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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O MAGNETISMO E O ESPIRITISMO COMPARADOS.


DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS 
O MAGNETISMO E O ESPIRITISMO COMPARADOS. 
(Sociedade de Paris, 17 de maio de 1867, méd, Sr. Desliens.) 

PALAVRAS do Codificador
Revista Espírita, junho de 1867
"Quando vivo, ocupei-me da prática do magnetismo do ponto de vista exclusivamente material; pelo menos, assim eu o acreditava; sei hoje que a elevação voluntária ou involuntária da alma que faz desejar a cura do doente, é uma verdadeira magnetização espiritual.
"A cura prende-se a causas excessivamente variáveis: Tal doença, tratada de tal maneira, cede diante da força de ação material; tal outra, que é idêntica, mas menos acentuada, não sofre nenhuma espécie de melhora, se bem que os meios curativos empregados sejam talvez mais poderosos ainda. A que se prendem, pois, essas variações de influências? - A uma causa ignorada da maioria dos magnetizadores que não atacam senão os princípios mórbidos materiais; elas são a conseqüência da situação moral do indivíduo.
"A doença material é um efeito; para destruir este efeito, não basta atacá-lo, tomá-lo corpo a corpo e aniquilá-lo; a causa existindo sempre, reproduzirá de novo efeitos mórbidos enquanto a ação curativa estiver longe.
"O fluido transmissor da saúde no magnetizador é um intermediário entre a matéria e a parte espiritual do ser, e que se poderia comparar ao perispírito. Ele une dois corpos um ao outro; é um ponto sobre o qual passam os elementos que devem levar a cura nos órgãos doentes.
Sendo um intermediário entre o Espírito e a matéria, em consequência de sua constituição molecular, esse fluido pode transmitir tão bem uma influência espiritual quanto uma influência puramente animal.
"Em definitivo, o que é o Espiritismo, ou antes, o que é a mediunidade, esta faculdade incompreendida até aqui, e cuja extensão considerável estabeleceu sobre bases incontestáveis os princípios fundamentais da nova revelação? É puramente e simplesmente uma variedade da ação magnética exercida por um ou por vários magnetizadores desencarnados, sobre um sujeito humano agindo no estado de vigília ou no estado extático, conscientemente ou inconscientemente.
"O que é, de outra parte, o magnetismo? Uma variedade do Espiritismo na qual os Espíritos encarnados agem sobre outros Espíritos encarnados.
"Existe, enfim, uma terceira variedade do magnetismo ou do Espiritismo, segundo se o tome por ponto de partida da ação de encarnados sobre desencarnados, ou a de Espíritos relativamente livres sobre Espíritos aprisionados num corpo; essa terceira variedade, que tem por princípio a ação dos encarnados sobre os Espíritos, se revela no tratamento e na moralização dos Espíritos obsessores.
"O Espiritismo não é, pois, senão do magnetismo espiritual, e o magnetismo não é outra coisa senão do Espiritismo humano.
"Com efeito, como procede o magnetizador que quer submeter à sua influência um sujeito sonambúlico? Ele o envolve com o seu fluido; o possui numa certa medida, e, notai-o, sem jamais chegar a aniquilar seu livre arbítrio, sem poder dele fazer sua coisa, um instrumento puramente passivo.
Frequentemente o magnetizado resiste à influência do magnetizador e age num sentido quando este desejaria que a ação fosse diametralmente oposta. Embora geralmente o sonâmbulo esteja adormecido, e que o seu próprio Espírito age enquanto seu corpo permanece mais ou menos inerte, ocorre também, porém mais raramente, que o sujeito simplesmente fascinado, iluminado, permanece num estado de vigília, se bem que com uma maior tensão de espírito e uma exaltação desabituada de suas faculdades.
"E agora, como procede o Espírito que deseja se comunicar? Ele envolve o médium com seu fluido; ele o possui numa certa medida, sem jamais chegar a dele fazer sua coisa, um instrumento puramente passivo. Vós me objetareis talvez que, nos casos de obsessão, de possessão, a aniquilação do livre arbítrio parece ser completa. Haveria muito a dizer sobre esta questão, porque a ação anulatória pesa mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito que pode se encontrar paralisado, abatido e na impossibilidade de resistir, mas cujo pensamento jamais está aniquilado, assim como se pode notá-lo em muitas ocasiões. Eu acho no próprio fato da obsessão uma confirmação, uma prova em apoio de minha teoria, lembrando que a obsessão se exerce também de encarnado a encarnado, e que se viram magnetizadores se aproveitarem do domínio que exerciam para fazer seus sonâmbulos cometerem ações censuráveis. Aqui como sempre, a exceção confirma a regra.
Se bem que, geralmente, o sujeito medianímico esteja desperto, em certos casos, que se tomam cada vez mais frequentes, o sonambulismo espontâneo se declara no médium, e ele fala por si mesmo ou por sugestão absolutamente, como o sonâmbulo magnético se conduz nas mesmas circunstâncias.
"Enfim, como procedeis com relação aos Espíritos obsessores, ou simplesmente inferiores, que desejais moralizar?
Agis sobre eles por atração fluídica; vós os magnetizais, inconscientemente o mais frequentemente, para retê-los em vosso círculo de ação; conscientemente algumas vezes, quando estabeleceis ao redor deles uma toalha fluídica que não podem penetrar sem a vossa permissão, e agis sobre eles pela força moral que não é outra do que uma ação magnética quintessenciada.
"Como se vos disse muitas vezes, não há lacunas na obra da Natureza, não há saltos bruscos, mas transições insensíveis que fazem que se passe, pouco a pouco, de um estado a um outro, sem se aperceber da mudança de outro modo do que pela consciência de uma situação melhor.

