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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Água Fluidificada e Passes Curadores - O Mito e a Ciência


Água Fluidificada e Passes Curadores - O Mito e a Ciência
Andressa de Oliveira Dias

Em todos os tempos da história temos relatos os mais diversos sobre curas milagrosas usando a imposição das mãos. A Bíblia talvez seja o livro mais famoso que narra as mais diferentes curas: “E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe dizendo: Quero. Fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo de sua lepra”. (Mateus, Cap. VIII, v. 3). Nos povos indígenas, a figura do Pajé se mostra um grande curador que utiliza suas mãos para tal. As Bezendeiras que fazem parte da cultura popular, também possuem seus métodos de cura, e um grande prestígio, em especial nas cidades interioranas. No oriente, relatos mais antigos que a bíblia nos remete a religiosos que curavam as mais diversas mazelas utilizando-se somente das mãos, inclusive uma prática que se originou no oriente: o Reike, terapia que utiliza principalmente a imposição das mãos, assim como o Karuna. A Cura Prânica, também é uma terapia que utiliza as mãos para curar.

Franz Anton Mesmer foi um dos primeiros a pesquisar cientificamente esta prática. Médico austríaco, criador da teoria do magnetismo animal conhecida pelo nome de Mesmerismo, nasceu a 23 de maio de 1734 em Iznang, em uma pequena vila perto do Lago Constance. Estudou teologia em Ingolstadt e formou-se em medicina na Universidade de Viena. Em 1775, após muitas experiências, Mesmer reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que delas se desprende um fluido que alcança o doente. Declara: "De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem". A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, estendia o benefício a maior número de pessoas, magnetizando a água, pratos, etc. Cujo contato submetia os enfermos. Inventada a cuba mesmérica (Fig.1), passou a atender 30 pacientes por sessão, 300 diariamente. A cuba consistia num recipiente com água magnetizada, do qual saiam numerosas varas de ferro, em cujos extremos pontiagudos se prendiam os doentes, colocando estas pontas em suas partes enfermas.

Produziam-se, então, variadas reações nervosas ou histéricas, com efeitos curativos em muitos casos. Mesmer praticou durante anos o seu método de tratamento em Viena e em Paris, com evidente êxito, mas ele acabou expulso de ambas as cidades pela inveja e incompreensão de muitos. Depois de cinco tentativas para conseguir exame judicioso do seu método de curar, pelas academias, é que publica, em 1779, a "Dissertação sobre a descoberta do magnetismo animal", na qual afirma que esta é uma ciência com princípios e regras, embora ainda pouco conhecida. Em 1784, o governo francês nomeou uma comissão de médicos e cientistas para investigar suas atividades. Benjamin Franklin foi um dos membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas, porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas desconhecidas.

Atualmente no Brasil esta prática é muito difundida nos centros espíritas espalhados por todo o país, juntamente com a administração de "água fluidificada"; observam-se várias formas de aplicação de passes, como é chamado o ato nos centros espíritas. O Codificador da Doutrina reflete:

O magnetismo preparou o caminho para o Espiritismo, e os rápidos progressos desta última doutrina são incontestavelmente devidos à vulgarização das idéias acerca da primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal, que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar de outro. (Kardec, Allan. Revista Espírita, 1858).

Kardec ainda esclarece:

O Espiritismo e o Magnetismo (Animal) nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice (Kardec, Alan. O Livro dos Espíritos, questão 555).

Certas pessoas têm realmente o dom de curar por simples contato?

– O poder magnético pode chegar até isso, quando é secundado pela pureza de sentimentos e um ardente desejo de fazer o bem, porque então os bons Espíritos auxiliam. Mas é necessário desconfiar da maneira por que as coisas são contadas, por pessoas muito crédulas ou muito entusiastas, sempre dispostas a ver o maravilhoso nas coisas mais simples e mais naturais. É necessário também desconfiar dos relatos interesseiros, por parte de pessoas que exploram a credulidade em proveito próprio. (Kardec, Alan. O Livro dos Espíritos, questão 556).

É comum pessoas que assistem às palestras espíritas tomarem o passe e beberem da água ao final das palestras, como em um ritual, mas qual é o conceito da água “fluidificada”? E de onde surgiu esse conceito? A água é capaz de reter campos magnéticos? O fator psicológico altera os resultados? E os passes ditos espíritas, estão de acordo com os conceitos vistos nas obras dos Espíritos? É realmente necessário um curso de passe e qualquer um pode ser passista? O mérito moral realmente influencia no processo de cura? Qual é a visão científica dos dois temas?

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde de Washington (EUA), com base em cerca de trinta teses de doutoramento, foi atribuído ao Toque Terapêutico, em 1994, a comprovação da sua eficácia como terapia alternativa.

Em 1975, Dolores Krieger demonstrou os efeitos do toque terapêutico através da medição de índices fisiológicos em seres humanos após estudos laboratoriais. Comprovou que após a imposição de mãos ocorrem significativas alterações fisiológicas em doentes hospitalizados em diferenciados casos clínicos. Este estudo foi publicado na Revista Americana de Enfermagem, em 1979, sob o título de “Therapeutic touch: searching for evidence of physiological change” (Toque Terapêutico: busca por evidências de mudanças fisiológicas).

Verifica-se, até os dias de hoje, a existência de cargas magnéticas - de monopolos magnéticos - na natureza. Eis, pois, que surge a questão: qual a causa primária responsável pelos fenômenos magnéticos observados na natureza? A resposta é simples: cargas elétricas em movimento, ou seja, correntes elétricas. Todo magnetismo conhecido atrela-se de alguma forma à presença de cargas elétricas em movimento.

A escolha de sistemas envolvendo apenas cargas em movimento retilíneo uniforme é geralmente assumida quando se estuda o magnetismo, em virtude de que em sistemas envolvendo cargas elétricas aceleradas, haverá ainda um terceiro fenômeno envolvido: a emissão de ondas eletromagnéticas. Tal fenômeno resume-se geralmente na seguinte sentença: "cargas elétricas aceleradas irradiam". A necessidade de se considerar as interações oriundas da radiação presente em tais sistemas certamente torna-os mais complexos, sendo estes estudos no contexto do eletromagnetismo. O estudo dos fenômenos associados à interação magnética em sistemas envolvendo apenas cargas elétricas em movimento retilíneo uniforme - ou em sistemas onde a quantidade total de onda eletromagnética irradiada pode ser desprezada - é geralmente designado por Magnetostática.

Em essência, todo magnetismo conhecido atrela-se de alguma forma à presença de cargas elétricas em movimento. Mesmo em ímãs naturais, materiais onde não se verifica a presença de correntes macroscopicamente mensuráveis em suas estruturas, tal afirmação é valida.

