acrescentar que alguns afirmaram que a senhora Maurel tinha sido curada pelo diabo; se ela não tivesse estado nas mãos de profanos, teriam visto ali um milagre. Para os Espíritas, que se dão conta do fenômeno, nisso vêem muito simplesmente a ação de uma força natural desconhecida até nós, e que o Espiritismo veio revelar aos homens.
Notas. - Se há fatos espíritas que poderiam, até certo ponto, atribuir à imaginação, como os de visões, por exemplo, não poderia ocorrer o mesmo aqui; a senhora Maurel não sonhou que tinha quebrado o braço, não mais do que as numerosas pessoas que seguiram o tratamento; as dores que ela sentia não eram da alucinação; sua cura em oito dias não é uma ilusão, uma vez que se serve de seu braço. O fato brutal está aí, diante do qual é preciso necessariamente se inclinar. Ele confunde a ciência, é verdade, porque, no estado atual dos conhecimentos, parece impossível; mas não foi assim todas as vezes que se revelaram novas leis? É a rapidez da cura que vos espanta? Mas é que a medicina não descobriu muitos agentes muito mais ativos do que aqueles que ela conhecia para apressar certas curas? Não se encontrou nestes últimos tempos o meio de cicatrizar quase instantaneamente certas feridas? Não se encontrou aquele de ativar a vegetação e a frutificação?
Por que não haveria aquele para ativar a soldadura dos ossos? Conheceis, pois, todos os agentes da Natureza, e Deus não tem mais segredospara vós? Não é mais lógico negar hoje a possibilidade de uma cura rápida, do que não o foi, no século último, negar a possibilidade de fazer, em algumas horas, o caminho que se gastavam dez dias para percorrer? Esse meio, direi, não está no códice, é verdade; mas é que antes de que a vacina ali estivesse inscrita, seu inventor não foi tratado de louco? Os remédios homeopáticos não são, não mais, o que impede os médicos homeopatas se encontrarem por toda a parte e curar. De resto, como não se trata aqui de um preparado farmacêutico, é mais do que provável que esse meio não figurará por muito tempo na ciência oficial.
Mas, dir-se-á, se os médicos vierem exercer sua arte depois de sua morte, vão fazer concorrência aos médicos vivos; é muito possível; no entanto, que estes últimos se tranqüilizem se lhes tiram algumas práticas, não é para suplantá-los, mas para lhes provar que não estão inteiramente mortos, e oferecer o seu concurso desinteressado àqueles que quiserem bem aceitá-lo; para melhor fazê-los compreender, mostram-lhes que, em certas circunstâncias, pode-se passar sem eles. Sempre houve médicos, e assim o será sempre; somente aqueles que aproveitarem as novidades que lhe trazem os desencarnados, terão uma grande vantagem sobre aqueles que ficarão para trás. Os Espíritos vêm ajudar o desenvolvimento da ciência humana, e não suprimi-la. Na cura da senhora Maurel, um fato que surpreendeu talvez mais do que a rapidez da soldadura dos ossos, foi o movimento do braço fraturado que parecia contrário a todas as leis da dinâmica e da gravidade. Contrário ou não, o fato aí está; uma vez que existe, é que tem uma causa; uma vez que se renova, e que está submetida a uma lei; ora, é esta a lei que o Espiritismo vem nos dar a conhecer pelas propriedades dos fluidos perispirituais. Esse braço que, submetido somente às leis da gravidade, não poderia se levantar, supondo-o mergulhado num líquido de uma densidade muito maior do que o ar, todo fraturado que está, sendo sustentado por esse líquido que lhe diminui o peso, poderá se mover nele sem dificuldade, e mesmo ser levantado sem o menor esforço; é assim que, num banho, o braço que parece muito pesado fora da água parece muito leve na água. Ao líquido substitui um fluido gozando das mesmas propriedades e tereis o que se passa neste caso presente, fenômeno que repousa sobre o mesmo princípio que o das mesas e das pessoas que se mantêm no espaço sem ponto de apoio.
Este fluido é o fluido perispiritual que o Espírito dirige à sua vontade, e do qual modifica as propriedades unicamente pelo ato de sua vontade. Na circunstância presente, deve-se, pois, se representar o braço da senhora Maurel mergulhado num meio fluídico que produz o efeito do ar sobre os balões.
Alguém perguntou a esse respeito se, na cura dessa fratura, o Espírito do doutor Demeure tinha agido com ou sem o concurso da eletricidade e do calor. A isso respondemos que a cura foi produzida, naquele caso, como em todos os de cura pela magnetização espiritual, pela ação do fluido emanado do Espírito; que esse fluido embora etéreo, não é menos da matéria; que pela corrente que lhe imprime, o Espírito pode impregná-lo e saturar todas as moléculas da parte enferma; que pode modificar-lhe as propriedades, como o magnetizador modifica as da água, e lhe dá uma virtude curativa apropriada às necessidades; que a energia da corrente está em razão do número, da qualidade e da homogeneidade dos elementos que compõem a cadeia das pessoas chamadas a fornecer seu contingente fluídico. Essa corrente, provavelmente, ativa a secreção que deve produzir a soldadura dos ossos, e leva assim a uma cura mais pronta do que quando ela é entregue a si mesma.
Agora, a eletricidade e o calor desempenham um papel nesse fenômeno? Isto é tanto mais provável quanto o Espírito não cura por um milagre, mas por uma aplicação mais judiciosa das leis da Natureza, em razão de sua clarividência. Se, como a ciência é levada a admiti-lo, a eletricidade e o calor não são fluidos especiais, mas modificações ou propriedades de um fluido elementar universal, eles devem fazer parte dos elementos constitutivos do fluido perispiritual; sua ação, no caso presente, é, pois, implicitamente compreendida, absolutamente como quando se bebe vinho, bebe-se necessariamente a água e o álcool.
Revista Espírita Setembro 1865