"O magnetismo é, pois, um grau inferior do Espiritismo, e que se confunde insensivelmente com este último por uma série de variedades, diferindo pouco um do outro, como o animal é um estado superior da planta, etc. Num como nooutro, são dois degraus da escala infinita que liga todas as criações, desde o ínfimo átomo até Deus criador! Acima de vós está a luz ofuscante que vossos fracos olhos não podem ainda suportar; abaixo, estão as trevas profundas que vossos mais poderosos instrumentos de ótica não puderam ainda esclarecer. Ontem, nada sabíeis; hoje, vedes o abismo profundo no qual se perde a vossa origem. Pressentis o objetivo infinitamente perfeito para o qual tendem todas as vossas aspirações; e a quem deveis todos esses conhecimentos? ao magnetismo! ao Espiritismo, a todas as revelações que decorrem de uma lei de relação universal entre todos os seres e seu criador! a uma ciência eclodida ontem por vossa concepção, mas cuja existência se perde na noite dos tempos, porque ela é uma das bases fundamentais da criação.
"De tudo isto, concluo que o magnetismo, desenvolvido pelo Espiritismo, é a chave de abóbada da saúde moral e material da humanidade futura.
"E. QUINEMANT."
Nota. A justeza das apreciações e as profundezas do novo ponto de vista que esta comunicação encerra, não escaparão a ninguém. O Sr. Quinemant, embora partido depois de bem pouco tempo, se revela desde o início, e sem a menor hesitação, como um Espírito de uma incontestável superioridade.
Apenas liberto da matéria, que não parece ter deixado sobre ele nenhum traço, desdobra as suas faculdades com uma força notável, que promete a seus irmãos da Terra um bom conselheiro a mais.
Aqueles que pretendiam que o Espiritismo se arrastava na rotina dos lugares comuns e das banalidades, podem ver, pelas questões que ele aborda há algum tempo, se está estacionário, e o verão melhor ainda, à medida que lhes forem permitido desenvolver suas conseqüências. No entanto, ele não ensina, propriamente falando, nada de novo; estudando-se com cuidado seus princípios constitutivos fundamentais, ver-se-á que encerram os germes de tudo; mas esses germes não podem se desenvolver senão gradualmente; se todos não florescem ao mesmo tempo, é que a extensão do círculo de suas atribuições não depende da vontade dos homens, mas da dos Espíritos, que regulam o grau de seu ensino sobre a oportunidade. É em vão que os homens gostariam de antecipar no tempo; eles não podem constranger a vontade dos Espíritos que agem segundo as inspirações superiores, e não se deixam ir pela impaciência dos encarnados; eles sabem, se for preciso, tomar essa impaciência estéril. Deixai-os, pois, agir; fortaleçamo-nos naquilo que nos ensinam, e estejamos certos que saberão fazer dar, em tempo útil, pelo Espiritismo, o que devem dar.

