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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JURAMENTO DO MAGNETIZADOR


JURAMENTO DO MAGNETIZADOR
JURAMENTO DE HIPÓCRATES
Fonte: Wikipédia

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.
JURAMENTO DO MAGNETIZADOR
Depois de ter lido e meditado longamente sobre o sermão de Hipócrates, escrevi aquele que é para os magnetizadores:
“Sobre minha honra e minha consciência, diante de Deus e diante dos homens, Prometo ensinar a todos indistintamente os princípios da arte de curar os doentes pelo magnetismo e os instruirei em sua prática depois que eles tiverem prestado o mesmo juramento que eu.
Eu juro me ocupar exclusivamente da saúde dos doentes que se confiarem a minhas mãos, de secundar entre eles a natureza sem a contrariar jamais e de defendê-los contra todas as ações imprudentes ou nocivas.
Não farei do sonambulismo um espetáculo; não farei com os sonâmbulos nenhuma experiência contrária a sua cura.
Tudo o que me for dito, em sonambulismo e que não precisar ser repetido permanecerá em segredo para todos e para mim.
Em todos os lugares onde for chamado, respeitarei as mulheres e as jovens, não as seduzirei nem tentarei seduzi-las; eu sairei puro de toda ação desonesta.
Se, em minha prática, eu descobrir alguma maneira de fazer o mal, não a divulgarei; recusarei a ensiná-la a quem me pedir o contrário.
Seguirei o juramento com fidelidade, sem violá-lo em um só artigo, se eu fizer o contrário, que eu seja punido pela perda de minha reputação e pelo desprezo público.”
(Aubin Gauthier, Tratado Prático do Sonambulismo e do Magnetismo, 59)
JORNAL VORTICE  ANO II, n.º 03 - agosto/2009

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O QUE CONCORRE PARA UMA BOA OU MÁ RELAÇÃO FLUÍDICA ENTRE MAGNETIZADOR E MAGNETIZADO?


O QUE CONCORRE PARA UMA BOA OU MÁ RELAÇÃO FLUÍDICA ENTRE MAGNETIZADOR E MAGNETIZADO?
Para pessoas que já se acostumaram com os termos e usos do Magnetismo, a questão da simpatia ou da antipatia fluídica é facilmente entendida, mas como nem todos temos afinidade com a terminologia atualmente em uso, preciso reportar-me a esse detalhe.
A simpatia fluídica entre duas pessoas se dá quando ambas, mesmo sem se conhecerem ou sequer jamais terem se cruzado na vida, sentem afinidade entre si, não importando sexo, idade, cor ou crenças.
Já a antipatia é algo que se sente e se percebe entre seres que até podem se conhecer e terem relações próximas ou íntimas, mas sobre as quais parece vigorar uma forte necessidade de distanciamento.
A questão 387 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, nos arremete a um fato considerável; questionou ele: A simpatia tem sempre por princípio um anterior conhecimento?
Os espíritos responderam : “Não. Dois espíritos, que se ligam bem naturalmente se procuram um ao outro, sem que se tenham conhecido como homens”.
Significa dizer que existem causas que não estão presas a um conhecimento prévio de um pelo outro. E isso também se faz sentir no caso das antipatias, pois na questão 390 do mesmo livro ele pergunta:
A antipatia instintiva (entre dois seres) é sempre sinal de natureza má?
Eis a resposta: “De não simpatizarem um com o outro, não se segue que dois Espíritos sejam necessariamente maus.
A antipatia, entre eles, pode derivar de diversidade no modo de pensar. À proporção irá desaparecendo e a antipatia deixará de existir”.
Daí fica perceptível de que “o Pensar” deve gerar “campos” onde se estabelecem dificuldades de relacionamento. Como essas antipatias, em muitos casos, independem de uma aproximação ou constância nos relacionamentos (portanto eles podem se identificar antipáticos mesmo sem se falarem e/ou expressarem seus pensamentos), parece fácil deduzir-se que serão os campos energéticos, magnéticos portanto, que se “reconhecerão” e, a partir daí, se refratarão, no caso dos antipáticos, ou se atrairão, na situação dos simpáticos.
Tudo isso parece ficar ainda mais evidente na questão 388:
Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?
E aqui está uma das chaves do “mistério”: “entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.
A falta que o conhecimento do Magnetismo tem feito é algo profundamente inquietante. Pois que as antipatias ou dificuldades que sentimos junto a certas pessoas, na maioria das vezes creditamos apenas a processos reencarnatórios, sem nos darmos contas de que existem discrepâncias muito relevantes entre os campos fluídicos das criaturas; por efeito contrário se dão as simpatias.
Chegando ao âmago da questão inicial, a maior dificuldade que existe entre magnetizadores e magnetizados se dá, em primeiro plano, às frequências em que cada ser vibra;  se estas são discordantes é de se esperar por uma antipatia magnética; se são concordantes, logicamente tudo concorrerá para uma boa relação fluídica.
Outro motivo está em fatores como vontade e má-vontade; fé e repúdio; desejo de ajudar e desejo de fugir.
Esses fatores, bem se avalia, guardam referências entre os pares da relação.
Por fim, urge saber o essencial: e como diminuir os inconvenientes das antipatias magnéticas?
Além de uma mente voltada ao bem, um desejo sincero de servir e ser servido e boas referências ético-morais para se fazer as convergências no fator “pensamento”, o uso de dispersivos gerais, em todos os níveis, atenuam sobremaneira esses desconfortos, permitindo se produzam grandiosos resultados positivos.


JORNAL VÓRTICE Nº 51 AGOSTO 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A missão de Kardec

A missão de Kardec

Aproximadamente aos dez anos, foi encaminhado a Yverdun, cidade da Suíça, a fim de completar seus estudos em uma escola-modelo da Europa, que funcionava em regime de internato, dirigida pelo célebre pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827).
Aos dezoito anos, retornou à França, fixando-se em Paris, centro da cultura mundial, onde predominava a corrente filosófica do Positivismo, defendida por Augusto Comte. Rivail dedicou-se à instrução e à educação durante aproximadamente trinta anos, tendo sido, inclusive, diretor de escola e professor. Escreveu vários livros didáticos sobre diversos assuntos, entre os quais, aritmética, gramática francesa, química, física, astronomia e anatomia comparada.
Influenciado pelas idéias de Pestalozzi, também escreveu livros sobre a reforma do ensino. Mais tarde, foi compelido a deixar o magistério em virtude do regime educacional implantado na época do imperador Napoleão I, que restringia a liberdade de ensino. Em 1852, teve problemas de vista e quase ficou cego.