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os Fluidos CATALEPSIA. RESSURREIÇÕES, A GÊNESE, CAPÍTULO XIV


Os Fluidos CATALEPSIA. RESSURREIÇÕES, A GÊNESE, CAPÍTULO XIV 
29. A matéria inerte é insensível; o fluido perispirítico igualmente o é, mas transmite a sensação ao centro sensitivo, que é o Espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no Espírito, qual choque elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, que parece ter nos nervos os seus fios condutores. É o influxo nervoso dos fisiologistas que, desconhecendo as relações desse fluido com o princípio espiritual, ainda não puderam achar explicação para todos os efeitos.
A interrupção pode dar-se pela separação de um membro, ou pela secção de um nervo, mas, também, parcialmente ou de maneira geral e sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação, de grande sobreexcitação ou preocupação do Espírito. Nesse estado, o Espírito não pensa no corpo e, em sua febril atividade, atrai a si, por assim dizer, o fluido perispiritual que, retirando-se da superfície, produz aí uma insensibilidade momentânea. Poder-se-ia também admitir que, em certas circunstâncias, no próprio fluido perispiritual uma modificação molecular se opera, que lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. É por isso que, muitas vezes, no ardor do combate, um militar não percebe que está ferido e que uma pessoa, cuja atenção se acha concentrada num trabalho, não ouve o ruído que se lhe faz em torno. Efeito análogo, porém mais pronunciado, se verifica nalguns sonâmbulos, na letargia e na catalepsia. Finalmente, do mesmo modo também se pode explicar a insensibilidade dos convulsionários e de muitos mártires. (Revue Spirite, janeiro, de 1868: “Estudo sobre os Aissaouas”.)
A paralisia já não tem absolutamente a mesma causa: aí o efeito é todo orgânico; são os próprios nervos, os fios condutores que se tornam inaptos à circulação fluídica; são as cordas do instrumento que se alteraram.
30. Em certos estados patológicos, quando o Espírito há deixado o corpo e o perispírito só por alguns pontos se lhe acha aderido, apresenta ele, o corpo, todas as aparências da morte e enuncia-se uma verdade absoluta, dizendo que a vida aí está por um fio.
Semelhante estado pode durar mais ou menos tempo; podem mesmo algumas partes do corpo entrar em decomposição, sem que, no entanto, a vida se ache definitivamente extinta. Enquanto não se haja rompido o último fio, pode o Espírito, quer por uma ação enérgica, da sua  própria  vontade, quer por  um influxo fluídico estranho, igualmente forte, ser chamado a volver ao corpo. É como se explicam certos fatos de prolongamento da vida contra todas as probabilidades e algumas supostas ressurreições. É a planta a renascer, como às vezes se dá, de uma só fibrila da raiz. Quando, porém, as últimas moléculas do corpo fluídico se têm destacado do corpo carnal, ou quando este último há chegado a um estado irreparável de degradação, impossível se torna todo regresso à vida.(1)
(1) Exemplos: Revue Spirite, “O doutor Cardon”, agosto de 1863, pág. 251; ― “A mulher corsa”, maio de 1866, pág. 134.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 03, agosto/2010