Jornal Vórtice ANO II, n.º 08, janeiro/2010

terça-feira, 9 de outubro de 2012

QUAL A INFLUÊNCIA DOS VÍCIOS NOS RESULTADOS DO MAGNETISMO?


QUAL A INFLUÊNCIA DOS VÍCIOS NOS RESULTADOS DO MAGNETISMO?
JACOB MELO responde

Coisa boa é quando podemos ser exatos como a operação 2 + 2 = 4. Lamentavelmente, nem tudo é assim. A subjetividade e a existência de fatores que  teimam  em  não  seguir  nossa  lógica  são,  por  vezes,  inquietantes  e intrigantes. Em Magnetismo parece que esta é a regra, ou seja, inexiste regra absoluta, matematicamente pronta.
Respondendo à questão proposta, o mais correto seria dizermos que os vícios, notadamente  nos  magnetizadores,  degeneram  os  resultados,  implicam negativamente  no  processo  e  que,  por  isso  mesmo,  não  deve  ser  elemento comum na vida de quem pretende ser bom magnetizador.
Explicando e justificando essa resposta, muitos são os motivos e razões, dos quais alguns enumero rapidamente.
- como a usinagem (transformação de energia fisio-biológica  em fluido vital) se utiliza de elementos orgânicos, se estes estão contaminados, o fluido vital daí resultante consequentemente sai contaminado;
-  parte  do  que  transmitimos  no  passe  magnético  pode  ser  traspassado  de forma praticamente direta e integral a quem o dirigimos; com isso expomos o paciente  a  receber  os  equívocos  e  muitas  consequências  de  nossos  maus hábitos;
- quase sempre vícios denotam imperfeição em quem deles se utilizam e esta pede corrigendas e superações para que não seja transmitida ou pelo exemplo ou pelo contágio;
-  vícios  roubam  vida  e  quem  quer  doá-la  ou salvar  a  dos  outros  não  o  faz melhor consumindo-a de forma desequilibrada;
-  as  qualidades  radiantes  dos  fluidos  dependem  diretamente  da  qualidade orgânica do seu doador e é quase sempre certo que pessoas viciosas trazem corpos desarmonizados, fracos produtores de “radiância fluídica” portanto...
Disso tudo, podemos dizer que os vícios, dos mais simples aos mais graves e desgastantes, são terríveis inimigos dos bons magnetizadores.
O que intriga, entretanto, é que alguns casos parecem fugir à regra.
Quando lidamos com os chamados curandeiros populares, aquelas criaturas simples que na maioria das vezes residem em casas simples e afastadas e que costumam nada cobrar por seus “serviços” de cura, dentre elas encontramos exemplares raros de pessoas que fazem uso regular de alguns vícios e que, apesar disso, detêm um poder magnético soberbo, imenso, super eficaz. De alguma forma, isso gera uma certa contradição com o que acima coloquei.
Para dirimir ou pelo menos tentar entender tudo isso, preciso é que observemos pelo menos dois pontos: a força magnética em si e a conduta moral no todo. Muitos curadores são portadores de um magnetismo (no sentido de poder magnético) acima do normal, o que lhes dá uma força quase irresistível, podendo, por isso mesmo, suplantar até essas questões que vimos analisando. Essas criaturas, fácil perceber, produzem fluidos de exteriorização de alto vigor e penetrabilidade, realizando coisas qualificadas como impossíveis. Creio que seus organismos conseguem usinar os fluidos exteriorizáveis de um jeito muito peculiar, não se deixando envolver pelos campos desarmônicos decorrentes dos vícios. Apesar de possível, a realidade dos fatos nos leva a crer ser muito difícil se conseguir isso de forma genérica e ordinária por todos ou por quem simplesmente o queira. O outro aspecto, o moral, este parece ser bem determinante nesses casos também. Apesar dos vícios, essas pessoas ordinariamente são simpáticas, pacificadoras e sempre recorrem às orações e ao recolhimento para obterem seus melhores resultados. Os que compartilham de suas vidas sempre depõem a favor de sua retidão e sua bondade costumeiras. Muito provavelmente a moral dessas criaturas, ainda que envolvidas em vícios comuns – se é que algum vício possa ser considerado como tal – é serena e cheia de respaldo pelos feitos generosos de amor e bondade frequentes.
Um outro lado da questão são os vícios nos pacientes.
Nesse particular, não vejo como considerar um paciente ou assistido vicioso conseguindo auferir grandes resultados com o Magnetismo, posto que o consumo de vida em cima de desarmonias decorrentes de vícios é força contrária ao benefício buscado.
Já conheci portador de câncer de pulmão que queria se curar para poder voltar a fumar; pessoa com cirrose hepática querendo continuar bebendo; dependentes químicos de alto teor tóxico esperando melhorar para mergulhar mais profundamente no vício... Mesmo pessoas que pararam definitivamente com os vícios que lhes consumiram os corpos e as almas e que pretendem redimir todo comportamento equivocado, ainda assim apresentam dificuldades enormes na busca do sucesso da terapia magnética.
Que esperar de um vicioso que não quer abrir mão do que lhe contamina, lhe dizima a vida?
Assim é bem visível que os vícios são péssimos companheiros de quem queira servir melhor e totalmente dispensáveis para quem queira vencer suas mazelas.
Jornal Vórtice  ANO III, n.º 08, janeiro/2011     