Correntes elétricas é a fonte primária de campos magnéticos. É certamente necessário, pois que, dada uma distribuição de corrente conhecida, se possa calcular o campo magnético por ela produzido em um determinado ponto escolhido do espaço ao seu redor. Células biológicas usam a bioeletricidade para armazenar energia metabólica, fazer trabalho ou desencadear mudanças internas, entre um sinal elétrico e outro. Entramos aqui na Ciência do Bioeletromagnetismo, que é o resultado da ação da corrente elétrica produzida por potenciais de ação, junto com os campos magnéticos gerados pelo fenômeno de indução eletromagnética.

O campo magnético, afeta cada átomo do seu corpo. Os elétrons nos átomos giram em torno do núcleo. Aumentando o campo magnético presente junto do átomo, a velocidade dos elétrons orbitais aumenta e os elétrons de valência começam a pular para órbitas de maior energia. O átomo começa a vibrar com maior intensidade, num movimento chamado de precessão. A precessão resulta no aumento da ação molecular, causada pelo aumento do campo magnético. Isto cria uma órbita cônica para certos elétrons. O resultado líquido desse aumento na atividade molecular é um aumento na transferência de elétrons, que é a base de toda as reações químicas em nosso corpo. Esta é a razão porque uma diminuição no campo magnético leva a uma menor atividade molecular e a um decréscimo de enzimas no nosso corpo.

Em resumo: campo magnético mais elevado aumenta o movimento de elétrons e prótons, o que leva ao aumento da atividade molecular, resultando em reações químicas mais eficientes, o que funciona como um catalisador para melhorar as funções de nosso corpo.

Em 1829, CLOQUET faz o primeiro relato da utilização do mesmerismo como anestesia, procedendo à amputação de uma mama, método já utilizado por DUBOIS (1797) e RECAMIER (1821). James ESDAILLE (1808-1959) tornou-se um dos maiores magnetizadores, inspirado nas técnicas de ELLIOTSON. Cirurgião, trabalhou num hospital mesmérico em Calcutá, Índia, onde realizou milhares de pequenas cirurgias e 300 de grande porte sem dor, pelo magnetismo, com diminuição impressionante dos índices de mortalidade. Não empregava a sugestão verbal, mas o passe e a insuflação magnética, obtendo estados profundos de letargia, catalepsia, sonambulismo e insensibilidade. James, concluiu que: O mesmerismo é uma força natural do organismo humano, que afeta diretamente o sistema nervoso muscular; que a administração crônica do mesmerismo atua como um utilíssimo estimulante da debilidade funcional; que a água pode ser carregada com fluído magnético e tem um poderoso efeito sobre o sistema; que a influência mesmérica pode se transmitida através do ar a considerável distância. - ESDAILLE J. Cirurgia mayor e menor bajo hipnosis. Ed. Crespilil Buenos Aires, 1959.

Nesse trecho de O Livro dos Espíritos, questão 483, temos a resposta que o magnetismo atua no sistema nervoso central: Qual a causa da insensibilidade física que se verifica, seja entre certos convulsionários, seja entre outros indivíduos submetidos às torturas mais atrozes? – Entre alguns é um efeito exclusivamente magnético, que age sobre o sistema nervoso da mesma maneira que certas substâncias. Entre outros, a exaltação do pensamento embota a sensibilidade, pelo que a vida parece haver-se retirado do corpo e se transportado ao Espírito. Não sabeis que, quando o Espírito está fortemente preocupado com uma coisa, o corpo não sente, não ouve e não vê? (Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos).

Segundo LANTIER, em 1892, foi criada por uma espírita eminente uma escola prática de magnetismo e de massagem, admitida pelo governo francês. Frente à reação dos médicos, um novo projeto sobre o exercício da medicina foi discutido pelo Parlamento, levando os espíritas, magnetizadores, curandeiros e massagistas a fundarem um sindicato, conseguindo vinte e cinco mil assinaturas favoráveis à sua petição em defesa de seus interesses. Em função de vários processos contra curandeiros, espíritas e magnetizadores, e particularmente num caso envolvendo Mouroux em 1896, o Congresso Internacional Espírita que se realizou em 1900 em Paris, discutiu e deliberou que o Magnetismo realmente possui propriedades curativas e a eficácia de sua utilização para o tratamento das doenças sem qualquer perigo, e solicitando a alteração da legislação sobre o exercício da medicina.

Os passes ditos espíritas estão de acordo com os conceitos vistos nas obras dos Espíritos? É realmente necessário um curso de passe e qualquer um pode ser passista?

Na Revista Espírita de setembro de 1865, a Sra Maurel, médium vidente e psicógrafa mecânica, na manhã do dia 26 de Maio, fraturou o antebraço direito com distensões no punho e cotovelo, numa queda. Foi tratada através do magnetismo espiritual, e curada em impressionantes nove dias (tempo recorde para a medicina humana) por Bons Espíritos, dentre eles o Dr. Demeure, além de um grupo de amigos encarnados (formando assim, uma espécie de corrente magnética, oferecendo material fluídico que misturado com os dos Espíritos, proporcionaria a cura, neste caso), solicitados pelos Espíritos e um magnetizador que colocava a médium em estado sonambúlico. Os Espíritos poderiam agir sozinhos, mas os fluidos animalizados são mais compatíveis com a necessidade de um órgão físico.

“O fluido humano sendo menos ativo, exige uma magnetização prolongada e um verdadeiro tratamento, às vezes, muito longo. O fluido espiritual, mais poderoso em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, frequentemente, quase instantâneos”, orienta Kardec em outro artigo da mesma Revista.

Existe então, na realidade, esta gradação nos efeitos de acordo com o potencial fluídico, a origem do fluido e a sua maior ou menor qualidade. Qualidade que depende diretamente do nosso estado de saúde física e emocional, além do nosso padrão moral.

Kardec estuda a temática em "A Gênese" (KARDEC, 1989), no tópico "Curas". Esclarece as três formas da ação magnética: Pelo fluido (Bioenergia) do magnetizador (Magnetismo Humano); pelo fluido dos Espíritos atuando diretamente, sem intermediário (Magnetismo Espiritual), e pelo fluido que os Espíritos transmitem ao magnetizador (potencializando e ao qual este serve de condutor (Magnetismo Misto ou humano-espiritual). Conceitos não vistos no MEB.

Muitos acreditam que o efeito curativo dos passes magnéticos nada mais é que efeito placebo. A questão do placebo é um dos assuntos que mais fascinam e, ao mesmo tempo, mais causam controvérsias entre a classe científica.

Conhecer o placebo, suas possibilidades e seus efeitos, é fundamental para a classe científica. E para um leigo, até que ponto é interessante saber que um remédio ao qual ele atribui sua cura não passava, por exemplo, de simples composição de amido com açúcar? O placebo é definido como uma substância inerte ou inativa, a que se atribuem certas propriedades (como as de cura de uma doença) e que, ingerida, pode produzir um efeito que suas propriedades não possuem.