Estudou durante trinta e cinco anos o magnetismo, adquirindo sólidos conhecimentos a respeito. Exerceu, ainda, a função de contabilista e tradutor de obras estrangeiras, uma vez que dominava outras línguas, além do francês, entre elas, alemão, inglês, italiano e espanhol.
Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, na obra Allan Kardec, esclarecem que, aos 24 anos, sua preocupação científica e seu caráter eminentemente positivo o fariam escrever numa obra sobre Educação Pública: “Aquele que houver estudado as ciências rirá, então, da credulidade supersticiosa dos ignorantes. Não mais crerá em espectros e fantasmas, não mais aceitará fogos-fátuos por Espíritos”.
Foi, portanto, como racionalista estudioso, avesso ao misticismo, que ele se pôs a examinar os fatos relacionados com as “mesas girantes e falantes”, fenômeno que eclodiria, mais tarde, na Europa, chamando a atenção do mundo inteiro (Obras Póstumas, Feb, p. 265-276).
A esse respeito, analisemos o pensamento transparente do próprio Kardec: “Tendo adquirido, no estudo das ciências exatas, o hábito das coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência (o Espiritismo) nos seus mais íntimos refolhos; busquei explicar-me tudo, porque não costumo aceitar idéia alguma, sem lhe conhecer o como e o porquê.”– (O Que é o Espiritismo, p. 79).
Aos vinte e oito anos, casou-se com Amélie Gabrielle Boudet, também professora e escritora, nove anos mais velha que ele. Não tiveram filhos, o que permitiu ao casal dedicação intensa à nobre missão de educar.
O contato com os espíritos
Aos cinqüenta anos, o professor Rivail tomou conhecimento, pela primeira vez, da existência das mesas girantes e falantes, por meio do Sr. Fortier (outro estudioso do magnetismo). Certa vez, Rivail encontrou-se com um amigo (Sr. Carlot) e este lhe contou a novidade: compareceu a uma reunião em que as mesas não apenas se movimentavam, mas também se comunicavam.
Rivail não levou a sério tal notícia, em virtude do temperamento brincalhão do informante. Entretanto, ao avistar-se novamente com o Sr. Fortier,  este lhe confirma as observações do Sr. Carlot. Diante de tão incrível informação, esta foi a reação “positivista” de Rivail: “Só acreditarei quando vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto da carochinha”. A maioria dessas reuniões, praticada nas rodas sociais, era pública e de caráter leviano, em que as pessoas faziam perguntas fúteis aos espíritos, com relação ao passado, ao futuro e aos fatos corriqueiros da vida particular de cada um.
Levado pelo Sr. Fortier a uma reunião privada, de caráter sério, na residência da Sra. Planeimason, Rivail confirma o que lhe haviam dito. A princípio, Rivail, apoiado nos estudos do magnetismo, considerou que o movimento das mesas pudesse ocorrer por causa dos fluidos elétricos emanados do próprio corpo físico, mas, posteriormente, verificou que os fenômenos provinham de uma causa inteligente independente do médium.
Foi então que o eminente professor passou a comparecer a essas reuniões, movido pelo espírito de pesquisa, oportunidade em que formulava perguntas elaboradas por antecipação, algumas de cunho filosófico e científico. Percebeu, então, que nem todos os espíritos sabiam respondê-las, enquanto outros o faziam com uma profundidade jamais vista. Deduziu, a partir destas observações, que a simples morte física dos homens não os transforma em santos ou sábios. Eles continuam a ser o que foram em vida, com suas virtudes e com seus defeitos.
Ante a importância da magna revelação da Espiritualidade trazida à Terra, Rivail exclamou: “Entrevi naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo. [...] Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave de um problema obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção [seriedade] e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir”.
Perto dos 50 anos, pela primeira vez, Rivail tomou conhecimento oficial da sua missão de codificador da doutrina espírita, por meio de uma comunicação espiritual. Foi na casa do Sr. Roustan, através da médium Japhet. O espírito, que se autodenominou “Espirito de Verdade”, disse-lhe: “Confirmo o que foi dito, mas recomendo-te discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem.”
A missão de Rivail foi confirmada por mais duas vezes, através de médiuns diferentes, em ocasiões e lugares distintos. Assim que tomou consciência da gravidade do chamado que ecoava do Mundo Maior, elevou uma prece ao Criador, mais ou menos nestes termos: “Senhor! pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa-vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre a minha deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios.”
A missão de Kardec
Antes das confirmações de sua missão, Rivail não estava muito motivado com o trabalho que se lhe antepunha, pois não se sentia à altura de exercer tarefa de tamanha magnitude, o que demonstra, mais uma vez, a humildade e a grandeza moral do codificador. Nessa época, alguns amigos e intelectuais insistiram para que aceitasse a tarefa. Eles, que já coletavam material há mais de cinco anos, passaram-lhe cinqüenta cadernos com centenas de comunicações de inúmeros espíritos, colhidas por meio de diferentes médiuns, que cabia a Rivail estudar, classificar, coordenar, organizar e deduzir-lhes as conseqüências. E assim o fez, continuando a freqüentar as reuniões mediúnicas sérias, ocasião em que fazia várias perguntas, submetendo ao crivo da razão e da lógica os ensinamentos dos espíritos. Quando se deu conta, estava totalmente envolvido no projeto, época em que teve a inspiração de reunir aquelas informações em livros, sendo o primeiro deles O Livro dos Espíritos, em forma de perguntas e respostas, finalmente publicado em 18 de abril de 1857.
Faz-se relevante mencionar que Kardec teve, a princípio, grande dificuldade de aceitar o princípio da reencarnação, que não lhe passava pela idéia. Vejamos a sua opinião a respeito: “Esta teoria [da reencarnação] estava tão longe do nosso pensamento quando os espíritos no-la revelaram, que ela nos surpreendeu de maneira estranha, porque, confessamo-lo com toda a humildade, o que Platão havia escrito sobre esse assunto especial nos era totalmente desconhecido, mais uma prova, entre mil outras, de que as comunicações que nos têm sido dadas não refletem, absolutamente, a nossa opinião pessoal. A doutrina dos espíritos acerca da reencarnação nos surpreendeu, pois; diremos mais: contrariou-nos, porque lançava por terra nossas próprias idéias.”.
Por ser o seu nome muito conhecido no mundo científico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar confusão, talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento de formular a codificação, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que, segundo lhe revelara o seu orientador espiritual, ele tivera em uma encarnação recuada, enquanto sacerdote druida.