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Água Fluidificada e Passes Curadores - O Mito e a Ciência


Água Fluidificada e Passes Curadores - O Mito e a Ciência
Andressa de Oliveira Dias

Em todos os tempos da história temos relatos os mais diversos sobre curas milagrosas usando a imposição das mãos. A Bíblia talvez seja o livro mais famoso que narra as mais diferentes curas: “E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe dizendo: Quero. Fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo de sua lepra”. (Mateus, Cap. VIII, v. 3). Nos povos indígenas, a figura do Pajé se mostra um grande curador que utiliza suas mãos para tal. As Bezendeiras que fazem parte da cultura popular, também possuem seus métodos de cura, e um grande prestígio, em especial nas cidades interioranas. No oriente, relatos mais antigos que a bíblia nos remete a religiosos que curavam as mais diversas mazelas utilizando-se somente das mãos, inclusive uma prática que se originou no oriente: o Reike, terapia que utiliza principalmente a imposição das mãos, assim como o Karuna. A Cura Prânica, também é uma terapia que utiliza as mãos para curar.

Franz Anton Mesmer foi um dos primeiros a pesquisar cientificamente esta prática. Médico austríaco, criador da teoria do magnetismo animal conhecida pelo nome de Mesmerismo, nasceu a 23 de maio de 1734 em Iznang, em uma pequena vila perto do Lago Constance. Estudou teologia em Ingolstadt e formou-se em medicina na Universidade de Viena. Em 1775, após muitas experiências, Mesmer reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que delas se desprende um fluido que alcança o doente. Declara: "De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem". A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, estendia o benefício a maior número de pessoas, magnetizando a água, pratos, etc. Cujo contato submetia os enfermos. Inventada a cuba mesmérica (Fig.1), passou a atender 30 pacientes por sessão, 300 diariamente. A cuba consistia num recipiente com água magnetizada, do qual saiam numerosas varas de ferro, em cujos extremos pontiagudos se prendiam os doentes, colocando estas pontas em suas partes enfermas.

Produziam-se, então, variadas reações nervosas ou histéricas, com efeitos curativos em muitos casos. Mesmer praticou durante anos o seu método de tratamento em Viena e em Paris, com evidente êxito, mas ele acabou expulso de ambas as cidades pela inveja e incompreensão de muitos. Depois de cinco tentativas para conseguir exame judicioso do seu método de curar, pelas academias, é que publica, em 1779, a "Dissertação sobre a descoberta do magnetismo animal", na qual afirma que esta é uma ciência com princípios e regras, embora ainda pouco conhecida. Em 1784, o governo francês nomeou uma comissão de médicos e cientistas para investigar suas atividades. Benjamin Franklin foi um dos membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas, porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas desconhecidas.

Atualmente no Brasil esta prática é muito difundida nos centros espíritas espalhados por todo o país, juntamente com a administração de "água fluidificada"; observam-se várias formas de aplicação de passes, como é chamado o ato nos centros espíritas. O Codificador da Doutrina reflete:

O magnetismo preparou o caminho para o Espiritismo, e os rápidos progressos desta última doutrina são incontestavelmente devidos à vulgarização das idéias acerca da primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal, que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar de outro. (Kardec, Allan. Revista Espírita, 1858).

Kardec ainda esclarece:

O Espiritismo e o Magnetismo (Animal) nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice (Kardec, Alan. O Livro dos Espíritos, questão 555).

Certas pessoas têm realmente o dom de curar por simples contato?