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Magnetismo e Homeopatia, precursores do Espiritismo


Allan Kardec
Magnetismo e Homeopatia, precursores do Espiritismo 
Todo grande pensamento ou idéia religiosa não surge de repente, mas há que se haver uma preparação do solo para que a semente seja lançada e frutifique.  Assim ocorreu com o Espiritismo cujo Codificador, Allan Kardec estudou por 35 anos o Magnetismo Animal ou Mesmerismo antes de se dedicar à Doutrina Espírita. 
A Homeopatia, criação inspirada de Samuel Hanehmann, e o Magnetismo, proporcionaram o  enraizamento de idéias que preparavam as almas européias sensíveis a pensarem o Ser Humano como um ser bio-psico-social dotado de uma alma, componente de uma centelha  que sustenta a vida. Não mais a influência de uma medicina medieval, materialista, mecanicista, mas uma ciência médica voltada para enxergar homem e o princípio vital contido em seu espírito. 
Magnetismo e Homeopatia, portanto, se tornaram forças equilibrantes e opostas, na Europa e no Brasil, às idéias materialistas que permeavam o mundo pós-Inquisição. As doutrinas de Auguste Comte e Spencer seduziam milhares de criaturas se opondo intransigentemente ao sobrenatural, reforçando o “espírito positivo” e rejeitando qualquer cogitação das primeiras causas.