Adotando o pseudônimo de Allan Kardec, o Professor Hipollyte Léon Denizard Rivail deu grande demonstração não somente de fé, mas igualmente de humildade, considerando que seu nome civil era bastante conhecido e respeitado na França, não somente em virtude de suas obras publicadas, mas também porque descendia de antiga e conceituada família, cujos membros brilharam na advocacia e na magistratura.
Na busca da verdade, Kardec utilizou-se do método intuitivo-racionalista, divulgado por Pestalozzi (1746-1827), na investigação dos fatos, considerando o valor da análise experimental, através da observação e do uso do raciocínio, da analogia, para daí se extraírem, por indução, os resultados e se chegar a enunciados gerais. Dora Incontri, em sua obra Educação e Ética, elucida em que bases se deu a metodologia utilizada pelo codificador: “Procedei do conhecido para o desconhecido; do particular para o geral; do concreto para o abstrato; do mais simples para o mais complicado; primeiro, a síntese, depois a análise. Não a ordem do assunto, mas sim a ordem da natureza.”.
Kardec fundou, em Paris, no dia 01 de janeiro de 1858, a Revista Espírita, palco de maturação e divulgação das idéias espíritas, e, no dia 01 de abril de 1858, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde, durante mais de onze anos, com o concurso de estudiosos e cientistas de renome, se dedicou à pesquisa e ao estudo dos fenômenos psíquicos (Obras Póstumas, Feb, p. 294-295).
Passada a fase de curiosidade dos fenômenos, o Espiritismo foi muito perseguido, de todas as maneiras. Destaca-se, entre as perseguições, a inclusão das obras espíritas no Index Librorum Prohibitorum e a queima de livros espíritas na Espanha, pela Igreja Católica, no famoso episódio conhecido por Auto-de-fé de Barcelona.
Kardec sabia, por orientação da Espiritualidade Maior, que não teria tempo nem saúde para dar seqüência à imensa tarefa de divulgação da doutrina espírita e que outros trabalhadores valorosos continuariam o seu empreendimento. Ele estava consciente, também, de que, se quisesse aprofundar o trabalho que começou, necessitaria mesmo de uma nova encarnação. As leis naturais teriam que se cumprir sem privilégio algum para ele.
Depois de intensa atividade, à qual se dedicou com amor, lealdade, afinco e esforço heróico à causa, Allan Kardec desencarnou com 65 anos incompletos. O desenlace aconteceu em Paris, em 31 de março de 1869, quando estava trabalhando nos preparativos para mudança de endereço. Ao atender um caixeiro-viajante, que estava comprando um número da Revista Espírita, caiu fulminado por um aneurisma cerebral (acidente cardiovascular). Narram os seus biógrafos que o desenlace do mestre de Lyon ocorreu de forma bastante serena.
O corpo do codificador foi sepultado no Cemitério Montmartre, em Paris, na França. Durante o sepultamento, Kardec foi aclamado pelo astrônomo e escritor francês Camille Flammarion (1842-1925) como o “bom senso encarnado”, devido à sua grande inteligência, imparcialidade, discernimento, coerência, zelo e equilíbrio emocional que sempre orientou a sua vida particular e, especialmente, na condução da magna tarefa da codificação da doutrina espírita.
Posteriormente, numa homenagem dos amigos mais íntimos, seus restos mortais foram transferidos para o Cemitério de Pere-Lachaise, conhecido como “Cemitério do Leste”, na mesma cidade, onde foi construído, em granito bruto, um dólmen (monumento ao estilo dos costumes dos povos druidas, com os quais partilhara uma de suas encarnações), com a seguinte inscrição em seu pórtico, que bem resume a doutrina espírita: “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei.” Este monumento encontra-se, até hoje, no mesmo local, aberto à visitação do público.
Sem dúvida, o conhecimento da biografia dos grandes homens auxilia muito no entendimento e na interpretação de suas obras, que invariavelmente recebem grande influência do meio.

Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 44.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Fluidos


1.Fluidos 
Jacob Melo no Portal do Espírito
Fluido (lê-se fluido e não fluído) é um termo genérico empregado pata traduzir a característica "das substâncias líquidas ou gasosas", ou de substância "que corre ou se expande à maneira de um liquido ou gás; fluente"4. Por isso, popularmente falando, designamo-lo como sendo a fase não sólida da matéria, a qual pode se apresentar em quatro subfases5: pastosa, líquida, gasosa e radiante, tendo sido esta ultima apresentada à Ciência por um dos seus mais eminentes sábios, o inglês Sir William Crookes.
O entendimento espírita atribuído ao termo fluido, tal como criteriosamente assimilado por Allan Kardec, pelos Espíritos e por todos os espíritas, não se limita a tão restrita definição. Para nós, fluido é tudo quanto importa à matéria, da mais grosseira à mais diáfana, variando em multiplicidade infinita a fim de atender a todas as necessidades físicas, químicas e inclusive vitais daquela, bem como de sua intermediação entre os ramos material e espiritual. É o fluido não apenas algo que se move a exemplo dos líquidos ou gases, mas a essência mesma desses líquidos, gases e de todas as matérias, inclusive aqueles ainda inapreensíveis por nossos instrumentos físicos ou mesmo psíquicos.
Léon Denis, assimilando as teorias dos Espíritos, explicitou que "A matéria, tornada invisível, imponderável, se encontra sob formas cada vez mais sutis, que denominamos "fluidos". À medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de irradiação sempre crescente; toma-se uma das formas de energia"6. Com este conceito, remontando das conseqüências às causas, consorciava ele seu entendimento às teorias einstenianas por surgirem, chamando fluido de "uma das formas de energia", assim sinalizando o avanço profundo e além-moderno dos conceitos espiritas sobre o fluido.
Na visão do Espírito André Luiz, temos o fluido definido segundo alguns critérios mais extensivos: assim, o fluido, dessa ou daquela procedência, vem a ser"(...) Um corpo cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas"7. "Mas no plano espiritual - continua ele -, o homem desencarnado vai lidar, mais diretamente, com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, (...) absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante à respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanente do Criador, esparsa em todo o Cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para influenciar na Criação, a partir de si mesma. - Esse fluido é seu próprio pensamento contínuo, gerando potenciais energéticos (...)"8.