– O poder magnético pode chegar até isso, quando é secundado pela pureza de sentimentos e um ardente desejo de fazer o bem, porque então os bons Espíritos auxiliam. Mas é necessário desconfiar da maneira por que as coisas são contadas, por pessoas muito crédulas ou muito entusiastas, sempre dispostas a ver o maravilhoso nas coisas mais simples e mais naturais. É necessário também desconfiar dos relatos interesseiros, por parte de pessoas que exploram a credulidade em proveito próprio. (Kardec, Alan. O Livro dos Espíritos, questão 556).

É comum pessoas que assistem às palestras espíritas tomarem o passe e beberem da água ao final das palestras, como em um ritual, mas qual é o conceito da água “fluidificada”? E de onde surgiu esse conceito? A água é capaz de reter campos magnéticos? O fator psicológico altera os resultados? E os passes ditos espíritas, estão de acordo com os conceitos vistos nas obras dos Espíritos? É realmente necessário um curso de passe e qualquer um pode ser passista? O mérito moral realmente influencia no processo de cura? Qual é a visão científica dos dois temas?

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde de Washington (EUA), com base em cerca de trinta teses de doutoramento, foi atribuído ao Toque Terapêutico, em 1994, a comprovação da sua eficácia como terapia alternativa.

Em 1975, Dolores Krieger demonstrou os efeitos do toque terapêutico através da medição de índices fisiológicos em seres humanos após estudos laboratoriais. Comprovou que após a imposição de mãos ocorrem significativas alterações fisiológicas em doentes hospitalizados em diferenciados casos clínicos. Este estudo foi publicado na Revista Americana de Enfermagem, em 1979, sob o título de “Therapeutic touch: searching for evidence of physiological change” (Toque Terapêutico: busca por evidências de mudanças fisiológicas).

Verifica-se, até os dias de hoje, a existência de cargas magnéticas - de monopolos magnéticos - na natureza. Eis, pois, que surge a questão: qual a causa primária responsável pelos fenômenos magnéticos observados na natureza? A resposta é simples: cargas elétricas em movimento, ou seja, correntes elétricas. Todo magnetismo conhecido atrela-se de alguma forma à presença de cargas elétricas em movimento.

A escolha de sistemas envolvendo apenas cargas em movimento retilíneo uniforme é geralmente assumida quando se estuda o magnetismo, em virtude de que em sistemas envolvendo cargas elétricas aceleradas, haverá ainda um terceiro fenômeno envolvido: a emissão de ondas eletromagnéticas. Tal fenômeno resume-se geralmente na seguinte sentença: "cargas elétricas aceleradas irradiam". A necessidade de se considerar as interações oriundas da radiação presente em tais sistemas certamente torna-os mais complexos, sendo estes estudos no contexto do eletromagnetismo. O estudo dos fenômenos associados à interação magnética em sistemas envolvendo apenas cargas elétricas em movimento retilíneo uniforme - ou em sistemas onde a quantidade total de onda eletromagnética irradiada pode ser desprezada - é geralmente designado por Magnetostática.

Em essência, todo magnetismo conhecido atrela-se de alguma forma à presença de cargas elétricas em movimento. Mesmo em ímãs naturais, materiais onde não se verifica a presença de correntes macroscopicamente mensuráveis em suas estruturas, tal afirmação é valida.

Correntes elétricas é a fonte primária de campos magnéticos. É certamente necessário, pois que, dada uma distribuição de corrente conhecida, se possa calcular o campo magnético por ela produzido em um determinado ponto escolhido do espaço ao seu redor. Células biológicas usam a bioeletricidade para armazenar energia metabólica, fazer trabalho ou desencadear mudanças internas, entre um sinal elétrico e outro. Entramos aqui na Ciência do Bioeletromagnetismo, que é o resultado da ação da corrente elétrica produzida por potenciais de ação, junto com os campos magnéticos gerados pelo fenômeno de indução eletromagnética.