O Dr. Bernard Grad, bioquímico e pesquisador de geriatria no McGill University's Allen Memorial Institute, no Canadá, realizou experiências muito interessantes na Universidade de McGill, Montreal, na década de 1960, a respeito da cura pelo toque das mãos que foi reconhecida, e Grad recebeu um prémio da Fundação CIBA, uma fundação científica fundada por um grande laboratório farmacêutico. Nas suas experiências com sementes de cevada, Grad substituiu humanos por plantas e animais, para evitar o efeito placebo. Num recipiente de água salgada (que retarda o crescimento), Grad colocou as sementes e pediu a um curador psíquico (um passista) que fizesse imposição das mãos sobre a água.

As sementes foram colocadas em água salgada (tratada pelo passista e não tratada).Foram colocadas de seguida numa estufa, onde o processo de germinação e crescimento foi acompanhado. Verificou-se então que as sementes submetidas à água tratada pelo passista germinavam com maior frequência do que as outras.

Depois de germinadas, as sementes foram colocadas em potes e mantidas em condições semelhantes de crescimento. Após várias semanas, e de acordo com uma análise estatística, as plantas regadas com a água tratada eram mais altas e tinham um maior conteúdo de clorofila.

O Fator psicológico altera os resultados da Magnetização? Grad lembrou-se de dar a água para pacientes psiquiátricos segurarem. Essa mesma água foi depois usada para tratar as sementes de cevada. A água energizada pelos pacientes que estavam seriamente deprimidos produziu um efeito inverso ao da água tratada pelo passista: ela diminuiu a taxa de crescimento das plantinhas novas (Jeanne P. Rindge in As Curas Paranormais, George W. Meek, Ed. Pensamento, 10ª edição, 1995, Cap. 13, pp. 158-159).

Bernard Grad efectuou ainda experiências com ratos. Numa delas, Grad produziu a doença do bócio (Bócio, conhecido popularmente como papo, é um aumento do volume da tiróide) em ratos e separou-os em dois grupos. Contatou um famoso curador, o Coronel do Exército Húngaro, aposentado, Oskar Stabany, que pegava nos ratos durante 15 minutos de cada vez, durante 40 dias.

Embora todos os animais apresentassem um aumento da tiróide, os ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador apresentavam uma proporção significativamente mais baixa de casos de bócio, 48 ratos que foram submetidos a uma pequena cirurgia e separados em três grupos, um dos grupos foi tratado pelo curador (“passista”). Nos ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador, o processo de cicatrização das feridas era significativamente mais rápido.

Estes estudos foram comprovados pelos Drs. Remi J. Cadoret e G. I. Paul, na Universidade de Manitoba, em condições de rigoroso critério, que concluíram: os ratos tratados por pessoas dotadas de poderes curativos apresentaram uma velocidade de cicatrização significativamente maior. (Medicina Vibracional, Ed. Cultrix, Richard Gerber, 1997).

Bernard Grad (RINDGE, 1983) mediu a cicatrização de ferimentos provocados na pele de 48 ratos divididos em 3 grupos de 16 unidades e tratados durante 40 dias. O grupo controle não foi tratado pelo "curador" voluntário, Cel. Estebany.

O segundo grupo foi submetido a calor na mesma temperatura das mãos de Estebany. O grupo por ele tratado apresentou velocidade de cicatrização estatisticamente significativa. Deduz-se que a bioenergia sutil emitida não é energia calorífica.

Qual é o conceito da água “fluidificada”? E de onde surgiu esse conceito? Temos de levar em conta o conceito do termo “água fluidificada”, oferecida atualmente nos centros espíritas, que surgiu no MEB- Movimento Espírita Brasileiro. De acordo com o dicionário, “fluido é uma substância que pode escoar (fluir)” e fluidificar significa “Fazer passar ao estado fluido”. Tendo em vista essas informações, podemos considerar que o termo “água fluidificada” está equivocado, pois a água já é um fluido.

Helmholtz em 1847 enunciou o principio da conservação de energia: “A soma da energia do universo é constante”. Isto equivale a dizer que a energia não pode ser criada e nem destruída, mas somente transformada. Se você energiza um copo de água - que não é espírito (e, portanto não guarda a mesma receptividade como num passe) ela teria obrigatoriamente que apresentar mudanças nas propriedades da água.

Em pesquisa, Bernard Grad analisou a água quimicamente para verificar se a energização (através do passe pela imposição das mãos) havia provocado alguma alteração física mensurável. Análises por espectroscopia de infravermelho revelaram a ocorrência de significativas alterações na água tratada pelo passista. O ângulo de ligação atômica da água 
havia sido ligeiramente alterado, bem como a diminuição na intensidade das ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água e significativa diminuição na tensão superficial. (Medicina Vibracional, Ed. Cultrix, Richard Gerber, 1997).

Konstantin Korotkov (KOROTKOV, 1998), utilizando-se da moderna técnica GDV – Visualização da Descarga de Gás (ionizado) em torno de estruturas orgânicas e inorgânicas identificou alterações significativas, nas imagens da água tratada (Fig.2) bioenergéticamente por Allan Chumak.

Escolheu-se a água como substância de observação, levando-se em conta a tradicional afirmação nas grandes escolas espiritualistas, do seu papel de absorvedora de fluidos curativos, sua fundamental participação nos processos da natureza, principalmente nos ecossistemas orgânicos (NOGUEIRA, 1995), e finalmente pelo fato de podermos extrapolar os resultados das investigações para o sangue, a linfa e outros líquidos biológicos. Dr. Robert N. Miller (MILLER, 1977), e RINDGE, (1983), o qual se utilizou das faculdades da curadora Olga Worrall visando descobrir um processo para medir a energia curativa no que obteve sucesso, através de experiências controladas de medição da sua capacidade de "reduzir a Tensão Superficial da água".

A água é capaz de reter campos magnéticos? Estudando mais a fundo as tipologias da água, destacamos as seguintes para uma análise mais profunda:

Água destilada

A água constituída, exclusivamente, por hidrogênio e oxigênio. Origina-se na natureza quando se forma a chuva, ou é produzida em laboratório. Esta água é imprópria para consumo uma vez que não possui os sais necessários ao organismo humano.

Água mineral

A água que dissolve uma grande quantidade de sais minerais quando do seu percurso pela natureza. Normalmente, adquire cheiros, cores e gostos característicos o que permite classificá-la em vários tipos.

Os sais dissolvidos e ionizados presentes na água transformam-na num eletrólito capaz de conduzir a corrente elétrica. Como há uma relação de proporcionalidade entre o teor de sais dissolvidos e a condutividade elétrica, pode-se estimar o teor de sais pela medida de condutividade de uma água. Ou seja, quanto mais sais minerais a água conter, maior será sua capacidade de conduzir eletricidade.

Face ao exposto entendemos que a água mineral, sendo um condutor elétrico, pode-se considerar que ela é capaz de produzir campos magnéticos quando induzida, porém somente o recipiente poderia reter o campo magnético - recipientes específicos.