Partindo-se dessas colocações, fica fácil perceber que o fluido merece uma análise não só profunda como, inclusive, que leve em consideração o plano de observação. Por extensão, convimos que nossos conhecimentos atuais são ainda muito limitados para penetrarmos na essência desta matéria. A necessidade do entendimento da ''mecânica do pensamento'' (tema atualmente estudado por Espíritos desencarnados possuidores de conhecimentos bem avançados e evoluídos) e da própria absorção do fluido vital pela matéria são indispensáveis para o bom conhecimento de como se processa o domínio gerador do pensamento na criação de "potenciais energéticos" no "campo fluídico" esparso por todo o cosmo.
Disso decorre que muita coisa ainda ficaremos por entender, mas, se por um lado coisas existem completamente ininteligíveis para nós, outro numero satisfatoriamente razoável se nos oferece como elemento elucidativo por suas evidências e comprovações.
No que tange ao nosso entendimento dos conceitos eminentemente espíritas em face dos conceitos acadêmicos, observamos que parte de nossas atuais dificuldades se devem às atribuições dadas aos fluidos, tal como foi expandido e apreendido pela Codificação, sem considerar, por desconhecer, as teorias da física moderna, a qual criou termos novos para definir teorias e hipóteses novas, sem falar no próprio advento da Parapsicologia, da Psicotrônica e da Psicobiofísica que, por seus parapsicólogose pesquisadores, abriram campo no seio acadêmico às pesquisas mais aprofundadas sobre tal elemento. Afinal, quando Albert Einstein trouxe ao mundo suas revolucionárias teorias da relatividade e dos campos unificados das forças, e Plank nos trazia à consideração as teorias quânticas, a Codificação já estava para completar seu primeiro cinqüentenário. Apesar disso, a não ser no que diz respeito a terminologias e nomenclaturas, tudo quanto ali está expresso condiz - e vai mais além - com os mais avançados postulados e conceitos das Ciências Modernas.
Por isso, concordamos que o termo fluido, em sua acepção normal, já não traduz exatamente o que ele representa no texto da Codificação. Do que assimilamos das modernas teorias físicas, os conceitos de "campos energéticos" e "campos de força" são aqueles que melhor enquadram o sentido que os Espíritos e Kardec quiseram emprestar ao termo fluido (pelo menos no que se refere à sua abrangência) pois por "campo" não se entenderia uma força unilateral, mas, uma dinâmica multidirecional. Exemplificando, seria como quando acendemos uma vela numa sala escura; a chama, que tem seu foco restrito e localizado, ilumina uma zona que lhe é o "campo" peculiar, não se restringindo esse "campo" à labareda mas à sua ação iluminativa ou, ainda, ao alcance calórico de suas irradiações térmicas.
Nosso confrade Mauro Quintella escreveu interessante artigo10 onde expressa idêntico pensamento: "Modernamente, com base nas teorias quânticas e relativistas (que, como dissemos acima, eram desconhecidas ao tempo de Kardec), a idéia de uma substância a permear o espaço, está voltando a ser reconsiderada. Se é apressado dizermos que essas novas idéias correspondem inteiramente ao conceito espírita, pelo menos temos certeza de que alguma relação guardam entre si, dada a semelhança entre elas e o postulado kardequiano" (parêntese nosso).
O conceito de "campo", todavia, também não será perfeito se não buscarmos fazer uma distinção entre causa e efeito; como, no exemplo da vela, entre a labareda Fonte; causa) e a luminosidade ou o calor (campo; efeito); sem isso, conforme nos sugere André Luiz, "A proposição de Einstein (...) não resolve o problema, porque a indagação quanto à matéria de base para o campo continua desafiando o raciocínio, motivo pelo qual, escrevendo da esfera extrafísica (...), definiremos o meio sutil em que o Universo se equilibra como sendo o Fluido Cósmico ou Hálito Divino, a força para nós inabordável que sustenta a Criação"11 (grifos originais). É uma colocação muito pertinente pois ela pinça uma situação característica de "fonte" onde temos uma marcante conceituação de "campo", ou vice-versa.
Pelo exposto, percebemos que para tratar da causa, do fluido universal (a elementaridade, a "fonte" da qual a matéria se origina), o conceito de "campo" se torna insuficiente e ineficiente mas, para atendermos aos fluidos de uma forma geral, conseqüência portanto, onde se incluem os fluidos cósmico e vital, "campo" é a teoria mais apropriada.
1. XAVIER, Francisco Cândido. Dever espírita. In "Seara dos Médiuns", p. 123.
2. KARDEC, Allan. A criação primária. 1. "A Gênese", cap. 6, item 15.
3. Estes três assuntos serão proximamente merecedores de um estudo mais aprofundado em obra que estamos trabalhando, com o título provisório "Fluidos, perispírito, Centros de Força e Kundalini: uma abordagem racional".
4. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda "Novo Dicionário da Língua Portuguesa", p. 791.
5. Atualmente a Ciência já considera até sete subfases para a matéria.
6. DENIS, Léon. A força psíquica. Os fluidos. O magnetismo. In "No Invisível", cap. 15, pp. 175 e 176.
7. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Alma e fluidos. In "Evolução em Dois Mundos", item Fluidos em geral, cap. 13, p. 95.
8. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Alma e fluidos. In "Evolução em Dois Mundos", item Fluido vivo, pp., 95 e 96.
9. Entendemos por "parapsicólogos" os cientistas que estudam com seriedade os fenômenos paranormais, segundo métodos científicos, e não pessoas que se advogam como tais mas não estudam com profundidade e seriedade o assunto, apenas interpondo, empiricamente, suas observações eminentemente pessoais, destituídas de comprovações.
1.1 - O Fluido universal
Kardec perguntou se há dois elementos gerais no Universo: matéria e Espírito, ao que os Espíritos responderam: "Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo como elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá."
E perguntou mais: "Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?
"Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente"12 (grifamos).
Encontramos ai o fluido universal projetado como se os conceitos de "campo" lhe fossem suficientes. A perspicácia de Kardec, entretanto, vislumbrou se tratar de algo maior, de uma "fonte" inestancável, verdadeiro "vórtice gerador matriz", pelo que ele "entrevistou" o Espírito São Luiz13, obtendo deste informações de que o fluido universal é o elemento universal, "o princípio elementar de todas as coisas e que, para o encontrarmos na sua simplicidade absoluta, precisamos ascender aos Espíritos puros". Fica assim registrado que, além de elemento, ele é o princípio, a causa, a "fonte", o que difere conceitual e estruturalmente das conseqüências, o "campo".