O campo magnético, afeta cada átomo do seu corpo. Os elétrons nos átomos giram em torno do núcleo. Aumentando o campo magnético presente junto do átomo, a velocidade dos elétrons orbitais aumenta e os elétrons de valência começam a pular para órbitas de maior energia. O átomo começa a vibrar com maior intensidade, num movimento chamado de precessão. A precessão resulta no aumento da ação molecular, causada pelo aumento do campo magnético. Isto cria uma órbita cônica para certos elétrons. O resultado líquido desse aumento na atividade molecular é um aumento na transferência de elétrons, que é a base de toda as reações químicas em nosso corpo. Esta é a razão porque uma diminuição no campo magnético leva a uma menor atividade molecular e a um decréscimo de enzimas no nosso corpo.

Em resumo: campo magnético mais elevado aumenta o movimento de elétrons e prótons, o que leva ao aumento da atividade molecular, resultando em reações químicas mais eficientes, o que funciona como um catalisador para melhorar as funções de nosso corpo.

Em 1829, CLOQUET faz o primeiro relato da utilização do mesmerismo como anestesia, procedendo à amputação de uma mama, método já utilizado por DUBOIS (1797) e RECAMIER (1821). James ESDAILLE (1808-1959) tornou-se um dos maiores magnetizadores, inspirado nas técnicas de ELLIOTSON. Cirurgião, trabalhou num hospital mesmérico em Calcutá, Índia, onde realizou milhares de pequenas cirurgias e 300 de grande porte sem dor, pelo magnetismo, com diminuição impressionante dos índices de mortalidade. Não empregava a sugestão verbal, mas o passe e a insuflação magnética, obtendo estados profundos de letargia, catalepsia, sonambulismo e insensibilidade. James, concluiu que: O mesmerismo é uma força natural do organismo humano, que afeta diretamente o sistema nervoso muscular; que a administração crônica do mesmerismo atua como um utilíssimo estimulante da debilidade funcional; que a água pode ser carregada com fluído magnético e tem um poderoso efeito sobre o sistema; que a influência mesmérica pode se transmitida através do ar a considerável distância. - ESDAILLE J. Cirurgia mayor e menor bajo hipnosis. Ed. Crespilil Buenos Aires, 1959.

Nesse trecho de O Livro dos Espíritos, questão 483, temos a resposta que o magnetismo atua no sistema nervoso central: Qual a causa da insensibilidade física que se verifica, seja entre certos convulsionários, seja entre outros indivíduos submetidos às torturas mais atrozes? – Entre alguns é um efeito exclusivamente magnético, que age sobre o sistema nervoso da mesma maneira que certas substâncias. Entre outros, a exaltação do pensamento embota a sensibilidade, pelo que a vida parece haver-se retirado do corpo e se transportado ao Espírito. Não sabeis que, quando o Espírito está fortemente preocupado com uma coisa, o corpo não sente, não ouve e não vê? (Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos).

Segundo LANTIER, em 1892, foi criada por uma espírita eminente uma escola prática de magnetismo e de massagem, admitida pelo governo francês. Frente à reação dos médicos, um novo projeto sobre o exercício da medicina foi discutido pelo Parlamento, levando os espíritas, magnetizadores, curandeiros e massagistas a fundarem um sindicato, conseguindo vinte e cinco mil assinaturas favoráveis à sua petição em defesa de seus interesses. Em função de vários processos contra curandeiros, espíritas e magnetizadores, e particularmente num caso envolvendo Mouroux em 1896, o Congresso Internacional Espírita que se realizou em 1900 em Paris, discutiu e deliberou que o Magnetismo realmente possui propriedades curativas e a eficácia de sua utilização para o tratamento das doenças sem qualquer perigo, e solicitando a alteração da legislação sobre o exercício da medicina.

Os passes ditos espíritas estão de acordo com os conceitos vistos nas obras dos Espíritos? É realmente necessário um curso de passe e qualquer um pode ser passista?

Na Revista Espírita de setembro de 1865, a Sra Maurel, médium vidente e psicógrafa mecânica, na manhã do dia 26 de Maio, fraturou o antebraço direito com distensões no punho e cotovelo, numa queda. Foi tratada através do magnetismo espiritual, e curada em impressionantes nove dias (tempo recorde para a medicina humana) por Bons Espíritos, dentre eles o Dr. Demeure, além de um grupo de amigos encarnados (formando assim, uma espécie de corrente magnética, oferecendo material fluídico que misturado com os dos Espíritos, proporcionaria a cura, neste caso), solicitados pelos Espíritos e um magnetizador que colocava a médium em estado sonambúlico. Os Espíritos poderiam agir sozinhos, mas os fluidos animalizados são mais compatíveis com a necessidade de um órgão físico.