Conclusões:

No ritual, preconizado pelo movimento espírita brasileiro, de receber passes e beber água magnetizada, um dos fatores que se pode levar em consideração é a influência psicológica, que tem o poder de agir do inicio ao fim no processo; do magnetizador ao Espírito, até o paciente. O fator psicológico não é causa nem conseqüência, mas pode ser um elemento alterador dos resultados. Pode-se, ainda, considerar que o termo água fluidificada seja equivocado, pois a água, como definição física, já é um fluido. O termo surgiu no MEB - Movimento Espírita Brasileiro -, e o entendimento é de que água magnetizada seria aceito, porque a água não é capaz de reter campos magnéticos, mas ela pode ser magnetizada, segundo as pesquisas realizadas.

A ação de reter um campo magnético é diferente da ação de magnetizar. Os passes praticados em rituais na maioria das casas espíritas estão em sintonia com técnicas criadas da literatura oriental, afastando-se dos conceitos, experimentos e pareceres emanados nas obras Kardequianas, nas pesquisas de Mesmer e nas orientações dos Espíritos. Assim como todos somos médiuns, mas nem todos têm a capacidade mediúnica nesta encarnação, qualquer indivíduo é um magnetizador, mas nem todos tem a capacidade magnetizadora. Além da capacidade magnetizadora, é desejável que tenha o conhecimento necessário sobre Magnetismo Animal e sobre a influência da saúde física e moral no processo de magnetização, pois são fatores que alteram a qualidade dos efeitos. A Codificação explica que se pode magnetizar somente com o olhar, sem tocar ou até exclusivamente por ato da vontade. Essas são informações importantes e por esse motivo se faz necessário um treinamento da faculdade. Ter maior conhecimento facilita e impede que os magnetizadores sejam condicionados aos rituais, sem o entendimento dos "porquês", realizando práticas desnecessárias.

REFERÊNCIAS

Kardec, Allan ; A Gênese (1868)- Curas, Capítulo XIV.

___________ O Livro dos Espíritos (1857)- Principio Vital, Capítulo IV e Emancipação da Alma, Capitulo VIII.

___________ O Livro dos Médiuns (1861)- Médiuns Curadores, Capítulo XIV.

___________ Revista Espírita Janeiro de 1864- Médiuns Curadores.

___________ Revista Espírita Setembro de 1865- Cura Pela Magnetização Espiritual 

Filme - Magnetismo Selvagem Dr. Mesmer. 

Wikipedia, a Enciclopédia livre:

Bioeletricidade. Disponível em:


Magnetismo Animal. Disponível em:


Magnetostática. Disponível em:


Monografia: Magnetismo, Vitalismo e o Pensamento de Kardec - Ademar Arthur C. dos Reis- CPDoc.
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Fonte: Núcleo Espírita de Filosofia e Ciências Aplicadas - NEFCA - http://www.nefca.org.br/artigo/agua-fluidificada-e-passes-curadores...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

QUAIS OS FATORES QUE INTERFEREM NO RESULTADO DE UM PASSE?


QUAIS OS FATORES QUE INTERFEREM NO RESULTADO DE UM PASSE?
JACOB MELO
O meio espírita está repleto de expressões com as quais se pretende definir métodos, caminhos, soluções ou acomodações para a realidade das ações magnéticas, sinteticamente chamadas de passes. E isso não tem produzido os resultados que seria de se esperar dessa atividade de socorro, de cura.
Posso começar a análise por uma palavrinha “mágica”, a qual parece ser solução para tudo, inclusive para a não solução. É a expressão merecimento – ou a falta dele. Se alguém ficou bom foi porque tinha merecimento; se não ficou ou não melhorou foi porque lhe faltou esse elemento. Daí ser muito vulgar se dizer que quem tem fé e merecimento tudo recebe, pois “os Bons Espíritos fazem tudo”.
Nessa “os Bons Espíritos fazem tudo” se esconde pelo menos uma faceta perigosa; a da acomodação generalizada. Senão vejamos.
Alguém diz confiar nos Espíritos, pois, alega, eles sabem enquanto nós não temos noção de como fazer a movimentação dos fluidos.
Portanto de partida já assumimos a postura da própria ignorância aliada à de transferência de responsabilidade para os Espíritos; daí, se algo não deu certo ou os resultados obtidos não batem com o que seria de se esperar, o problema, obviamente, recairá sobre o assistido. Contudo, como culpá-lo? A resposta é imediata: aponta-se a abstração mágica: “falta de merecimento”. Afinal dizemos que trabalhamos “com amor”, que os Espíritos ali estavam trabalhando com sabedoria e que, por isso, o passe teria que dar certo. Assim, até por não podermos usar o argumento de que tenha sido falta de fé do paciente (isto seria indelicado), já que são intermináveis os relatos e as evidências de que pessoas sem qualquer fé se curam enquanto outras, prenhes desse sentido, não obtém resultados semelhantes, só pode ter sido essa tal dessa falta, a falta de merecimento. Em suma, o problema é do paciente e não do passista. Cômoda a posição, não é?
Também dizemos que basta orar de coração e esperar que tudo se resolverá. Será???
Não, leitor, não pense que eu duvido nem um pouco da força e do poder da oração, mas não posso crer que Deus e a Natureza esperem de nós apenas orações para que o mundo mude. A ação é e será sempre indispensável, do contrário os adoradores seriam, só por isso, santificados em si mesmos e jamais precisariam mover o que fosse para suas vidas se perenizarem. Ademais vale lembrar a sugestão de Jesus que não se limitou a nos mandar orar e sim a primeiro vigiar para, em seguida, orar (Mateus 26, 41).
Há ainda os que alegam a literalidade das palavras de Jesus como providência única, ou seja, pedi e obtereis, como pedir e obter fosse igual a se colocar uma ficha numa máquina e aguardar o tempo de seu mecanismo para do lado apropriado se coletar aquilo que se buscou.
O próprio Herculano Pires, tão respeitado e citado, escreveu a pérola “o passe é tão simples que não se deve fazer mais que dá-lo” (PIRES, J.
Herculano. Mediunidade prática. In: _____. Mediunidade - vida e comunicação. cap. 14, p. 127). Será??? Se assim for, para que estudar, para que se preparar, para que Allan Kardec dizer que o Magnetismo é uma ciência irmã do Espiritismo?
Mas o que se pede na questão inicial deste Vórtice é sobre que fatores interferem nos resultados do passe. Vamos lá.
Na verdade são inúmeros os fatores e eles ainda repercutem uns sobre os outros. Todavia procurarei relacionar os mais relevantes, dividindo em 2 grandes grupos: para os passistas (magnetizadores) e para os pacientes (assistidos).
Para um passista ser mais e mais eficiente em seu labor magnético é preciso que ele tenha uma boa saúde fisiológica, uma potente capacidade de usinagem (transformação de elementos orgânicos em elementos fluídicos, energéticos, de exteriorização ou de centripetação), harmonia em sua vida mental e emocional, vontade ardente de servir e curar e pureza de sentimentos. Pela oração sincera ele evocará bons Espíritos, que se interessam por ele e por seus doentes, e pela fé ele porá todos os potenciais em direção aos nobres objetivos que busca alcançar. Além disso, o conhecimento de boa base anatômica e fisiológica do corpo humano contribuirá enormemente para o sucesso de seus direcionamentos fluídicos.
Como dá para perceber, não  é tão simples e tão sem necessidade de estudos e experimentos o se alcançar um bom nível de realização magnética.
Para o paciente o ideal é que ele tenha consciência do que busca. Alguém pode inferir que eu esteja falando de ter ciência do que deseja; mas é diferente. Quem tem ciência apenas quer que algo ou alguém o cure; quem tem consciência busca se curar. Para tanto desenvolve uma fé bastante equilibrada e firme, faz os esforços necessários, segue recomendações e não distorce o bem recebido nem esconde o que ainda espera alcançar.
O paciente precisa saber que o sucesso do tratamento trará benefícios imediatos para ele e não necessariamente para quem o beneficia, daí ser necessário se perceber isso com clareza.
Deve ainda cuidar da alimentação, prestar as informações que forem pedidas (quando houver esse tipo de controle) e manter padrão de oração e vigilância igualmente harmônicos.
Tudo isso pode  parecer muito óbvio e simples. De certa forma o é. Mas a prática disso tudo pede muito esforço e dedicação de todos os envolvidos, sob pena do famoso refrão que envolve a palavrinha “merecimento” continuar sendo a tônica forte de todo o processo.
Jornal Vórtice ANO III, n.º 02, julho/2010     