Samuel Hahnemann

•  Ao tempo de Hahnemann, a medicina oficial era um conjunto anacrônico de princípios, teorias e práticas empíricas, eminentemente drenadoras. Sua base eram as “sangrias”, os purgantes, os vomitórios e outros recursos criados sem um estudo metódico e científico.
•  A Homeopatia trouxe uma farmacodinâmica própria, considerando não só os limites materiais do indivíduo, mas penetrando no conhecimento da intimidade discreta e sutil de seu corpo bioplasmático.
Franz Anton Mesmer
Escreveu Mesmer em 1799: As primeiras curas obtidas de algumas doenças consideradas incuráveis pela medicina, suscitaram inveja e produziram mesmo ingratidão, que se somaram para ampliar as prevenções contra meu método de cura. 
 Muitos sábios uniram-se  para fazer cair senão no esquecimento, pelo menos no desprezo, as aberturas que realizei neste campo: divulgou-se por toda parte como impostura.
Mas que, longe de me desencorajar, redobraram meus esforços para o triunfo das verdades que acho essenciais à felicidade dos homens.
Enquanto os Médicos de sua  época exerciam a medicina heróica, tradicional, desde Galeno no século II, por sua vez, Mesmer foi formado pela Universidade de Viena, então reformada por Van Swieden, na escola clínica de Boerhaave (conhecido como professor da Europa ou Hipócrates holandês).
Mesmer cursou as faculdades de teologia, filosofia, medicina, e em parte, de direito. Seu terceiro doutorado, foi em Medicina, pela Universidade de Viena, reformulada por Van-Swieten, discípulo de Boerhaave,  o criador da clínica moderna, que propôs uma retomada dos princípios da medicina científica e vitalista, fruto da observação junto aos pacientes e do uso da razão, recuperando os princípios do pai da medicina, o grego Hipócrates (vis medicatrix naturae). Incluía o estudo de ciências naturais, física, química e as então recentes descobertas fisiológicas. 
 Para Boerhaave, uma  vis vitae, ou força vital, era responsável pela manutenção da saúde orgânica, como para todos os vitalistas científicos, que estavam  se contrapondo ao materialismo mecanicista da medicina oficial, a prática médica heróica milenar.
Muitas mentiras e difamações sofreu Mesmer e até mesmo uma das obras tidas como principais de sua bibliografia, AFORISMOS DE MESMER  foi desautorizada por ele, tendo sido compilada por seus alunos de um Curso dado por ele.
Sua obra principal foi Mémoires de F. A. Mesmer, docteur en médicine, sur ses découvertes. Paris, 1799.  “Memória de F. A. Mesmer, Doutor em Medicina, Sobre Suas Descobertas”. Esta obra, contém o modelo teórico da terapia do Magnetismo Animal, sonambulismo provocado e lucidez sonambúlica.
Diferentes tons de movimentos (vibrações) do Fluido Universal: Luz, eletricidade, magnetismo mineral, gravidade, magnetismo animal e todas as coisas.
A terapia do Magnetismo animal acelera o ciclo das doenças, antecipando a crise (crisis hipocrática) e restabelecendo o estado de equilíbrio, ou saúde.
Esclarece Mesmer em sua obra principal, ainda hoje desconhecida da geração atual: É o empirismo ou a aplicação às cegas dos meus procedimentos, que deram lugar às prevenções e às críticas indiscretas que se fizeram contra esse novo método. Estes procedimentos se não forem razoáveis, se assemelharão a afetações tão absurdas quanto ridículas, às quais será impossível atribuir fé. 
Sexto sentido, instinto, sonambulismo provocado.
1. Como o homem adormecido pode julgar e prevenir suas moléstias, e mesmo as dos outros?
2. Como, sem qualquer instrução, pode indicar os meios mais adequados à cura?
3.  Como  pode  ver  objetos  afastados,  e  pressentir  os acontecimentos?
4. Como o homem pode receber impressões de uma outra vontade que não a sua ?
5. Por que o homem não é sempre dotado dessas faculdades?
6. Como são passíveis de aperfeiçoamento?
7. Por que este estado é mais freqüente, e parece ser mais perfeito após o emprego  do processo do Magnetismo Animal?
8. Quais têm sido os efeitos da ignorância destes fenômenos e quais são eles ainda hoje?
9. Quais são os inconvenientes resultantes do abuso que deles se faz?
DECLAROU KARDEC NA REVISTA ESPÍRITA DE 1868:
O Magnetismo, a Homeopatia, e o Espiritismo A cura só é completa após a destruição das causas.  Eis porque os tratamentos terapêuticos muitas vezes necessitam ser completados por tratamento fluídico e reciprocamente. Eis, também, porque as curas instantâneas, que ocorrem nos casos em que a predominância fluídica é, por assim dizer, exclusiva, jamais poderão tornar-se um meio curativo universal. Não são, consequentemente, chamadas  a suplantar nem a medicina, nem a homeopatia, nem o magnetismo comum.
Hahnemann, por sua vez,  escreveu no ORGANON, a “bíblia” da Homeopatia: Organon Parágrafo 288: 
Neste ponto acho ainda necessário fazer menção ao chamado Magnetismo Animal, ou melhor, ao mesmerismo (como deveria ser chamado, graças a Mesmer, seu fundador), que difere da natureza de todos  os outros medicamentos. Essa força curativa, muitas vezes tolamente negada e difamada ao longo de um século inteiro,  esse maravilhoso e inestimável presente com que Deus agraciou o Homem, mediante o qual, através da poderosa vontade de uma pessoa bem intencionada sobre um doente, por contato, ou mesmo sem ele, e mesmo a uma certa distância, a força vital do mesmerizador sadio, dotado com essa força, aflui  dinamicamente para um outro indivíduo (...) (Parágrafo 288)
Já no Plano Espiritual, viria declarar mais tarde
Hahnemann:
O Espiritismo será um poderoso auxiliar da medicina. Graças a ele, ela abandonará a tradição materialista que, há muito tempo, retardou o seu vôo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