“O fluido humano sendo menos ativo, exige uma magnetização prolongada e um verdadeiro tratamento, às vezes, muito longo. O fluido espiritual, mais poderoso em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, frequentemente, quase instantâneos”, orienta Kardec em outro artigo da mesma Revista.

Existe então, na realidade, esta gradação nos efeitos de acordo com o potencial fluídico, a origem do fluido e a sua maior ou menor qualidade. Qualidade que depende diretamente do nosso estado de saúde física e emocional, além do nosso padrão moral.

Kardec estuda a temática em "A Gênese" (KARDEC, 1989), no tópico "Curas". Esclarece as três formas da ação magnética: Pelo fluido (Bioenergia) do magnetizador (Magnetismo Humano); pelo fluido dos Espíritos atuando diretamente, sem intermediário (Magnetismo Espiritual), e pelo fluido que os Espíritos transmitem ao magnetizador (potencializando e ao qual este serve de condutor (Magnetismo Misto ou humano-espiritual). Conceitos não vistos no MEB.

Muitos acreditam que o efeito curativo dos passes magnéticos nada mais é que efeito placebo. A questão do placebo é um dos assuntos que mais fascinam e, ao mesmo tempo, mais causam controvérsias entre a classe científica.

Conhecer o placebo, suas possibilidades e seus efeitos, é fundamental para a classe científica. E para um leigo, até que ponto é interessante saber que um remédio ao qual ele atribui sua cura não passava, por exemplo, de simples composição de amido com açúcar? O placebo é definido como uma substância inerte ou inativa, a que se atribuem certas propriedades (como as de cura de uma doença) e que, ingerida, pode produzir um efeito que suas propriedades não possuem.

O Dr. Bernard Grad, bioquímico e pesquisador de geriatria no McGill University's Allen Memorial Institute, no Canadá, realizou experiências muito interessantes na Universidade de McGill, Montreal, na década de 1960, a respeito da cura pelo toque das mãos que foi reconhecida, e Grad recebeu um prémio da Fundação CIBA, uma fundação científica fundada por um grande laboratório farmacêutico. Nas suas experiências com sementes de cevada, Grad substituiu humanos por plantas e animais, para evitar o efeito placebo. Num recipiente de água salgada (que retarda o crescimento), Grad colocou as sementes e pediu a um curador psíquico (um passista) que fizesse imposição das mãos sobre a água.

As sementes foram colocadas em água salgada (tratada pelo passista e não tratada).Foram colocadas de seguida numa estufa, onde o processo de germinação e crescimento foi acompanhado. Verificou-se então que as sementes submetidas à água tratada pelo passista germinavam com maior frequência do que as outras.

Depois de germinadas, as sementes foram colocadas em potes e mantidas em condições semelhantes de crescimento. Após várias semanas, e de acordo com uma análise estatística, as plantas regadas com a água tratada eram mais altas e tinham um maior conteúdo de clorofila.

O Fator psicológico altera os resultados da Magnetização? Grad lembrou-se de dar a água para pacientes psiquiátricos segurarem. Essa mesma água foi depois usada para tratar as sementes de cevada. A água energizada pelos pacientes que estavam seriamente deprimidos produziu um efeito inverso ao da água tratada pelo passista: ela diminuiu a taxa de crescimento das plantinhas novas (Jeanne P. Rindge in As Curas Paranormais, George W. Meek, Ed. Pensamento, 10ª edição, 1995, Cap. 13, pp. 158-159).

Bernard Grad efectuou ainda experiências com ratos. Numa delas, Grad produziu a doença do bócio (Bócio, conhecido popularmente como papo, é um aumento do volume da tiróide) em ratos e separou-os em dois grupos. Contatou um famoso curador, o Coronel do Exército Húngaro, aposentado, Oskar Stabany, que pegava nos ratos durante 15 minutos de cada vez, durante 40 dias.