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A FÉ HUMANA E A DIVINA


A FÉ HUMANA E A DIVINA - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo XIX, A Fé Remove Montanhas.
12.  No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.
Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exaltou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião.
Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é,  a vontade de querer  e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?
A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendores que se não chegue a vencer.
O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.
Repito: a fé é  humana  e  divina.  Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. – Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.) - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo XIX, A Fé Remove Montanhas.
12.  No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.
Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exaltou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião.
Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é,  a vontade de querer  e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?
A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendores que se não chegue a vencer.
O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.
Repito: a fé é  humana  e  divina.  Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. – Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ÁGUA FLUIDIFICADA


ÁGUA FLUIDIFICADA
João Francisco
Recentemente, me surpreendi com a afirmação de um Espírita, o qual dizia: “Não bebo água fluidificada porque não está escrito em nenhum lugar que ela é curadora”.
Rápidas anotações nos indicam o contrário. Senão vejamos. Léon Denis, sábio apóstolo do Espiritismo e discípulo eminente de Allan Kardec, no seu livro "No Invisível", editado pela FEB - capítulo XX, página 307 - referindo-se à ação dos Espíritos sobre a matéria, relata: "... No domínio terrestre, essa ação já se revela nas práticas do Magnetismo. O homem, dotado do poder de curar, transmite, pela vontade, aos eflúvios que dele emanam e, por extensão, à água e a certos objetos materiais, como panos, metais, etc., propriedades curativas".
Parece claro e explícito que a transfusão de propriedades curativas transmitidas à água, pela ação da vontade do homem, através do magnetismo, atende ao que aquele espírita questionava.
Allan Kardec, no livro “A Gênese”, capítulo XV, item 25, ao se referir à cura do cego, nos fala que "... as mais insignificantes substâncias, como a água, podem adquirir qualidades poderosas e efetivas sob a ação do fluido espiritual ou magnético ao qual elas servem de veículo, ou se quiserem, de reservatório".
Ainda Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, capítulo VIII, “Do laboratório do Mundo Invisível”, item 131, tratando da ação magnética dirigida pela vontade, nos diz: “... Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal.
Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida”.
Não é meu intuito ficar fazendo colagem de citações, mas não posso deixar de apresentar algumas muito relevantes a fim de que sejam buscadas por eventuais interessados. Abaixo, portanto, algumas extraídas das obras de Allan Kardec, onde se destacam referências à ação do fluido magnético na água: Revista Espírita, de agosto de 1859, no artigo “O guia da senhora Mally” na questão 25, feita a São Luiz; Revista Espírita de junho/agosto de 1868, com o artigo: “A mediunidade no copo d’água”; O Livro dos Espíritos, questão 33 e a nota no rodapé da página. No Novo Testamento, Mateus 10:42, está escrito: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão”. Quando Jesus se referiu ao copo de água fria, em seu nome, não se reportava apenas à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Jesus falava de valores espirituais mais profundos. A água, um dos corpos mais simples e receptivos da Terra, capaz de sofrer modificações, por força da vontade magnética direcionada pelo homem e potencializada, através dos Espíritos que vêm em nosso auxílio, fica impregnada de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma.
Ao dar um copo de água a alguém, direcione a ela sua vontade de ajudar a quem vai bebê-la, impregnando-a de fluidos magnéticos que vão aliviá-lo e até curá-lo de todos seus males e suas dores. Do mesmo modo, ao fazeres o Culto do Evangelho no Lar, faça imposição de mãos sobre a água ali colocada e direcione a ela sua vontade de magnetizá-la, pedindo auxílio ao Plano Divino, para que todos os presentes que a sorverem recebam os fluidos curadores.
Agindo assim estaremos consagrando o sublime ensinamento de nosso Mestre Jesus, quando se referia ao copo de água, doado em nome de sua memória.
Por fim, a melhor de todas as evidências do poder da magnetização da água não está no que está escrito, mas nas reações felizes e "quase mágicas" que se percebe em quem, de forma respeitosa e séria, lhe faz uso.
Jornal Vortice ANO III, n.º 01, junho/2010    

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tratar ou não tratar: eis a questão