Dessa forma confirmamos que o fluido universal não pode ser conhecido totalmente por Espíritos de nosso nível pois para apreendê-lo em sua intimidade precisaríamos ascender a Espíritos puros; nem poderemos atribuir-lhe, com segurança, os conceitos de "campo" tal como frisamos, sob pena de restringi-lo em sua verdadeira e maior função; mas podemos assimilá-lo com suficiente segurança, pela exploração e pesquisa do fluido cósmico, até o ponto que as Ciências, espírita e oficial, forem abrindo horizontes para um melhor registro e um mais perfeito entendimento.
Apresentamos, entretanto, uma definição de fluido universal que acreditamos abarca suas mais evidentes características: O FLUIDO UNIVERSAL, como elemento cosmogônico básico, verdadeira prima-fonte, assomando a característica de matriz funcional do grande campo criador do universo material, com seus universos macros e micros, visíveis e invisíveis, densos e tênues, criados e por criarem-se, irrompe conceitualmente como a unidade criacionista das forças, a síntese das energias, o plano e o antiplano da matéria.
10.Considerações sobre o fluido cósmico universal. Correio Fraterno do ABC, edição sem data.
11. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Fotônios e fluido cósmico. In "Mecanismos da Mediunidade", item "Campo" de Einstein, cap. 3. p. 39.
12.KARDEC, Allan. Espírito e matéria. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 2.
13.KARDEC, Allan. "Da teoria das manifestações físicas. In "O Livro dos Médiuns", cap. 4.
1.2 O Fluido Cósmico (ou a Grande Derivação do Fluido Universal)
A primeira grande derivação do fluido universal é o fluido cósmico, o fluido que enche todos os vazios, "o meio sutil em que o Universo se equilibra" e faz com que a matéria adquira "as qualidades que a gravidade lhe dá", um verdadeiro "campo energético" pleno de elementos transformáveis, adaptáveis, expansíveis, contráteis, manipuláveis enfim.
Anotemos as palavras do Espírito André Luiz a respeito: trata-se do "Plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano" 14 "Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, (...) extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constróem os sistemas da Imensidade.. "15 "Em análogo alicerce, as Inteligências humanas (...) utilizam o mesmo fluido cósmico, em permanente circulação no Universo (...) assimilando os corpúsculos da matéria com a energia espiritual que lhes é própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou cunhando as civilizações que abrangem no mundo a Humanidade Encarnada e a Humanidade Desencarnada. Dentro das mesmas bases, plasmam também os lugares entenebrecidos pela purgação infernal, (...) e que valem por aglutinações de duração breve (...)Na essência, toda a matéria é energia tornada visível e toda a energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação..."16. (Grifamos.)
Rapidamente percebemos que André Luiz se refere, sublinearmente, aos conceitos de "campo", chamando o fluido cósmico ora de "substância original", ora de "força divina". Deduz-se, por interpolação, que os conceitos de "fonte" não foram ali considerados.
Em "A Gênese" encontramos: "A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno17. (Grifamos.)
Percebamos como inicialmente foi inserido o termo "matéria cósmica primitiva" num sentido de "campo" e não de "fonte"; considerado foi que ela "continha os elementos materiais, fluídicos e vitais", e não que os gerou (atente-se que gerar é diferente de criar). No momento seguinte, quando titulada de "mãe" "avó" a um só tempo, ficou transparente o reconhecimento de se estar lidando com dois conceitos distintos; enquanto que a "mãe fecunda" é data imagem de "campo energético", com suas cargas disseminadas e disponíveis à "manipulação", a "primeira avo , a "eterna geratriz" robustece a característica de "fonte primacial", literalmente "a mãe da mãe".
Observemos que eles retratam o quadro da "geração" do "campo cósmico" na imagem da "avó", e o painel auto-renovável daquela matéria cósmica quando lembra que ela "recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno", alusão direta ao "tudo se transforma", ao princípio da conservação de energia.
Disso tudo que temos analisado, acreditamos estar visível que fluido - mesmo o universal - não é Espírito nem princípio espiritual pois, em sua natureza, o Espírito é "O princípio inteligente do Universo"18; e inteligência é atributo que o fluido não possui, além do que "A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência. Mas a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se. Necessário é que o Espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la"19. Assim nos dizem os Espíritos da Codificação.
Raciocinando com Kardec, o estado de eterização do fluido é considerado como o estado primitivo, normal, enquanto que o de materialização resulta das transformações daquele, ao ponto de se apresentar como matéria tangível nos seus múltiplos aspectos. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível, sem que se verifique, todavia, transição brusca. A cada, um tipo de fenômeno especial; ao segundo, os fenômenos do mundo visível; ao primeiro, do invisível. Na eterização o fluido não é uniforme; suas modificações propiciam o surgimento de fluidos distintos que, se para os homens são invisíveis, para os Espíritos é como se materiais fossem, possibilitando, inclusive, a "manipulação" dos mesmos por Espíritos esclarecidos. Mas, aí remata ele: "Ainda não conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível; o porvir, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se nos conserva em mistério"20. Sem dúvida alguma as teorias quânticas e relativistas se encontram entre ditas leis.
Uma observação, contudo, merece registro: Kardec faz referencia ao que usualmente chamamos de fluido espiritual. Nos adverte ele, com justa razão, que não se trata de uma qualificação exata pois os fluidos são sempre materiais, entretanto, tal nomenclatura exprime e transmite a idéia de estarmos nos referindo aos "fluidos utilizados pelos Espíritos, pelo que se torna pertinente o uso. Não percamos tal observação para não cairmos em desentendimentos.
14.XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Fluido cósmico. In 'Evolução em Dois Mundos", cap. 1, p. 19.
15.XAVIER, Francisco C&>dido e VIEIRA, Waldo. Co-criação em plano maior. In ~ em Dois Mundos", cap. 1, p. 19.
16.XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Co-criacão em plano maior. In "Evolução em Dois Mundos", cap. 1, p. 23.
17. KARDEC, Allan. Uranografia geral. In "A Gênese", cap. 6, item 17.
18.KARDEC, Allan. Espírito e Matéria. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 2, questão 23.
19.KARDEC, Allan. Inteligência e instinto. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1'., cap.
4, questão 71.
20.KARDEC, Allan. Os fluidos. In "A Gênese", cap. 14, item 6.
1.2.1-O Princípio e o Fluido Vital
É o próprio São Luiz21, respondendo a Kardec, quem nos orienta:
"22. Se bem compreendemos o que dissestes, o princípio vital reside no fluido universal; dele o Espírito extrai o envoltório semimaterial que constitui o seu perispírito e é por meio desse fluido que atua sobre a matéria inerte.