AS VIDAS SUCESSIVAS


AS VIDAS SUCESSIVAS

ALBERT DE ROCHAS

Obra magnífica, lançada em 1911, em francês, onde o autor relata as suas experiências psíquicas com diversas pessoas levadas ao estado de sono magnético.
Além das lembranças reencarnatórias, ele demonstra os diversos fenômenos os quais os sujets apresentavam como insensibilidade física, deslocamento da percepção, progressão de memória, entre outros.
Realmente um livro inestimável que vale a pena conhecer. A sua tradução para o português, de Márcia Jotha, é datada de 2002, com apresentação de Hermínio C. Miranda.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O que é RELAÇÃO FLUÍDICA?


JACOB MELO responde

O que é RELAÇÃO FLUÍDICA, qual a sua importância e como se estabelece?

A relação magnética ou fluídica é algo que sempre foi considerado como imprescindível pelos magnetizadores de todos os tempos. Na verdade, trata-se de um momento extremamente relevante, pois é o "click" que possibilita, de antemão, se saber do sucesso ou da dificuldade pela qual o magnetizador passará na experiência da ajuda, do apoio, do ajuste e, por que não dizer, da própria cura do paciente sob suas mãos.
Costumo fazer uma analogia para que se entenda bem o porquê da necessidade do estabelecimento dessa relação magnética.
É o seguinte: imaginemos que vamos à casa de alguém e, lá chegando, precisamos, de alguma forma, dizer que ali estamos. Quando acionamos a campainha ou batemos à porta, naturalmente alguém virá para perguntar de quem ou do que se trata. Ao anunciarmos nosso nome ou o assunto que nos traz, a pessoa que nos recepciona reagirá de uma dessas maneiras: alegre (se nos conhecer e tiver bom relacionamento conosco), indiferente (se não nutrir maior simpatia por nossa pessoa), aborrecida (se estiver desgostosa), com dúvidas (se não nos conhecer ou não souber avaliar o motivo da visita) ou ainda, pedirá que voltemos depois ou que não adianta insistir, e assim por diante. Pois bem, essa saudação definirá se seremos recebidos, bem ou mal recebidos ou se não devemos insistir. Algo muito semelhante se dá com a relação magnética. Todos temos uma identidade magnética, que nada mais é do que o somatório de nossos padrões vital, fluídico, psíquico e espiritual. Ao nos acercarmos de alguém, mormente quando pretendemos fazer doação ou permuta fluídica, energética, magnética enfim, nossas "identidades fluídicas" se "identificam" e quando não ocorre uma simpatia perfeita entre os campos fluídicos dos partícipes da relação, a permuta fluídica ou o acesso magnético ficam prejudicados, da mesma forma como não nos sentimos bem quando não somos bem recebidos na casa que visitamos.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 07, dezembro/2009

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Revista Espírita, julho de 1867