Tratar ou não tratar: eis a questão
Adilson Mota
Mais uma vez a necessidade nos chama a abordar um tema com vistas à análise das palavras de Kardec e de Jesus com relação a tópicos que, ao longo do tempo, geraram uma interpretação equivocada nascida muito mais do  ouvir dizer  do que propriamente do estudo das obras espíritas.
Afinal, um centro espírita pode se dedicar ao tratamento de doenças físicas? As opiniões são opostas e esquecemos de perguntar o que fala a Doutrina Espírita sobre isso, a despeito do que pensamos.
Analisemos primeiramente os argumentos daqueles que defendem que centro espírita só deve tratar as doenças morais.
Observam, estes argumentadores, que as nossas doenças são causadas pelo desequilíbrio do Espírito, ou seja, uma consequência dos nossos sentimentos e pensamentos dessintonizados com o bem. Desta forma, segundo eles, devemos realizar a nossa reforma íntima, pois esta, sendo alcançada, reabilitará a nossa saúde física.
Sendo assim, o centro espírita não deve realizar tratamentos de enfermidades orgânicas, devendo se preocupar apenas em dar orientação moral e espiritual às pessoas.
Pois bem! Sabemos que o encarnado é composto de três partes, espírito, perispírito e corpo físico, e que os três agem e reagem continuamente um sobre os outros causando bem estar ou desarmonia. Apesar da assertiva acima ser verdadeira, sabemos também que existem doenças que têm a sua origem no organismo físico. Tais são as doenças causadas pela fome, pela falta de higiene, pelos efeitos colaterais de determinados medicamentos ou pelo seu uso indiscriminado, por acidentes, por maus tratos corporais, por condições insalubres de vida e de trabalho, por drogas lícitas ou ilícitas, etc.
Existem também aquelas que surgem devido ao acúmulo de fluidos deletérios provenientes de Espíritos obsessores e que, em se demorando a causa, acaba se revertendo em doença nos órgãos físicos.
Todas estas doenças acontecem, é claro, seguindo leis universais criadas pela Divindade e que alcançam o indivíduo atendendo a certos padrões de necessidade evolutiva, cármica ou provacional.
No livro  Paulo e Estevão,  o Espírito Emmanuel diz, reproduzindo a fala do apóstolo Paulo a Lucas que era médico: “Sempre acreditei que a medicina do corpo é um conjunto de experiências sagradas, de que o homem não poderá prescindir, até que se resolva a fazer a experiência divina e imutável, da cura espiritual.”
Isto é correto e corrobora com as lições kardequianas, ou seja, a cura definitiva da alma trará como consequência a cura do corpo físico. Além disto, as pesquisas de vanguarda têm mostrado o quanto os sentimentos de egoísmo, orgulho, prepotência, além do descontrole emocional, deprimem o nosso sistema imunológico deixando o nosso organismo propenso ao ataque de microorganismos causadores das mais diversas doenças, como também, tais desequilíbrios da alma acarretam problemas nos centros vitais os quais passarão a carrear fluidos em padrões desarmônicos para o corpo físico, gerando as disfunções.
Contudo, não significa que devemos cruzar os braços diante da doença sem buscarmos os recursos necessários para a sua solução, pois Paulo também afirma que, por enquanto, necessitamos do auxílio da medicina do corpo e entendo esta como sendo todas as terapias que objetivam a cura de moléstias orgânicas, incluindo o Magnetismo. Há aqueles que afirmam não receber passes pois que devese, em primeiro lugar, buscar a reforma íntima, ao mesmo tempo em que não se furtam ao uso das substâncias químicas recomendadas pela prática médica, a fim de reabilitar as suas funções orgânicas.
Na verdade, todas as nossas dificuldades (fome, desgostos, desemprego, etc.), não apenas as enfermidades, têm como causa primária a imperfeição da nossa alma, o que a reforma moral viria solucionar.
Devemos permanecer impassíveis diante destas necessidades também? Os Espíritos nos orientam à resignação, mas não à estagnação. Até por que, muitas vezes, as dificuldades têm também o propósito de exercitar as nossas faculdades espirituais e intelectuais, proporcionando o seu desenvolvimento através da busca e da aplicação de soluções.
Voltemos à proposta inicial. Como ficam então os nossos irmãos que chegam à casa espírita solicitando ajuda para curar-se das suas enfermidades orgânicas? Devemos dizer-lhes que não podemos ajudá-los pois ali só se fornece a orientação moral para a transformação da sua alma?
Se assim fosse, deveríamos fechar os olhos também para a necessidade daqueles que tremem de frio pedindo um cobertor, dos que sentem fome e pedem um pedaço de pão e de todos os demais que solicitam ajuda material no centro espírita. Deveríamos acabar com as campanhas do agasalho, campanhas de arrecadação de alimentos e todos os movimentos filantrópicos que visem a arrecadação de ajuda material aos necessitados. Das preces realizadas na instituição espírita, devemos excluí-los, pedindo apenas pela sua reforma moral.
Seria absurdo se fizéssemos isto, muitos dirão. Concordo com estes, seria absurdo. Porém, há tanta diferença assim entre matar a fome de alguém e curar a sua doença?
Jesus disse: Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; – porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; – estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver. Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? – Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? – E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? – O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes. (S. MATEUS, 25:34-40)
Jesus, no trecho acima, se refere à caridade material como um dos meios de se alcançar o Reino dos Céus, ou seja, a salvação. Ao longo do Evangelho há diversas narrativas de curas realizadas por Jesus em cegos, mudos, paralíticos, surdos. Não deixou Ele de exemplificar às multidões como deveria ser a sua conduta, passaporte para este Reino de paz e felicidade, entretanto, nunca deixou escapar uma oportunidade de auxiliar a quem quer que fosse, seja ouvindo, esclarecendo ou curando as suas limitações físicas. Ao final complementava com o “vais e não peques mais”, somando a caridade material com a caridade da orientação moral necessária à evolução do Ser.
O fato de que o Espírito é o responsável maior pelo que ocorre no nosso organismo físico não pode servir de justificativa para a acomodação e a falta de caridade, achando-se alguém dispensado de auxiliar o próximo nas suas necessidades imediatas por pensar que se deve apenas orientá-lo.
Alguns argumentam que não se deve tratar doenças físicas pois se a causa vem do Espírito imperfeito, qualquer cura será temporária, pois a doença reincidirá, já que só foi tratada a consequência, ou seja, a expressão física da verdadeira doença. É preciso esclarecer, primeiramente, que o tratamento magnético não dispensa o tratamento moral através do estudo da Doutrina Espírita. Em segundo lugar, não se pode afirmar que a doença física retornará até por que não sabemos o grau de implicação cármica da mesma, nem até quando deve o doente carregar aquela enfermidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito Bernardino respondeu da seguinte maneira à questão formulada por Kardec: Dever-se-á por termo às provas do próximo? “(…) Pensam alguns que, estando-se na Terra para expiar, cumpre que as provas sigam seu curso. Outros há, mesmo, que vão até ao ponto de julgar que, não só nada devem fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, devem contribuir para que elas sejam mais proveitosas, tornando-as mais vivas.
Grande erro. É certo que as vossas provas têm de seguir o curso que lhes traçou Deus; dar-se-á, porém, conheçais esse curso? Sabeis até onde têm elas de ir e se o vosso Pai misericordioso não terá dito ao sofrimento de tal dos vossos irmãos: “Não irás mais longe?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo da consolação para fazer cicatrizar as chagas que a sua justiça abrira? Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso.” Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz.”  (Capítulo V, item 27)
Grifei o trecho acima para ressaltar que Deus age no homem através do próprio homem. Um paciente curado pelo Magnetismo ou pela química médica não significa que irá adoecer no futuro, visto que o médico ou o magnetizador podem ser os instrumentos de que Deus está se servindo para dizer a esta doença: daqui não passarás. E resume o Espírito, dizendo: “todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade”.
Este último trecho diz tudo. Ao procurar alguém a casa espírita não podemos ficar a questionar se ele vai ou não se reformar moralmente, se a doença vai ou não se instalar outra vez. Apenas devemos, por obrigação caritativa, acolhê-lo, orientá-lo, consolá-lo e envidar todos os esforços a fim de que ele possa se curar, seja qual for a sua dificuldade: orgânica, emocional, mental, espiritual ou moral. Cabe a nós plantar a semente e esta também está simbolizada na cura pelos passes, além da orientação.
Quanto à colheita e ao aproveitamento do que foi plantado, só cabe a Deus fazê-lo e ao livre-arbítrio de cada um.
Jornal Vortice ANO III, n.º 01, junho/2010    