É isso mesmo?
"Sim; isto é, ele anima a matéria por uma espécie de vida fictícia; a matéria se anima pela vida animal (...)".
Pelas colocações do sábio São Luiz, temos confirmado que a vida vem por ação do princípio vital, o qual, por dedução direta, é um "campo". Sendo "princípio" definido como "qualquer das causas naturais que concorrem pata que os corpos se movam, operem e vivam"22, vemos que o princípio vital é o "toque mágico" propiciador da vida, o "interruptor" vital que faz a interligação de um "campo" específico chamado "fluido vital" com elemento(s) proveniente(s) de outro "campo" (Principio Espiritual). Isto é interessante seja notado pois podemos ter, como temos, fluidos vitais dispersos, latentes, acumulados mesmo, nos grandes campos do fluido cósmico, sem que ali se dê a vida propriamente dita; é que aí ainda estaria faltando a "combinação" ou "interação" desses dois campos entre si a qual só se dá ante a propiciatura ativa do "princípio vital".
Eis Allan Kardec em "A Gênese"23 a respeito: "(...) Há na matéria orgânica um princípio especial, inapreensível e que ainda não pode ser definido: o princípio vital. Ativo no ser vivente, esse princípio se acha extinto no ser morto (...)" (grifos originais). E mais adiante ele afirma: tal princípio é "(...) Um estado especial, uma das modificações do fluido cósmico, pela qual este se torne princípio de vida (...)".
A vida, portanto, como "efeito" decorrente de um agente (princípio vital) sobre a matéria (fluido cósmico), tem, por sustentação, a matéria e o princípio vital em estado de interação ativa, de forma continua. Decorrente da mesma fonte original - pois "reside" no "fluido magnético animal", que, por sua vez, não é outro senão o fluido vital - tem, contudo, a condição peculiar de veicular o contato com o princípio espiritual.
Assim estabelecidos, tomemos o Espírito Emmanuel quando nos diz que a força denominada princípio vital é a "(...) essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas. O principio vital é o agente entre o corpo espiritual, fonte da energia e da vontade, e a matéria passiva, inerente às faculdades superiores do Espírito, que o adapta segundo as forças cósmicas que constituem as leis físicas de cada plano de existência, proporcionando essa adaptação às suas necessidades intrínsecas"24 (grifamos).
Acompanhemos agora a resposta dos Espíritos dada à seguinte questão:
"Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?"
"A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu"25. Interessante resposta; enquanto a matéria bruta se recomporá através de outros organismos, o princípio vital (matéria sutil) retornará à sua "massa" original (fluido cósmico). O fluido vital, quando o organismo vive, está ativado pelo princípio vital que dá àquele e a todas as suas partes "uma atividade que as põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente pata lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.
"(...)A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. (...) Alguns há, que se acham, por assim dizer, saturados desse fluido, enquanto outros o possuem em quantidade apenas suficiente.
"A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm.
"O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro"26
Por força do que vimos dizendo, falar de princípio vital requer abordemos um outro princípio: o espiritual, a fim de que não façamos confusão entre as duas coisas. Para elucidar com segurança, busquemos a Codificação:
"5 - São a mesma coisa o principio espiritual e o principio vital?
"(...) Ora, desde que a matéria tem uma vitalidade independente do Espírito e que o Espírito tem uma vitalidade independente da matéria, (.,.) essa dupla vitalidade repousa em dois princípios diferentes.
"6 - Terá o princípio espiritual sua fonte de origem no elemento cósmico universal? (...)
"Se fosse assim, o principio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria; extinguir-se-ia pela desagregação, como o princípio vital; (...)
"7 - Admitindo-se o ser espiritual e não podendo ele proceder da matéria, qual a sua origem? (...)
"Aqui, falecem absolutamente os meios de investigação, como para tudo o que diz respeito à origem das coisas (...)"27 (grifamos).
Com essas seguras respostas, os Espíritos nos informam que ainda não chegamos ao nec plus ultra, ao nada mais além. No-los afirmam que muito haverá a ser desvendado, investigado, descoberto, trabalhado. Norteiam nosso entendimento sob vários aspectos, inclusive dando-nos uma pista que nos favorece entendamos por que os materialistas se sentem com razão quando atribuem ávida uma função meramente maquinal, material; mas não remontam à gênese.
Partindo daquelas explicações, onde o princípio vital tem um significado ímpar perante a vida, mesmo sendo fruto do fluido cósmico e não do princípio espiritual, fica fácil entendermos "a vida". Não poderíamos esperar que o Espírito agisse independente da matéria, quando ele nela se encontra encarnado. Sendo a matéria (corpo) o meio de expressão do Espírito, terá aquela, forçosamente, que fornecer as condições requeridas para que este se manifeste, qualquer que seja o nível em que isto se dê. Daí, inclusive, vermos tão profundas e estreitas ligações das potencialidades orgânicas com as manifestações do Espírito. Mas, apesar disso, não fica nenhuma dúvida quanto à dualidade do princípio criativo pois à essência espiritual a matéria não pode negar existência (...)nem explicar jamais! E isso aprendemos, de forma veemente, desde o tempo do Cristo:
"O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito"28.
Disso tudo, portanto, fica destacado que a Inteligência, o Espírito propriamente dito, se origina de outro princípio que não é o fluido universal mas sim o Princípio Espiritual (ou Princípio Inteligente Universal).
Neste ponto, podemos fazer uma síntese: (FIGURA 1)
DEUS: Pai e criador; "inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Dentre essas "todas as coisas" Ele criou:
O FLUIDO UNIVERSAL: "fonte" e princípio básico de todos os fluidos, o qual derivou (e continua a gerar) um grande campo:
O FLUIDO CÓSMICO: primeira (e talvez única) e maior decorrência do fluido universal, o qual, além de gerar todos os universos, macros e micros, tem dentro de si mesmo um outro campo:
O FLUIDO VITAL: que é o responsável, quando "combinado" com o fluido cósmico, ou com outras de suas derivações, através do agente chamado PRINCÍPIO VITAL segundo padrões muito especiais, pela vida.
Voltando a DEUS, na outra grande vertente da Criação, surge:
  • PRINCÍPIO INTELIGENTE (UNIVERSAL): "fonte" do "elemento espiritual" que virá a ser o Espírito Imortal; o "acionador" do P. V.
21.TEORIA DAS Manifestações Físicas - II. Revista Espírita", jun. 1858, p. 155.
22.AULETE, Caldas. "Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa", vol. 4, p. 4.078.