Embora todos os animais apresentassem um aumento da tiróide, os ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador apresentavam uma proporção significativamente mais baixa de casos de bócio, 48 ratos que foram submetidos a uma pequena cirurgia e separados em três grupos, um dos grupos foi tratado pelo curador (“passista”). Nos ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador, o processo de cicatrização das feridas era significativamente mais rápido.

Estes estudos foram comprovados pelos Drs. Remi J. Cadoret e G. I. Paul, na Universidade de Manitoba, em condições de rigoroso critério, que concluíram: os ratos tratados por pessoas dotadas de poderes curativos apresentaram uma velocidade de cicatrização significativamente maior. (Medicina Vibracional, Ed. Cultrix, Richard Gerber, 1997).

Bernard Grad (RINDGE, 1983) mediu a cicatrização de ferimentos provocados na pele de 48 ratos divididos em 3 grupos de 16 unidades e tratados durante 40 dias. O grupo controle não foi tratado pelo "curador" voluntário, Cel. Estebany.

O segundo grupo foi submetido a calor na mesma temperatura das mãos de Estebany. O grupo por ele tratado apresentou velocidade de cicatrização estatisticamente significativa. Deduz-se que a bioenergia sutil emitida não é energia calorífica.

Qual é o conceito da água “fluidificada”? E de onde surgiu esse conceito? Temos de levar em conta o conceito do termo “água fluidificada”, oferecida atualmente nos centros espíritas, que surgiu no MEB- Movimento Espírita Brasileiro. De acordo com o dicionário, “fluido é uma substância que pode escoar (fluir)” e fluidificar significa “Fazer passar ao estado fluido”. Tendo em vista essas informações, podemos considerar que o termo “água fluidificada” está equivocado, pois a água já é um fluido.

Helmholtz em 1847 enunciou o principio da conservação de energia: “A soma da energia do universo é constante”. Isto equivale a dizer que a energia não pode ser criada e nem destruída, mas somente transformada. Se você energiza um copo de água - que não é espírito (e, portanto não guarda a mesma receptividade como num passe) ela teria obrigatoriamente que apresentar mudanças nas propriedades da água.

Em pesquisa, Bernard Grad analisou a água quimicamente para verificar se a energização (através do passe pela imposição das mãos) havia provocado alguma alteração física mensurável. Análises por espectroscopia de infravermelho revelaram a ocorrência de significativas alterações na água tratada pelo passista. O ângulo de ligação atômica da água 
havia sido ligeiramente alterado, bem como a diminuição na intensidade das ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água e significativa diminuição na tensão superficial. (Medicina Vibracional, Ed. Cultrix, Richard Gerber, 1997).

Konstantin Korotkov (KOROTKOV, 1998), utilizando-se da moderna técnica GDV – Visualização da Descarga de Gás (ionizado) em torno de estruturas orgânicas e inorgânicas identificou alterações significativas, nas imagens da água tratada (Fig.2) bioenergéticamente por Allan Chumak.

Escolheu-se a água como substância de observação, levando-se em conta a tradicional afirmação nas grandes escolas espiritualistas, do seu papel de absorvedora de fluidos curativos, sua fundamental participação nos processos da natureza, principalmente nos ecossistemas orgânicos (NOGUEIRA, 1995), e finalmente pelo fato de podermos extrapolar os resultados das investigações para o sangue, a linfa e outros líquidos biológicos. Dr. Robert N. Miller (MILLER, 1977), e RINDGE, (1983), o qual se utilizou das faculdades da curadora Olga Worrall visando descobrir um processo para medir a energia curativa no que obteve sucesso, através de experiências controladas de medição da sua capacidade de "reduzir a Tensão Superficial da água".

A água é capaz de reter campos magnéticos? Estudando mais a fundo as tipologias da água, destacamos as seguintes para uma análise mais profunda:

Água destilada

A água constituída, exclusivamente, por hidrogênio e oxigênio. Origina-se na natureza quando se forma a chuva, ou é produzida em laboratório. Esta água é imprópria para consumo uma vez que não possui os sais necessários ao organismo humano.

Água mineral

A água que dissolve uma grande quantidade de sais minerais quando do seu percurso pela natureza. Normalmente, adquire cheiros, cores e gostos característicos o que permite classificá-la em vários tipos.