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DA EXTREMA SENSIBILIDADE DAS CRIANÇAS À AÇÃO DO MAGNETISMO E DE SEU PRONTO RESTABELECIMENTO


DA EXTREMA SENSIBILIDADE DAS CRIANÇAS  À AÇÃO DO MAGNETISMO E DE SEU PRONTO RESTABELECIMENTO
TRADUÇÃO DE LIZARBE GOMES
Todas as experiências feitas desde Mesmer, sobre as crianças provam que, por sua natureza não estar ainda contrariada pelos abusos da vida, a ação magnética é bem mais rápida e bem mais  salutar sobre elas que sobre os homens.
A filha primogênita da princesa M***, criança de dez a doze anos, disse Puységur (1811) estava em  convulsões violentas há várias horas; sua interessada mãe e a Sra. Ch... sua tia, chorando perto de seu leito, perdiam a esperança de conservá-la. Os pós e os remédios utilizados em casos semelhantes haviam sido infrutuosamente administrados; o mal resistia a energia de todos os medicamentos; ao menos foi o que me disseram as senhoras ao me solicitar que as seguissem a fim de  verificar se o magnetismo, do qual haviam ouvido louvar a eficácia, poderia produzir algum efeito feliz sobre sua pequena doente; atendi às suas súplicas.
Quando entrei na casa da Sra. M***, eu vi o quadro de todas as dores: a pequena Honorine, os olhos verdes e fixos, estava enrijecida e sem  movimento e seus pais,silenciosos em seu redor, pareciam apenas esperar pelo momento de receber seu último suspiro.
Sem lhes dirigir a palavra, sem mesmo lhes pedir um novo consentimento, eu tomei a pequena Honorine em meus braços com o travesseiro no qual ela descansava; eu me sentei e a coloquei assim sobre meus joelhos. Então, sem me ocupar com nada do que se passava ao meu redor, eu me concentrei  inteiramente tocando esta criança com o único propósito de produzir sobre ela o efeito que lhe seria mais salutar. Ao fim de alguns minutos, acreditei perceber o retorno da respiração. Eu coloquei uma mão sobre seu coração e senti fracos batimentos. Eu dizia a cada segundo, para mim mesmo, as observações consoladoras que eu fazia. Meu profundo recolhimento impôs um silêncio o qual, na dolorosa expectativa em que estávamos, ninguém tentou romper. De repente, ouviu-se o ruído tranquilizador de uma abundante evacuação.
Exprimi a alegria que senti e, sem descobrir ainda nem olhar a pequena, eu apenas continuei com mais energia o exercício de minha ação magnética; logo um repouso geral dos músculos e a cessação do estado convulsivo da criança foram os felizes resultados.
Em menos de meia-hora, enfim, eu tive a doce satisfação de devolver a criança aos braços de sua mãe, inteiramente salva do perigo que a ameaçava.
Na Rússia, na Prússia, na Baviera, os efeitos do magnetismo sobre as crianças têm sido pertinentes e admiráveis.
Vê-se frequentemente curas miraculosas entre as crianças, dizem o Sr. Brosse, médico russo e Muck, médico bávaro (1818). Eles não opõem nem dúvidas nem preconceitos à influência magnética.
As crianças são mais dependentes da vontade dos outros, mais suscetíveis, mãos irritáveis e a natureza mais ativa entre elas em todas as funções é mais disposta a se regularizar para restabelecer a saúde.
Uma criança de dez anos, indiferente a tudo e absolutamente idiota, foi trazida a casa do Sr. Wolfart, em Berlim. Ao fim de alguns dias, ele expressou o desejo de retornar ao tratamento quando a hora fixada se aproximava. Eu o vi, disse um desses senhores, quando entrava na casa do Sr. Wolfart, abrir passagem na multidão de doentes para se aproximar dele. Depois de um tratamento de alguns meses, as funções dos sentidos e as do espírito se desenvolveram  maravilhosamente.
Uma criança de quatro anos tinha sido curada de uma coxalgia pela aplicação de um cautério; mas como se havia várias vezes excitado o cautério com o pó epispástico, a criança sofria muito. As dores cessavam assim que eu a magnetizava.
À noite, a mãe tentou magnetizá-la para adormecê-la e consegui tão bem quanto eu. A criança lhe dizia: continue, mamãe, isto me faz bem.
Eu vi, acrescentou este médico, crianças fracas, pálidas, magras, tendo o ventre duro e inchado, em estado de atrofia enfim, e entre as quais o quadro era bem avançado, se restabelecer em pouco tempo pelo magnetismo; a digestão e a nutrição se operavam, os corpos engordavam, os músculos se fortificavam e o crescimento parado se desenvolvia perfeitamente.
Eu sempre notei que o magnetismo agia com mais prontidão, mais força e mais sucesso sobre as crianças.
Eu lembro de uma cura da qual fui testemunha e que me surpreendeu por sua rapidez; é a de uma menina de dois ou três anos. Esta criança parecia bem nutrida, havia engordado, mas não podia se apoiar sobre suas pernas. Quando ela ficava em pé, os joelhos dobravam, ela caía e começava a chorar. Os membros eram, contudo, bem feitos, somente os músculos pareciam frouxos e moles.
Na segunda vez que esta criança foi magnetizada, ela se pôs em pé e na terceira vez, caminhou muito bem.
Entre as doenças as quais já vi curar entre as crianças pelo magnetismo, eu posso citar as paralisias dos membros, as erisipelas, as doenças de pele, os catarros pulmonares obstinados e que faziam temer pela tísica  mucosa, os inchamentos das glândulas, diarréias, vômitos convulsivos, doenças dos olhos.
Os efeitos do magnetismo não são menos surpreendentes nas deformidades do tórax e de outros produzidos pelo raquitismo. Eu vi uma criança em que um desvio bastante considerável da espinha dorsal diminuiu de duas a três polegadas durante um tratamento de cerca de três meses.
Nas dores de cabeça, nas enxaquecas, nas hidrocefalias, na surdez, eu observei crises notáveis pelas secreções e escorrimentos nas orelhas, nos olhos, no nariz e mesmo pela salivação.
Na França, o magnetismo operou com o mesmo sucesso e com a mesma rapidez sobre as crianças.
Uma menina de dezoito meses, diz Deleuze (1825) tinha um terçol que lhe fazia mal. Seu pai a
colocou sobre seus joelhos; ela a magnetizou colocando-lhe a mão sobre os olhos; a criança logo adormeceu. Uma hora depois ela se acordou e o terçol havia desaparecido.
A Sra. *** em Châlons-sur-Marne tinha um filho de seis anos cujos intestinos eram tão relaxados que ele se sujava todas as noites. Tinha-se empregado todos os meios imagináveis para remediar esta enfermidade; enfim, sua mãe tomou a tarefa de magnetizá-lo.
Na primeira vez o magnetismo produziu uma evacuação extraordinária; na segunda vez houve ainda um movimento, mas na terceira vez a criança foi curada.
Conheci uma jovem de doze anos cujas vértebras lombares formavam uma saliência considerável; um respeitável eclesiástico, com quem ela havia feito sua primeira comunhão, aconselhou sua mãe a magnetizá-la e se encarregou de dirigir o tratamento. Em quinze dias as vértebras retornaram a posição que elas deviam ter.
Conforme diz Bruno, como não admirar esta providência adorável que coloca o remédio ao lado do mal, põe entre as mãos de cada um dos membros de uma família os meios de curara ou de aliviar os males inevitáveis aos quais a humanidade está exposta.
Ó mães!! Escutem a natureza, cedam a este instinto que as levam a abraçar sua criança, a apertá-la docemente contra seu seio; levem sobre ela sua mão benfeitora; aplique-a por longo tempo em prece pelo doente sobre as principais vísceras do baixo ventre, sobre o estômago.
Procurem apenas nas preces o socorro que possa ajudá-las em sua ação. Rejeitem com horror estes venenos que, se não matam sua criança alterarão sensivelmente as partes ainda sensíveis de sua organização.
AUBIN GAUTHIER
Jornal Vortice  ANO III, n.º 01,  junho/2010.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Biofótons na Interação Entre o Espírito e o Corpo Físico