23.KARDEC, Allan. Gênese orgânica In "A Gênese", cap., 10, itens 16 e 17.
24. XAVIER, Francisco Cândido. O corpo espiritual. In "Emmanuel", cap. 24, item "Através dos escaninhos do universo orgânico", p. 132.
25. KARDEC, Allan. A vida e a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 4. questão 70.
26. KARDEC, Allan. A vida e a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In "O Livro dos Espíritos", Parte 1:, cap. 4, questão 70.
27. KARDEC, Allan. Gênese espiritual. In "A Gênese", cap. 11, item Princípio espiritual.
28. João, III, v. 6.
1.3. - Conhecendo o Fluido
O fluido cósmico sofre, primordialmente no estado de eterização, inúmeras modificações, podendo ou não deixar de ser etéreo, vindo a formar fluidos diferentes. Não obstante a mesma origem, tais fluidos adquirem propriedades especiais. Assim como, num processo chamado alotrópico, a combinação de dois átomos de oxigênio é o que chamamos de oxigênio simples, enquanto a combinação de três desses átomos faz com que se obtenha o ozônio, assimilamos a possibilidade da autocombinação poder produzir um outro elemento de padrão diferente do original sem, contudo, destruir-lhe ou negar-lhe a origem. O mesmo se dá, em formas e condições bem diversas e mais ricas, com o fluido cósmico, que não apenas se combina de maneira alotrópica mas por uma infinidade de meios, físicos, psíquicos e químicos, que nem sequer vislumbramos a quantidade nem, muito menos, o modus operandi.
"Sabemos que o fluido universal, ou fluido cósmico etéreo, representa o estado mais simples da matéria; sua sutileza é tal que escapa a toda análise. E, entretanto, desse fluido procedem, mediante condensações graduais, todos os corpos sólidos e pesados que constituem a base da matéria terrestre"29. "O mundo dos fluidos, mais que qualquer outro, está submetido às leis de atração. Pela vontade, atraímos forças boas ou más, em harmonia com os nossos pensamentos e sentimentos". Conhecendo essas informações, podemos assegurar que "A vontade de aliviar, de curar, comunica ao fluido magnético propriedades curativas. O remédio para nossos males está em nós"31. "O magnetismo, considerado em seu aspecto geral, é a utilização, sob o nome de fluido, da força psíquica por aqueles que abundantemente a possuem"32. (Citações de Léon Denis.)
Disso ressalta a precisão com que o fluido interfere em nossas vidas. Sua condição de afinidade, seu atendimento pela vontade, sua harmonização com os pensamentos e sentimentos, fornecem elementos básicos à nossa tarefa de cura, tanto quanto ao alcance como à necessidade de nos posicionarmos moralmente equilibrados para melhor podermos usufruir de suas virtudes.
29. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 20, p. 280.
30. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 184.
31. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 181.
32. DENIS, Léon. In "No Invisível", cap. 15, p. 180.
1.4 - Percepção - Assimilação
"Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.
"Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de comparação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os fluidos do ímã (..,)"33. (Kardec.)
Dessas palavras deduzimos que muito acerca de fluidos só poderemos alcançar através da percepção sub-reptícia, quer tátil, quer intuitiva, ou então por dedução lógica e filosófica; entretanto, fato é que eles existem e que sua teorização não se estriba apenas em matéria impalpável tal qual eles, em sua maioria, o são. Seus efeitos são sentidos, percebidos, medidos alguns e evidenciados sempre, seja pela pujança do fato, seja pela dedução do mesmo, pelo que nos compete o estudo sério e aprofundado.
O pensar34 metaboliza o fluido cósmico, plasmando as imagens geradas pela mente, sendo, por isso mesmo, uma força criadora. O fluido vital não é mero produto mental, pois, se assim o fosse, as plantas e os animais não o possuiriam, posto que, não pensam.
Mas, isso não diz que esse fluido não seja afetado pelo impulso mental; é, e não é pouco! Pela maleabilidade e impressionabilidade dos fluidos, nosso vetor moralidade exerce forte ponderação nos destinos que lhes são decorrentes. Isto podemos confirmar numa colocação do Espírito Aulus quando explanava sobre o sistema de defesa espiritual de um médium moralmente equilibrado: "Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra. (...). Os raios luminosos da mente orientada para o bem incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas elétricas"35. Esta colocação, inclusive, responde às duvidas muito comuns sobre o destino dos fluidos que são dispersados por ocasião dos passes. Notemos que a moralidade elevada exerce verdadeira desintegração sobre os fluidos nocivos, não alcançando estes, portanto, aquele que se exercita nas práticas morais do Evangelho de Jesus, inclusive através do passe.
Concluímos, portanto, que podemos perceber os fluidos através de nosso próprio referencial; nosso ambiente mental definirá a camada fluídica que nos rodeia e que de nós emana, em favor ou contra o próximo. Como o fluido se comporta segundo a lei de afinidade, fácil percebermos tanto o ambiente fluídico que nos envolve como nos é favorecida sua assimilação, segundo idênticos critérios.
33.KARDEC, Allan. Os fluidos. IR "A Gênese", cap. 14, item 4.
34.Pensar (atributo do Espírito), como verbo, traduz ação. Pensamento, substantivo, produto do pensar. Neste sentido é que estamos usando os termos.
35.XAVIER, Francisco Cândido. Psicofonia sonanbúlica. IR "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 8, p. 49.
33.KARDEC, Allan. Os fluidos. In "A Gênese", cap. 14, item 4.
34.Pensar (atributo do Espírito), como verbo, traduz ação. Pensamento, substantivo, produto do pensar. Neste sentido ~ que estamos usando os termos.
35.XAYIER, Francisco Cândido. psicofonia sonambúlica. Ia "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 8, p. 49.
1.5 - Propriedades Físicas
Retomando a "A Gênese", de Allan Kardec, ficamos sabendo que os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, que são os fluidos etéreos, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando, sobremaneira, o pensamento e a vontade. Por estes, e aqui relembramos a plasticidade dos fluidos etéreos, imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, aglomerando-os, combinando-os, dispersando-os, organizando com eles conjuntos que constituem uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases e de outros corpos e substâncias, fazendo-os agirem e interagirem segundo certas leis.