Os sais dissolvidos e ionizados presentes na água transformam-na num eletrólito capaz de conduzir a corrente elétrica. Como há uma relação de proporcionalidade entre o teor de sais dissolvidos e a condutividade elétrica, pode-se estimar o teor de sais pela medida de condutividade de uma água. Ou seja, quanto mais sais minerais a água conter, maior será sua capacidade de conduzir eletricidade.

Face ao exposto entendemos que a água mineral, sendo um condutor elétrico, pode-se considerar que ela é capaz de produzir campos magnéticos quando induzida, porém somente o recipiente poderia reter o campo magnético - recipientes específicos.

Conclusões:

No ritual, preconizado pelo movimento espírita brasileiro, de receber passes e beber água magnetizada, um dos fatores que se pode levar em consideração é a influência psicológica, que tem o poder de agir do inicio ao fim no processo; do magnetizador ao Espírito, até o paciente. O fator psicológico não é causa nem conseqüência, mas pode ser um elemento alterador dos resultados. Pode-se, ainda, considerar que o termo água fluidificada seja equivocado, pois a água, como definição física, já é um fluido. O termo surgiu no MEB - Movimento Espírita Brasileiro -, e o entendimento é de que água magnetizada seria aceito, porque a água não é capaz de reter campos magnéticos, mas ela pode ser magnetizada, segundo as pesquisas realizadas.

A ação de reter um campo magnético é diferente da ação de magnetizar. Os passes praticados em rituais na maioria das casas espíritas estão em sintonia com técnicas criadas da literatura oriental, afastando-se dos conceitos, experimentos e pareceres emanados nas obras Kardequianas, nas pesquisas de Mesmer e nas orientações dos Espíritos. Assim como todos somos médiuns, mas nem todos têm a capacidade mediúnica nesta encarnação, qualquer indivíduo é um magnetizador, mas nem todos tem a capacidade magnetizadora. Além da capacidade magnetizadora, é desejável que tenha o conhecimento necessário sobre Magnetismo Animal e sobre a influência da saúde física e moral no processo de magnetização, pois são fatores que alteram a qualidade dos efeitos. A Codificação explica que se pode magnetizar somente com o olhar, sem tocar ou até exclusivamente por ato da vontade. Essas são informações importantes e por esse motivo se faz necessário um treinamento da faculdade. Ter maior conhecimento facilita e impede que os magnetizadores sejam condicionados aos rituais, sem o entendimento dos "porquês", realizando práticas desnecessárias.

REFERÊNCIAS

Kardec, Allan ; A Gênese (1868)- Curas, Capítulo XIV.

___________ O Livro dos Espíritos (1857)- Principio Vital, Capítulo IV e Emancipação da Alma, Capitulo VIII.

___________ O Livro dos Médiuns (1861)- Médiuns Curadores, Capítulo XIV.

___________ Revista Espírita Janeiro de 1864- Médiuns Curadores.

___________ Revista Espírita Setembro de 1865- Cura Pela Magnetização Espiritual 

Filme - Magnetismo Selvagem Dr. Mesmer. 

Wikipedia, a Enciclopédia livre:

Bioeletricidade. Disponível em:


Magnetismo Animal. Disponível em:


Magnetostática. Disponível em:


Monografia: Magnetismo, Vitalismo e o Pensamento de Kardec - Ademar Arthur C. dos Reis- CPDoc.
______________________X_________________________________--

Fonte: Núcleo Espírita de Filosofia e Ciências Aplicadas - NEFCA - http://www.nefca.org.br/artigo/agua-fluidificada-e-passes-curadores...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A FÉ HUMANA E A DIVINA


A FÉ HUMANA E A DIVINA - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo XIX, A Fé Remove Montanhas.
12.  No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.
Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exaltou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião.
Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é,  a vontade de querer  e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?
A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendores que se não chegue a vencer.
O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.
Repito: a fé é  humana  e  divina.  Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. – Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.) - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo XIX, A Fé Remove Montanhas.
12.  No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.
Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exaltou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião.
Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é,  a vontade de querer  e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?
A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendores que se não chegue a vencer.
O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.
Repito: a fé é  humana  e  divina.  Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. – Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.)