Revista Espírita, julho de 1867
As pessoas não diplomadas que tratam os doentes pelo magnetismo; pela água magnetizada que não é senão uma dissolução do fluido magnético; pela imposição das mãos, que é uma magnetização instantânea e poderosa; pela prece, que é uma magnetização mental; com o concurso dos Espíritos, o que é ainda uma variedade de magnetização, são elas passíveis da lei contra o exercício ilegal da medicina?
Os termos da lei, certamente, são muito elásticos, porque ela não especifica os meios.
Rigorosamente e logicamente não se pode considerar como exercendo a arte de curar, senão aqueles que dela fazem profissão, quer dizer, que dela tirem proveito. No entanto, viram-se condenações pronunciadas contra indivíduos se ocupando desses cuidados por puro devotamento, sem nenhum interesse ostensivo ou dissimulado. O delito está, pois, sobretudo, na prescrição dos remédios. No entanto, o desinteresse notório é geralmente tomado em consideração como circunstância atenuante.
Até o presente, não se tinha pensado que uma cura pudesse ser operada sem o emprego de medicamentos; a lei, pois, não previu o caso de tratamentos curativos sem remédios, e não seria senão por extensão que se a aplicaria aos magnetizadores e aos médiuns curadores. A medicina oficial não reconhecendo nenhuma eficácia no magnetismo e seus anexos e ainda menos na intervenção dos Espíritos, não se poderia legalmente condenar, por exercício ilegal da medicina, os magnetizadores e os médiuns curadores que nada prescrevem, ou nada mais do que água magnetizada, porque então isto seria reconhecer oficialmente compreender o magnetismo e a mediunidade curadora na arte de curar, e dar um desmentido à faculdade. O que se faz, algumas vezes, em semelhante caso, é condenar por delito de espoliação fraudulenta, e abuso de confiança, como fazendo pagar uma coisa sem valor, aquele que dela tira um proveito direto ou indireto, ou mesmo dissimulado sob o nome de retribuição facultativa, véu no qual não é preciso sempre se fiar. A apreciação do fato depende inteiramente da maneira de encarar a coisa em si mesma; é freqüentemente uma questão de opinião pessoal, a menos que não haja abuso presumido, caso no qual a questãode boa fé entra sempre em linha de conta; a justiça, então, aprecia as circunstâncias agravantes ou atenuantes.
Ocorre inteiramente de outro modo para aquele cujo desinteresse é confirmado e completo; desde que não prescreve nada e não recebe nada, a lei não pode atingi-lo, ou bem seria preciso lhe dar uma extensão que nem o espírito nem a letra comportam. Onde não há nada a ganhar, não se poderia ver o charlatanismo. Não há nenhum poder no mundo que possa se opor ao exercício da mediunidade ou magnetização curadora, na verdadeira acepção da palavra.
No entanto, dir-se-á, o Sr. Jacob não fazia pagar nada, e por isto não foi menos interditado. Isto é verdade, mas não foi nem perseguido, nem condenado pelo fato do qual se tratava; a interdição era uma medida de disciplina militar, por causa da perturbação que poderia causar ao campo de influência das pessoas que a ela se entregavam, e, se depois, foi desculpada dessa interdição, foi que isso lhe foi conveniente. Se ela não tivesse pertencido ao exército, ninguém poderia inquietá-lo. (Vide, Revista de março de 1865, página 76: 0 Espiritismo e a Magistratura.)
Jornal Vórtice ANO II, n.º 07, dezembro/2009

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MAGNETISMO, tratamento ou não?