Os fluidos não possuem qualidades "sui-generis"; as adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio. Portanto, dizendo-se que tal fluido é bom ou mal, nos referimos ao "produto final" e não a sua generalidade. O fluido cósmico é puro e suas derivações são produto das "manipulações", em níveis e padrões variados ao infinito. Os fluidos derivados são mais ou menos úteis, para tais ou quais casos, sendo excelentes para certos usos e sofríveis para outros. O uso e a assimilação que se tenha dos fluidos é que também podem repercutir. Podemos ter um fluido "fino", bastante rarefeito, proveniente de uma fonte "elevada", mas que, para determinado tratamento, seria preferível um fluido mais material, mais denso, pelo que aquele se tornaria menos eficiente que este. De outra forma, seríamos levados a crer que os fluidos teriam personalidades próprias; não as tem, são fluidos, são matéria. Suas qualidades são produtos das "manipulações" mentais, psíquicas, espirituais, ainda que com profundas repercussões físicas.
Do ponto de vista moral, os fluidos trarão impressos em si mesmos, pelas vibrações especiais que se lhes agregam, o cunho dos sentimentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, humildade, doçura, afeto e carinho, com que venham a ser laborados.
No caso do fluido magnético, conforme nos assevera Michaelus, sabemos que ele, "Por si só, não apresenta nenhuma propriedade terapêutica, mas age principalmente como elemento de equilíbrio. De sorte que o desequilíbrio (...) dos fluidos magnéticos que envolvem todos os órgãos do corpo humano acarreta a desordem nas funções desses órgãos e, daí, a caracterização do que chamamos doença. Todas as vezes, portanto, que se rompe o equilíbrio, quer por excessiva condensação ou concentração, quer por excessiva dispersão de fluidos, cumpre restabelecê-lo e, daí, a cura"36.
Com esta colocação Michaelus desmistifica o fluído, mesmo o magnético. Sua propriedade básica no fenômeno das curas é o do restabelecimento do equilíbrio fluídico, através da mudança fluídica que está a gerar o fator doença.
1.6 - Os Fluidos no Magnetismo
Vamos, sucintamente, registrar as observações feitas por Michaelus, a partir de diversos magnetizadores (Deleuze, Aubin Gauthier, Du Potet e Ed. Bertholet, entre outros), e que importam ao magnetismo. Para não nos estendermos demasiadamente, aditaremos alguns breves comentários, colocando-os entre parênteses.
"1. - O fluido magnético, que se nos escapa continuamente, forma em torno do nosso corpo uma atmosfera. Não sendo impulsionado pela nossa vontade, não age sensivelmente sobre os indivíduos que nos cercam (...) (Observemos como a vontade tem um valor preponderante nas chamadas fluidificações ou influências fluídicas. Por outro lado, como toda regra tem exceção - diz a regra -, casos há em que pela excessiva sensibilidade alguém pode sentir e registrar as emanações fluídicas de uma outra pessoa, sem que seja necessariamente acionado o dispositivo da vontade do emissor; são os sensitivos em ação.)
"2. - O fluido penetra todos os corpos animados e inanimados.
"3. - O fluido possui um odor, que varia segundo o estado de saúde física do indivíduo, dos seus dotes morais e espirituais, e do seu grau de evolução e pureza. (...) O odor e a coloração do fluido estão na razão direta do estado de evolução da alma ou do Espírito (...) (Portanto, nada de se pensar que apenas as condições físicas interessam à economia fluídica do indivíduo.)
"4. - O fluido é visto pelos sonâmbulos como um vapor luminoso, mais ou menos brilhante (...) (Regra geral mas não única.)
"Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos (...)
"5. - O fluido magnético não é o fluido elétrico (...)
"6. - O fluido se propaga a grandes distâncias, o que depende, entretanto, da qualidade e da força do magnetizador, e igualmente da maior ou menor sensibilidade magnética do paciente. (Por "força do magnetizador" entenda-se "força fluídica" e não física.)
"7. - O fluido está também sujeito às leis de atração, repulsão e afinidade (...) (Isto explica muitos problemas verificados nas aplicações de passes e nas fluidoterapias em geral.)
"8. - Precisamente porque o fluido varia de indivíduo a indivíduo, é de notar-se que certos magnetizadores têm mais facilidade em curar determinadas moléstias do que outras. (...) Convém não esquecer que, além do fluido propriamente humano, outros fluidos, dotados de diferentes propriedades, que ainda não conhecemos, poderão intervir na ação magnética (...) (Parece que os magnetizadores queriam falar na ação dos Espíritos. Constatamos que certos médiuns não têm grande força ou impulsão magnética de per si, mas, passam a produzir com fartura quando submetidos à assistência Espiritual evocada e consentida, confirmando como a ação da parte dos Espíritos não só é de grande proveito, mas, diríamos, indispensável.)
"9. - O estado atmosférico pode de certo modo aumentar ou diminuir a intensidade do fluido e, portanto, a eficácia da magnetização (...) (Esta observação não faz muito sentido por dois motivos: quando lidamos com fluidos espirituais, estes não se comportam exatamente como os magnéticos, nem quando aplicados em sua forma mista; por outro lado, magnetizadores contemporâneos comprovaram que tais estados atmosféricos não influem no magnetismo animal, como o evidencia a ação da fluidoterapia a distância.)
"10. - A quantidade de fluido não é igual em todos os seres orgânicos, variando segundo as espécies, e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie (...)
"11. - São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. (...) Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.
"12. - A ligação entre o fluido magnético e os corpos que o recebem é tão íntima que nenhuma força física ou química pode destruí-lo. Os reativos químicos e o fogo nenhum efeito têm sobre ele (...) (Mas o efeito da moralidade ou da falta dela são incontestáveis.)
"Donde se conclui que há muito pouca analogia entre os fluidos imponderáveis que os físicos conhecem e o fluido magnético.
"13. - Por último, não é demais repetir que o magnetismo ensaia os seus primeiros passos e que muito pouco sabemos sobre o seu principal veículo do fluido, e que só o estudo e a experimentação poderão um dia descortinar o vasto e ilimitado caminho a percorrer"37. (Esta é a parte mais óbvia disso tudo, mas, infelizmente, poucos têm dado a atenção que é devida a tão fascinante estudo.)
Ao final, queremos ressalvar que nem tudo o que é bom e certo para o Magnetismo, como Ciência, o é igualmente para os passes, como prática espírita, pelo que vale termos em mente o cuidado para não tomarmos a especificidade daquele pelo geral das Leis deste, ou a generalidade do Magnetismo pelas particularidades do passe Espírita.
36. MICHAELUS. 1. "Magnetismo Espiritual", cap. 10, p. 80.
37. MICHAELUS. IR "Magnetismo Espiritual", cap. 6, pp. 46 a 50.

O Passe. Seu estudo, suas técnicas, sua prática. - FEB