Biofótons  na  Interação Entre  o  Espírito  e  o  Corpo Físico
Os seres vivos são considerados como sistemas abertos, pois permanentemente trocam matéria e energia com o ambiente para sustentar a condição vital. No entanto, um uxo ordenado de comandos é necessário para manter tal intercâmbio. A informação necessária à vida chega aos organismos em forma de luz codicada – os biofótons, de forma a possibilitar a denição e controle de estruturas e processos biológicos. O prexo bio foi atribuído aos fótons que são emitidos por fontes biológicas.
Os biofótons possuem a mesma natureza de um feixe laser e podem ser observados na faixa que vai do vermelho ao ultravioleta. Eles são emitidos por todas as células vivas, constituindo uma rede dinâmica de interações holográcas a possibilitar que cada célula possua informação imediata sobre o que qualquer outra célula do organismo esteja fazendo. Um único biofóton é capaz de ativar 1 trilhão de reações por segundo em cada célula, enquanto a média é apenas de cem mil reações por segundo.
O médico russo Alexander G. Gurwitsch descobriu os biofótons nos anos 20. Os seus estudos, esquecidos, foram resgatados pelo biofísico alemão Fritz-Albert Popp na década de 70, ao elaborar as bases teóricas e desenvolver experimentos signicativos que demonstraram a primazia da atuação do campo biofotônico sobre moléculas e átomos nos processos de integração e comunicação celulares.
Vale ressaltar que a vida na Terra só é possível porque a energia e a informação veiculadas pelos fótons emitidos pelo Sol são introduzidas na base da cadeia alimentar através das reações de fotossíntese. A partir desse nível inicial, os biofótons processam, de uma maneira quântica, a informação e a energia relacionadas à própria essência dos fenômenos vitais, em todas as espécies de seres viventes.
O corpo humano é formado por aproximadamente 75 trilhões de células, cujas ações precisam ser coordenadas em seus aspectos temporais e espaciais para desenvolver atividades siológicas adequadas e precisas. O alto grau de ordem e complexidade necessárias à integração de todos esses processos celulares simultâneos não pode ser obtido apenas através do encontro fortuito – favorável – de átomos e moléculas entre si, como propõe o entendimento cientíco atual. Há a necessidade de um nível hierárquico superior, representado por um campo composto por biofótons, a especicar com detalhes quando, onde e em que sequência as reações bioquímicas vão ocorrer, estabelecendo bases correntes para o funcionamento das células e do organismo como um todo.
Ideias cientícas de ponta consideram o campo de biofótons somente em sua interação simultânea e recíproca com o ambiente atômico/molecular existente no interior das células. Esse é o nível máximo visto como coordenação de todas as ações siológicas. No entanto, a experiência mediúnica e o corpo teórico que nos é trazido pela dimensão espiritual impõem uma hipótese mais ampla, que também contemple a possível atuação do referido campo na transmissão de informação do Espírito à matéria, em processo complementar à referida coordenação funcional, exercida apenas no plano mais denso.
O campo biofotônico, por possuir natureza Laser e, portanto, ser base de fenômenos holográcos, apresenta todos os parâmetros eletromagnéticos necessários e sucientes para capacitá-lo a sustentar o permanente uxo de informações entre o Espírito e a matéria.
Mais especicamente, sua ação ocorre justamente na interface que possibilita a comunicação recíproca entre o perispírito e o corpo físico.
Assim, os biofótons podem ser considerados como os agentes que veiculam informações vitais vindas do Espírito para organizar o corpo físico e seu funcionamento. Complementar e simultaneamente, eles conduzem de volta ao Espírito elementos sobre a condição do estado siológico instantâneo do organismo, em retroalimentação, consequentemente também informando sobre as funções e estados desarmônicos que sempre se formam ao longo da existência, quer sejam de natureza física, emocional ou mental. E todo o processo acontece em tempo real, considerando que a velocidade de deslocamento da ‘Luz da Vida’ é a dos biofótons que a compõem.
Rafael Melsert é médico e trabalhador espírita (RJ)


Bibliograa básica:
Bajpai, R.P. (2000).  Implications of biophotons and their coherent nature. In: Beloussov,
L., Popp, F.A., Voeikov, V. & van Wijk, R. (Eds.), Biophotonics and coherent systems. Proceedings of the 2nd Alexander Gurwitsch Conference and Additional Contributions, 135-140. Moscow: Moscow University Press.
Beloussov, L.V. & Popp, F.A. (Eds.) (2003). Integrative biophysics. Dordrecht: Kluwer  Academic Publishers.
Ho, M.W., Popp F.A. & Warnke, U. (Eds.) (1994).  Bioelectrodynamics and biocommunication. Singapore: World Scientifi c Publishing. Popp, F.A. (2000). Some features of biophotons and their interpretation in terms of coherent states. In: Beloussov, L., Popp, F.A.,
Voeikov, V. & van Wijk, R. (Eds.), Biophotonics and coherent systems. Proceedings of the  2nd Alexander Gurwitsch Conference and Additional Contributions, 117-133. Moscow: Moscow University Press.
Tiller, W.A. (2007). Psychenergetic science: a second copernican-scale revolution. Pavior Publishing, Walnut Creek, California.

JANEIRO 2012 r e v i s t a Cultura Espírita – Nº 34 – ANO IV  - janeiro 2012