MAGNETISMO, tratamento ou não?
“Há aqueles que têm como uma verdadeira heresia se falar em curas materiais num Centro Espírita.”
Certa vez, um companheiro de trabalho espírita me disse: acredito que João (nome fictício) já poderia ter o seu tratamento encerrado, pois ele já aprendeu a aceitar com paciência e resignação a sua situação.
É uma pessoa evangelizada e sabe carregar a dificuldade com otimismo.
João estava acometido de uma faringite e de uma labirintite.
Realmente era uma pessoa que, diante da dor, sabia portar-se de cabeça erguida, sem perder a alegria e o entusiasmo pela vida.
Candidatou-se ao tratamento magnético na instituição espírita com a esperança de curar-se das suas dificuldades de saúde. O Magnetismo já tinha conseguido amenizar a sua doença e ele prosseguia no seu tratamento.
João continuou com o tratamento, já que paciência não se desenvolve com aplicações magnéticas e sim através de orientações bem compreendidas e bem vividas. O tratamento continuou até onde foi possível ao Magnetismo amenizar as suas desarmonias físicas.
Infelizmente, muitos passistas sentem-se incapazes de tentar sanar ou mesmo aliviar os problemas de saúde das pessoas que procuram a Casa Espírita.
Acredita-se não ser possível, buscando-se apenas dar-lhes uma sensação de bem estar e resignação na dor. Remete-se então o paciente ao profissional da saúde para que este possa, através dos seus recursos materiais, curá-lo.
Com todo respeito à Medicina e à Psicologia, que tanto bem têm feito aliviando as dores da Humanidade.
Por que a dificuldade de entendimento de que os passes podem ir mais longe na harmonização da pessoa doente? A resposta, acredito que seja: por não se voltar a atenção às lições valiosas deixadas por Allan Kardec no que se refere ao Magnetismo como terapia curativa e aos grandes exemplos de mestres como Mesmer e os magnetizadores que o seguiram.
Há aqueles que têm como uma verdadeira heresia se falar em curas materiais num Centro Espírita. Ora, grandes Espíritos que viveram na Terra cuidaram de aliviar ou curar a dor do próximo mesmo que fosse física.
Jesus, além das orientações morais, não se furtou a curar surdos, cegos, mudos, paralíticos, gente com toda espécie de sofrimento, mostrando como deveríamos praticar a caridade.
E ainda disse: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver. - Mateus, cap. XXV
A Madre Tereza de Calcutá fundou hospitais a fim de tratar as doenças dos irmãos necessitados, exemplificando a caridade e o amor ao próximo, conforme o ensinamento de Jesus.
Da mesma forma, o Dr. Bezerra de Menezes, quando encarnado, era médico e curava corpos. E pelo que se sabe através da literatura espírita, ele continua, do mundo espiritual, assistindo os doentes que ainda se encontram na carne.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V, item 27, vamos encontrar a seguinte passagem: Pensam alguns que, estando-se na Terra para expiar, cumpre que as provas sigam seu curso. Outros há, mesmo, que vão até ao ponto de julgar que, não só nada devem fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, devem contribuir para que elas sejam mais proveitosas,tornando-as mais vivas. Grande erro. É certo que as vossas provas têm de seguir o curso que lhes traçou Deus; dar-se-á, porém, conheçais esse curso?
Sabeis até onde têm elas de ir e se o vosso Pai misericordioso não terá dito ao sofrimento de tal ou tal dos vossos irmãos: “Não irás mais longe?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo da consolação para fazer cicatrizar as chagas que a sua justiça abrira? Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso.”
Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão.
Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação.
Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz.”
A Doutrina Espírita oferece um tratamento integral orientando a alma enferma, harmonizando o perispírito e cuidando das consequências que são as doenças que se expressam no corpo físico. Descuidar-se de uma destas facetas seria desconsiderar o ser humano desviando-se da prática da caridade.
Outros irmãos espíritas condenam que se use o termo “tratamento” nos trabalhos espíritas. Buscando o Minidicionário Ruth Rocha, encontramos, dentre as diversas definições para esta palavra, o seguinte: Tratamento é o processo de combater uma enfermidade.
O que faz o Magnetismo senão combater enfermidades?
Pela definição, ele estabelece um tratamento. Ora, o Magnetismo é uma terapia de cura que oferece como medicamento unicamente a energia vital, o magnetismo do passista ou magnetizador. Com este medicamento natural ele gera curas, alivia sintomas, restabelece a saúde das pessoas. Repassando os olhos no passado, paramos extasiados diante das curas fantásticas que Mesmer e os demais magnetizadores conseguiam, bem acima do alcance médico da época. E pode ser assim no presente, se enxergarmos que esta capacidade também possuímos em maior ou menor grau.
Mas, pergunta-se: o que é que tem se dissermos que tratamento magnético não é tratamento? O que é que muda?
Hoje, talvez não mude nada, mas... e daqui há trinta ou cinqüenta anos quando novas gerações de espíritas surgirem e se acostumarem desde cedo a ouvir que o Magnetismo não trata, que passe tem que ser coisa rápida e que ele é apenas um auxiliar da Medicina?
Será de vez relegado ao plano inferior a que hoje já o arremeteram, como “coisa” de menor importância. E o esforço da Divindade em trazer à Terra através de tantos missionários, em várias épocas, a cura através dos fluidos, terá sido em vão.
Enquanto acharmos que para aplicar passes nada precisamos saber, apenas esperar os Espíritos atuarem e que dois minutos são suficientes para tal, os resultados serão exíguos e muito distantes das reais possibilidades do Magnetismo.
“Trataremos” apenas a paciência do doente.
Com a correta compreensão desta vasta ciência que é o Magnetismo, desenvolvida através do estudo, da pesquisa e da reflexão, aliada à sua prática conscienciosa e desinteressada, os papéis serão invertidos, pois a Medicina, tratando apenas o corpo físico, atua na superfície da doença, enquanto que o Magnetismo, conseguindo acessar a causa perispiritual, passa a ser a terapêutica principal.
Além de tudo, o Magnetismo é a forma de tratamento mais natural, simples e barata que existe. Deveríamos, portanto, desenvolver e incentivar a sua prática, a fim de que tão fabuloso manancial não se perca, podendo se expandir por toda parte levando saúde e harmonia para os que sofrem neste planeta de provas e expiações.
Jornal Vórtice ANO II, n.º 07, dezembro/2009